Legend of the Forest
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Legend of the Forest
Osamu Tezuka - Tezuka Productions
Anime - Filme
1987
7 em 10
Seguidamente, avançamos um pouco no tempo para ver uma animação experimental com uns toque de modernidade. O tema é a natureza e a sua destruição pela parte do homem, mas também como esta dá sempre a volta e é impossível destruí-la totalmente.
Ao som de Tchaikovski, vemos duas histórias distintas. Primeiramente, acompanhamos a história de um esquilo que, ao perder a sua árvore de residência, é criado por uma outra árvore. Ao crescer, descobre que pode voar, pois é um esquilo voador. O estilo de animação varia entre algo que poderia ser considerado um desenho técnico, numa cena espectacular de fuga e sobrevivência, passando para uma opção estilística muito mais ocidental, numa mistura de Looney Toons e Disney. No entanto, a narrativa não se conjuga em nada com a destes dois estilos. É como se fosse um Bambi em que tudo corresse ainda pior, de forma realista, emocionante e até tocante. À medida que o nosso personagem cresce, também o seu desenho vai mudando, até atingir uma certa maturidade que é necessária para o desfecho moral da história.
Na segunda parte, um ditador em tudo semelhante ao Fidel Castro destrói a floresta com a sua maquinaria. As pessoas da floresta, entre animais, fadas e cogumelos que andam (!), têm de tomar uma decisão em relação ao que hão-de fazer. Acabam por decidir por uma via pacífica que, ao não funcionar, acaba por levar à vitória da natureza. Também esta secção tem influências ocidentais, com um grande toque de Fantasia nos elementos feéricos. No entanto, a caracterização moderna do ditador como elemento destruidor, não só da humanidade mas de tudo o que a rodeia, é um toque que faz toda a diferença.
Esta curta metragem poderá passar um pouco desapercebida pelo seu estilo admitidamente ocidental, mas sem dúvida que vale a pena dar-lhe uma olhadela.
By : ladyxzeus
Pictures at an Exhibition
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Pictures at an Exhibition
Osamu Tezuka - Mushi Productions
Anime - Filme
1966
8 em 10
Como estive doente, as celebrações do Dia dos Namuraduhs, também conhecido por SãoValentimerda, foram transladadas para a noite entre segunda e terça feira de Carnaval. Para uma noite calma, sugeri vermos este pequeno filme, que tinha sido sugerido pelo meu clube. Como me esqueci de o levar, vi-mo-lo no Youtube, onde está juntamente com uma série de outros (que vimos a seguir)
Osamu Tezuka, o pai do manga tal como o conhecemos e também do anime, passou os seus anos 60 trabalhando numa série de animações experimentais, exercícios de imaginação e técnica que não podem passar desapercebidas a qualquer fã de anime. Utilizando a animação como ferramenta de crítica social, Tezuka mostra-nos o melhor que a época tinha para dar, com resultados que ainda hoje são espectaculares.
Neste pequeno filme, vamos visitar uma exposição ao som de música clássica (se bem que um pouco vanguardista). Passamos por quadros diversos, muitos deles que mostram pessoas famosas, cada um com um estilo distinto, e de repente podemos olhar para alguns em específico e imaginar a história que está por trás deles. Criticando todas as coisas, modernas para a época mas ainda actuais, desde a destruição da natureza à cirurgia plástica, passando por uma sequência impressionante sobre a guerra, podemos ver curtos momentos de animação sublime, diferente, sem regras e fazendo uso de toda uma imagética que viaja por todos os estilos comuns da altura.
A história que mais me impressionou foi a do jardineiro do jardim electrónico que, com um toque da infantilidade que os desenhos animados tinham como estigma, aborda o assunto de forma poética e com um toque de sadismo.
As sequências são muito vivas, embora a paleta de cores seja reduzida, o que faz todo o sentido tendo em conta o período histórico em que se insere.
É um filme que todos podem ver e que vale realmente a pena, tanto em termos históricos como em termos artísticos propriamente ditos. A genialidade de Tezuka não se encontra na popularidade dada por animes como Astro Boy ou o Kimba, mas nestas pequenas coisas que, estando livres das convenções televisivas e censura, ultrapassam as barreiras do políticamente correcto e criam algo fundamentalmente único.
By : ladyxzeus
Fathers and Sons
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Fathers and Sons
Ivan Turgenev
1862
Romance
Recebi este livro pelo BookCrossing e literatura russa faz sempre bem à saúde. Se bem que este livro é tão antigo e tão cheio de pó que me questiono se foi ele que me deixou doente... Para mais, é bastante estranho ler uma coisa russa em inglês, nunca tinha feito semelhante coisa.
Livro marcante na sua época, caracteriza a diferença entre gerações de uma Rússia já de si dividida. Apesar de ser um clássico, é uma leitura bastante leve, com muitos diálogos que abordam estas diferenças e que explicam então o que define a velha guarda destas novas pessoas, que o autor chama de "niilistas". Note-se que foi também a partir deste livro que o tema se popularizou ao longo do século XIX.
É curioso, e com bastante humor à mistura, como estes niilistas aparecem. O principal é o jovem Bazarov, que ignora todas as convenções e recusa a obedecer a qualquer regra, aparecendo desprovido de sentimentos. Ironicamente, cai vítima desses mesmos sentimentos, acabando por morrer por mero acaso (uma morte hilariante por sinal, pelos diálogos que daí nascem)
Os outros personagens também são apresentados de forma um pouco caricatural, do sonhador Arkady ao dandy Pavel, acabando cada um deles por demonstrar uma faceta da sociedade russa da época.
Não será um clássico com a profundidade emocional que um Tolstoi ou um Dostoiévski nos dão, mas mesmo assim é uma leitura bastante divertida.
By : ladyxzeus
Vampire Princess Miyu
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Vampire Princess Miyu
Hirano Toshiki - AIC
Anime OVA - 4 Episódios
1988
6 em 10
Para variar um pouco, vejamos um clássico do anime. Como estive doente demorei um pouco mais para o acabar, mas tudo bem.
Da perspectiva de uma caçadora de eventos paranormais, conta a história de Miyu, uma pequena vampira com poderes espectaculares que dedica a sua infinita vida a caçar uma espécie de monstros que atormentam a vida das pessoas normais. É um anime de conceito bastante interessante, mas que requer algum desenvolvimento, como veremos.
Cada episódio conta uma história distinta, que vagueia entre a realidade e uma fantasia pouco complexa, com alguns traços clássicos das histórias de vampiros originais. Em alguns momentos há situações bastante emotivas, relacionadas com o desenvolvimento da personagem Miyu, que é referida como uma pessoa bastante realista e com elementos que, não trazendo muito de extraordinário, acabam por se inserir nas nossas emoções.
em termos de arte, temos ambientes nocturnos bastante escuros, com traços misteriosos e quiçá assustadores, se pensarmos bem nas situações, com uma boa montagem de cenários e de elementos, tanto cénicos como relativos às pessoas presentes. A violência está bastante contida a nível gráfico, deixando-nos a pensar nela, o que é sem dúvida um bom truque para manter as características de "horror" sem chocar demasiado. O estilo clássico liga muito bem com o ambiente geral do OVA, que é calmo e, por vezes, um pouco monótono.
O anime é bastante silencioso, havendo poucos momentos musicais, pelo que a banda sonora seria um ponto a melhorar. Isto por vezes não funciona, pois os momentos de silêncio não são quebrados nem por ruídos em geral nem por diálogo o que, em vez de elevar o stress das situações, apenas as torna um pouco aborrecidas. Em termos de ED, temos um instrumental sem nada de especial.
Ainda assim, é um anime bastante curioso que merece sem dúvida um aprofundamento nas histórias e conceitos. Para isso temos uma série dos anos 90, que verei em breve.
By : ladyxzeus
Regresso ao Futuro II
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Regresso ao Futuro II
Robert Zemeckis
Filme
1989
5 em 10
Ora bem, chega o dia da Cosplay Photoshoot, à qual vou todos os anos. Há bastante tempo. Tanto coloquei progresso do meu fato lindo e maravilhoso no livrodascaras que alguma dazinimigaz invejosas deve ter visto e rogado uma praga, porque fiquei doente. Na cama. Na lama. Com febre. A morrer. Quando me consegui levantar e deslocar-me até à sala, estava a dar este filme, que fiquei a ver.
Como é certo e devido, adoro este filme. E o primeiro. O terceiro nem tanto. É sempre um prazer revê-lo, embora nunca possa afastar o olho clínico que diz... Oh.
Em viagens para trás e para a frente, entre futuro e passado, Marty McFly e Doc vivem aventuras diversas em que tentam que o presente - que foi mudado por acidente - volte à normalidade. São viagens divertidas, cheias de efeitos especiais que, para a época, acabam por funcionar bastante bem.
É sempre engraçado ver que já estamos em 2015 e que, apesar de já haver ténis prateados, ainda não há skates voadores. Nem carros, ainda nem sequer resolvemos o problema da energia global. Neste aspecto, o filme envelheceu muito mal. É sempre esse o problema de se fazerem coisas passadas num futuro próximo.
Já não me lembrava das capacidades silenciosas de Marty McFly, que apesar de tudo acabam por raramente dar em alguma coisa, o que torna o visionamento do filme um pouco frustrante.
Mas é sempre muito divertido ver estes filmes e agora fiquei com vontade de ver a trilogia completa. :)
By : ladyxzeus
Kareshi Kanojo no Jijou
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Kareshi Kanojo no Jijou
Hideaki Anno - Gainax
Anime - 26 Episódios
1998
5 em 10
KareKano faz parte do imaginário americano dos finais dos anos 90. Assim, está recomendado em todas as listas, por toda a gente. No entanto, não é especialmente bom. Apesar disso, tem uma certa mãozinha daquele que foi o criador de Evangelion, o que se nota em algumas partes (as melhores)
Um shoujo, uma história de amor. Uma rapariga mente a si própria e esforça-se por ser boa em tudo. Quando é ultrapassada por um rapaz, decide ser ela mesma e apaixonam-se. E tudo se resume a isto, num misto de drama e comédia em que se exploram as várias facetas de um sortido de personagens. A partir do momento em que a relação se estabelece, mais ou menos a meio da série, deixamos de ter narrativa: passamos a episódios soltos, com dois ou três que servem de consolidação da matéria dada (coisa bastante desnecessária num anime de 2cours), que relatam as aventuras e desventuras escolares e que introduzem novos personagens. O que me pareceu extremamente inútil.
Os personagens também não são desenvolvidos para além do "sou mais do que as aparências". Esse elemento, presente em todas as pessoas da série, fica muito pouco explorado, pois não há densidade emocional para nos identificarmos com elas. Acabam por se tornar em resumos delas próprias, sendo que cada um tem uma persona "falsa" que querem oprimir fazendo uso de uma realidade que serve como mote para a comédia. Que não funciona na maioria das vezes.
Quanto à arte, certamente que divide opiniões. É evidente que o orçamento para esta série estava muito reduzido, sobretudo a partir do meio. Mas é nessa altura que se faz uso de técnicas de animação experimental que têm um efeito original e muito interessante. A opção estilística de misturar imagens reais com animação também funciona de forma muito curiosa, assim como a utilização de texto para auxiliar nos pontos narrativos. Também fazem uso de desenhos rascunho, que recordam o próprio manga onde a série terá sido inspirada, o que dá um aspecto muito suave e romântico às situações em causa. No entanto, também existem momentos muito maus, sobretudo aqueles em que tentam explorar situações cómicas ou em que os personagens não mexem a boca para falar.
Musicalmente, temos um conjunto de peças interessantes, originais e muito apropriadas. No entanto, como são só meia dúzia, rapidamente se tornam obsoletas e repetitivas, sendo que muitas vezes estão utilizadas em momentos pouco adequados, tornando a situação anti-climática.
Um anime com muitas falhas, mas que talvez valha a pena ver se o visionante tiver interesse numa animação um pouco diferente.
By : ladyxzeus
O Funeral da Nossa Mãe
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O Funeral da Nossa Mãe
Célia Correia Loureiro
2012
Romance
Depois de Demência achei por bem aproveitar a oportunidade de ler outro livro desta autora. Infelizmente, apesar de ter havido coisas que melhoraram, foi uma leitura bastante fastidiosa e aborrecida.
Três irmãs reunem-se numa aldeia no Alentejo para o funeral da mãe (por acaso chamada Carolina, como esta pessoa que vos fala [não, o meu nome não é Zeus]), onde descobrem coisas sobre a relação "disfuncional" desta com o pai, que já morreu ao tempo. Repare-se que esta palavra, "disfuncional", é repetida vezes sem conta ao longo da narrativa. E, na verdade, a relação não parece tão disfuncional assim, quem é estranha é a Carolina que, apesar da sua falta de caracterização, aparece como obsessiva e neurótica.
Também as filhas, que são três, estão caracterizadas de forma muito amadora. Ao longo do livro são-nos dados traços gerais sobre a sua personalidade, uma forte, outra é emotiva, outra não se sabe bem. Mas em termos de profundidade, apenas os flashbacks dão algum sumo a tudo isto. E todos eles, excepto os que explicam a relação dos pais, são praticamente inconsequentes para o desenvolvimento das personagens.
Mais uma vez a Editora Alfarroba falha no ramo da edição, sendo que encontrei uma série de erros ortográficos e de sintaxe ao longo de todo o livro.
Achei que a história podia ter-se contado em muito menos palavras, isto é, que foi desnecessário descrever as coisas várias vezes de formas diferentes para se chegar a uma imagem. Os parágrafos são enormes mas, apesar disso, têm muito pouco conteúdo prático.
É um livro que precisa de ser fortemente limado.
By : ladyxzeus