• Dai-Guard

    0
    Dai-Guard
    Mizushima Seiji - Xebec
    Anime - 26 Episódios
    1999
    6 em 10

    Confesso que já começo a estar um pouco farta de robots gigantes, vulgo mecha. Quando fiz a minha lista de coisas para ver, tinha lá uns quarenta, espero já ter avançado bastante ou que, pelo menos, o random.org espere um bocado até dizer para eu ver um deles. Enfim...

    Dai-Guard, ou Terrestrial Defense Corp Dai-Guard (em Japonês, "Chikyuu Bouei Kigyou Dai-Guard") é um pequeno twist no género que teria a sua graça, não fosse o facto de as diferenças se notarem pouco com o decorrer da série. Há uma série de anos o mundo estava a ser invadido por uma força alien, heterodyne de seu nome. Para isso construíram o Dai-Guard, um robot. Entretanto, desapareceram e o fulano ficou por ali a servir de enfeite. Agora que voltaram, precisamos do enfeite. Apenas três pessoas o sabem conduzir. E tudo isto leva a uma série de problemas burocráticos e de nível prático. Como por exemplo, transportar o objecto de um lado para o outro. Ou preencher relatórios sobre o objecto. E as críticas sociais em relação ao objecto.

    Depois, o objecto começa a funcionar propriamente e acaba-se aí a diferença deste para outros animes do género. A coisa tem a sua graça, ainda assim.

    Os personagens são bastante vulgares, com um protagonista bem shounen e uma protagonista com triste vida passada. O seu desenvolvimento é parco e efectuado por uma série de flashbacks, que se repetem (tanto em conteúdo como em forma). No resto da equipa temos um grupo de pessoas que poderia ter sido interessante se tivesse sido explorado de alguma forma. Aquela lolita cientista teria sido um sucesso se não fosse tão irritante.

    A animação não é extraordinária, mas temos algumas cenas de acção aceitáveis. O anime poderia ter ganho bastante se o sombreamento fosse um pouco mais detalhado, assim como merecia algumas melhorias no design de maquinaria.

    Tanto a OP como a ED são bastante divertidas e têm boas intenções. De resto, variamos em temas que recordam uma certa imitação do folk americano, mas que não ligam muito bem com o teor nacionalista que o anime contém (os Japoneses também sabem ser assim)

    Um anime mediano.


  • The Ideon: Be Invoked

    0
    The Ideon: Be Invoked
    Tomino Yoshiyuki - Sunrise
    Anime - Filme
    1982
      7 em 10
     
    Vejam aqui sobre o primeiro filme. Entretanto aprendi algumas coisas sobre isto. No início, era uma série. Mas essa série foi cancelada e os últimos quatro episódios saíram neste filme de que agora vos falo. Dizem por aí que esta conclusão inspirou Neon Genesis Evangelion. E agora que falam disso, realmente faz sentido. Muitas vezes perguntam-me porque não paro de ver séries que não me estão a agradar, porque não faço o "drop". E, mais uma vez, aqui se prova a razão. Porque Be Invoked, o Hatsudou Hen de Ideon, é simplesmente genial.

    Em relação ao primeiro filme há poucas diferenças na narrativa e no desenvolvimento de personagens. Como sabemos, Yoshiyuki Tomino mata pessoas indiscriminadamente. Aqui, ninguém está livre desta premissa. Ninguém é poupado e o final tem tudo para ser trágico. Neste filme, está ilustrado o fim da humanidade, numa guerra apenas causada por um racismo inerente entre as duas facções (que, no fundo, são iguais), por maus entendidos e por uma geral falta de compreensão entre as partes. Mas a sequência final... Essa sim, é algo que faz falta nos animes de hoje. Quando tudo parece estar perdido, entramos numa viagem pelo espaço, protagonizada por novas estrelas, que caminham, voam pelo nada até chegarem a um novo lugar. Este final recordou-me com carinho um dos meus albuns preferidos, o "10.000 anos depois entre Vénus e Marte", do querido José Cid. Porque apesar de tudo o que acontece, no final, no pós-morte, há uma ressurreição em que todos aceitam as suas diferenças, em que todos compreendem que a humanidade é, afinal, apenas uma. E assim reencarnam num novo planeta que, pelas imagens reais do final, aparenta bastante ser o nosso. Por isso, será que este será o futuro? Ou será que foi a nossa origem? Dá que pensar e é um exercício de esperança.

    Na arte, há algumas melhorias nas cenas de acção, mas sobretudo na cena final, em que a viagem das estrelas é retratada em tons suaves e muito orgânicos, transmitindo uma sensação de "isto poderia mesmo acontecer". Nas lutas finais, a guerra, também protagonizada por alguns personagens recentemente introduzidos, há grande variedade de cores e explosões, o que - para a época - é algo muito positivo. Apenas o design da maquinaria e das roupas continua um pouco aquém do esperado.

    Musicalmente, poderia dizer que nada interessa, mas a peça final é de um poder grandioso, uma explosão de texturas sonoras que nos dá uma sensação de maravilhamento.

    Assim, retiro o que disse sobre o primeiro filme. Recomendo vivamente que vejam este anime e que se inspirem com ele.
     
     
  • A Dark Place to Die

    0
    A Dark Place to Die
    Ed Chatterton
    2012
    Policial

    E com este livro celebro o facto de ter terminado todos (ou quase todos!) os livros que sobraram da Convenção do BookCrossing 2013!! Viva! Viva!

    Este é um policial algo estranho, visto que desde logo sabemos tudo o que se passa com todos os personagens, de todas as perspectivas possíveis. Mas os personagens não sabem. Ainda assim, é difícil manter a concentração e focar-nos na história destas pessoas e destes crimes, pois não existe mistério nem expectativa.

    Temos um psicopata extremamente divertido e são as coisas que ele faz que tornam a leitura mais interesante, pois o tipo é totalmente passado da caixa dos pirolitos. No entanto, só mais para o fim é que ele teve o protagonismo devido. O herói Keane é muito sem sal, mas conseguimos identificar-nos com Koop, uma personagem que entra ao barulho mais tarde e que tem uma posição na vida muito simpática.

    O mais interessante será talvez a linguagem, que viaja entre os vários sotaques da língua inglesa, fazendo uso de muita gíria local que dá um tom bastante realista aos diálogos e à narrativa em geral.

    De resto, não é nada de especial. Agora vai viajar como RABCK. :)
  • Kanon

    0
    Kanon
    Ishihara Tatsuya - Kyoto Animation
    Anime - 24 Episódios
    2006
    4 em 10

    Toda a gente me dizia que Kanon, a versão de 2006, era genial e dos melhores romances que poderia haver por aí. A primeira coisa que eu disse quando comecei a ver, logo ao primeiro minuto, foi... "Mas isto é muita feio!" E não se ficou por aí. Os primórdios da KyoAni não trouxeram grande coisa ao mundo, como se verá.

    Um jovem, igual a tantos outros jovens em tantos outros animes, costumava ir passar temporadas a uma cidade onde neva constantemente (é sempre Inverno). Deixou de ir durante sete anos e esqueceu-se de todas as coisas. Quando volta, encontra meninas e mais meninas do passado, que se lembram dele. Mas ele não se lembra delas. Depois elas têm problemas e ele vai-se lembrando. E depois não se passa nada.

    O grande problema deste anime, já que a história já se viu em tantas outras ocasiões (feita de melhores e piores maneiras), são as personagens. Se temos um personagem principal insosso, com um sentido de humor um pouco preverso dentro do contexto, todos os elementos femininos acabam por formar um harém de atrasadas mentais. Porque todas elas estão infantilizadas, quer no design quer na personalidade, a um extremo tal que parece que todas as linhas da história estão a lidar com criancinhas da idade do Poupas Amarelo. Isto não só retira todo e qualquer realismo da história como é extremamente irritante. Uguu par aqui, uguu para ali, somos todos uguus, mas isso é muita chato e muita feio.

    A arte é tenebrosa. Já falei dos designs das personagens: quando metade da tua cara, do meio da testa à boca, é ocupada por olhos, fica muito difícil de nos concentrarmos nela. Não existem grandes cenas de animação e os cenários são aborrecidíssimos. A neve em si não é aborrecida, cenários de Inverno até podem ser muito bonitos, mas neste caso não há nada de distinguível, não há detalhe, tudo é branco e ondulado, uma chatice completa.

    Apesar de se chamar "Kanon" e de ter referências imensas a música clássica, a banda sonora não tem nada a ver com isso. OP e ED sem nada em comum com o teor da história e as outras músicas... Bem, parece simplesmente que estão a mais. As vozes são de uma irritância telepática, tornando todas as raparigas ainda mais idiotas, como se a essas vozes não estivesse associado um cérebro.

    Um anime que desaponta bastante e que recomendo. Que não vejam. Nunca.
  • Love is Strange

    0
    Love is Strange
    Ira Sachs
    Filme
    2014
    6 em 10

    Depois de um jantar de aniversário, dirigimo-nos a assistir um filme fofinho, com pessoas para variar :)

    Ben e George são um casal que vive junto há mais de quarenta anos. Quando o casamento entre homossexuais se torna uma realidade no seu estado, Nova York, realizam a cerimónia. Mas, a partir desse momento, Ben - que ensina música numa escola muito católica - é despedido por causa da sua orientação sexual. Assim, eles deixam de poder viver na casa que compraram e onde já viveram tantos anos. Assim, têm de se separar, para viverem com familiares e amigos até ao momento de encontrarem uma nova casa.

    É um filme romântico e leve, apesar da tonalidade dramática que se vai preparando ao longo da narrativa. Os pequenos problemas diários nas novas casas acabam por não adquirir a dimensão necessária para comover em profundidade, mas ainda assim são realistas e acreditamos realmente neles.

    O que efectivamente torna o filme num vencedor é a interpretação dos actores e a relação que criam entre as personagens. É extremamente verdadeira e honesta, com alguns momentos engraçados que ainda assim apenas acrescentam mais detalhes no drama que se vive.

    O filme é ilustrado por música tragicamente romântica, Chopin aqui e ali, que apesar de tudo não deixa de dar uma tonalidade clara às situações que, mesmo quando são muito tristes, acabam por ser bastante leves.

    O final foi um pouco desapontante, pois queria mesmo que fosse um final feliz. Mas foi um filme muito querido e gostei de ver.
  • The Ideon: A Contact

    0
    The Ideon: A Contact
    Tomino Yoshiyuki - Sunrise
    Anime - Filme
    1982
    5 em 10

    Aconteceu uma história engraçada com este filme e eu, mas fica para depois. É um filme do criador de Mobile Suit Gundam (Gandamu), que todos conhecemos e amamos. Mas é um pouco diferente.

    O filme começa desde logo com uma imensa guerra entre duas entidades. Ambas consideram a outra parte como alienígena. Mas o certo é que nenhuma delas vive no planeta Terra. Apesar de tudo, como começam a perceber mais tarde, são ambas humanas. A guerra existe por uma razão misteriosa que não está muito bem explicada, mas está lá. E o filme desenvolve esta guerra, numa luta política de troca de reféns e por aí em diante.

    Na verdade, é um filme resumo de uma série e, por isso, parece estar incompleto. As personagens estão mal desenvolvidas e todas as mortes (copiosas) são demasiado fáceis de aceitar, porque a realidade é que não conhecemos estas pessoas e não nos identificamos com elas. O filme continua, num outro filme, que procederei a ver e que poderá dar-nos uma luz um pouco mais completa sobre o que realmente se passa aqui.

    Há um robot gigante tido como deus, mas esse conceito também não é suficientemente explorado para ter um verdadeiro interesse.

    Para a época, a arte não é muito boa. Apesar dos designs de maquinaria e roupa serem interessantes, é tudo muito simples e a animação é muito básica, sendo que nas cenas de acção chega a ser um pouco dolorosa. A paleta de cores é reduzida e o sombreamento está muitas vezes mal aplicado, trazendo uma profundidade errática nas perspectivas. Em termos de cenário, limitamo-nos ao essencial.

    O mesmo acontece com a música, que é parca. No final temos um tema lento, que não combina bem com a época e com o teor do anime.

    Resta, então, ver a conclusão do filme. Mas as expectativas não são muitas.
  • Denpa Onna to Seishun Otoko

    0
    Denpa Onna to Seishum Otoko
    Shinbou Akiyuki - Shaft
    Anime - 12 Episódios + 1 Special
    2012
    6 em 10

    Há algum tempo que não via nada para o meu clube. Assim, foi com alguma elevação nas expectativas que achei por bem começar este curto anime.

    Tudo começa quando um rapaz vai viver com a tia. Ele tem uma prima que desapareceu durante seis meses e, quando voltou, veio convencida de que tinha sido abduzida pelos aliens e que se tinha tornado num deles. E, ao início (primeiros quatro episódios) este é o tema essencial. E é realmente interessante, pois queremos realmente conhecer mais acerca desta pessoa. No entanto, a partir do momento em que a relação dos dois primos se estabelece num bom tom, a narrativa muda de perspectiva, passando a fazer uma tentativa de análise das coisas boas da adolescência e do crescimento pessoal do personagem principal. Isto, infelizmente, não era aquilo que queríamos saber. Depois, na revelação do que realmente poderá ter acontecido à rapariga, tudo toma uma forma muito fantasiosa, com uma falta de realismo que não joga bem com o teor da série até esse momento.

    Os personagens são interessantes ao início, mas a partir do momento em que começam a evoluir acabam por cair, com muita rapidez, em conceitos cliché. Se ao início eram personagens extremamente curiosos, a forma como foram desenvolvidos tornou-os em apenas mais um lugar comum. O personagem principal é apenas mais um líder de harem. As raparigas são apenas as raparigas do harem. E é só isso. Infelizmente.

    Em termos de arte, temos opções estilísticas muito modernas, com um uso (quiçá excessivo) de pintura a aerógrafo nos personagens. É que eu não acho muito sentido em joelhos coradinhos. No respeitante a cenários, temos algumas cenas bastante boas, sobretudo aquelas de visualização do céu, mas nada de espectacularmente atraente.

    Na música, temos uma dicotomia flagrante. Achei a OP horrorosa, um pavor, uma dor. Mas a ED, adorei-a em todos os seus bocadinhos. Parenquimatosamente, temos temas que parecem ser o início para alguma coisa com mais interesse, mas que nunca continuam para além de si próprios.

    Uma série agradável e com o seu interesse, mas que se desenvolveu de forma muito pouco original.
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan