• À Espera No Centeio

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    À Espera no Centeio
    J. D. Salinger
    1951
    Romance

    Este livro foi-me oferecido pelo meu Stepfather, pelo meu aniversário (note-se: este senhor é apenas o marido da minha mãe, mas vive aqui e é uma boa pessoa, apesar de ser do Porto) Quando o recebi manifestei o meu interesse, mas dado que o livro não tinha um sumário, nem nas costas, nem nas abas, nem nada, não fazia ideia sobre o que era. Pensei "um romance antigo sobre agricultores no Mississipi", ou algo assim. Mas quando o fui ler, observei o título original.

    "The Catcher in the Rye"

    Este é o livro obrigatório nas aulas de Inglês dos miúdos americanos! Este é um livro essencial! Imaginem a minha felicidade, por ter recebido um livro essencial!

    Não tem nada a ver com o que eu tinha imaginado. O livro relata o fim de semana de um jovem que foi expulso da escola. Nesse fim de semana ele embebeda-se e deprime. O livro é todo narrado por este personagem, com uma linguagem característica da juventude da época. O que é importante é precisamente a caracterização deste personagem: tal como todos os jovens adolescentes, acha-se especial, mais inteligente, mais maduro. Mas as coisas que lhe acontecem e a forma como lida com elas revela que ele é apenas mais um miúdo. Não evolui ao longo da narrativa, e mantém-se sempre firme nas suas opiniões, por vezes um pouco drásticas. Assim, este livro é a perfeita caracterização do adolescente, do adolescente revoltado, que ainda se mantém actual. Como adolescente revoltada que fui, compreendo isto perfeitamente.

    A narrativa, além da linguagem característica, segue precisamente o pensamento do personagem, relativizando coisas que não são relevantes ("peguei num livro", "ele pôs a cara cheia de borbulhas na minha almofada") e utilizando-as como mote para falar de outras coisas, de memórias de pessoas e de lugares.

    Li-o em duas assentadas (para não mentir e dizer que a li numa) e recomendo-o, sobretudo se forem adolescentes revoltados.
  • Os Amantes e Outros Contos

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    Os Amantes e Outros Contos
    David Mourão-Ferreira
    1968
    Contos

    De vez em quando, a  Editorial Presença faz uns descontos assim a dar para o fabuloso. Nomeadamente uma selecção de livros a três euros. Portanto, comprei este livrinho, porque já tinha ouvido o nome do autor em qualquer lado e aproveitei a oportunidade.

    Baseada o prefácio, a minha expectativa rondava o negativo. O aujtor parecia muito petulante e convencido do seu próprio talento e eu não gosto disso, aprecio a humildade. Mas assim que comecei a ler os contos mudei de ideias: este autor pode e deve estar convencido do seu talento.

    Identifiquei-me muito com estes contos, porque são precisamente o que eu gosto de ler e o que eu gosto de escrever. Passados num universo surreal, falam da morte, do amor, da envolvência entre os dois, da perda de identidade. Cada personagem é único e ainda assim são todos o mesmo. Todos eles sofrem o mesmo tipo de transformação e realização das suas limitações quando confrontados com a existência de uma série de mulheres, figuras enigmáticas e sensuais que parecem representar, mais do que a paixão ou o sexo, um mote para a mudança e para a admissão da nova situação, desesperada e fragmentada, do homem do qual cada história trata.

    Os ambientes são repetitivos ao longo das histórias, mas de forma discreta, simbólica. São estes simbolismos que fazem com cada conto adquira um conteúdo único, apesar da linha condutora que os une a todos.

    Isto vem muito melhor explicado, muito mais claro e escrito de forma mais adequada, no posfácio desta décima edição.

    Um autor para partilhar e repetir.
  • O Amor Infinito Que Te Tenho

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    O Amor Infinito Que Te Tenho e Outras Histórias
    Paulo Monteiro
    2010
    Banda Desenhada
    Como vim a adquirir este livrinho, este álbum, merece uma explicação. Quando fomos à Kingpin descontar o prémio que tínhamos recebido no concurso de skits de cosplay do Anifest, podia ter comprado manga. Até havia um volume de uma colecção que estou a fazer (mais ou menos). Mas então olhei para a secção de BD portuguesa. E pensei... "Porque não?" Eu nunca tinha lido BD da nossa terra, li muito pouca BD no geral, não sei nada sobre isto. Assim, este comentário não tem uma avaliação numeral, uma classificação de 0 a 10, porque não sei como o classificar, não tenho muitos termos de comparação nem sei medir a qualidade de uma BD tão diferente do formato Manga a que estou habituada. Entendam, portanto, este comentário como uma opinião mais pessoal e objectiva do que o habitual.

    Este álbum contém um conjunto de histórias curtas do prolífico e multi-facetado autor Paulo Monteiro, que aparenta ter feito de tudo um pouco ao longo da vida. São histórias muito íntimas em que o autor revela com muita sensibilidade uma parte integrante dos seus sentimentos e da sua vida, em que se revela sem pudor e sem vergonha da opinião alheia.

    A narrativa é muito simples e muito poética, cada história é quase um poema ilustrado. O conteúdo é forte e arrepiante. Isto é valorizado pelo desenho, simples, de traços fortes, muitas vezes negro, uma viagem ao íntimo do homem, cheio de solidão e miséria.

    As minhas histórias preferidas foram as duas primeiras.

    Estou em dúvida se hei-de oferecer este pequeno livro a um apreciador de BD que eu conheço muito bem ou se apenas o empresto ou o quê... Mas acho que estou rendida à BD nacional. Tenho mais um álbum que comprei com o prémio para ler e aí decidirei se passarei a investir aqui ou não! De qualquer forma, este foi um achado maravilhoso.
  • Todas as Cores do Vento

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    Todas as Cores do Vento
    Miguel Miranda
    2012
    Romance
    Boa tarde. Encontro-me num quarto de hotel no Porto, a propósito da minha pós-graduação. Enfim, terminei de ler este livro no comboio alfa-pendular das sete da manhã. Decidi evitar os hostels a partir de agora, porque não consigo dormir e eu preciso mesmo de dormir. Não mais gemidos estranhos na cama de baixo!

    Enfim, este livro é de um dos autores que esteve na Convenção do BookCrossing. Quando vi que no site alguém tinha acabado de o ler, insinuei-me para que mo emprestassem e.... Esta pessoa é mesmo uma querida, e possivelmente a que faz as actividades mais fofas do fórum, por isso em breve me chegou!

    Esava com uma expectativa muito grande, porque o discurso do autor foi verdadeiramente apaixonante, mas devo confessar que me desapontou um pouco. A história e os personagens são muito interessantes e originais, num resultado muito engraçado de encontros, desencontros e mal-entendidos. O desenvolvimento do personagem principal é patente e fascinante, passando de poeta paranóico a pessoa independente e cheia de sucesso a partir de uma atitude que ele provavelmente não teria imaginado para si próprio.

    No entanto, a forma de escrever pareceu-me exagerada e pouco adequada. Existem muitas palavras estranhas que parecem estar ali só por estar e a repetição de alguns conceitos exagerada, provavelmente devido a acidente (nomeadamente, a palavra "abjecto").

    Ainda assim a história é muito engraçada e é um autor que vale a pena ler.
  • Antes de Adormecer

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    Antes de Adormecer
    S. J. Watson
    2011
    Policial

    Este livro tinha um limite de um mês para ser lido, imposto pela sua dona no BookCrossing (faz sentido, porque se não sabemos de um livro durante muito tempo ficamos muito preocupados. Como eu sei!...). Estava com medo de ultrapassar o limite, mas num dia comecei e acabei o livro!

    Este é um policial de uma perspectiva muito original: a personagem principal, que escreve um diário que nos é dado a conhecer, sofre de amnésia. Não uma amnésia qualquer: todos os dias, assim que acorda, ela esquece-se de tudo o que viveu. Para ela, cada dia é um dia novo. Como o tipo do Memento, mas um bocadinho melhor porque ela se consegue lembrar do dia todo, com sorte. Ao longo do diário ela vai conseguindo melhorar e todos os dias ela lê-lo (o médico telefona-lhe a lembrar-lhe) e fica a saber o que viveu até ali. Nesse dia, acrescenta novas coisas que aprendeu.

    O livro é todo muito estranho e um pouco repetitivo, porque ela aprende as mesmas coisas uma e outra vez, mas o twist final é fascinante. Só nos apercebemos que está alguma coisa errada mesmo no fim, embora eu tenha suposto várias teorias. A minha teoria final foi aquela que venceu! Realmente eu tenho muito jeito para policiais.... Hehe.

    O livro revela um grande conhecimento sobre a doença, que pelos vistos é mais comum do que eu poderia pensar e está escrito de uma maneira envolvente que não nos deixa parar de ler.

    Gostei bastante e fico feliz por me ter envolvido tanto, porque assim não ultrapassei o tempo limite!
  • A Fuga

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    A Fuga
    Carolyn Jessop com Laura Palmer
    2007
    Auto-biografia
    Escrevo isto do meu local de trabalho, onde desfruto de uma hora e meia de almoço (que tenho passado a ler). Tem sido muito giro, mas cansativo, e ultimamente tenho chegado a casa e vou logo dormir. Mas como estou com uma conjuntivite e não posso conduzir (porque não tenho óculos de sol graduados) tenho lido muito. É muito tempo de transportes, mas vale a pena.

    Este livro apareceu no BookCrossing e ao início estava com dúvidas sobre se me haveria de inscrever para o ler ou não. Depois pensei que conhecer estas situações nunca é demais. O que são estas situações? Este livro é a auto-biografia de uma mulher que fugiu de uma seita religiosa radical (Santos dos Últimos Dias ou algo do género, para ser sincera não consegui apanhar muito bem o nome: aparecia sempre em sigla) que praticava a poligamia. Esta mulher casou aos dezoito anos com um homem de cinquenta e dois e teve oito filhos. Este homem tinha outras duas mulheres e foi arranjando mais e mais.

    Este relato quase não parece real. É estranho e assustador que possam existir pessoas a viver assim nos dias de hoje. Ninguém tem direitos, o profeta pode tirar as famílias às pessoas conforme lhe apetece, as mulheres são maltratadas, as crianças são maltratadas, é uma loucura. São pessoas que vivem no passado, não têm informação, não têm acesso à realidade do mundo exterior, que acreditam ser composto de pessoas más que os querem impedir de ascender ao céu. Os profetas foram passando e o último era o mais louco de todos. Por exemplo, um dia apeteceu-lhe que não gostava mais de vermelho. Então toda a gente da comunidade teve de deitar as coisas vermelhas fora. Impressionou-me muito também terem abatido todos os cães e terem assassinado uma vaca com uma serra eléctrica para "ensinar a sobreviver no meio selvagem". 

    Todo o livro é caso para dizer "mas que raio". Ou melhor "watafak".

    É um livro valioso porque conta como as pessoas vivem neste universo paralelo, completamente fechado. E é um relato importante pois prova que pessoas com coragem e determinação podem fugir à tortura física e psicológica e que conseguem fazer valer os seus direitos.

    Fiquei muito impressionada. Já me disseram que nem todos os Santos dos Últimos Dias são esta seita e que nem todos os Mórmones são esta seita. Acredito que isto só exista na América, que é o campo de cultivo de pessoas malucas que temos no mundo. Acredito também que este livro tenha ajudado a acabar com esta loucura. Vale a pena ler, por uma questão meramente informativa. Fascina-me e horroriza-me como as pessoas são capazes de fazer coisas tão más umas às outras...
  • A Sombra do Vento

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    A Sombra do Vento
    Carlos Ruiz Zafón
    2001
    Romance

    Este livro foi recebido numa ocasião especial, por ofertante especial e acabou por se tornar muito especial também. Tem uma dedicatória muito fofinha para mim e tudo <3

    Este é um livro sobre um livro. Aliás, sobre as aventuras que um livro provoca. Daniel é um rapazinho órfão de mão, filho de um livreiro. Por ocasião do seu décimo aniversário o pai leva-o a um local chamado "Cemitério dos Livros Esquecidos", onde estão livros proibidos e desaparecidos, guardados num sítio onde não lhes podem fazer mal. Daniel escolhe o livro "A Sombra do Vento" e enceta mais tarde uma busca por Carax, o autor do livro. E aí há muitas personagens e muitas histórias que se cruzam numa teia brilhante.

    A história é fascinante, mas não funcionaria se as personagens não fossem tão fortes. Cada uma tem uma linguagem própria que as distingue e torna únicas. E a forma como os diálogos estão escritos acaba por se tornar muito engraçada. O meu preferido foi Fermín que, por detrás de toda a verborreia, se tornou num personagem de lealdade notável em todos os aspectos.

    O livro está muito bem escrito e merece sem dúvida a sua posição de Best-Seller. Foi um prazer lê-lo e faria-o circular se não me tivesse sido oferecido. Ainda assim recomendo-o!


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