É de Noite que Faço as Perguntas
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É de Noite que Faço as Perguntas
David Soares, Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel da Silva e Richard Câmara
2011
Banda Desenhada
Este, recebi-o no BookCrossing. Para variar, alguém fez u7m ring, no tema dos autores portugueses, de Banda Desenhada. Inscrevi-me logo!
Apesar de já ter uma paixão pelo autor, não posso dizer que tenha apreciado muito este album. Segundo consta, na introdução, convidaram David Soares a falar sobre a primeira república, a ser desenhada por cinco autores diferentes.
Cada autor tem um estilo muito próprio que acho que se integra muito bem no tempo-espaço da narrativa. Não gostei muito do último, pois achei o estilo demasiado rascunho para se adequar ao ponto final da história. Depressivo é, certamente, mas coloca um ponto final muito difuso e, parece-me, pouco conclusivo.
Agora, para mim o grande problema reside na história. Tudo isto pareceu-me mais uma narrativa de factos históricos do que a experiência real de uma pessoa real. O facto de repetidamente aparecerem as páginas da carta ao filho foi uma insistência que me desconcentrou e irritou. A verdade é que a história da primeira república deve ser celebrada mas não é especialmente emotiva ou interessante, sobretudo com a sucessão de nomes, uns atrás dos outros, que mal reconhecemos, mal aprendemos isto na escola e o livro não é claro na explicação.
Desapontou-me, mas não será por isso que desistirei de tão excelente autor.
By : ladyxzeus
O Pequeno Deus Cego
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O Pequeno Deus Cego
David Soares e Pedro Serpa
2011
Banda Desenhada
Livro que comprei no AmadoraBD apenas para repetir o autor.
Um livro simples que é muito mais do que aquilo que aparenta. Fala sobre uma menina (ou um menino?) sem olhos que procura uma resposta para o seu problema. Encontra o caminho com a ajuda de um velho sábio, que parece mover-se através dos tempos. Dado que o seu acompanhante, o urso panda, não pode ser real (panda carnívoro), atrevo-me a imaginar que esta visualização não passa de uma imaginação infantil, resposta ao facto de não se poder ver e de se encontrarem coisas para além do que os olhos podem captar.
Há um encontro com um dragão, um monstro. Imaginação? Talvez também o seja. Mas o monstro é de uma graça interessantíssima, cheio de humor e de inseguranças que podem reflectir também os desejos ocultos da figura materna. Talvez o monstro seja, efectivamente, a mãe. É através da inocência, do que não vê e nada esconde, que essa figura é enfrentada e acaba por se autodestruir.
Interpretações à parte, é um album muito interessante, cheio de detalhes - tanto na narrativa como no desenho - que transmitem um certo ambiente de misticidade que não pode ser ignorado nem ultrapassado. A utilização das palavras é de mestre: a história assustadora transforma-se num exercício de humor e de espanto, página a página.
Fico feliz por ter adicionado este livrinho à minha pequena, mas crescente, colecção. :)
By : ladyxzeus
A Morte Feliz
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A Morte Feliz
Albert Camus
1936
Romance
Nunca tinha lido Camus. Assim, quando apareceu a oportunidade no BookCrossing de receber este livro, fui logo a primeira a por o dedo no ar! Diziam os comentários no site que este não seria o melhor livro dele e que toda a gente estava desapontada. Também que não era o melhor para começar. Mas achei precisamente o contrário. A verdade é que adorei o livro e tornou-se bastante especial para mim. Espero poder ficar com ele. Li-o de uma assentada no comboio para o Porto (como verão, mais livros virão e eu rimei)
Este livro fala da depressão. Um jovem que se sente inadaptado na sua cidade e na sua época, acaba por assassinar um conhecido que tem muito dinheiro, roubando-lhe a fortuna e viajando pela Europa. Na sua viagem, apenas encontra mais angústia, decidindo mudar-se para perto do mar, onde é assolado por uma misteriosa doença que acaba por lhe ceifar a vida.
Isto tudo poderia ser quase um Crime e Castigo, excepto que este livro não explora os conceitos de arrependimento e redenção. São significantes os locais e os objectos que o personagem encontra nas suas viagens, cada um deles representando algo que o atormenta e lhe perturba o sistema biológico, levando ao desenvolvimento da doença que acaba por o matar e encontrar a paz. Essa paz será motivada pelo encontro com jovens raparigas numa casa de onde se vê o sol, lugar que representa a calma e o regresso à inocência primitiva. Talvez o facto de não se ter falado da infância do personagem tenha ajudado nesta afirmação.
O livro é leve, bem escrito, sem forçar o conteúdo depressivo. Apenas acompanhamos a viagem do homem, com o seu declínio e finalmente a recuperação, com toda a naturalidade.
No geral, gostei mesmo muito e recomendo. Agora estou cheia de vontade de ler mais deste autor.
By : ladyxzeus
Memória das Minhas Putas Tristes
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Memória das Minhas Putas Tristes
Gabriel García Marquez
2004
Romance
Um livro que fizeram o favor de fazer circular no BookCrossing. Era uma oferta, mas eu fiquei com tanta pena de não ter ficado com ele que acabaram por fazer um bookring. Viva! Viva!
Como saberão (ou não, acho que não li nenhum livro deste autor desde que tenho este espaço) eu adoro positivamente o senhor Gabriel. Acho-o super fofinho e adoro ler os livros dele, porque são fascinantes e muito divertidos. Não nos temas, os temas são sempre tristes, mas a escrita é perfeitamente deliciosa.
Neste livro, Gabriel disserta um pouco sobre a velhice. É o seu último livro e parece-me uma boa ocasião para falar sobre o assunto, que o deveria atormentar na altura. Um velho de 90 anos decide, no seu dia de aniversário, regalar-se com uma prostituta virgem. Ao entrar no seu quarto, ela está a dormir. E continua sempre a dormir. Daí se desenvolve uma história de amor, estranha mas muito pura.
O que distingue esta história é que o personagem, idoso e sozinho, nunca tinha aprendido a amar no passado. Nunca teve mulher, apesar de terem passado centenas de mulheres na sua vida. Nunca se tinha apaixonado. É perante a inocência e o medo da adolescente que ele aprende o que é verdadeiramente amar outra pessoa, desesperar-se por ela, apesar de a rapariga não ter nenhuma acção directa na sua vida e nunca trocarem uma palavra.
A escrita é, como sempre, fluída e cheia de charme. A melancolia está muito presente e toca profundamente no coração do leitor.
Um livro que gostava que o meu pai lesse, por isso acho que o vou comprar para lho oferecer. :)
Um livro que gostava que o meu pai lesse, por isso acho que o vou comprar para lho oferecer. :)
By : ladyxzeus
Assassinatos na Academia Brasileira de Letras
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Asssassinatos na Academia Brasileira de Letras
Jô Soares
2005
Policial
Recordam-se do Jô Soares. Aquele amiguinho gordinho da televisão brasileira, que tinha sempre piada! Pois bem, quando vi um livro dele (aliás, dois) na lista que me mandaram fiquei com curiosidade de o ler. Revelou-se um senhor extremamente culto, além de revelar com classe o seu bom-humor que sempre o caracterizou.
Este livro é um policial passado no Rio de Janeiro dos anos 20. Um a um, membros da Academia Brasileira de Letras vão sendo assassinados por um misterioso envenenador. Há muitas pessoas, muitas mulheres atraentes, um anão, um médico legista e muitas coisas muito engraçadas.
Mas o que é a Academia Brasileira de Letras. Pois bem, a quem não sabem, é como se fosse um "clube" que reúne os melhores escritores brasileiros, a nata da intelectualidade. Mantém-se até hoje e tem nomes importantíssimos. É quase certo que se um escritor pertence a este grupo, a sua obra é de génio. Mas, revela este livro, nem sempre terá sido assim... A obra revela todo um universo de corrupção e de venda de favores em troca de um lugar na prestigiada Academia, para além da leviandade de seus membros que não têm mais nada com que se entreter do que tomar chá e participar em grandes festanças sociais.
O personagem principal, comissário Machado Machado (assim chamado por o seu pai, Rubino Machado, ser grande apreciador e fã de Machado de Assis) está muito bem construído, com um detalhe primoroso nas suas acções e personalidade. A forma irónica como aborda os factos torna-o cativante, tudo isto polvilhado com uma pitada de Machado de Assis. Porque Machado Machado conhece bem e cita a sua obra integral. Não apreciei, no entante, as suas capacidades infalíveis de galã. Pareceu-me exagerado que atraísse mulheres lindíssimas ao primeiro contacto, ao primeiro olhar, a ponto de se reproduzirem cenas eróticas em vários pontos do livro que em nada contribuem para a história.
Também não contribuem para a história, mas têm o seu quê de engraçado, as reflexões sobre cada uma das personagens que é apresentada, com detalhes sobre a sua vida privada. No entanto, é maneira de os conhecermos e de os colocarmos o retirarmos da lista de suspeitos.
O mistério mantém-se até ao fim, com muitas pistas ocultas que requerem um grande conhecimento de literatura para fazer uma dedução lógica antes do tempo. O assassino é totalmente inesperado e de uma loucura irrepreensível, simplesmente de tão cómica que é.
Agora estou desejosa de ler o outro livro que tenho dele. A linguagem transporta-nos para a época de todas as coisas com classe, os loucos anos 20, e o autor demonstra um seguro uso da palavra. Gostei muito e é para repetir.
By : ladyxzeus
Coisas que Acarinho e me Morrem Entre os Dedos
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Coisas que Acarinho e me Morrem Entre os Dedos
Dulce Maria Cardoso
2012
Conto
Ora bem, com a adição do Kobo na minha vida, este blog agora terá mais uma vertente literária. A dos contos. Eu não tenho por uso ler contos que encontro na net, apesar de gostar que leiam os meus, simplesmente porque gosto de separar os meus momentos de leitura dos meus momentos de estar na net. Mas agora com o bicho digital, posso lê-los nos meus espaços de leitura (autocarros, mesa do trabalho à hora de almoço, etc.) Assim, escrevo aqui um apelo-barra-oferta:
Novos escritores, enviem-me os vossos contos ou e-books e eu terei todo o gosto em lê-los. A leitura poderá não ser imediata, porque as minhas escolhas do "próximo a ler" são bastante ecléticas, mas serão lidos mais tarde ou mais cedo. E, para mais, irei comentá-los neste espaço e poderão usar isso como crítica (construtiva, espero eu). :) Por isso, bring it on!
Sobre este conto: foi a minha primeira experiência com esta autora tão aclamada. Gostei bastante e fiquei curiosa em relação às suas outras obras. É um conto muito moderno, que faz referência aos nossos hábitos do agora. O de acordar e ir à net, o de perder tempo e estar na net. Também reflecte sobre a ansiedade que nos assola e que nos provoca isolamento e na relação que a informação que encontramos online tem com o facto de não conseguirmos conhecer as pessoas.
É isso o que é importante, talvez a ideia que tinhamos das pessoas antes de as conhecermos, e que se perde por entre os dedos. Assim, o conto é muito forte e muito triste. Ficará certamente na memória e mal posso esperar para ler mais da autora!
By : ladyxzeus
Frozen
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Frozen
Chris Buck e Jennifer Lee - Disney
Animação Ocidental - Filme
2013
6 em 10
Aos Domingos, por vezes, muitas vezes, fazemos um piquenique ou um passeio ou props de cosplay. Este que passou fomos para casa de um amigo ver o Frozen. O filme já me causava certa irritação, por causa da abundância sem paralelo de jpgs e gifs e ficheiros de som que populam todo o Tumblr. Mas também por causa desse excesso, tinha certa curiosidade em saber se o filme era realmente assim tão bom.
Não é. Não é sem razão que há quem diga que a Disney perdeu a magia. Se calhar fomos todos nós que crescemos... Enfim, o filme tem os seus momentos, mas de resto não tem grande coisa onde pegar. Começa logo pelo epíteto de "baseado na história da Rainha da Neve". Ora bem... Eu adoro a história da Rainha da Neve. Mesmo. E este filme, de Rainha da Neve, tem neve e rainha, mais nada. A história é tão bonita, porque é que fizeram algo completamente diferente? A inspiração? Nenhuma!
A história é simples, a causa e efeito do amor fraternal e da relação entre irmãs. De certa forma, o filme distingue-se por dar um certo poder ao amor entre as duas, a capacidade feminina. As princesas não são frágeis, apesar de serem puras e inocentes. Ainda assim, acho que o Tumblr anda a ler demasiadas coisas entre as entrelinhas... Não creio que o filme seja representativo de feministas ou doenças mentais (apesar de haver um personagem com uma rena que é esquizofrénico).
A arte é plástica, bem modelada, mas a paleta de cores é extremamente aborrecida. É tudo demasiado azul, não havendo aproveitamento das várias imagens de paisagens nevadas. Bem, eu só vi neve uma vez, mas já vi fotografias e os campos gelados não são assim tão monótonos.
As músicas... Demasiadas. Esta gente está sempre a cantar e como são feitos por computador parecem pessoas e isso é estranho. Pareceram-me todas parecidas umas com as outras e ficaram-me na cabeça... Mas todas misturadas. Por isso tenho andado a cantar "LET IT GO LET IT GO THE COLD NEVER BOTHERED ME ANYWAY DO YOU WANNA BUILD A SNOWMAN"
Em resumo, o filme parece-me sobrevalorizado, apesar de ter os seus momentos. Gostei imenso do Olaf, apesar de ter pensado que ele me ia irritar. A verdade é que é um bonequinho bem simpático.
By : ladyxzeus
