Até à Eternidade
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Até à Eternidade
Fred Zinnemann
Filme
1953
7 em 10
O terceiro filme das Sessões Clássicas no Corte Inglés, depois de Taxi Driver e Lawrence da Arábia. Desta vez conseguimos, três de nós, ganhar os convites da Metropolis e ir à ante-estreia com um grupo jeitoso. Mais uma vez, estavam senhores a falar. São críticos de cinema, e eu até sigo o blogue de um, mas e saber os nomes deles? Explicaram que este foi um filme revolucionário por abordar o exército de outra forma e spoilaram o final sem querer... Bem, o senhor avisou que não gostava de falar de filmes antes de as pessoas o verem porque tinha sempre medo de contar alguma coisa. Isso também me acontece muito e às vezes eu faço spoilers fenomenais sem sequer perceber... Desculpem! Enfim, aqui está o poster que recebemos desta vez:
Pois bem, eu fui para este filme sem fazer ideia do que era. Como tinha o Frank Sinatra estava convencida de que era um musical. E pensava que era a cores. Afinal era a preto e branco e é um filme trágico sobre a vida na ilha de Pearl Harbour imediatamente antes do bombardeamento.
O filme foi baseado num livro que relata a vida dos soldados de um agrupamento e os maus tratos injustificáveis que um deles vive, sob o pretexto de o fazer juntar à equipa de boxe. Também tem duas histórias de amor paralelas, bastante avant-garde para a época. A cena do cartaz, o beijo na praia foi revolucionária e chegou a ser censurada pelo seu erotismo implícito.
A história é imprevisível e crua, caracterizando o exército americano de uma forma distinta da maioria dos filmes do género, nessa época ou na nossa. Em vez de colocar os soldados como heróis coloca-os como seres humanos, todos eles pejados de defeitos que seriam inconcebíveis para um soldado. A história não acaba bem, o que é uma variação muito grande, nem poderia acabar bem se quisermos ser realistas, coisa que o filme é.
Os actores fazem trabalhos muito bons, transportando os sentimentos diversos dos seus personagens até ao limite do final, inesperado. Apesar do oscar, não achei que Sinatra fosse o mais brilhante entre eles.
Temos muita música, mas ela é utilizada de forma sábia, nunca trazendo alegria mesmo nas situações que supostamente o são. É irónica.
No fundo, um grande clássico que não devem perder. A versão pareceu-me bem restaurada, sem os grânulos habituais nas nossas sessões a preto e branco do canal Hollywood (mais ainda assim com alguns). Segundo li, já havia cores nesta altura, mas o realizador optou pelo preto e branco ou o filme não seria levado a sério. E realmente é este monocromatismo que dá a intensidade trágica à história.
By : ladyxzeus
Heartcatch Precure!
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Heartcatch Precure!
Toudou Izumi - Toei Animation
Anime - 49 Episódios
2010
7 em 10
Purikure! Iniciei-me neste projecto fatídico por causa do meu clube. Em vez de começar pelo princípio, que era o meu objectivo, meti-me logo pelo final. Mas enfim, fica marcado: Precure irá ser um projecto de vida, tal como Gundam o está a ser neste momento (apesar de já não ver nenhum há algum tempo)
Normalmente iniciaria esta crítica por "és uma menina de seis anos?" Mas a verdade é que este anime me surpreendeu pela positiva e é apropriado a todos, sejam meninas de seis anos ou não. É um anime muito infantil, meninas mágicas a lutar pelas flores que temos nos nossos corações. A história segue um ritmo de "colega em problemas" semanal e dos quarenta e nove episódios só meia dúzia é que têm história. O resto é palha. Mas palha muito gira!
As personagens são muito queridas e facilmente nos identificamos com elas. Não estava à espera, mas sofrem bastante desenvolvimento: vão ficando mais fortes e existe uma cena específica em que enfrentam o seu "eu do passado", o que demonstra o quanto elas cresceram. As mascotes, as fadinhas, são demasiado amorosas para o meu coração. Até a fazer cócó são fofinhas! Podiam encontrar-me a ver este anime e a bater palminhas por causa delas! Tão queridas!
A arte é um ponto bastante forte. Os designs são angulosos e funcionam bem nas cenas de acção, que são bastantes. Não percebo bem porque é que batiam nos Deserterians antes de usar a Forte Wave, nem porque é que os generais não atacavam logo à força toda (assim tinham despachado tudo muito mais rapidamente). As cores são brilhantes e, num todo, é um anime envolvente e agradável à vista, com um sentido artístico bastante próprio e um estilo definido.
A música é um pop despretensioso, fácil de aprender e bom de cantar. Um pouco repetitivo, mas nunca inapropriado.
Realmente, o que eu gostei mais deste anime foi que ele não tentou ser nada mais do que um anime de meninas mágicas. Não tinha pretensão nenhuma e, por isso, conseguiu cumprir com o objectivo: entreter. Não se distingue de outros animes do género (diria que até Sailor Moon é superior em termos de história) mas é muito giro e acho que vale a pena ver, mesmo que não sejam uma menina de seis anos.
By : ladyxzeus
Flores Raras
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Flores Raras
Nuno Barreto
Filme
2013
6 em 10
Isto passou-se na sexta-feira à noite. O meu pai arranjou-me uns convites para a estreia do ciclo de cinema brasileiro no CCB, que se iniciou pela ante-estreia do filme Flores Raras, de Nuno Barreto. Antes disso houve um coquetel.
Eu não ia bem vestida para o coquetel, esqueci-me de mudar de sapatos. Mas enfardei-me de comida e de moscatel e de sumo de laranja e fui à maluca para o filme. Estava sozinha. E já não me lembrava de como o Grande Auditório do CCB era grande, nem como as cadeiras eram desconfortáveis por estarem tão juntas umas das outras (as filas). Ainda estivemos uns quarenta minutos a ouvir entidades políticas importantes a agradecerem-se umas às outras e depois o realizador veio pedir-nos que não nos acariciássemos durante o filme. Ainda bem que a pessoa que não foi não foi, ou então não poderia ter obedecido a essa regra, já que me é impossível resistir a fazer festinhas diversas.
O filme é sobre a poetisa Elizabeth Bishop que, procurando inspiração, vai ao Brasil. Lá apaixona-se por Lota, uma arquitecta, escreve bem e ganha um prémio Pulitzer. O filme analisa a relação delas a crescer e a desintegrar-se, por motivos do alcoolismo de Bishop e depois o que se passa após a sua separação. Interessante ver que à medida que Bishop sai do torpor alcoólico, Lota entra numa espiral de depressão e os papéis acabam invertidos no final.
O filme tem uma história de amor interessante, apesar de estar fora da minha zona de conforto, e faz uma boa recriação da época, anos 50. Elas vivem todas na Samambaia, uma casa no meio da floresta muito linda, e as imagens são bem brilhantes e bastante bonitas. As actrizes fizeram um bom trabalho, como tinha de ser porque o filme é todo com elas, mas por vezes pareciam indiferentes aos sentimentos dos seus personagens.
No geral, um bom filme. Acho que vale a pena ir ver, porque sempre é uma variação do típico cinema americano (e se vos faz muita impressão ouvir falar o sotaque brasileiro, o filme é todo em inglês)
By : ladyxzeus
Asian Culture Party
6
Asian Culture Party
Evento
Era uma vez uma pessoa que tinha de ir a uma reunião do condomínio no Algarve. Essa pessoa queria ir com outra pessoa e a outra pessoa baldou-se à ida ao Algarve por motivos de força maior. Então a pessoa inicial pegou nela e foi ao evento dos animus. Eu.
Fui com a Hota, que tinha dois livros para me emprestar e acabou por se ir embora com eles. E eu não lhe liguei nenhuma porque depois me acoplei ao grupo do Anime Portugal, sou uma má amiga. :< Enfim, entrámos, pagámos três euros para receber um papel a servir de bilhete. O papel dizia que era proibido tirar fotografias, mas eu sou against da powa e tirei à mesma. Dez minutos e tudo visto.
O espaço é excelente, mas estava aproveitado de uma maneira infeliz. Apesar de ter tanto espaço só tinha meia dúzia de bancas e tinha os artistas, os infelizes, todos ao molho numas mesinhas. A um canto pessoas a bailar keipop e um palco bem grande e bem jeitoso. Escondidos estavam pessoas nas suas jogatanas, mas não os visitei. Se calhar devia ter ido jogar RPG, que tinha feito melhor. Nas bancas, não gostei muito da Tsubaki ter uma caixa com hentai do agressivo. Afinal estes são eventos familiares ou não? Têm de se decidir. Se vendem hentai do agressivo também me deviam deixar dizer palavrões no palco. A prova:
Agora vejamos o programa. A minha ideia de não ir ao evento foi precisamente porque o programa não me oferecia nada, nada de interesse. Eu não quero saber de coreano nem de chinês e todos os workshops japunas que se fazem já eu os fiz dezenas de vezes (logo não os vou fazer outra vez). Entretanto parece que o programa atrasou todo e era meio da tarde e ainda estavam a haver os bailados coreanos. Eu acho bem que dancem, é saudável, mas eu não aprecio esse pop. Porque não fazer as coreografias da Madonna? Já estava a deitar kizomba coreana pelos olhos e pelos ouvidos.
Ainda assisti aqueles concursinhos de comer e de se babar em colectividade, de pocky (essa reles imitação do mikado) e de mochi. Talvez para a próxima participe, para comer à pala. E me babar toda em público, nham nham
Perdi parte do desfile de cosplay, mas só me disseram que foi um flop fenomenal. A Leonor Grácias, apresentadora, ia chamando as pessoas mas as pessoas não estavam organizadas e algumas falhavam a chamada. Não que eu tivesse visto muito cosplay neste evento. Vi duas Canas Alberonas, que é um cosplay meu (e só meu!) e uma Meroko versão preta (também um cosplay meu e só meu!) e a Leonor estava de Utena (do qual eu estou a fazer uma versão diferente, minha e só minha), o que me leva a pensar que se calhar as personagens que eu escolho não são assim tão obscuras. Haha. Mas não lhes tirei fotos. A minha máquina tem manias e recusou-se a tirar fotografias a algumas pessoas. Desculpem! :( Ficam aqui as fotos mais decentes que consegui tirar (todas as outras estarão demasiado escuras ou desfocadas) mais um link para sacarem todas. :)
JESUIIIS
Um cosplay que vale minis!
Finalmente, o momento pelo qual me mantive com todas as forças neste evento: o concurso de cosplay. Uma miséria. Fui à rua esfumaçar-me durante um momento e quando voltei a entrar já tinha terminado! Eram só três! Agora começo a arrepender-me de não ter ido... A Hota gravou os skits, que comentarei quando estiverem online (estarão um dia, os da Anicomics também estarão um dia...)
Depois pensava que ainda ia haver um concerto de música tradicional Japonesa, tinha visto no programa, mas devia ser um programa antigo porque tudo o que fizeram foi amochar-se todos no palco a dançar o PSY.
Este evento foi um falhanço absoluto no que respeita a divertir as pessoas que não gostam de coisas coreanas. Se queriam um evento de coreanadas, fizessem um evento só disso. Aliás, o que me pareceu foi que este "Asian" Party queria ser um "Korean" Party e só juntou as japonesices para ter mais quórum. Depois juntou a china para não parecer mal. Um Asian Party a sério também devia ter a Mongólia, a Tailândia e a Índia. Também devia ter o Tibete! Se me tivessem dado um Asian Party com todos os países asiáticos, teriam aproveitado melhor o espaço e teriam entretido muito mais, teriam tido muito mais gente e teriam tido muito mais sucesso. Mas não, bailado coreano é o que se queria fazer. E a verdade é que havia muita, mesmo muita gente, que fazia a coisa, dançavam no palco e o público estava todo a dançar, como é que sabem as coreografias todas supreende-me. Também gostava de aprender a dançar, mas tinha de ser com música que me agradasse, por exemplo, Daft Punk (que é o que estou a ouvir agora)
Segundo consta também, a organização dos concursos e do desfile estava atroz, porque os voluntários aparentavam não ter tido formação e não sabiam o que estavam a fazer, nem dar informações, nem nada. Por isso têm de melhorar.
Isto se existir uma próxima edição, coisa que não acredito. Talvez para quem tenha estado a trabalhar lá dentro, talvez essas pessoas sintam que fizeram um trabalho genial, mas eu como elemento do público terei de discordar.
De resto, acabámos - grupo do Anime Portugal e grupo da APC - a jantar em Cacilhas e depois fomos beber minis para o miradouro. Foi a parte onde se esteve melhor. Desculpem lá se lá mais para as três da manhã já estava meio taralhoca e vos ter obrigado a guardar o meu chapéu de chuva. :3 No próximo a ver se levamos litras em vez de minis! =D
Edit: ah, e obrigado à menina que lê este blog e que me disse que gostava e ainda pediu para tirar uma foto. Fico muito contente, mas é estranho, haha
Edit2: Aparentemente houve muito mais cosplay no segundo dia, pelo que vejo das fotos. Yay! Fico à espera dos vídeos com os sukitos. :3
Edit3: Prodica - Não me levem a sério.
Edit2: Aparentemente houve muito mais cosplay no segundo dia, pelo que vejo das fotos. Yay! Fico à espera dos vídeos com os sukitos. :3
Edit3: Prodica - Não me levem a sério.
Comentários aos Skits (Individual)
A Hota gravou-os todos! Bem, eram só três, hah. Mas uma coisa que me fez espécie e confusão foi separarem os skits de fatos feitos pelo próprio daqueles não feitos pelo próprio. Não teria sido mais simples juntarem tudo, já que o concurso era (suponho) só de skits sem avaliar fatos? Bem, vamos a eles!
Começa bem, quarenta segundos para por tudo a funcionar? Com a Kali a fazer sinalefas para porem as coisas a funcionar. Buenooo~~ Enfim, gostei da coreografia com as fitas, boas cores para as fitas. Neste vídeo não dá para ver o contexto, mas acredito (pelo pouco que se vê) que foi explicado no vídeo de suporte. Podia ter havido mais interacção com aquelas correntes, que são da personagem.
Lembra-me aquele meu fatídico skit das cuecas, mas com um Mewtwo. Tudo desengonçado, tipo eu xD
Se é um skit de poses, é boa ideia ficar mais tempo em cada pose. Também é boa ideia fazeres um baixo/guitarra (eu acho que era um baixo, já não me lembro) para poderes violentá-lo à vontade sem risco de estragar um instrumento musical. Eu tenho um tutorial, se quiseres. :3 E também era boa idea prenderes o lenço com um alfinete.
Conclusão: acho que o prémio foi merecido.
By : ladyxzeus
Granta Portugal 1 - Eu
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Granta Portugal 1 - Eu
Vários
2013
Revista
Depois de ter lido a(s) notícia(s) sobre esta nova revista literária no jornal - não que eu leia o jornal, eu sigo-o por RSS Feed - tinha elevados níveis de curiosidade em comprá-la e lê-la. E não é que aparece o meu stepfather com ela em casa e afinal o volume é volumoso como um livro! Um livro de contos!
Possui sete contos de autores Portugueses, inéditos, um editorial e sete contos de autores estrangeiros, publicados na Granta original, a internacional. E possui também poemas inéditos de Fernando Pessoa. Infelizmente poemas esses provavelmente eram inéditos por não terem graça nenhuma.
Os contos que mais gostei foram os de Portugueses, homens todos. As mulheres, todas elas, pareceram-me estar muito fixadas no tema e não havia história nenhuma, só elas a falarem sobre a vida. O mesmo se passa com os autores estrangeiros, também estão só a falar sobre a vida. A questão que se coloca aqui é, sendo que eu não os conheço de parte alguma (mas devia, não conheço porque sou ignorante), interessa-me os detalhes da sua vida privada?
A minha história preferida foi a "Jazz, rosas e andorinhas", da autoria de Afonso Cruz, que fala sobre culinária e sobre a tragédia do eu inadaptado. Logo a seguir, "À Medida que fomos recuperando a mãe", de Valério Romão, um ensaio surreal sobre a loucura de uma família desgraçada. E em terceiro lugar (se é que me posso dar ao luxo de classificar), "Espelho da Água", de Rui Cardoso Martins, que conta a vida das pessoas que andam de cacilheiro (sorte que ele não me apanhou a mim, se não teria contado uma história terrível)
Também gostei bastante de "Gente Famosa", de Orhan Pamuk, que fala sobre a infância contando, ao mesmo tempo, a história do desfazer de uma família.
Enfim, gostei das histórias que contavam uma história e não só descreviam a vida a passar. Não que eu possa falar muito, contando que o que eu escrevo também não tem história, às vezes. Mas não tem filosofia, isso não sei fazer. De uma forma ou de outra, auto-proponho-me - a partir de agora - o exercício de passar a escrever uma história com o tema da revista Granta. Desta vez é o "Eu". Já tive uma ideia, mas já me esqueci quando voltava no cacilheiro.
By : ladyxzeus
Kotonoha no Niwa
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Kotonoha no Niwa
Shinkai Makoto - CoMix Wave
Anime - Filme
2013
7 em 10
Este filme, O Jardim das Palavras, é o novo trabalho de um realizador que eu admiro muito e que nunca me desapontou: Shinkai Makoto. A minha obra preferida dele é o Voices of a Distant Star, que é um ensaio em ficção científica. Este Jardim afasta-se bastante dessa corrente apreciada pelo autor, aproximando-se mais da análise da vida diária e da história realista, mais próxima de nós - pessoas.
Fala sobre um rapaz que falta às aulas nas manhãs de chuva e vai para um jardim onde se dedica a rabiscar aquilo que mais gosta: sapatos. O sonho dele é ser um sapateiro, mas dos que fazem os seus sapatos. A seu lado costuma sentar-se uma mulher que bebe cerveja e come chocolate. À medida que o tempo passa, vão-se aproximando e desenvolvem uma relação afectiva dominada pelo elemento natural da chuva. Só se encontram em dias de chuva e a sua relação existe em função dela, de tal forma que ambos acabam por desejar que a chuva nunca termine, que todos os dias chova. Mas a natureza não é assim, se exceptuarmos esta Primavera tão agradável que temos vivido.
Como devem imaginar, o filme é passado quase todo debaixo de chuva. No entanto, não é um filme cinzento e frio. Em vez disso existe uma luz quase purificada pela água que cai e todas as coisas têm um brilho reflectivo. Makoto é o especialista da "pornografia dos fundos" e não nos deixa ficar mal. O detalhe é quase fotográfico e, devido aos jogos da luz em movimento, não há uma única cena que seja estática.
A história é simples e bonita, um misto de reflexão sobre a solidão e história de amor. O final, razão pela qual não posso dar melhor nota a este filme, foi um pouco anti-climático, apesar de ser expectável devido às diferenças da natureza dos personagens. O que mais me estragou o final foi a música, um pop regularíssimo que, apesar de dentro do tema, tirou o peso e a consequência de tudo o que se tinha passado anteriormente. Mas as outras músicas, um piano que cai como a chuva, melancólico mas doce, conjugam-se com o ambiente de forma bela e quase desejei que nunca acabassem.
Um filme muito bom. Acho que não o devem perder devido à qualidade da arte, que é exemplar.
By : ladyxzeus
Lawrence da Arábia
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Lawrence da Arábia
David Lean
Filme
1962
8 em 10
Mais uma das sessões clássicas da UCI, no El Corte Inglés. A primeira foi o Taxi Driver. Desta vez não conseguimos convites, porque perdemos o passatempo, mas não podíamos perder a oportunidade de ver um dos clássicos mais influentes do cinema no grande ecrã.
Este filme relata, ao longo de quase quatro horas - três horas e quarenta minutos, para ser mais precisa - a vida e obra de Lawrence, um soldado inglês que intervencionou a Arábia durante a primeira guerra, levando-a à independência e à união dos povos. É um filme extraordinário, porque consegue ser enorme e nunca ser chato.
A cinematografia está lindíssima, com grandes imagens panorâmicas de um deserto pavoroso. Mas no filme até parece quase agradável. O facto de terem de ter estado a viajar pelo deserto nos anos sessenta para filmar isto é fantástico. É sem dúvida uma grande produção, com centenas de pessoas envolvidas (e centenas de cavalos também). As cenas de guerra são violentas e emocionantes, apesar de o sangue destas pessoas ser bastante cor de rosa.
A música será para sempre lembrada. Mesmo antes de ver o filme (eu nunca tinha visto este filme), já reconhecia a música como sendo a do Lawrence da Arábia. O tema e as suas variações adicionam tensão crescente a cenas que são muito simples, nomeadamente o nascer do sol.
Mas o que mais me impressionou foi a evolução da personagem (que existiu, mas consta que o filme não está muito exacto) e o trabalho de actor por detrás dessa evolução. Lawrence passa de jovem culto um pouco avoado, com um bom coração, a uma máquina de guerra imparável, manietada pelas influências políticas superiores, devido ao trauma que encontrou no facto de sentir prazer com o sofrimento e com a morte. O infeliz vai passando progressivamente para o outro lado, cada vez mais perturbado pelas marcantes mortes que teve de executar e assistir.
A sinopse que me deram deste filme foi "é um gajo que vai para o deserto viver com o pessoal do deserto e depois passa-se". Confere. Vale muito a pena ver este filme, sobretudo se forem em breve para ainda o apanharem no cinema. A versão restaurada está exemplar, com uma vivacidade nas cores e no detalhe que se equipara aos filmes de agora. Excepto que este foi feito sem computadores.
By : ladyxzeus


