• O Vestido

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    O Vestido
    Milene Emídio
    2011
    Novelleta

    Esta autora esteve na Convenção do BookCrossing e foi muito giro conversar com ela. Houve um momento em que ela perguntou se eu era Wiccan, como que a confirmar, ao que eu respondi... "mais ou menos?" Questionei-me como poderia ela saber. Já não uso pentagrama nem nada. Mas depois de ler este livro, já me faz mais sentido ela descobrir isto. Porque o livro é, essencialmente, uma narrativa sobre a Arte da Deusa, que eu pratiquei durante tanto tempo. Sabiam disto? Pois bem, agora já sabem. :) Sou pagã de coração.

    A narrativa é muito simples e está tudo escrito de forma muito directa, sem grandes floreados sobre emoções, sobre paisagens, sobre tudo. Assim, é muito fácil de ler. Mas confesso que não foi a história que me cativou. A história é muito interessante e o mistério é bem estruturado, apesar do final um pouco simplificado... Mas não foi isto. Foi o quê?

    Foi a descrição das práticas da Arte. A autora deve conhecer bem, pelo menos algumas vertentes New Age, porque estão descritos rituais e encantamentos que também eu conheço bem. Ao ler, lembrei-me do quanto gostava de fazer isto, de estar dentro da minha fé, de acreditar em alguma coisa. Bem, ainda acredito em alguma coisa, mas não sei que nome tem. Era isso o que eu gostava de descobrir (que nome tem), por isso comecei a estudar. Até fiz um blogue, que não vou partilhar porque é sobre - wtf - religião. Paganismo. Mas parei, não tenho tempo. E agora, onde encontrar tempo? Esta leitura inspirou-me a encontrá-lo.

    Apesar deste vínculo pessoal que criei com o livrinho, há algumas coisas nele que não se ligaram muito bem aos meus neurónios. Nomeadamente, a exactidão histórica. Creio que seria importante mais alguma pesquisa. Os amuletos usados em Portugal, concerteza seriam de pedraria encontrada facilmente em Portugal. E com toda a certeza que uma herdade de pessoas ricas na época medieval não poderia albergar uma comunidade pagã ou estariam todos na fogueira. A menos que o livro se passe antes, mas não há nada que o indique. Isto é, pequenos detalhes no que acontece tornam a história muito pouco verosímel.

    Mas tornou-se uma história bem especial para mim. Por isso agradeço à autora a oportunidade que leu ao BookCrossing de ler este livro e ao BookCrossing por mo emprestar. :)
  • Kuroko no Basket 2

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    Kuroko no Basket 2
    Tada Shunsuke - Production I.G.
    Anime - 25 Episódios
    2013
      5 em 10
     
    Vi esta segunda season só por descargo de consciência. Como podem ver, não gostei mesmo nada da primeira. Mantenho tudo o que disse, com mais uns acrescentos.

    Comecemos por Kuroko, o personagem principal. Vê-se que lhe tentaram dar um certo desenvolvimento, mas este não se coaduna com a resenha básica do personagem. Está mais falador e mais amigo do seu amigo, sempre sem expressão. No entanto, nos jogos isto muda, sendo ele cada vez mais protagonizado pelas suas estratégias. Aí ganha expressão, o que não se conjuga bem com a sua atitude normal e o faz perder a consistência. Acrescento também que os jogos estão mais aborrecidos: as estratégias definidas não são discutidas de maneira eficiente, nem antes nem durante os jogos, pelo que o visionante poderá ter dificuldade em imaginar como se realizam. Eles mostram, mas fazem pouco sentido porque não foram explicadas com extensão suficiente.

    Os outros personagens continuam na mesma, mas há algo nos oponentes que me fez torcer os pulmões. Todos eles são apresentados sob a luz mais negativa possível. São todos pessoas insuportáveis, convencidos e maus, apesar de talentosos. Isto faz com que os jogos sejam quase combates e que os oponentes sejam quase inimigos. Ora, desporto não é isso. Desporto é estar na desportiva e jogar porque se gosta e não porque temos de arruinar o nosso inimigo. Pelo menos foi essa a impressão que me causou e fiquei bastante desagradada.

    Em termos de animação, mantem-se o da season anterior. Os jogos ainda podem manter o interesse não pela estratégia ou pelo jogo em si, mas sim pelas poses e movimentos dos personagens no campo, que são sem dúvida espectaculares. No entanto, o facto de "concentração" ser expressa por "linhas fluorescentes nos olhos" retira o efeito realista e deixo de poder encarar cada competição com seriedade.

    Tudo na mesma com a música, tudo bastante bem integrado com o ritmo da série.

    Finalmente, uma coisa que não compreendo: afinal, a quem é dirigido este anime? Meninas gostam de ver rapazes suados a saltar com uma bola, é certo. Mas gostarão de ver gajas boas a tomar banho? Porque é que todos os managers são fêmeas? Se alguém me puder esclarecer agradeço, porque realmente está para além das minhas (muito limitadas, como é conhecido, capacidades)

    Ainda vai continuar, mas espero que façam OVAs em vez de série, porque o que é demais é demais. E, pessoas do tumblr, parem de partilhar estes rapazes a darem beijinhos, porque é um assunto que est
    a em excesso na minha dashboard. Partilhem, por exemplo, rapazes de Prince of Tennis a dar beijinhos.

  • Hajime no Ippo: Rising

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    Hajime no Ippo: Rising
    Shishido Jun - Madhouse Studios
    Anime - 25 Episódios
    2013
    6 em 10

    Infelizmente ainda não tinha o blog quando vi a primeira season, mas aqui está o comentário à segunda se tiverem interesse.

    Puro anime de desporto, shounen no seu maior esplendor. Esta terceira season pega exactamente onde ficou a segunda e, mais uma vez, vemos combates e a luta dos nossos personagens (que acho que já podem ser considerados amigos. Ou, pelo menos, conhecidos :) ) para conseguir chegar ao topo e manter a sua posição.

    Ippo já é campeão, mas desta feita ele tem de lutar para manter o seu lugar. Isto revela-se talvez ainda mais difícil do que chegar lá, porque os oponentes são fortes e, alguns, muito assustadores. O ênfase dado a cada  oponente, com a sua história e as razões porque luta, é a principal razão pela qual estes combates são tão interessantes. Aquilo que normalmente se resume a uma luta de vontades, acaba por ser uma luta entre histórias, entre o passado e o presente, entre a emoção e a lógica, tendo que haver um equilíbrio perfeito entre as duas para se poder vencer.

    Entre cada episódio, temos comédia protagonizada pelos simpáticos colegas de ginásio de Ippo. Realmente sabe bem ter de vez em quando um momento mais leve, para libertar toda a tensão construída em cada combate (que é realmente muita).

    No entanto, como anteriormente, não há uma linha narrativa que una cada história. O conceito geral é apenas "vencer tudo e todos", não havendo uma componente mais complexa para reunir tudo numa boa feijoada. Por exemplo, gostaria de mais ênfase na história romântica que corre em paralelo: apesar de não ser o mais importante, seria refrescante que fosse usada noutro contexto que não os momentos de comédia.

    A animação tem os seus momentos, caracterizada por traços fortes e linhas cinéticas. No entanto, não está muito equilibrada, estando muito mais enfatizada nos combates do que nos outros momentos: seria interessante ter uma variedade maior de perspectivas nos comentários aos ditos.

    Em termos musicais, uma escolha um pouco repetitiva, se bem que a OP e ED estão bastante adequadas.

    Foi um prazer ver este anime. Poderá terminar com esta season, porque fica bastante bem, mas não me importaria nada de ter mais uma.
  • Alma Rebelde

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    Alma Rebelde
    Carla M. Soares
    2012
    Romance Histórico

    Livro que recebi no BookCrossing e para o qual tinha alguma expectativa.

    Conta a história de Joana, uma rapariga em Lisboa do Século XIX que é obrigada a percorrer o país para se ir casar com um nobre desconhecido. O livro fala do seu medo e da sua expectativa negativa em casar-se e da história de amor improvável que se desenvolve depois dos dois começarem a conhecer-se melhor.

    O tema é engraçado, apesar de provavelmente já estar repetido por toda a literatura histórica. Mas vamos admitir: o tema é interessante e tem muito potencial para termos uma história romântica e divertida, daquelas que sabe bem ler em dias de chuva. No entanto...

    No entanto, a forma como a narrativa está construída transforma esta gema em potência em algo aborrecido e sem muito conteúdo. Apenas nos momentos finais do livro se passa realmente alguma coisa, sendo que o primeiro terço é "eu não quero casar-me" e o segundo terço é "eu vou cortejar-te". Para mim, bastava uma linha narrativa: as entradas no diário de Joana e as cartas para a prima Ester são repetitivas e apenas transmitem informação que já foi passada anteriormente. Assim, o livro torna-se um pouco maçador, porque estamos sempre a ler novas versões da mesma situação, além de que a variação entre as situações não é muita.

    No entanto, está bem escrito (fora a tentativa de erotismo na "primeira noite") e as palavras são cativantes. É uma leitura leve, com um registo bem adaptado à época. Não sei bem o que dizer, se gostei ou não gostei, das inflexões exclamativas por todo o texto. A verdade é que, oh, tornam o texto muito romântico.

    Agora vai para o próximo da lista, boa viagem! :)
  • Space☆Dandy

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    Space☆Dandy
    Watanabe Shinichiro - Bones
    Anime - 13 Episódios
    2014
    8 em 10

    Um anime que comecei a ver só porque achei o nome giro. Revelou-se, por larga margem, o melhor da season.

    De natureza episódica, relata as diversas aventuras espaciais de Dandy e seus companheiros, um alienígena e um robot. Cada aventura é única na sua natureza, desafiando a lógica e explorando os vários conceitos de física e, até, de filosofia. Cada episódio tem um tema, sendo que podemos encontrar tudo o que é passível de acontecer, do holocausto zombie a corridas de naves espaciais, passando por histórias emotivas, sobre o amor e a família. Não há tema que se repita, apesar dos lugares recorrentes, nave espacial e Boobies, o restaurante favorito desta trupe que se caracteriza por ter empregadas em trajes menores e, sobretudo, com grandes boobies.

    Os personagens de sempre são únicos na sua natureza e perfeitamente caracterizados, apesar do seu teor não ser trágico ou pesado. São personagens de comédia que produzem gags nas suas atitudes naturais. Mas é isso o que os distingue como bons comediantes: as piadas não são forçadas e aparecem como característica essencial e una dos personagens, fazendo um trio dinâmico com uma química muito especial. Outros personagens que vão aparecendo ao longo da série têm características um pouco mais superficiais, sobretudo o gorila vilão, que poderia ser mais explorado. Talvez numa segunda season, quiçá? Quem dera!

    Coisa verdadeiramente extraordinária é a arte. Uma explosão de cor e textura, com uma animação muito fluída e divertida, de quem sabe o que está a fazer mas decidiu simplesmente atrofiar com as situações. Existem alguns cenários extremamente originais, como o mundo de plantas ou o universo a preto e branco, em que o uso da paleta e do contraste se torna absolutamente delicioso. Vale a pena ver este anime na grande tv da sala e deixar os nossos olhos absorver tudo, pois existem momentos absolutamente hipnotizantes.

    Finalmente, a música. Há muito tempo que não ouvia uma banda sonora tão boa. Tem a sua dose de açúcar, o que trás o bom humor a todo o ambiente, com algumas peças que, individualmente, são valiosas. A minha preferida foi a ED, por falar de tantos conceitos estranhos de maneira tão simples e boa-onda.

    Uma comédia visual com temas tão vastos como o universo em que vivemos (ou outro). Sem dúvida um recomendado. Agora, fico ansiosamente à espera da segunda season.

  • Golden Time

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    Golden Time
    Kon Chiaki - J.C. Staff
    Anime - 24 Episódios
    2013
    6 em 10

    Gosto sempre de, uma vez por outra, ver um anime romântico. A season passada, este foi a minha opção. E até foi engraçado, apesar de tudo.

    Primeiramente, o ambiente em que se passa esta história é um pouco diferente dos shoujos habituais (podendo quase ser considerado um josei, talvez): passa-se na universidade. Tada Banri conhece Kaga Koko - não se riam do nome - e formam uma relação de rapaz x yandere que tem os seus momentos tanto emotivos como engraçados. 

    Mas há algo que estraga o que podia ser uma história de romance leve e simpática: Tada Banri tem amnésia. Isto faz com que ele se sinta dividido entre outra colega de escola (Linda), que faz parte do seu passado, e Koko que será parte do seu presente. São estas dúvidas que não dão peso suficiente aos personagens para que a narrativa se desenvolva de forma calma e assertiva. Assim, tudo se torna numa amálgama de situações que não se encontram bem definidas dentro do contexto.

    A arte é brilhante e apreciei muito a variedade de roupas e seus designs de Koko, a rapariga das modas.. No entanto os outros personagens pareciam demasiado simplificados, sobretudo no formato e cor dos olhos, que dava a todos - especialmente Banri - um ar mortiço.

    Em termos musicais, tanto as OPs como as EDs eram agradáveis, se bem que um pouco histéricas demais para o teor do anime.

    Mas foi uma boa experiência, embora não seja a minha primeira escolha para recomendar.
  • pupa

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    pupa
    Mochizuki Tomomi - Studio Deen
    Anime - 12 Episódios
    2014
    4 em 10

    Um anime para o qual se gerou uma grande expectativa e que se revelou desapontante e inútil.

    Primeiramente porque o que se esperava ser uma série de horror é apenas um conjunto de clips com dois minutos. A história, mal explicada e sem conclusão ou narrativa coerente, é a de uma miúda que se transforma num monstro canibal. Pelos vistos ela ama o irmão mais velho (nii-chan nii-chan) e come-o às dentadas, sendo que ele se regenera.

    No final não passa de cenas de amor fraternal da miúda a comer o miúdo, tudo isto com uma dose demasiado carregada de censura que não permite nem o motivo violento actuar nem quase perceber o que se está a passar (não que haja muita coisa a passar-se)

    Os designs têm uma tonalidade interessante, com uma textura própria. Também existem cenas da infância relatadas por ursinhos que poderiam dar uma perspectiva original à história, se existisse uma história.

    em termos musicais, a OP e ED (que ocupam metade de cada episódio) são intensas e bonitas.

    Infelizmente, nada disto compensa a ausência de narrativa e de desenvolvimento dos personagens. O conceito está interessante, mas foi muito mal executado.
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