Medaka Box
0
Medaka Box
Saeki Shouji - Gainax
Anime - 12 Episódios
2012
6 em 10
Toda a gente me disse que eu ia odiar. Mas estava no clube, por isso lá fui eu ver. Precisava de perceber porque razão é que haveria de odiar isto! Depois de uma versão sem legendas e de uma versão fandubbed em russo, consegui apanhar a série e lá me pus a ver.
Não odiei! Aliás, até gostei bastante dos primeiros episódios.
Medaka é a presidente da associação de estudantes e institui uma caixa de sugestões, onde lhe pedem favores. Ela resolve-os e planta uma flor por cada problema, com o objectivo de ter um lindo jardim. O último terço da série, mais ou menos, é uma luta em que Medaka aparenta ter super-poderes extremamente exagerados. Dizem que é essa a parte de que gostam mais, mas pareceu-me excusada e fora do contexto.
Os personagens são típicos, todos extremamente fortes e com capacidades quase sobre-naturais para resolver os problemas. Adicionem-se maminhas, está a série feita.
Arte? Não má, não má. Mas também não boa, sobretudo nessa última parte da luta épica, com muitos gritos, roupas rasgadas e cabelos à-la super-guerreiro do espaço. A música condiz com essa condição de super-guerreiro do espaço. A ED está engraçada, com alguma calma que falta ao resto da série.
Acho que teria sido melhor conseguida se se tivesse mantido na onda do fatia-de-vida, com comédia e fan-service (serviço para fãs?) em moderação. Perdeu-se no vulgar muito rapidamente. Teria de ver também a segunda season, mas acho que esta me chega.
By : ladyxzeus
Only the Ring Finger Knows 1 - The Lonely Ring Finger
0
Only the Ring Finger Knows 1 - The Lonely Ring Finger
Satoru Kannagi
2001
Light Novel
Apareceu-me a oportunidade de comprar os dois primeiros volumes desta novela clássica do universo BL e não pude deixar de a aproveitar. Mas enganei-me na minha leitura: quando saí de casa, levei um dos volumes para ler nos transportes, mas levei o segundo em vez do primeiro. Assim, li primeiro o terceiro capítulo e só agora estes dois primeiros, da primeira Light Novel. Spoilei-me porque fiquei rapidamente a saber que acaba tudo em bem (e agora também vós foram spoilados!), mas nada de grave.
A história é sobre uma série de mal-entendidos que culminam na formação de um casal, Yuichi e Wataru. Esses mal-entendidos giram todos de volta de dois anéis que se complementam. É uma história muito romântica, gostei muito.
É também uma história BL muito típica, com uke e seme caracterizados da maneira mais comum. O seme é o rapaz perfeito mas com um génio forte, o uke é frágil e envolve-se sempre em problemas porque tenta fugir a eles. O típico. No entanto, os personagens têm um certo traço de originalidade, quando se revela a fraqueza e a insegurança do seme - Yuichi - e o amor que o uke tem dentro dele. É bonito.
É um livro leve, bem escrito, com descrições plácidas das acções e dos locais. Conseguem-se visualizar perfeitamente, apesar de não terem muito detalhe.
E agora que li isto, fico a pensar... Também gostava de ter um anel... ^_________^
By : ladyxzeus
108 Termos Essenciais do Japão Contemporâneo
0
108 Termos Essenciais do Japão Contemporâneo
Fernando Ferreira, Nuno Sarmento e Pedro Moura
2006
Glossário
Ganhei este micro-livro num concurso do ClubOtaku, site para o qual contribuo com as minhas reviews de anime e manga. Era um concurso de fanfiction com o tema do "Natal" e escrevi sobre Rose of Versailles. Se tiverem interesse podem encontrar a minha história no meu deviantArt, entre outros escritos de maior e menor qualidade. Chama-se Entrega de Uma Carta no Dia de Natal.
Enfim, passado uns tempos de ter recebido este livrito, o dono do site (que será o Fernando, mas que eu conheço como Ogata, ou Tetsuo :3) pediu-me que fizesse um comentário sobre ele aqui. Mas só agora acabei a lista gigante de livros que tinha em atraso, por isso só agora aqui estou a comentá-lo.
Isto é uma brincadeira de amigos, que decidiram definir alguns termos da cultura pop Japonesa, isto é, de anime e manga. Agora a questão é a quem isto é dirigido: se a nós - os fãs - se aos que não conhecem. Se para nós, não vejo bem a utilidade, pois todos sabemos todos os termos aqui definidos e não existem muitas curiosidades inéditas (bem, talvez nem todos saibam de Mishima, nem da Godijira, mas eu sabia...) Para os que não conhecem, acho necessário fazer o teste e ver se é claro para quem não faz ideia do que é um anime e do que é um manga (eu digo no masculino que acho que fica mais bonito).
Infelizmente há alguns termos que estão mal definidos e por vezes o tom pessoal é um bocadinho pessoal de mais, ultrapassando a fronteira entre o escritor e leitor de maneira um pouco desconfortável ("eu não defino esta palavra, procurem-na se quiserem e tenham medo, hoho!" Não fica bem) Entre os termos erróneos, fica a nota para shounen-ai e yaoi, que não são a mesma coisa e que são termos que já não se usam (se bem que começaram a ser abandonados circa 2006, altura em que este livrinho apareceu, por isso podemos perdoar). Da mesma forma as yamanba não existem, desapareceram, foi uma moda muito fugaz e desapareceu também a meio dos 00. Em termos de moda seria mais importante definir visual-kei (que também é música), lolita ou gyaru - gal.
No entanto, gostei deste presentinho e vou submetê-lo ao tal teste. Isto é, vou (tentar) registá-lo no BookCrossing e promover uma actividade de empréstimos com ele. :)
Digo tentar porque o livro não tem ISBN e não sei se o posso registar sem ele...
By : ladyxzeus
200 Anos de Poe
0
Tinha lido muito pouco de Poe, apenas alguns poemas, mas com estes contos fiquei com vontade de ler mais.
200 Anos de Poe - Antologia Comemorativa dos 200 Anos de Edgar Allan Poe
Edgar Allan Poe (Edição de António Vilaça)
2009
Contos
Um estranho livro para um estranho autor. Comprei este livro horizontal a propósito de uma promoção da Editora Saída de Emergência, que aproveitei em grande (como podem ter reparado).
São sete contos, que passarei a comentar um a um, brevemente:
- A Carta Furtada - Um policial muito simples à moda do Sherlock e Agathas e essas gentes, sobre uma carta escondida da maneira mais básica.
- A Queda da Casa de Usher - Um terror gótico sobre uma casa assombrada e um hipocondriaco.
- O Escaravelho de Ouro - Piratas. A resolução do mistério tem o seu quê de complexidade e gostei bastante, porque os personagens eram muito divertidos.
- O Coração Delator - O meu favorito, sobre um assassino.
- Berenice - O meu segundo favorito, sobre um tipo que é assombrado e fica maluco sem sequer se aperceber.
- A Máscara da Morte Rubra - Um conto de fadas que dava um belo filme de terror.
- O Homem da Multidão - Um homem segue um desconhecido no meio da multidão e o desconhecido é estranho.
Tinha lido muito pouco de Poe, apenas alguns poemas, mas com estes contos fiquei com vontade de ler mais.
By : ladyxzeus
Nerawareta Gakuen
0
Nerawareta Gakuen
Nakamura Ryousuke - Sunrise
Anime - Filme
2012
7 em 10
Um agradável filme para o Verão.
Tudo começa com a chegada de um novo estudante à escola. Esse estudante aparenta ter poderes bastante estranhos e começa a transmiti-los a todos os estudantes. São psíquicos e podem ler os pensamentos, entre outras coisas. De onde veio ele? E como resolver os problemas que são cada vez mais nesta escola? Sobreposta a esta premissa, existe também um triângulo amoroso, feito de dedicação e de sonhos. O resultado é simples, mas bastante interessante. Não posso contar mais, terão de ver o filme para saber. :)
A arte contribui muito para o visionamento do filme ser um prazer: é profundamente bela, com fundos luminosos, de cores vibrantes e veraneantes e muito detalhado. Os designs do cenário são originais na medida em que não imagino que exista uma escola assim e de que toda a gente vive em casas espectaculares. Um trabalho de fotografia muito bom, com designs de personagens que não são demasiado simples e não destoam do resto do cenário. A animação, sobretudo dedicada a luzes que rodopiam, é boa, se bem que os movimentos dos personagens - num tom de comédia - por vezes tiram um pouco do ritmo do filme, apesar de o tornarem bastante leve. As secções que gostei mais, em termos artísticos, foram aquelas dos "sonhos", pintadas em aguarela e com cores correspondentemente surreais. Por vezes, um CG que ardia nos olhos, mas nada que não se consiga ultrapassar.
A história tem duas camadas mas é bastante simples, tal como os personagens. De certa forma, é um verão adolescente e as personagens comportam-se como tal. A comédia vem deles e, como digo, por vezes não fica muito bem, mas se os aceitarmos como pessoas (são mesmo assim) posso admitir que estão bastante sólidos. O personagem do avô é sem dúvida o mais interessante. E o cão também, hihi.
A música tem dois extremos: ou está extremamente bem aplicada - como o caso da constante Claire de la Lune (fica bem em todo o lado...) - ou é extremamente cliché - como o caso da música final. No primeiro caso, adicionava vibrações positivas e calmantes ao teor do filme, mas no segundo tornava-o previsível e aborrecido. Falando em previsões, o final espantou-me completamente.
Adorei também as referências ao "Sonho de uma Noite de Verão", uma peça que tentámos montar no meu antigo grupo de teatro. Eu era a Helena, mas não conseguimos levá-la para a frente, infelizmente...
Um bom filme para uma noite quente.
By : ladyxzeus
City Hunter
2
City Hunter
Korama Kenji - Sunrise
Anime - 51 Episódios
1987
6 em 10
Este seria o tipo de anime que eu nunca veria. Mas... Quando fiz a minha nova lista de coisas para ver... Estava lá. E eu ia deixá-lo para o fim. Mas de repente, aparece-me no clube para ver! Oh bolas! Tenho de o ver! Mas vá lá, não é tão mau como eu estava à espera. A sério! Só um bocadinho...
Ryo Saeba é um bon-vivant. Tem uma parceira que o impede de ser mais badalhoco, com um martelo de uma tonelada. Mas bem, isso é o menos. Ryo Saeba é o City Hunter. Todos os episódios, que são cinquenta e um, é contratado por alguém - normalmente uma mulher - para proteger uma mulher (ou para apanhar, ou para interagir com ela). Invariavelmente, todas se apaixonam por ele no final. Cinquenta e uma mulheres, sem contar com a parceira, se apaixonam por ele. Mas a parceira nunca o deixa ir até ao fim e, assim, Ryo Saeba continua a ser o City Hunter, semi-solitário e corajoso, com uma pistola toda jeitosa e uma pontaria irrepreensível.
A história, episódica, é repetitiva. Não há nada que se sobreponha a cada uma das historietas dos episódios, que não têm conexão entre si. O esquema é sempre o mesmo: Rwo Saeba encontra uma mulher toda bouah, há uma série de piadas que envolvem a parceira e o seu martelo, depois aparecem os maus, alguns tiros são trocados, a gaja é salva, o problema é resolvido, vão todos para casa. Como encontraram cinquenta e um designs diferentes para cada uma das gajas é uma situação que roça o fascinante. Rwo Saeba, o propriamente dito, é um gajo muito fixe (so cooool!) mas nada mais que isso. Ser fixe simplesmente não chega.
A arte não está má de todo, mesmo para anos 80. A animação não é, vamos admitir, muita, mas a que existe está bem feita e existem por todo lado alguns truquezinhos para disfarçar a falta dela.
E, como sempre em tudo o que vem dessa década maravilhosa, a música é deliciosa. Como tudo o resto, não é muita. São sempre as mesmas músicas em todos os episódios, e sempre nos mesmos sítios. São umas cinco ou seis. Mas são mesmo gostosas. Adorei sobretudo a ED, que por acaso até me lembra uma música qualquer de um anime mais moderno, mas que até agora não consegui identificar? Alguém me ajuda?
By : ladyxzeus
Passaporte para o Céu
0
Passaporte para o Céu
Paulo Moura
2005
Reportagem
Devo confessar que quando me inscrevi para esta actividade no BookCrossing, não estava à espera que o livro fosse assim. A sinopse enganou-me e pensei que fosse um romance. Devo confessar também que foi uma das raras vezes que li uma reportagem em forma de livro.
Impressionou-me muito. Eu abomino, faz-me confusão e faz-me triste, ver ou ler ou saber de pessoas, animais ou plantas - seres vivos em geral - que sofrem. E vemos isso todos os dias na televisão, pessoas a serem assassinadas em directo para o noticiário ter notícias para noticiar. E é perfeitamente normal e gozamos com isso e dizemos "bem feita", porque a pessoa era má, ou feia, ou isto, ou aquilo. Temos muita pena se a pessoa é famosa ou bonita, sem sequer a conhecermos, mas todas as outras deixá-las estar a sofrer. E eu sou culpada, porque eu também gozo com os pobrezinhos de África que estão a morrer de fome e se deviam começar a comer uns aos outros, ou comer Americanos que têm mais chicha (ou então, que era o que faríamos se fôssemos criaturas lógicas, pegávamos na fruta toda excedente da nossa produção e mandávamos para lá, mas dizer isto não tem tanta piada, pois não)
Por isso esta reportagem veio mesmo a calhar. É sobre as pessoas da África subsaariana que tentam fugir das terras deles e vir para a Europa, onde acreditam que vão conseguir trabalhar, estudar, fazer a vida e ter carros e boas casas. Parece que já lhes disseram que não, que não é assim, mesmo que não sejam deportados quando cá chegarem não há trabalho para ninguém e vão acabar mal. E a reportagem fala das histórias que acabam mal. Acabam todas mal, umas menos que outras. É assim a vida, mas não devia ser, não é justo que seja assim, pessoas são pessoas.
Relatam-nos como vivem como animais, como são transportadas como animais, como são tratadas como animais... Pior que os animais. Até eles têm mais direitos do que estas pessoas. E não são "pobrezinhos". Têm de pagar 3000, 4000, 15000, 40000 euros para chegar cá e isso, até para nós que já cá estamos, é muito dinheiro. Empenham casas, vidas, tudo para dar vidas melhores à família e afinal de contas não há vidas melhores. Porque é que ninguém lhes diz que se vierem para aqui vão acabar a pedir ou na prostituição? O repórter foi ao Intendente e falou com as prostitutas que lá andavam. Ninguém, ninguém no planeta inteiro, por maior que seja a pobreza, ambiciona acabar no Intendente. Mas lá estão. Não é justo. Não é justo que as pessoas tratem assim outras pessoas.
A reportagem fala das vidas e das diferenças de cultura, das ambições e dos sonhos, das religiões, da inadaptação. E no final a realidade é fria como um matadouro: todas as pessoas são iguais, mas há umas mais iguais que outras.
Mas o que é que nós podemos fazer? Mandar dinheiro para lá? Não posso mandar dinheiro a todas as causas que me impressionam, não tenho assim tanto. Talvez quem o tenha o devesse fazer. Acredito que a solução, se me é permitida a insolência de sugerir uma solução, é a educação das pessoas e a reformulação desses países para que toda a gente tenha oportunidades. Mas isto não é a época dos descobrimentos, não podemos chegar lá armados em States e dizer "vocês agora são uma democracia, façam as coisas como eu mando e já agora dêem-me coisas". A coisa tem de partir de dentro, mas como mudar uma cleptocracia a partir de dentro? As pessoas têm de mudar, têm de ser substituídas por outras que saibam ser... Bem, pessoas. Deixem-me sonhar a minha utopia em que todas as pessoas se comportam de forma a não se prejudicarem...
Quem puder ler este livro e tiver um bom estômago, recomendo. Pode ser que se todos soubermos o que se passam encontremos uma solução viável.
By : ladyxzeus
