Departures
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Departures
Youjirou Takiro
Filme
2008
9 em 10
Uma obra de arte. O assunto da morte sempre me cativou, mas neste filme atinge o belo.
Um violoncelista desempregado acolhe no seu coração um novo emprego: tratar dos mortos para os funerais. Isto é uma tradição, metódica e exacta: limpar, vestir, maquilhar, pentear. Neste filme isto é feito com tal delicadeza e carinho que os mortos ganham uma vida, uma vida para além da morte.
Com este novo emprego, o nosso amigo descobre muitas pessoas e muitas maneiras de viver e acaba ele próprio por encontrar uma nova maneira de viver. Ele tem um dilema com um pai ausente, que se vem a resolver precisamente através deste emprego tão diferente.
É comovente em todos os momentos, pois não mostra a morte como algo horrível mas apenas como algo que acontece. O que vemos não é a tragédia, mas o amor que as pessoas sentem pelos seus entes queridos, todas as pessoas diferentes, todas as famílias diferentes, mas todas reunidas para se despedirem de alguém. O trabalho destas pessoas é tornar essa despedida mais bela.
Depois, o dono da agência funerária é um velhote cheio de carisma, um personagem inesquecível pela sua atitude de quem está sempre na boa apesar de ver mortos todos os dias.
A banda sonora, cheia de violoncelo (claro) é muito bonita e adiciona muita emoção às situações. Também o fazem as paisagens e longas cenas de cisnes a voar.
É um filme muito pacífico, muito bonito, que enfrenta um assunto difícil gentilmente e com uma delicadeza profunda. Não posso deixar de o recomendar.
By : ladyxzeus
Drive
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Drive
Nicholas Winding Refn
2011
Filme
6 em 10
Tinha este filme na minha colecção de não vistos, que são filmes que tenho estado a sacar de uma lista de 100 recomendados que apanhei um dia na net. Pensei que para começar a ver filmes tinha de começar por algum lado e assim veio a ideia da lista. Também tenho alguns filmes que me vão recomendando e ainda são muito poucos.
Até agora têm sido todos filmes muito bons, mas este não corresponde aos outros que tenho visto. Isto é sobre um gajo que é duplo no cinema com cenas de carros, e é mecânico, e faz corridas de automóveis para a máfia (?) e é condutor (Driver) de assaltantes. Um dia uma cena corre mal e a gaja de quem ele gosta fica em risco. Então o que é que ele faz? Mata toda a gente envolvida. Qual a relação entre curtir de carros e matar pessoas fica por explicar.
Enfim, a história não é muito interessante. No entanto a maneira como está executada, em termos de ângulos e fotografia, é bastante artística (mas sem abusar) e, assim, o filme torna-se mais intenso. Grande nota também para a música, músicas dos tempos de agora que soam a retro. A banda sonora é a melhor parte.
Tanto que já a estou a sacar.
By : ladyxzeus
Léon, o Profissional
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Léon, o Profissional
Luc Besson
Filme
1994
8 em 10
Uma jovem precoce e mal ajustada dentro da sua família pede auxílio a um vizinho depois de matarem toda a sua família a mando de um polícia corrupto e meio psicopata. Acontece que esse vizinho, Léon, é um assassino a soldo, um "cleaner". Então Mathilda, a jovem, convence-o a ensiná-la a matar profissionalmente, de forma a poder vingar o seu irmão mais novo.
É um filme tocante, apesar de violento. Os dois personagens têm uma grande sensibilidade, transmitida pelo trabalho dos actores, acabando por estabelecer uma relação muito estranha mas cheia de amor. Mathilda está constantemente a assediar Léon, num efeito tanto perturbador como cómico. E depois há uma planta, que é muito importante.
O vilão desta história também está interpretado de forma magnífica, passando para este lado um desconforto permanente e o medo da imprevisibilidade das suas acções.
O final é muito simples e demonstra a evolução das personagens, tendo cada um ficado com um pedacinho do outro. O culminar de tudo é muito triste e muito bonito.
Era um filme do qual não esperava nada, pelo título. Foi uma surpresa muito agradável e recomendo.
By : ladyxzeus
Chaparral Band
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Chaparral Band
Festa na Aldeia (Claramente)
Pois que fui em retiro espiritual para a minha casa assombrada, com os planos de escrever uns contos e fazer uma espada para o meu novo cosplay. Acabei (acabámos?) por não fazer nada disso, mas em compensação vimos dois magníficos concertos nas festas em homenagem à Nossa Senhora da Penha da terrinha mais charmosa de Portugal: Moçarria.
Esta banda, a Chaparral Band, cantava um misto de covers e originais de um azeite virgem do melhor qualificado que anda por aí. Uma intensa animação que fazia o azeite que tenho a correr nas minhas veias fervilhar de emoção. Tão purificado ficou que depois cortei os pulsos para temperar a salada.
Com uma fascinante versatilidade, cantaram da kizomba ao funaná, passando pela Anca do Senhorio (ou Dança do Amor, eu é que vejo mal ao longe) , sem esquecer os sucessos zucas e as mais belas baladas. Toda a gente a dançar, mas talvez isso tenha sido devido a terem gasto cinquenta e cinco barris de cerveja logo na primeira noite das festas.
O que mais me impressionou foi o misto de espectáculo de ilusionismo que nos mostraram: os artistas (bons artistas) mudavam de roupa num ápice, aparecendo com outfits quase artísticos. E quantas pessoas tinha a banda? Continuo sem saber. Pois apareciam e desapareciam de música para música, sem se deixar apanhar. O único membro constante, e claramente o pilar da banda, era o guitarrista do metal, que se mantinha indiferente à magia que acontecia à sua volta e continuava a tocar com a devida concentração, provavelmente imaginando "estes acordes são quase os daquela música de Megadeth"
No dia seguinte apareceu uma banda com ainda maior produção: segundo o vice-presidente da junta, o Vitó, tinham o maior palco do país. Bem, eu não o quis desapontar, mas conheço pelo menos três palcos maiores. Esta banda passou por êxitos mais comerciais, ao contrário da Chaparral Band que nos apresentou uma variedade mais indie da música pimba. Alguns dos êxitos destes Hi 5 8 Low Energy Band - ou qualquer coisa do género - foram "É o Bicho", "Uma Casa Portuguesa", "Gangnam Style" entre outros que eu, na minha ignorância, não reconheci.
De resto, tínhamos vinho barato, o meu pai apareceu para jantar e era uma meia dose de grelhada mista bem servida, ganhei uma garrafa de coca-cola vintage numa rifa e assim por diante. Acho que vou passar a frequentar estas festas, pois apesar de serem no campo da bola têm um certo glamour pastoral. Não, não, estou mesmo a falar a sério.
Mas, na realidade, este mocho verde que é um vaso era o prémio que eu queria mesmo, mesmo ganhar na rifa.
Já agora, vejam a cena que nos atacou e que matámos à chinelada:
Alien? Fada? ... Kafka?
Ah, e vejam também o meu cão vintage:
O nome dele é Infeliz
By : ladyxzeus
O Rapaz do Pijama às Riscas
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O Rapaz do Pijama às Riscas
John Boyne
2006
Infanto-Juvenil
Comprei este livro na Feira do Livro porque, quando estive no Brasil, estive quase para ver o filme. Pensava que era uma coisa completamente diferente. Afinal o livro é sobre o holocausto.
Mas da perspectiva de Bruno, um rapazinho de nove anos.
Um dia, Bruno chega a casa e vê as suas coisas a serem empacotadas. Por ordens do "Fúria", o seu pai - um general importante - vai trabalhar para "Acho-Vil" e leva a família consigo. Nesta terra não há nada e é horrível. Da janela do seu quarto, Bruno vê muitas pessoas atrás de uma vedação. E um dia, por acaso, conhece um rapazinho que está do outro lado. Conversa com ele e tornam-se amigos. O que ele não sabe é que esse rapazinho é judeu e que a vedação delimita um campo de concentração. Ele nem sequer sabe o que é um judeu!
E é com este tipo de inocência que nos é relatada uma história de horrores. A Bruno só lhe interessa explorar e ter aventuras, brincar e ter amigos. Ele não faz ideia de que o seu amigo está a viver o inferno, apesar de compreender que algo não está certo com ele.
Depois, o final é completamente imprevisível e muito, mesmo muito, triste.
É uma história para crianças recomendada no Plano Nacional de Leitura. Pensei em dá-lo como leitura de Verão ao meu afilhado, que tem 11 anos, mas creio que o livro é demasiado forte para ele. Aliás, é demasiado forte ponto. É importante as crianças saberem o que se passou, mas a ironia da perspectiva da história - Bruno - tem uma nuance quase maldosa. Bem, guarda-lo-ei para quando ele for mais velho e souber que a guerra só é fixe nos jogos da playstation.
By : ladyxzeus
The Girl who Leapt Through Time
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The Girl who Leapt Through Time
Yasutaka Tsutsui
1965
Novela
Quando estive na nova casa da Hota pela primeira vez, a primeira coisa que admirei (além do gato, muito simpático) foi a biblioteca que se estava a construir, a pouco e pouco. Tive de comentar "havias de me emprestar uns quantos destes mangas, para ver se eu leio mais manga!" Dito e feito, ela apareceu-me com dois volumes distintos para eu ler. O primeiro é esta "Novel", que foi adaptada a anime, que vi. Ora, eu vi esse anime sem legendas - não me perguntem porquê, eu também não sei - e pouco dele percebi além de que ela andava para trás no tempo para tentar salvar o amigo. Então pensei que o livro me fosse explicar a história. A conclusão a que chego é que a Novel original é diferente do anime (e eu percebi pouco do anime)
Trata de uma jovem que, após um acidente a limpar o laboratório da escola, se vê com o misterioso poder de andar para trás no tempo e mudar de sítio ao mesmo tempo. Ela não salta no tempo muitas vezes, apenas as suficientes para se sentir espantada e assustada com o acontecimento. Então alguém (o causador de tudo isto) lhe explica o que se passa e nesse momento a história vira ficção-científica.
Essa parte da história é a mais interessante, apesar de bastante simples, por causa da criação do universo futurista envolvido. Aliás, toda a escrita é bastante simples. Segundo parece, este livro foi escrito como folhetim para uma revista para jovens, sendo que a linguagem é, portanto, bastante simplificada.
Juntamente com esta história da rapariga que anda para trás no tempo, existe mais uma chamada "The Stuff That Nightmares are Made Of". Este conto fala de uma rapariga que tem medo de algumas coisas, e do seu irmãozinho que tem medo de outras, e da maneira como ela enfrenta esses medos e busca a sua origem de forma a poder resolvê-los. Como história, acho que gostei mais deste conto, apesar de ser bem menos complexo do que o anterior.
De qualquer forma, é um bom complemento para o filme, contando que o viram com legendas.
By : ladyxzeus
O Exorcista
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O Exorcista
William Peter Blatty
1971
Terror
Um livro que comprei na Feira do Livro por estar muito barato e, bem, porque não? Eu tenho pavor de filmes de terror, devo ter visto dois na minha vida inteira (e morri com eles), mas com livros até me dou bem. E depois pensei "bem, o livro é sempre melhor que o filme, por isso depois disto posso ver o filme nas calmas que não me vou assustar". Talvez não. Talvez por já ter visto algumas imagens do filme, imaginei todo o livro com essas imagens em mente. E o livro perturbou-me grandemente.
A história quase não fala do exorcismo. Há uma menina que aparenta estar possuída, mas os médicos no livro, e o padre psiquiatra, passam o tempo todo, quase até ao final, a convencer-se de que isto não é obra do demónio, mas sim um desdobramento de personalidade. E quase que conseguem convencer-se, até a um momento final em que Karras, o padre psiquiatra, vê que realmente há ali qualquer coisa.
Pessoalmente, eu não acredito em demónios, diabos ou forças malignas. A minha religião tem os deuses mas não tem coisas opostas aos deuses: eles têm em si as coisas boas e as coisas más, são neutros e estão em equilíbrio. Já sabem, já vos disse, que sou pagã. E não sei exactamente, pois não o estudei (mas valerá a pena pesquisar) o que é que os pagãos acham das possessões demoníacas e todas estas coisas. Sei que há alguns que acreditam em fantasmas e espíritos menos bondosos. Eu própria tenho uma experiência para-anormais do género, mas a minha criatura (o que quer que ela seja, chamamos-lhe A Sétima Pessoa) não aparenta ser boa nem má. Está apenas lá.
Ainda assim este livro deu-me vontade de explorar o que será isto das possessões.
O livro não é muito assustador, mas é perturbador de uma maneira psicológica. As descrições são detalhadas mas são feitas de forma fria, de forma a que não nos associamos emocionalmente a nenhum dos personagens ou situações. Mas não deixamos de pensar "e se isto me acontecesse a mim?" Espero mesmo que não.
Até tive pesadelos com o raio do livro. Não o quero ter em casa, que só de olhar para ele me sinto desconfortável. É esse o nível de qualidade do livro. Enfim, vou fazer um BookRay no BookCrossing, para ver se ele vai parar a mãos menos assustadiças!
By : ladyxzeus