• Música no Coração

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    Música no Coração
    Robert Wise
    1965
    Filme
    7 em 10

    Sabiam que no Brasil este filme se chama "A Noviça Rebelde"? :3

    Enfim. A minha irmã pôs aquela coisa da box da televisão a mexer e havia vários filmes para escolher. Como eu adoro este filme com toda a música do meu coração, pedi para o por a dar.

    Maria é uma noviça num convento que não se consegue adaptar muito bem à vida nesse loca.ç A montanha chama-a frequentemente e a scolinas estão vivas com o som da música, então ela tem de ir para lá cantar. Tendo isso em conta, amadre-superiora manda-a para casa de um capitão da marinha para mudar de ares. Lá será perceptora de sete crianças horrorosas. OEnsina-as a cantar e a ganhar um novo amor pela vida e o resto já sabem.

    No fundo, este filme é um musical sobre a vida em família e como a música pode fazer com que as pessoas se voltem a aproximar umas das outras e serem felizes. Gosto imenso de todas as músicas e toda a narrativa está cheia de pequenas graças que, inocentemente, me fazem rir com muito gosto ("os pobres não quiseram este vestido!")

    Também é um exercício ligeiro sobre o terror da guerra que, na época, se aproximava de todas as famílias, prestes a roubar a alegria que tanto custou a ser conquistada à força de tantas canções. Talvez a sequência final, a da fuga, seja demasiado longa, pois repetem-se várias das músicas que já conhecíamos do resto do filme, mas mesmo assim a cena da recepção do telegrama é extremamente formte e queremos realmente que estas pessoas se consigam salvar. Conseguimos realmente criar uma onexão com elas, embora nem todas as crianças tenham sofrido o devido desenvolvimento (são crianças a mais)

    Com um guarda roupa divertido e bem apropriado à época, talvez a maneira de actuar possa passar por desactualizada nos dias de hoje.

    Enfim, é um filme de que gosto imenso e que nunca me canso de ver. Todos nós temos a nossa pizza de extra-queijo que comemos às escondidas dentro de um armário.
  • A Bela Adormecida

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    A Bela Adormecida
    Clyde Geronimi
    1959
    Animação - Filme
    6 em 10

    Coisas curiosas acontecem. Uma delas é o facto de, certo dia, acordar com uma ligeira dor de garganta e ameio do dia estar com 39,7 de febre. Assim, passam-se estes tempos observando o que passa nos canais TVCine. Para mais, o meu computador principal, o Zizi (que partilha o nome com certa figura, mas não foi de propósito) decidiu sofrer de um badagaio em que tudo voltou aos anos 90. Sem som, sem internet, sem nada, não posso ver anime, portanto. Por isso, resumimo-nos a ler e, como dito, a observar o TVCine.

    Apanhei este filme na sua versão original. Confesso que a princesa Aurora nunca foi das minhas preferidas. Aliás, nem por isso gostava muito de filmes de princesas. Gostava mais daqueles que tinham animais. Neste caso, recordo perfeitamente a primeira vez que vi esta película. Foi em casa de um primo da minha mãe, que tem duas filhas um pouco mais novas que eu. Eu não tinha "A Bela Adormecida" em cassete, o que me parecia algo de quase impossível, pois nessa época estava convencida da plenitude máxima da minha colecção de cassetes da disney. Mas bem, vi o filme e achei-o chatíssimo, quase que adormeci. 

    Desta vez não adormeci, talvez por estar meio delirante com febre, mas continuei sem o achar nada de especial. A história é muito simples e como a princesa não é propriamente caracterizada ao início, excepto o facto de ser muito boazinha, não é impressionante o facto de ela ficar a dormir para sempre. A história de amor à primeira vista faz pouco sentido e chega a ser um pouco assustadora ("olá garina, conheci-te num sonho")

    A graça principal do filme está nas três heroínas improváveis, as fadas madrinhas, que têm uma relação muito gira entre elas, com bons diálogos e uma série de momentos deliciosos nos seus maneirismos.

    A arte está muito boa para aépoca, embora não me agrade a escolha estilística para os cenários, que me pareceram demasiado planos e directos, coisa que não combina com o ambiente de conto de fadas que o filme deveria imprimir. Para mais, pareceu-me tudo demasiado azul e cinzento, o que é uma chatice.

    Para quem esta for a sua princesa preferida, por favor me explique, pois não o compreendo.
  • Slayers

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    Slayers
    Watanabe Takashi - SoftX
    Anime - 26 Episódios
    1995
    5 em 10

    Aparentemente, esta série deu na televisão. Ora, eu não me recordo nada de ter visto isto. Portanto, tenho uma vantagem em relação ao resto do mundo: óculos de nostalgia? Não tenho. Vejo simplesmente o que está à minha frente, sem boas memórias a dizer-me que bom que foi. Porque bom, olhando para a coisa com um mínimo de objectividade, bom não é.

    Lina Inverse é uma feiticeira que anda por aí a roubar coisas. Até que um dia rouba a coisa errada e, a partir daí, anda a fugir e perseguir (ao mesmo tempo) uma entidade maléfica que tenciona invocar outra entidade maléfica. Assim, temos uma série de episódios em que não se passa grande coisa, para depois seguirmos para uma conclusão mais ou menos lógica. É um anime que tem um arco narrativo geral, interrompido por uma série de episódios individualistas que relatam as aventuras de Lina Inverse e os seus novos amigos. Estes episódios ajudam-nos a compreender o funcionamento deste universo fantástico, que está bastante bem construído e é acreditável. Na verdade, é um mundo muito divertido onde todos podem viver felizes. Não me importaria de lá viver!

    O ponto forte da série são as personagens, que formam um conjunto muito divertido e único. De amigos a inimigos, temos uma grande variedade de pessoas que passam no caminho de Lina Inverse e sua pandilha, que vai gradualmente aumentando de tamanho. As vozes estão muito bem aplicadas e estes personagens, apesar de não sofrerem qualquer tipo de desenvolvimento, são bastante agradáveis. Infelizmente, a comédia sofreu com a passagem do tempo e estabelece-se como desactualizada e antiquada. Na verdade, transmite-nos todos os clichés cómicos que existem em animes do género e creio que a série teria sido muito melhor se tivesse pelo menos alguns momentos mais sérios.

    Outra coisa que sofreu com o tempo foi a animação. Na época já não era muito boa, com uso de muitas imagens repetidas, designs inconsistentes nas personagens e demasiados elementos caricaturais. Mas hoje em dia, é apenas triste. Se este tipo de animação podia ser aceitável na altura, agora que olhamos para trás é demasiado fácil ver onde estão todos os erros. Existem muitas cenas de acção com magias brilhantes, mas nem isso compensa.

    Musicalmente, temos OP e ED bastante boas, modernas para a época e que caracterizam bem a série. No parênquima, há um certo desejo de aventura que fica bem claro quando aliado às cenas de acção.

    Talvez esta série fosse um epítomo da fantasia há vinte anos atrás. Hoje em dia, não recomendaria.
  • A Insustentável Leveza do Ser

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    A Insustentável Leveza do Ser
    Milan Kundera
    1983
    Romance

    Este livro foi-me oferecido pelo Qui no meu passado aniversário, mas só agora tive oportunidade de o ler. Foi realmente uma boa escolha, porque é uma história de amor muito bonita. Como gosto do meu Qui! ^___^

    Este livro trata de vários assuntos. Primeiro, é uma história de amor. Aliás, uma história sobre o amor. Tomas e Tereza, Sabina e Franz, Tomas e todas as mulheres, tudo isto é mote para falar sobre este sentimento e as relações entre as pessoas. E a conclusão é de uma pureza quase infantil: o amor é como um cão. A história tem cenas de elevado erotismo, mas nunca se torna vulgar. Pois o autor faz uso do poder da sugestão, daquilo que poderemos pensar que vai acontecer, sem ser extremamente descritivo ou simplesmente desagradável. São cenas belas e comoventes, sobretudo dentro do contexto de dor constante e de auto-descoberta de cada um dos personagens.

    Depois, este livro é também uma caracterização da República Checa aquando a invasão russa de 1968. É um assunto que não conheço bem, mas aqui é falado de um ponto de vista muito pessoal. Antes da invasão, depois da invasão, a diferença das pessoas. E, sobretudo, o medo, a paranóia, o sentimento misto de terror e necessidade de auto-protecção de todas estas pessoas que vivem sob um regime exagerado

    Finalmente, o livro é um exercício filosófico, uma transmissão de ideias autor-leitor. Pois este narrador admite desde logo que as suas personagens são apenas personagens. Admite que as criou e que as escolheu por serem fruto de acasos. Tendo isto em conta, é fácil ligarmo-nos não aos personagens mas à ideia da sua concepção, não às suas relações mas aos conceitos primários por trás delas. Assim, é um livro com várias camadas, que temos de retirar uma por uma até chegarmos ao cerne da questão: o que é a vida, o que é o ser humano e, no fim de contas, o que é o amor.

    Eu já tinha lido este livro no passado, mas foi numa época em que provavelmente não teria a maturidade suficiente para o compreender devidamente. Com esta re-leitura, apenas me recordei de uma única imagem: o capítulo, muito curto, da mulher-cegonha. Por alguma razão, essa cena ficou-me gravada na memória. Agora, que li o livro com mais atenção, posso dizer que esta é uma verdadeira obra-prima e que deverá ser recordado como aquilo que verdadeiramente é: um exercício simples, mas incomparável; uma homenagem a tudo o que é vivo; um apelo aos sentimentos.

    Recomendo vivamente.
  • Ao Encontro de Mr. Banks

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    Ao Encontro de Mr. Banks
    John Lee Hancock
    Filme
    2013
    6 em 10

    Depois começou este e ficámos a ver. A meio do filme abrimos os presentes.

    Confesso que nunca vi inteiro o filme da Mary Poppins. Para mais, nunca li o livro, apesar de o ter oferecido à minha irmã-macaca, que depois (certamente) mo emprestará. Ainda assim, quando ouvi falar deste filme fiquei com vontade de o ver. Aparentemente, é a primeira vez que alguém caracteriza Walt Disney depois da sua morte e isso, já de si, é especial. Porque o senhor foi realmente importante. Não por ter criado toda uma indústria maléfica de volta do reino encantado dos filmes de animação. Mas porque criou coisas verdadeiramente bonitas.

    Este filme conta a história de como Walt Disney convenceu P. L. Travers, a autora de Mary Poppins, a ceder-lhe os direitos para o filme e como esta contribuiu para a sua criação. Para isso, é mostrada a sua infância e o mote para a criação de Mary Poppins. Será esta a parte mais fantasiosa do filme.

    Agora, para pessoa que criou algo tão engraçado como a Mary Poppins, a autora é uma pessoa absolutamente intragável. Isto está caracterizado perfeitamente por Emma Thompson, que transmite uma aura de mágoa e de antipatia constantes ao longo de todo o filme. Mesmo na parte final, em que finalmente se comove, percebemos que ela nunca ficou totalmente convencida com a criação de Disney.

    Também ficamos a conhecer um pouco mais sobre este senhor, protagonizado por um Tom Hanks atípico e bastante convincente. Sobretudo interessante é saber as razões pelas quais ele, pessoalmente, queria tanto adaptar o livro ao cinema, falando também do seu passado e infância.

    É um filme muito musical, com músicas que já todos conhecemos mas interpretadas de forma mais livre e espontânea.

    Foi agradável de ver e quase comovente no final. Para os fãs, será certamente recomendado.
  • Filomena

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    Filomena
    Stephen Frears
    Filme
    2014
    7 em 10

    Visto depois do jantar.

    Este é realmente um filme interessante. Baseado numa história real, conta a história de uma mulher que há cinquenta anos entrou grávida num convento. Depois, no convento, o seu filho foi adoptado. Agora, tanto tempo depois, alia-se a um jornalista para tentar encontrar a criança perdida, que agora já estará na meia idade. Será que vão conseguir.

    Para além do impressionante facto desta história ter realmente acontecido, demonstrando assim a crueldade de algumas pessoas, o ponto máximo de interesse deste filme será a relação entre os dois actores e respectivas personagens. O jornalista é um homem que procura um novo rumo para a vida e que tem um sentido de humor muito próprio e por vezes incompreendido. Filomena é uma velhota irlandesa de ideias simples, que se maravilha com as coisas bonitas da vida e irradia simpatia. São os diálogos entre os dois, a incompreensão inicial e a evolução para uma amizade singela e pura, que tornam o filme absolutamente delicioso.

    Isto não seria possível sem um grande trabalho de actor. Ela, especialmente, consegue viajar entre o sentimento de amor pela vida e a melancolia do filho lhe ter sido tirado e de não o poder encontrar. Faz isto com mestria e rapidez, dando-nos momentos muito sérios e emocionantes tanto quanto nos faz rir com a sua alegria.

    A inserção de flashbacks e a base fotográfica do registo do filho tornam tudo um pouco mais melancólico, sendo que as imagens do convento estão muito bem caracterizadas, trazendo-nos um certo horror pelo ambiente. Também há uma grande qualidade nos diálogos, sendo que muitas vezes são debatidos conceitos como o significado do pecado e a existência de deus. Como são falados por pessoas com opiniões diametralmente opostas, permite-nos pensar um pouco sobre isso.

    Um excelente filme.
  • A Branca de Neve e o Caçador

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    A Branca de Neve e o Caçador
    Rupert Sanders
    Filme
    2012
    5 em 10

    De seguida irei postar os meus comentos aos filmes de Véspera de Natal. Na Véspera de Natal, cá em casa, passamos o dia a ver filmes, para à meia noite abrirmos as prendas e depois irmos todos dormir. O primeiro, da tarde, foi este.

    Inspirado vagamente na história da Branca de Neve que todos conhecemos, é um filme de fantasia em que acompanhamos a épica fuga de uma princesa por uma floresta estranha, acompanhada por um caçador e - posteriormente - de anões e de um amigo de infância. A princesa é protagonizada pela miúda do Twilight, que tem o especial talento de ter cara de parva. O filme é excelente para ela, pois quase nunca fala e em grande parte da película está a fazer de morta, que é uma coisa que ela faz muito bem.

    A história é simples e tem detalhes engraçados, como os poderes especiais da rainha, mas a sua concepção enfia-se na modalidade shounen: fugimos, depois reunimos um exército e depois há uma épica luta individual entre as duas partes. Para reunir o exército há um discurso que não faz sentido nenhum.

    Partes da floresta estão caracterizadas lindamente, remetendo-nos para um universo fantástico muito belo. Ainda assim, não faz muito sentido que todos os animais do mundo estejam reunidos naquele local. O veado branco aparenta ter uma inspiração asiática e, talvez por isso, foi a minha parte preferida do filme.

    Aparentemente, foi nomeado para óscar pelo melhor guarda roupa, aspecto do qual discordo pois estas pessoas estão sempre vestidas da mesma maneira e, para mais, todas badalhocas. Achei demasiado conveniente que a moça tivesse umas calças e botas por baixo do vestido.

    Talvez este não seja o filme ideal para mim. Para outras pessoas será bom. Pareceu-me ver a minha irmã chorar no final.
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