• Kyoukai no Kanata

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    Kyoukai no Kanata
    Ishidate Taichi - Kyoto Animation
    Anime - 12 Episódios
    2013
    6 em 10

    Véspera de Natal. Na sala, estão a ver a Cinderela. Eu por aqui, a tentar actualizar-me com os animes semanais. Alguns já acabaram, como é o caso. Outros ainda vão a meio. Creio, neste momento, que nunca me conseguirei actualizar. É demais. O trabalho não mo permite. Se eu ao menos pudesse ver anime no trabalho... Mas não posso, não convém. Até ler é só à hora de almoço. Mas vamos, neste dia de Inverno, tentar por algumas coisas em dia. E quando digo Inverno, é mesmo. Na rua chove torrencialmente, com um vento que já me virou um guarda-chuva e estores perdidos a voar pela estrada fora. Não desgosto.

    Mas de que se trata este anime, então? É o mais recente da Kyoani, estúdio que tenho tentado acompanhar apesar de me falhar muitas vezes. Muitas outras, acerta na mouche. Esta foi uma das que falhou.

    O início da história tinha uma premissa simples e atractiva: uma rapariguita de óculos tem poderes sobrenaturais para caçar uns monstros. Encontra um rapazito que é imortal. A partir daí desenvolve-se uma história que, pelo que (não) percebi, tinha muito pouco de pés e cabeça. A história desenvolve-se de forma regular até a um final de deus ex machina absolutamente desnecessário, com apocalipse pelo meio, como não podia deixar de ser. As personagens... A verdade é que não se podia pedir muito deles. Temos o moe e o anti-moe, sendo que a génese dos personagens se parece basear unicamente nesse preceito. Não desenvolvem de forma original, apesar de serem coerentes. Na verdade, o desenvolvimento das suas relações cai dentro do universo do cliché muito rapidamente. Aliado à história sem rumo, que se esforça por misturar seriedade com comédia sem o conseguir, o resultado é uma amalgama sem qualquer tipo de objectivo. O anime podia ser uma de várias coisas, mas tenta ser todas ao mesmo tempo e o resultado é a falha.

    Para compensar isto, temos uma animação soberba, a que o estúdio já nos habituou. Esta história tem alguns momentos de maior acção e lutas, com armas e sem elas, que estão lindamente animadas, com uma fluidez impressionante e um excelente uso da cor e do brilho. Daí eu poder, com todo o gosto, dar-lhe uma nota mediana. Por mais estranha que seja a história, a animação compensa tudo.

    A música pareceu-me reciclada de outros animes, apesar de estar bem inserida dentro das situações.

    No geral, um anime que foi um desapontamento. Para vermos animação muito bonita, temos outros da Kyoani que poderemos ver e apreciar melhor.
  • Rebeldes

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    Rebeldes
    Anna Godbersen
    2007
    Romance

    (Só encontrei a capa da edição brasileira, em que o livro se chama "Luxo", de acordo com o título original, e não "Rebeldes", de acordo com a ideia senil de um qualquer tradutor)

    Recebi este livro a propósito de um BookRing do Dia dos Namorados. Veio com uma caixinha de chocolates que instigou uma dose pequenina e saudável de ciúmes e muitos coraçõezinhos de cartolina vermelha. Roubei um para o oferecer, mas são tantos que acho que não faz mal. Ao ler a sinopse não me senti minimamente motivada: "(...)destinada a um público juvenil e eminentemente feminino." Não tem muito a ver com as minhas preferências. Mas já que aqui estava, li-o. E li-o de uma ponta à outra sem tempo para pausas!

    Este livro fala dos poliedros amorosos na alta sociedade de uma Nova Iorque do século XIX. Muitos vestidos, pessoas muito ricas, casamentos por interesse, o amor e os desamores... Muitas formas geométricas no que respeita a relações. Os personagens estão bem estabelecidos, mas poderiam ser um pouco mais fortes na sua génese. Isto é, cada um é um elemento definido na trama, mas a sua descrição limita-se a alguns traços que, sendo fortes, não são o suficiente para dar um fundo de verdade a estas pessoas.

    As descrições são parcas, o que neste tipo de livro torna as coisas um pouco complicadas. Pessoalmente, não tenho bem a noção de como era a moda americana do século XIX. Portanto quando me dizem "um vestido com cauda de peixe às bolinhas amarelas" eu não o consigo visualizar.

    A história é muito romântica, perfeita para o tema dos Namorados. Este livro é uma série e, quando estava a meio, pensava "isto é demasiado fútil para me interessar", mas a verdade é que termina em tal precipício que fiquei com vontade de ler o resto!
  • Hidamari Sketch x Honeycomb

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    Hidamari Sketch x Honeycomb
    Shinbou Akiyuki - Aniplex
    Anime - 12 Episódios
    2012
    6 em 10
     
    Tinha este anime para ver para o clube e, pela primeira vez em muito tempo, fiz uma coisa raríssima e muito errada: saltei seasons. Passei da primeira season (podem ler o comentário aqui) para a última e mais recente sem ver a multitude de coisas que havia pelo meio. No entanto, não se apresentaram dificuldades e creio que esta season pode ser vista individualmente, pois a conexão com as anteriores passa apenas pelas personagens.

    Ora bem, como podem ver pelo comentário apresentado, detestei a primeira season. Por isso estava à espera de detestar esta também. Admito o meu erro. Honeycomb tem tudo para ser perfeito. Simplesmente não é. Falta-lhe a magia, falta-lhe um bocadinho assim, um danoninho. Vejamos.

    A arte é muito suave e existe um uso bastante interessante de padrões muito simples, em tudo semelhantes aos screentones usados no manga. Estes padrões aliados ao uso da cor trazem um efeito diferente e, ao mesmo tempo, calmante. A arte estabelece o teor da série: é uma série para nos sentirmos bem e passar algumas horas sem pensar em nada. No entanto, isto não é suportado pelas personagens, quer em design quer em termos emocionais.

    É certo que, desde a primeira season, cresceram e - por isso - demonstram atitudes mais próprias de um ser humano. Estão menos infantis e deparam-se com problemas um pouco mais complexos do que "ter de acordar cedo de manhã". Ainda assim, não são o tipo de personagem que tenha dentro de si várias matizes e profundidade. Continuam, pois, recortadas de cartão, se bem que desta vez não diria uma caixa do chocapic mas sim uma caixa um pouco mais densa, como por exemplo a de uma máquina de lavar roupa. Não são ajudadas em nada pelas vozes, as actrizes não fazem de todo um bom trabalho e o casting não parece apropriado: as vozes não correspondem ao design dos personagens, de forma alguma.

    Ainda assim, a música está equivalente à arte. Se a música tivesse uma cor, seria a tonalidade pastel presente por toda a série.

    Assim, é um anime agradável e relaxante - quando conseguimos ignorar as limitações das personagens e da fatia-de-vida delas. Talvez o problema seja meu por não achar graça a isto e, por isso, não me manifesto. Não recomendaria, mas também não diria para evitar.


  • Um Vinho Atordoante

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    Um Vinho Atordoante
    Kate Charles
    1991
    Romance Policial

    Um livro que recebi numa troca do BookCrossing (a de Samhain ou quiçá a de colecções, não sei porque vieram os dois juntos :p)

    Não esperava muito dele, para dizer a verdade. Começa logo por "um mistério clerical". O que vem a ser isto? O único mistério clerical que havia lido até agora tinha sido "O Nome da Rosa", do Umberto Eco, que - devida à minha parca idade na altura - detestei. Achei que também ia detestar este. Mas em vez de se passar em deprimentes e escuros claustros de uma qualquer catedral num ido século, passa-se no agora (anos 90, há vinte anos portanto) e numa sorridente Londres de Verão.

    Tudo começa quando um padre anglicano recebe uma carta com chantagem. Recordemos que os padres anglicanos são diferentes dos nossos e podem casar-se e ter filhos e tudo o mais. Mas neste caso, o padre Gabriel teve alguns casos na juventude com outros homens, o que é coisa um pouco vedada aos padres. Ele chama o seu antigo amigo e amante David para o ajudar a descobrir quem o está a ameaçar, de forma a parar isso. E assim desenvolve-se uma aventura muito engraçada.

    Não há cenas de acção nem grandes perseguições e não temos um detective. Apenas uma pessoa a tentar juntar as peças do puzzle no seio de uma comunidade muito religiosa e muito característica. Ao início foi difícil memorizar todos os personagens, mas eles acabam por ganhar vida e tornam-se únicos à medida que a história se desenrola. A expressão dos sentimentos de David é bastante bonita, se bem que eu acho que se poderia ter dado mais ênfase às dúvidas da descoberta da identidade do personagem.

    O livro é bastante rico em detalhes da vida normal, o que comem, o que fazem, mas eu acho isso um pouco desnecessário, sobretudo quando é inconsequente.

    No final, acabei por gostar porque não se descobre quem é o culpado até ao final. Eu tive várias teorias e todas elas saíram frustradas até aos últimos capítulos em que eu pensei "se calhar, espera lá, mas isto não faz sentido, mas se calhar..." e acabou mesmo por ser assim. Pling, ainda não perdi o meu dedinho para desvendar policiais. :)

    Não tenho a certeza do que vou fazer a este livro. Gostei bastante dele e tenho uma certa pena de o libertar ao vento. Mas talvez seja mesmo isso o que eu faça, mas desta vez num sítio onde possa ser encontrado por um bom dono.
  • Siege

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    Siege
    Simon Kernick
    2012
    Romance Policial
    Este livro foi pescado na Convenção do BookCrossing. Como me disseram "há um filme", achei por bem lê-lo logo, não fosse apanhar o filme algures. Mas vejo que o filme com este título deve ter sido baseado num livro diferente, porque este foi escrito no ano passado e isso não dá tempo para fazer filmes (acho eu).

    Eu não sabia o que significava a palavra "Siege". Pensei que essa palavra significasse uma entidade superior e, baseada na capa com pessoas a correr (não reparei que algumas tinham armas), pensei que isto era um livro sobre zombies. Rapidamente percebi que não. "Siege" significa "Cerco" o que, neste contexto, significa "pessoas sequestradas dentro de um edifício".

    E assim o livro conta a história de um grupo terrorista, auxiliado por um tipo muito mau, que sequestra um hotel. Dentro desse hotel estão uma manager que se vai casar, uma família Americana, um senhor que se vai matar porque tem cancro e um assassino com uma faca. Entre todos, acabam por se safar. Morre imensa gente, mas acabam por se safar.

    Este livro é a descrição exacta de um filme de acção série B, dos piorzinhos que possa existir. Não é por ser em forma de livro que fica muito melhor. Lê-se rápido, lê-se bem, tem os capítulos muito pequeninos e numa viagem de comboio lá foram as quase quinhentas páginas. Mas não é o tipo de livro que eu recomendaria, nem o tipo de livro que eu leria na eventualidade de eu escolher livros para ler (em vez de ler o primeiro que aparece)

    No entanto, creio que talvez seja mais divertido ver este filme em modo livro e não em modo visual.
  • O Progresso do Amor

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    O Progresso do Amor
     Alice Munro
    1986
    Contos

    Gosto muito de ler os Nóbeis. Ou Nobeles, conforme preferirem. Assim, quando soube da notícia de que esta autora o tinha ganho, fui de imediato comprar um livro dela. Na Bertrand não tinham. Na Fnac tinham dois. Eu compro os meus livros numa destas duas lojas porque tenho descontos com os cartões: sugiro que as livrarias pequenas o façam, já que os livros andam extremamente caros. Enfim, tendo isto em conta, dos dois livros que lá estavam, escolhi o mais barato.

    Confesso que não sei muito bem o que pensar da autora depois de ter lido esta colectânea de contos. É uma contadora de histórias notável, mas terei de ler mais das suas obras para poder avaliá-la. De alguma maneira, senti que lhe faltava o génio que habitualmente encontro nos vencedores deste prémio.

    São contos. Eu adoro contos. Gosto de lê-los e escrevê-los. No entanto, eles pareceram-me mais como o descrever de uma imagem, de um quadro, de um passado, do que uma história propriamente dita. A maioria dos contos não têm conclusão e deixam-nos com vontade de saber o que é que - afinal - se vai passar com estas pessoas. Normalmente cada conto fala-nos de uma personagem e depois dá-nos a conhecer a sua família, para trás ou para a frente. É comum a história mudar de perspectiva em algum lugar, mas isto está feito de forma tão subtil que só damos por isso depois de tudo ter terminado.

    É um estilo hiper-realista, com descrições que - não sendo extensas - são exactas e focadas. Conseguimos depreender com muita facilidade o que é que a autora está a ver e o que é os personagens estão a sentir. Não estou muito habituada a este tipo de descrição: talvez seja uma característica única da autora, o que é bastante bom.

    No geral, gostei bastante. Vou oferecer um outro livro da autora ao meu pai no Natal e ele vai-mo emprestar. Portanto, não será a última vez que irão ouvir falar desta senhora. :)
  • 2001: Odisseia no Espaço

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    2001: Odisseia no Espaço
    Stanley Kubrick
    1968
    Filme
    10/10

    Creio que nos quase três anos que compreendem este blog nunca dei a nota perfeita a um filme, manga, anime, o que quer que fosse. Esta é a primeira vez. Bem vindos.

    Fui ver este filme ao cinema, nas Sessões Clássicas do El Corte Inglés. Sem dúvida um filme que ganha por ser visto no grande ecrã. Com Kubrick vamos viajar até ao espaço, no ano 2001 de uma era longínqua. O filme está dividido em três partes mais uma e, assim, falarei delas individualmente. Tentarei analisar o que se passa, mas confesso que a minha opinião está limitada. Porque eu não percebi bem o que se passou. Duvido que alguém o consiga fazer e, segundo li, o objectivo dos autores era precisamente que as pessoas saíssem da sala com muitas ideias a borbulhar na mente. Objectivo conseguido.

    Tudo começa com uma visão da Lua, Terra e Sol, ordenados numa simbologia que pode representar o infinito. Adornada essa imagem com a música mais famosa do filme, "Assim Falava Zaratustra"de Strauss, podemos imaginar desde já a viagem épica que se prepara para se desenrolar diante dos nossos olhos.

    Na primeira parte falamos da origem do Homem. Num lugar inóspito, talvez Africano, um grupo de humanos primordiais luta pela vida. Partilham o espaço com tapires e leopardos, vivendo muitos perigos no dia a dia, lutando pelos recursos essenciais. Estes homens do passado parecem-se muito com chimpanzés. Mas não são: são um grupo de pessoas com uma maquilhagem perfeita e fatos peludos que, numa coreografia selvática, reproduzem os movimentos selvagens daqueles que ainda não aprenderam a andar com duas patas. Um dia, acordam perante um estranho objecto. Um monolito negro, um paralelepípedo que apareceu à sua frente. Tocam-lhe e a partir daí descobrem aquilo que irá definir a humanidade: a capacidade de usar objectos como forma de destruição. Pareceu-me, então, que o Monolito (com maiúscula, porque ele é importante) deu ao Homem a capacidade de matar, a capacidade de destruir. Se isso nesta fase é uma ferramenta para a sobrevivência, será que se tornará em algo mais no futuro? O filme não volta a tocar este assunto de forma evidente, mas parece-me que a influência deste primeiro Monolito é fulcral para o que se passa no resto da história.

    A segunda parte é já num futuro distante. Eles dizem "2001", o novo século, o novo milénio... Na altura em que o filme foi feito, isto é longínquo. Daí se poderem imaginar todas as coisas que vamos ver. Uma arrebatadora cena espacial em que vemos a viagem para a estação e para a Lua, ao som do Danúbio Azul, introduz esta secção. Começamos então a reparar nos efeitos especiais, de um avanço surpreendente para a época, com reprodução fiel de máquinas do imaginário da ficção científica nas suas melhores proporções e imagens paisagísticas do espaço. Nenhum som se ouve, apenas a música. Cada objecto é tratado com o máximo detalhe, a forma de andar dentro das naves sem gravidade, a maneira como se vai à casa de banho (com um livro de instruções), a funcionalidade da maquinaria... E tudo isto é normal para as pessoas que vivem neste filme. Uma viagem ao espaço é algo corriqueiro, como demonstrado pelo telefonema (com cartões de telefone!) feito para casa, para a terra. Ficamos a saber que algo estranho apareceu na Lua. Pois é. É outro Monolito. Aparenta ter sido enterrado propositadamente há quatro milhões de anos ali.

    E passamos, dentro da mesma parte, para uma viagem a Júpiter. Como viremos a saber depois, o Monolito enviou para lá um sinal, por isso temos de lá ir para ver o que se passa. Será vida inteligente fora da Terra? Mais uma vez, os efeitos especiais são um primor. Impressionou-me sobretudo a cena em que Dave, o nosso astronauta, faz jogging a toda a volta da sua nave espacial. A toda a volta, virado de cabeça para baixo. Sei que isto em 2013 deve ser a coisa mais simples de se fazer no cinema. Mas nesta altura não havia computadores para nos ajudarem. Surpreendente. Fascinante. 

    Esta nave espacial é conduzida por um super-computador de última geração: HAL 9000. Ele não passa de um olho vermelho omnipresente, uma luzinha como tantas, e de uma voz extremamente calma. No entanto, ele tem inteligência. Apesar de ser uma máquina, aparenta ter sentimentos humanos. Dave e Hal debatem diversos assuntos, até ao momento em que algo de errado se passa e o computador tem de ser desligado. Enceta-se então uma luta de homem vs máquina. Mas uma luta de um teor diferente. Neste filme não há um único momento de "acção", como gostam de lhes chamar, nenhuma luta épica corpo-a-corpo, nenhuma arma. É uma luta psicológica. Mas como travar uma luta psicológica contra algo que nem sequer é suposto ter emoções. É este debate, será que a máquina um dia ultrapassará o homem, que Kubrick quis demonstrar, com resultados impressionantes. Será que um dia a máquina será tão inteligente como o humano? Será que estamos a criar emoções artificialmente a ponto de um dia elas nos poderem dominar? Estas questões já foram abordadas numa série de filmes mas, mais uma vez, relembremos a altura em que isto foi feito: era uma questão relevante, com o desenvolvimento da tecnologia. E continua a ser, cada vez mais, porque se já temos concertos da Hatsune Miku o que faltará para criarmos o HAL 9000 e ele nos tentar destruir?

    Dave, o astronauta, termina sozinho no caminho até Júpiter. Não faltava muito para lá chegar, mas agora ele está completamente só. Para Júpiter e para Além Disso é a terceira parte do filme. E é uma verdadeira festa visual. Vale a pena tomar uns psicotrópicos só para ver esta cena final, pois tudo o que vimos até agora vira-se e deixa de ser verdade. Ou ainda é mais verdade, tudo depende da perspectiva. Em Júpiter, Dave encontra Monolitos, uma data deles. E eu acho (eu acho) que ele entra dentro de um. Lá dentro observamos uma cena extremamente bizarra, o nosso herói a envelhecer sem sequer dar por isso, a envelhecer e a morrer, observado pelo Monolito. Nessa intensa viagem, a minha conclusão é que ele morreu e renasceu como o primeiro Monolito que foi parar à Terra, o que os macacos viram. O que me leva a concluir que tudo é um ciclo e que são os homens do futuro a ensinar os do passado, repetitivamente, até não precisarmos mais da acção do Monolito.

    Agora, é ele uma entidade extra-terrestre? Eu creio que não. Acredito que ele não é um elemento físico, que existe, mas sim uma representação da evolução do ser humano, não uma força exterior mas sim algo que vem de dentro. Pois a mudança terá de vir de dentro.

    Este filme é o epítomo dos efeitos especiais. Da banda sonora. Da realização. Cheio de detalhes deliciosos, tenebrosos, é um filme que enerva, que assusta, que perturba. Que faz pensar. Sem nunca mostrar sangue, lutas, todas essas coisas que povoam os filmes de agora. Um conjunto de cenas abismais, o épico discreto, o épico que o é sem o tentar. 

    Foi a minha primeira nota perfeita desde que tenho o blog e sim, vale a pena. Vejam-no assim que tiverem a oportunidade. Aproveitem o facto de estar no cinema. É uma viagem ao espaço que não tem retorno. Ninguém fica a mesma pessoa depois de fazer a Odisseia no Espaço.
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