Eu, Ela e os Vampiros
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Eu, Ela e os Vampiros
Carlos Rodrigues
2012
Fantástico
Segundo livro do fim de semana de ida ao Porto (agora vou lá todos os meses, acho que já disse isto). Só não o li todo no comboio de ida porque... Não me apeteceu. Quando os livros são menos bons, não dá vontade de os ler e uma pessoa tem de se forçar. Às vezes acontece o mesmo em livros muito bons que sejam muito difíceis. Mas não foi o caso deste.
Ora, o nosso amigo Gary Stu Carlos e a nossa amiga Mary Sue Diana tornam-se caçadores de vampiros quando uma estátua de um museu onde estão em visita de estudo se torna num vampiro. O que quer que seja um vampiro no universo deste senhor, porque as características deles não estão nada definidas. Enfim, "vampiro" é o nome dado a criatura sobrenatural associada à cor roxa e que morde. Os nossos amigos são possuídos pelos guardiães, uns anjos de nome Português (os vampiros, por sua vez, são ingleses. Como convém, diga-se de passagem, a meteorologia latina não é nada apropriada a criaturas sobrenaturais roxas). E têm um professor que é mais poderoso que eles, apesar deles serem os mais poderosos. Mas têm alguém mais poderoso que eles a ensiná-los. Mas eles são os mais poderosos.
Numa série de reviravoltas com muita acção e uma piñata em forma de Minnie (nem sabia que existia semelhante coisa à venda no nosso país) a resolução é, precisamente, nenhuma.
Além do mais, o autor da narrativa, Carlos (não o Rodrigues, mas o jovem de 14 anos que caça vampiros) tem o poder etéreo de ver o que está a acontecer em sítios onde não está presente e de saber os sentimentos de pessoas que não são ele. De repente, o narrador passa para a terceira pessoa e falamos de Elisabete, que se vem a saber ser a mãe de Carlos. Por momentos pensamos que ela tem alguma relação com isto tudo, mas depois não acontece nada.
A minha sensação é que isto é uma introdução para uma -logia (tri, tetra, penta, hexa, etcoeteralogia). Mas a realidade é que não prende e não trás qualquer tipo de curiosidade em saber o que acontece à estátua maneta, nem aos personagens, nem aos anjos, nem ao gajo da túnica, nem ao professor, nem aos ingleses, nem à pinhata nem nada.
Irei abandonar libertar este livro pelo BookCrossing. Provavelmente no metro ou no cacilheiro.
By : ladyxzeus
A Culpa é das Estrelas
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A Culpa é das Estrelas
John Green
2012
Romance
Muito bem, este livro tem uma história deveras estranha. Comprei-o para oferecer à minha irmã no seu aniversário. A capa é muito gira, o título é muito giro, a sinopse parecia muito gira. E ela estava a lê-lo quando fomos a Paris. Chegamos ao aeroporto para voltar e eu termino, precisamente nesse momento, de ler o livro que tinha levado (o segundo volume de 1Q84). Assim, pedi-lho emprestado. E descobri que era sobre putos com cancro. Oh, mas que prenda tão bonita para se dar a uma irmã no seu aniversário... -__- Tão positiva! Tão alegre! Enfim, no avião ela pediu-mo de volta e só agora voltei a ele. Ainda tinha o marcador no mesmo sítio, por isso peguei daí.
Como eu dizia, o livro é sobre miúdos com cancro. Hazel tem um cancro endócrino que lhe enche os pulmões com edema. Augustus tinha um tumor ósseo que lhe levou a perna. Juntam-se numa aventura de conhecer um escritor que vive na Holanda, que escreveu um livro sobre uma miúda com leucemia. E depois muitas coisas acontecem mas não vou fazer como certa irmã que eu tenho que me contou o que ia acontecer.
O interessante deste livro é a narradora, uma adolescente que é pessimista e sobre-analista em relação a tudo. Pelo facto de estar, tipo, a morrer (citando o livro). Nunca tinha lido um livro em que uma personagem que ainda tem a vida toda para viver sabe que, bem, está a morrer. E que vai morrer de certeza, porque está doente e nunca se vai curar, porque um tumor hipofisário não dá para tirar. É a forma como ela enfrenta o inevitável que impressiona neste livro: vivendo o que lhe resta.
A história é só o típico de adolescentes mas, como eles próprios o dizem, estarem doentes dá-lhes outra dimensão. E a verdade é que todos os dias morrem crianças com estas doenças e não há nada que possamos fazer. O cancro é uma coisa que me assusta. Porque estudei sobre ele que me fartei, porque debati sobre ele academicamente. Porque um membro da família teve um e morreu. Porque outro membro da família teve um e sobreviveu. Porque é provável que eu venha a ter um se continuar a fumar, a comer carne bem passada e a viver com ansiedade. Por isso este livro perturbou-me e tocou-me de uma forma muito profunda. Confesso que estava quase a chorar quando me interromperam a leitura naquela parte na casa da Anne Frank. O cancro nunca é uma história que acaba bem. Mesmo quando está em remissão, há sempre algo que se perde. E normalmente é o que é mais importante para nós, algo que nunca daríamos pela falta se não o perdêssemos.
A exactidão científica do livro é duvidosa, mas aceitemos que nem todos tiveram seminários sobre cancro com o maior especialista vivo sobre o cancro em animais de companhia (e foi grátis, ganhei por ter ido a uma aula de HACCP a que toda a gente faltou. Sim, estou a exibir-me!!!!11)
Mas acho que devo um pedido de desculpas à minha irmã. Porque o livro é mesmo muito depressivo e não era esse tipo de sentimento que eu queria transmitir com uma prenda de anos.
By : ladyxzeus
Red Data Girl
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Red Data Girl
Shinohara Toshiya - FUNimation Entertainment
Anime - 12 Episódios
2013
6 em 10
O primeiro anime desta season de Verão a terminar. Eu estava a acompanhar as releases (libertações?) na televisão, mas depois fartei-me de esperar e fui ver o último episódio na release do NicoNico (uma espécie de youtube Japonês). Aconselho que, se forem ver este anime fora da season, vejam a versão TV, pois a qualidade de imagem é muito superior e, nesta série, vale a pena.
Fala sobre a vida e aventuras de uma rapariga tímida, Izumiko, que tem dentro dela a encarnação de uma deusa (ou algo do género, como verão) extremamente poderosa. Vai para uma escola habitada por pessoas com poderes especiais e tem de se adaptar. Assim, o anime poderia ter sido uma análise sobre a inadaptação adolescente e sobre a luta da personagem por se integrar. Infelizmente, esse potencial não é revelado. Ao que parece, tentaram adaptar seis livros de uma Light Novel em apenas doze episódios. Não correu bem. Os vários episódios podem dividir-se em "arcos" que estão pouco relacionados uns com os outros, o que parte a cadência da série. Além disso, estamos sempre à espera de alguma explicação para o que está a acontecer, o que nunca nos é dado. Nenhum dos personagens sabe o que se está a passar e ninguém lhes explica, pelo que nós - público - também não sabemos (e também ninguém nos explica).
A personagem mais interessante é Izumiko, pelo potencial que referi. Acho que ela perde parte do seu charme a partir do momento em que tira os óculos, se bem que esse acto foi uma revolução pessoal importante (mas se ela tem astigmatismo, como vê sem óculos é um mistério). Os outros personagens são bastante vulgares, se bem que a interacção entre os gémeos tem algum interesse. O desenvolvimento é mínimo e linear. A Izumiko do primeiro episódio é diferente da do último episódio, mas não muito. Por um lado isto até é bom, porque significa que a sua personalidade não mudou.
Se em termos de história e personagens este anime fica um pouco aquém das expectativas, tal não se passa com a arte - de todo. As paisagens são lindíssimas e é extraordinário como, passando-se quase toda a acção durante a noite, tudo consegue ser tão brilhante. Estar sempre lua cheia ajuda... As cores são muito bonitas e é tudo extremamente detalhado, sendo que a luz dá uma constante aura de mistério e a expectativa de uma explicação, que nunca acontece.
Música é parca e vulgar, OP e ED simpáticas mas facilmente esquecíveis.
Dos animes da season, por agora, este é o que eu coloco em quarto lugar da minha preferência.
By : ladyxzeus
Debaixo de Algum Céu
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Debaixo de Algum Céu
Nuno Camarneiro
2013
Romance
Tinha visto no jornal demasiadas ovações a este livro, vencedor do Prémio Leya 2012. Já começava a ganhar-lhe raiva quando li a sinopse. Qualquer coisa como "vida dos vários inquilinos de um prédio ao pé do mar". E achei que era interessante! Então aproveitei a Feira do Livro para o comprar (foi o mais caro deles todos)
Foi uma surpresa absoluta. Eu pensava que ia ser um livro denso, cheio de humor, afinal como poderíamos falar da vida dos inquilinos de um prédio se não lhes acontecessem coisas espectaculares e fora do normal? Mas foi exactamente o oposto. Tudo o que lhes acontece é normal. Mas como os conhecemos, como são os nossos vizinhos, parecem coisas extraordinárias.
Tudo se passa em apenas sete dias, entre o Natal e o Ano Novo. Pelo meio falta a luz e é nessa noite escura que são feitas as grandes decisões de todas as personagens, que acabam por ter a sua resolução no novo ano. Cada dia é relatado pelo narrador e depois analisado por um dos habitantes do prédio. Não gostei muito das partes dos habitantes do prédio, pois todos eles diziam muitos palavrões. Ao início as suas vozes pareciam-me muito distintas umas das outras, mas a partir do meio comecei a pensar que eram todas a mesma pessoa, pois o estilo narrativo, a maneira de falar, era igual para todas.
O livro é depressivo e é trágico. O final é agri-doce, com coisas que terminam e coisas que recomeçam. Não é um final feliz, nem é bem um final. Porque a vida continua e este livro é sobre a vida. A vida das pessoas, que somos nós.
Recomendo, mas não para todos. Não é um livro que nos faça sentir muito bem. A história é forte pela maneira como se conecta à nossa realidade, a de hoje em dia, a que estamos a viver neste momento.
By : ladyxzeus
Made in Hollywood
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Depois fomos comer gelados e jantámos nos Santos Populares. :3
Made in Hollywood
Exposição
Fomos a Cascais, ver esta exposição. É uma colecção de fotografias dos tempos antigos de Hollywood, dos anos 20 aos anos 50, fotografias de cena e retratos.
é uma exposição muito informativa no que respeita aos fotógrafos e à fotografia de cinema, mas não contempla nada sobre o cinema em si ou sobre as técnicas. Eu não tinha visto nenhum dos filmes que estava em exposição, para ser sincera... Reconhecia alguns de nome.
Ainda assim as fotografias eram muito interessantes e havia algumas muito artísticas. As minhas preferidas foram a da senhora de preto no fundo preto (não decorei o nome dela), a do Hitchcock com o leão da MGM e uma azul. O que mais me surpreendeu foi a perfeição das pessoas (eram todas tão bonitas), numa época em que ainda não havia photoshop. E descobri que a Marilyn afinal era magrinha.
Ganhei alguns postais e um poster com informações atrás.
Depois fomos comer gelados e jantámos nos Santos Populares. :3
By : ladyxzeus
Até à Eternidade
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Até à Eternidade
Fred Zinnemann
Filme
1953
7 em 10
O terceiro filme das Sessões Clássicas no Corte Inglés, depois de Taxi Driver e Lawrence da Arábia. Desta vez conseguimos, três de nós, ganhar os convites da Metropolis e ir à ante-estreia com um grupo jeitoso. Mais uma vez, estavam senhores a falar. São críticos de cinema, e eu até sigo o blogue de um, mas e saber os nomes deles? Explicaram que este foi um filme revolucionário por abordar o exército de outra forma e spoilaram o final sem querer... Bem, o senhor avisou que não gostava de falar de filmes antes de as pessoas o verem porque tinha sempre medo de contar alguma coisa. Isso também me acontece muito e às vezes eu faço spoilers fenomenais sem sequer perceber... Desculpem! Enfim, aqui está o poster que recebemos desta vez:
Pois bem, eu fui para este filme sem fazer ideia do que era. Como tinha o Frank Sinatra estava convencida de que era um musical. E pensava que era a cores. Afinal era a preto e branco e é um filme trágico sobre a vida na ilha de Pearl Harbour imediatamente antes do bombardeamento.
O filme foi baseado num livro que relata a vida dos soldados de um agrupamento e os maus tratos injustificáveis que um deles vive, sob o pretexto de o fazer juntar à equipa de boxe. Também tem duas histórias de amor paralelas, bastante avant-garde para a época. A cena do cartaz, o beijo na praia foi revolucionária e chegou a ser censurada pelo seu erotismo implícito.
A história é imprevisível e crua, caracterizando o exército americano de uma forma distinta da maioria dos filmes do género, nessa época ou na nossa. Em vez de colocar os soldados como heróis coloca-os como seres humanos, todos eles pejados de defeitos que seriam inconcebíveis para um soldado. A história não acaba bem, o que é uma variação muito grande, nem poderia acabar bem se quisermos ser realistas, coisa que o filme é.
Os actores fazem trabalhos muito bons, transportando os sentimentos diversos dos seus personagens até ao limite do final, inesperado. Apesar do oscar, não achei que Sinatra fosse o mais brilhante entre eles.
Temos muita música, mas ela é utilizada de forma sábia, nunca trazendo alegria mesmo nas situações que supostamente o são. É irónica.
No fundo, um grande clássico que não devem perder. A versão pareceu-me bem restaurada, sem os grânulos habituais nas nossas sessões a preto e branco do canal Hollywood (mais ainda assim com alguns). Segundo li, já havia cores nesta altura, mas o realizador optou pelo preto e branco ou o filme não seria levado a sério. E realmente é este monocromatismo que dá a intensidade trágica à história.
By : ladyxzeus
Heartcatch Precure!
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Heartcatch Precure!
Toudou Izumi - Toei Animation
Anime - 49 Episódios
2010
7 em 10
Purikure! Iniciei-me neste projecto fatídico por causa do meu clube. Em vez de começar pelo princípio, que era o meu objectivo, meti-me logo pelo final. Mas enfim, fica marcado: Precure irá ser um projecto de vida, tal como Gundam o está a ser neste momento (apesar de já não ver nenhum há algum tempo)
Normalmente iniciaria esta crítica por "és uma menina de seis anos?" Mas a verdade é que este anime me surpreendeu pela positiva e é apropriado a todos, sejam meninas de seis anos ou não. É um anime muito infantil, meninas mágicas a lutar pelas flores que temos nos nossos corações. A história segue um ritmo de "colega em problemas" semanal e dos quarenta e nove episódios só meia dúzia é que têm história. O resto é palha. Mas palha muito gira!
As personagens são muito queridas e facilmente nos identificamos com elas. Não estava à espera, mas sofrem bastante desenvolvimento: vão ficando mais fortes e existe uma cena específica em que enfrentam o seu "eu do passado", o que demonstra o quanto elas cresceram. As mascotes, as fadinhas, são demasiado amorosas para o meu coração. Até a fazer cócó são fofinhas! Podiam encontrar-me a ver este anime e a bater palminhas por causa delas! Tão queridas!
A arte é um ponto bastante forte. Os designs são angulosos e funcionam bem nas cenas de acção, que são bastantes. Não percebo bem porque é que batiam nos Deserterians antes de usar a Forte Wave, nem porque é que os generais não atacavam logo à força toda (assim tinham despachado tudo muito mais rapidamente). As cores são brilhantes e, num todo, é um anime envolvente e agradável à vista, com um sentido artístico bastante próprio e um estilo definido.
A música é um pop despretensioso, fácil de aprender e bom de cantar. Um pouco repetitivo, mas nunca inapropriado.
Realmente, o que eu gostei mais deste anime foi que ele não tentou ser nada mais do que um anime de meninas mágicas. Não tinha pretensão nenhuma e, por isso, conseguiu cumprir com o objectivo: entreter. Não se distingue de outros animes do género (diria que até Sailor Moon é superior em termos de história) mas é muito giro e acho que vale a pena ver, mesmo que não sejam uma menina de seis anos.
By : ladyxzeus








