• Morrissey

    0
    Morrissey
    Concerto
    Quando este concerto foi anunciado, toda a gente ficou extremamente excitada. Mas eu não conhecia nada do artista, portanto pensei que não iria ao concerto. Entretanto, fui ouvindo histórias... Ai que o homem cancela os concertos do nada, ai que ele é uma diva malcriada, ai! E eu pensei... O homem já não é novo... Se calhar nunca mais volta a Portugal. É uma oportunidade única de ver um tipo que marcou a história da música com os Smiths... Portanto, porque não? E lá fui eu comprar o bilhete. Na compra, disseram-nos que estavam a vender muito bem. Portanto sentimo.nos aliviados quando ainda havia bilhetes para nós.

    Entretanto comecei a ouvir Smiths. E adorei. A sério. Do fundo do coração. Já vos disse que estou numa dieta musical homeopática de Gackt e Smiths? Pois, foi assim que eu gostei deles. Portanto tinha esperança que o senhor tocasse uma ou outra dos Smiths, para além da carreira a solo dele, que não tive tempo de passar a conhecer bem. Ainda assim, gosto de ir aos concertos experimentar e depois decidir se quero conhecer ou não. No caso, quero conhecer, portanto vou sacar um ou outro album. :)

    Encontro-me com o namoradim, doravante conhecido como Pi, e buscamos um lugar para eu me alimentar. Eu tenho de estar bem alimentada, se não faleço: falecer durante o concerto seria bastante desagradável para todos. Acabei por comer muito rápido uns falaféis e ainda mais rápido bebemos uma garrafinha de Simão branco, a nossa nova descoberta. Diga-se de passagem, é genial. Depois, mostramos os nossos bilhetes e entramos. Na fila para a casa de banho informam todas as gaijas que têm de fechar o sanitário, mas todas ignoram o jovem. Passam-nos para a mão propaganda terrorista da defesa dos animais, que eu não leio até ao fim porque não estou para aturar gente parva. Mas as imagens eram giras. Foi o Zé Gato (que havíamos encontrado antes, ainda na rua) que guardou os folhetos.

    Ao entrar, para a parte de baixo do Coliseu, passamos pelas pessoas. Não estão muitas, está-se bem, está-se à larga. Entretanto encontramos mais pessoas, mas ficámos separados por um trio de cotas que formou uma barreira de cotovelos para impedir a nossa passagem. Está um calor humano que é completamente desumano. Casacos fora, mangas para cima, mas suo que nem um animal sudoríparo.

    Abaixam-se as luzes e aparece aquilo que seria uma banda de abertura. Isto é, seria se o Morrissey não fosse impossível de se aturar. Em vez disso, vemos videoclips, vídeos de concertos do antigamente, vídeos do youtube em geral, mas bastante alternativos. E assim se mantém durante uns vinte minutos. Pelo meio mais propaganda dos animais, desta vez anti-tourada. Com a imagem final penso "agora é que ele nos mandou à merda e não há concerto!"

    Mas houve.

    Talvez seja por só comer raízes, mas o homem está bem conservado. E, o mais importante, a voz continua igual. Agora, o meu problema: eu não conhecia as músicas. Portanto estava ali mais numa de observadora. E gostei bastante. Na verdade, as músicas são todas muito iguais a si próprias, mas têm uma certa identidade que - embora possa ser, por vezes, repetitiva - torna o artista único. Os ritmos são semelhantes ao que eu conhecia dos Smiths, uma tonalidade alegre e colorida, mas uma temática entristecida e quase irónica. Em termos musicais, este é o tipo de música que gosto. E lá estava eu toda contente, sempre à espera de ouvir uma dos Smiths, quando ele toca uma dos Smiths.

    E não podia ter escolhido música pior.

    A sério. Quem é que se lembra de tocar uma música como Meat is Murder num concerto? Para mais, com ainda mais propaganda horripilante? Vídeos de produção intensiva que não são reais! Aquilo não é a realidade! Fuck you! Eu sou veterinária, eu sei a realidade! Para mim custa-me, custa-me mesmo muito, ver animais a sofrer e a morrer. E comecei a sentir os meus faláfeis a subir à garganta. Enterrei-me no Pi à espera que acabasse e a olhar para as pessoas, que estavam todas fascinadas a ver o horribilis. E quando acabou, não me podia sentir pior. Sentia-me com o estômago todo necrosado prestes a saltar cá para fora. E o calor não ajudava.

    Mas resisti e fiquei e vi o encore.

    E o tipo... Este Morrissey... Ele canta bem e as músicas são boas, mas ele parecia não estar a gostar de nós nem de de cantar nem de nada. Agradecia dizendo "gracias", para nossa grande revolta, apesar de se ter corrigido uma ou duas vezes. Enfim, há artistas que é melhor não conhecer a pessoa e ouvir apenas a música. :3

    Saímos a correr, pois eu necessitava com urgência de um (ou dois, ou sete) golo de água. Na saída vi uma pessoa conhecida. E estávamos todos cá fora a comentar o concerto quando aparecem dois tipos aos pulos a bater num outro tipo. Corri a esconder-me, não fossem eles achar que também me deviam partir o nariz, e atrás de mim estava um fulano todo colorido com uma cadeira aos gritos "são os fascistas! São os nazis!" Fiquei um bocado assustada, tanto que nem sequer me despedi convenientemente das pessoas. :( Sorry...

    Bem, contas feitas, foi um concerto bastante positivo. Gostei da música, apesar de não ter gostado dos efeitos visuais. Agora vou sacar uns albuns essenciais, mais um best of ou outro e conhecer melhor o que o tipo canta. Mas enquanto ouvir a música vou fazer questão de estar a comer uma belíssima sande de peito de perú fumado. Nham nham.

    Fica aqui um vídeo do concerto gravado pelo Zé Gato :) Ficse, non? =D
  • Angel Beats!

    0
    Angel Beats!
    Kishi Seiji - Aniplex
    Anime - 13 Episódios + 2 OVA
    2010
    6 em 10

    Já tinha ouvido falar muito deste anime, quer nos círculos anímicos quer nos círculos cosplayicos. Assim, tinha uma certa curiosidade em saber sobre o que tratava. Não tinha ideia e, logo ao minuto quatro do primeiro episódio, considerei que estava sobrevalorizada. Vejamos.

    O nosso personagem principal acorda no meio de uma guerra. Descobre que se encontra em estado falecido e que aquilo é uma espécie de purgatório para jovens que não conseguiram aceitar a vida que viveram ou a forma que morreram. No entanto, há um grupo de revoltados contra as forças divinas que vive em guerra com um certo anjo. São todos alunos desta escola, povoada de NPCs (Non Playing Characters). O conceito é muito interessante, mas logo desde a origem que tem uma falha: isto passa-se numa escola. É motivação para se fazerem univormes e saias esvoaçantes, mas não faz sentido e torna tudo muito infantil.

    à medida que a série decorre, alguns personagens vão encontrando a iluminação e passando para um estado superior. Isto dá azo a momentos de alguma beleza emocional, mas apenas porque fornecem flashbacks da vida passada que, esses, não são passados numa escola. De resto, os personagens movem-se com uma atidude de quem não quer saber, motivando-se a criar momentos supostamente cómicos que não têm graça nenhuma. O personagem principal auto-encarrega-se de salvar as pobres almas e daí nasce uma conclusão satisfatória, mas muito infantil. Misturar escolas com armas de fogo e machados de guerra nunca dá um resultado muito positivo.

    A arte tem os seus momentos bons, mas na sua maior parte é terrível. Se em algumas lutas temos momentos fluídos que são interessantes, em muitas outras ocasiões do dia a dia há um exagero na mobilidade dos personagens que não liga bem com a acção representada.

    Em compensação, e daí o saldo positivo na avaliação final, a música é extraordinária. Existe uma banda sonora com muita variedade e muitas peças lindíssimas, nomeadamente a ED. Todas as músicas estão muito bem aplicadas e apenas contribuem para aquecer o coração naqueles momentos chave.

    Fiquei sem perceber porque as pessoas gostaram tanto desta série, mas ao menos fiquei a saber sobre ela. Agora adeus, que amanhã é dia de trabalho!
  • Space☆Dandy 2nd Season

    0
    Space☆Dandy 2nd Season
    Watanabe Shinichiro - Bones
    Anime - 13 Episódios
    2014
    8 em 10
     
    E assim termina a season. Com o melhor dela e, potencialmente, o melhor do ano. Realmente, há muito, muito tempo que não via um anime que ultrapassasse as barreiras desta forma. Space Dandy é um anime definitivo que, certamente, virará culto dentro de uns anos, quando já tudo estiver esquecido.
     
    Nesta season acompanhamos mais aventuras, mais ou menos interessantes mas todas elas com algo em comum: a loucura. Em todos os episódios há um tema, muitas vezes uma crítica a estilos de animação, géneros musicais ou simplesmente tropes anímicos e televisivos a que já estamos tão habituados que nos esquecemos deles. Nesta season há mais ridículo e mais exagero. Mas como tem um estilo próprio, acaba por não cansar e por nos manter sempre interessados no que virá a seguir.
     
    Existem episódios muito conceptuais que merecem que rebolemos em químicos. Existem episódios mais directos ao assunto. Há para todos os gostos. Mas aqui se inicia uma conclusão, que aparece nos dois últimos episódios, e que vem explicar porque é que de vez em quando os personagens morrem e coisas do género. Essa explicação aparece para fazer explosões nas nossas cabeças, levando o conceito mais além e dando uma camada de profundidade muito mais intensa àquilo que poderíamos pensar à primeira vista.
     
    Flando nos personagens, eles estão aqui e cada vez mais mirabolantes. É-lhes acrescentada mais densidade e mais detalhes na personalidade, sobretudo às personagens femininas. Se ao início apareciam como figurantes, agora é-lhes dado um destaque merecido, que apenas contribui para a caracterização de Dandy como homem e como indivíduo.
     
    A arte ultrapassa todos os limites e dá-nos novas perspectivas sobre o que pode haver de novo na animação oriental. Numa explosão de cores, formas e texturas, viajamos pelas tridimensões (e bidimensões e tetradimensões!) e em cada momento nos espantamos mais com toda a imagética e com a força da imaginação destas pessoas.

    Desta feita temos uma música ainda mais variada, mantendo uma OP que é do melhor pop de ultimamente. Cada história está definida por uma banda sonora específica, única e altamente crítica de si própria.

    Enfim, não posso ficar aqui mais tempo sem continuar a desfazer-me em elogios. Adorei e irei adorar outra vez quando for rever (que será em breve). Recomendo a todos esta viagem!
  • Free! Eternal Summer

    0
    Free! Eternal Summer
    Utsumi Hiroko - Kyoto Animation
    Anime - 13 Episódios
    2014
    6 em 10
     
    Para saberem sobre a primeira season, vejam aqui.

    Ora bem, quando foi anunciada a nova season do anime natatório, não foi com grande excitação que recebi a notícia. Tinha gostado tanto do anime e achei que uma segunda season seria apenas a ordenha de um sucesso. O que se veio a confirmar, de qualquer forma. Ainda assim, não ia ficar fora do loop e recusar-me a assistir, portanto aqui estou eu.

    Esta season pouco ou nada acrescenta à história, quer em termos de narrativa quer no que respeita ao desenvolvimento dos personagens. São introduzidos muitos novos personagens que em nada contribuem para nenhum dos pontos anteriores e parecem estar ali para termos mais variedade nas cores dos cabelos. No respeitante aos personagens já nossos conhecidos, existe uma carga emocional forte e o dilema adolescente da perspectiva de futuro, que - esse sim - se encontra desenvolvido de forma bastante apropriada, com alguns momentos comoventes e que apertam o coração.

    A animação está em tudo semelhante à season anterior, mas talvez com menos momentos em que se pode ver a sua utilização. Nesta season dedicamo-nos mais à vida diária dos personagens, afastando-se da categoria de anime de desporto e aproximando-se dos fatias de vida comuns que o estúdio costuma produzir.

    Musicalmente, há um esforço, mas nada por aí além.

    Na verdade, o que me irritou nesta season foi que todas as coisas pareceram ser feitas tendo em mente as opiniões das fãs ocidentais idiotas. Assim, o anime perdeu-se  num festim de serviço completamente desnecessário. Espero que não continuem a ordenha. Se continuarem, não irei ver.

  • Leite Derramado

    0
    Leite Derramado
    Chico Buarque
    2009
    Romance

    Desde muito pequena que venho ouvindo as músicas do Chico Buarque. Reza a lenda de que quando era minúscula cheguei a estar na casa dele, pois era amigo de um amigo do meu pai no Rio de Janeiro. A grande questão é porque é que o meu pai não me levou lá quando eu já tinha idade para perceber as coisas... Mas adiante! Desde muito pequena que venho ouvindo as músicas e considerando este homem um poeta, o Poeta com Pê grande. Assim, estava muito curiosa em relação à sua prosa. Não me desapontei.

    Este livro é a narrativa de um homem muito velho no leito de um hospital, falando sobre a sua vida, sobre os seus antepassados e sorbe a sua progénese. Como o velho é mesmo muito velho, o seu discurso está todo baralhado, o que torna a leitura muito curiosa, pois nunca sabemos o que é realmente verdade, o que são memórias falsas e quem são realmente estas pessoas, ou sequer se existiram ou não.

    O discurso também tem um efeito cómico muito grande, devido à personalidade do nosso personagem principal. Falando dele, é realmente um personagem muito interessante, com características próprias e uma depressão muito única. 

    Como estamos a falar de um livro do Chico, não poderíamos deixar de ter uma figura feminina altamente sensual que povoa os sonhos e o discurso do senhor Eulálio, o velho. É esta a figura central de toda a narrativa e o que queremos saber realmente foi o que lhe aconteceu. Nunca chegamos a ter a certeza.

    Agora estou com bastante vontade de ler os outros livros dele! :>
  • A Guerra dos Tronos

    0
    As Crónicas de Gelo e Fogo - A Guerra dos Tronos
    George R. R. Martin
    1995
    Romance Fantástico

    É verdade. Toda a gente anda a falar disto. Game of Thrones para aqui, Game of Thrones para acolá, toda a gente fala desta coisa e eu preciso, preciso mesmo!, de saber o que é. Portanto, aí vou eu! Ler os livros! O meu pai está a ler a série há algum tempo e preveniu-me de que é exasperante a quantidade de gente que existe aqui. E a quantidade de gente que morre. E que nunca mais acaba. E que o universo... Bem, vamos ver.

    O meu pai tem razão num certo aspecto: o universo. É um universo muito pouco detalhado e com muitas coisas que não fazem sentido. Claramente não vivem no planeta terra. Começo a imaginar que se calhar vivem neste planeta mas num futuro longínquo, já que a história recente deles remonta aos dez mil anos anteriores.

    Mas por outro lado, apesar do universo fantástico não ser interessante de todo, os personagens estão muito bem construídos. Muito rápido lhes ganhamos um certo afecto e queremos realmente saber o que lhes vai acontecer. Daí que, tudo contado, a leitura seja veloz e muito simples. O livro não é complexo, apesar da quantidade de gente que nele vive, nem está especialmente bem escrito. É directo e fácil de compreender.

    Portanto, agora estou ansiosa por saber o que acontece a seguir! Será que me conquistaram? Quizas, quizas, quizas
  • Dramatical Murder

    0
    Dramatical Murder
    Miura Kazuya - Nitroplus
    Anime - 12 Episódios
    2014
    6 em 10

    Como sempre, não posso deixar de ver todos os animes BL ou inspirados em histórias BL. No caso de DmMd (nome carinhoso), já tinha ouvido falar bastante do jogo nas minhas sendas dentro da comunidade das velhas taradas. Não me dou com adolescentes taradas, diga-se de passagem, não tenho vagar para as comparações de "eu comecei a ver yaoooi aos dois anos sou mais melhor boa que tu". Adiante! Como eu n~ão jogo jogos, não me restam outras opções senão esperar que façam animes, apenas para ter uma ideia do que se passa lá, no jogo. :> Ou ler sobre isso.

    Enfim, coisas àparte, digamos que este foi dos melhores animes da season. Para começar, passa-se num universo bastante bem trabalhado e original, com alguns traços de um cyberpunk modernizado, agora com o uso dos jogos e das telecomunicações para dar o mote à aventura. Este universo é explorado com recurso a um conjunto de personagens muito interessantes, com um mistério que ajuda a caracterizá-las, a elas e ao universo.

    Estes personagens, apesar dos designs ecléticos e pouco práticos, distinguem-se rapidamente do cenário de fundo, que passa por batalhas digitais e também batalhas reais. O nosso amigo principal convive com cada uma delas separadamente, explorando as suas fragilidades e dando azo a um potencial desenvolvimento romântico. Isso acontecerá, certamente (e graficamente) no jogo, mas aqui é tudo deixado à nossa imaginação. Como as histórias são delicadas e os personagens muito carinhosos, não há nada que nos impeça de fazer o pior. Muahaha!

    A arte falha em muitos aspectos, apesar de fazer uso de cores muito brilhantes e fluorescentes para dar vida ao universo digital em que muita da acção se passa. Por isso, apesar de alguns problemas na animação propriamente dita, são mascarados muito bem pela vivacidade de todo o ambiente e dos personagens (os únicos a usar roupas malucas, diga-se de passagem)

    Em termos musicais, temos uma banda sonora muito consistente, com sonoridades electrónicas que fazem lembrar o techno mais pesado dos antigamente nipónicos. Mas com uma certa dose de alegria, como hei-de explicar... Para além disso, temos uma música muito bonita e quase romântica sobre alforrecas que faz chorar.

    Portanto, no geral, um dos melhores e um anime a recomendar no futuro. :)
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan