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  • True Grit

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    True Grit
    Joel Coen & Ethan Coen
    2010
    Filme
    7 em 10


    Um puro western americano, mas - sempre à medida dos Coen - com uma narrativa improvável.

    Uma menina de 14 anos está lançada para se vingar do assassino do seu pai. Para isso convence um mercenário a acompanhá-la, juntamente com um ranger do Texas que lhe aparece pelo caminho. Vão cavalgar pelo lado mais selvagem da América e, nisso tudo, formar uma improvável amizade.

    Com actores de luxo, este filme distingue-se pelos seus diálogos acesos e literários, com um discurso que me pareceu simplesmente maravilhoso. A química entre os personagens sente-se e, por isso, temos um filme muito equilibrado com momentos tanto de comoção como de hilariedade.

    Também as paisagens naturais deste filme são muito interessantes, assim como a análise da forma de viver em viagem nesta época do antigamente.

    Recomendo bastante, nem que seja pela dramaturgia.

  • The Power of the Dog

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    The Power of the Dog
    Jane Campion
    2021
    Filme
    7 em 10

    Um filme que tem dado que falar, nem que seja pelo excelente papel de Benedito Cocumbo (como se eu soubesse escrever o nome do actor...)

    Trata-se de um western solitário e doloroso, que aborda a relação entre irmãos, entre cunhados, entre família. Os personagens têm uma caracterização profunda, o que leva a que as suas acções e que cada descoberta sejam baseadas numa faceta totalmente humana. Assim, este filme eleva o western a outro lugar, a um lugar de realidade palpável, de pessoas que são como nós em toda a sua complexidade.

    No entanto, não me agradou a limitação da única personagem feminina, que acaba por ser apenas o que as personagens femininas usualmente são nos filmes americanos: uma pessoa frágil, dependente, descompensada e louca, sem mais nenhuma característica além da sua dependência que a estabeleça dentro desta realidade.

    De resto, a cinematografia é excelente, com um olhar calmo mas detalhado sobre este ambiente.

    Recomendo.

  • The Sisters Brothers

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    The Sisters Brothers
    Jacques Audiard
    2018
    Filme
    6 em 10
    Um western moderno, seco e directo ao assunto.

    Os Irmãos Sisters são uma espécie de mercenários a contrato de um certo "commodore". Estão escalados para encontrar Warm, um cientista, e arrancar-lhe uma certa fórmula. Esta é a história de como o perseguem e de como isso irá ter consequências profundas na sua visão de vida e na sua relação de fraternidade.

    Apesar de termos um conjunto de actores excelente, penso que este filme peca precisamente pela sua interpretação. A linguagem utilizada não parece de todo adequada à época, sendo utilizado vocabulário muito moderno que não nos ajuda a localizar o tempo em que a história é narrada. Também a progressão da narrativa é feita de forma um pouco confusa, passando de cena para cena de forma muito rápida e  escorreita, sem dar tempo para caracterizar o ambiente ou mesmo as próprias personagens. 

     A história em si acaba por ser bastante simples, apenas a forma como está montada a torna mais complicada do que verdadeiramente é. Muitas cenas parecem ser desnecessárias ao desenvolvimento e muitas outras parecem ter sido cortadas. Algumas das mais importantes, estão filmadas de tal forma que se tornam incompreensíveis.

    Props para o cavalo que estava maquilhado.
  • The Ballad of Buster Scruggs

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    The Ballad of Buster Scruggs
    Joel Coen & Ethan Coen
    2018
    Filme
    7 em 10
    Desta feita, os nossos irmãos Coen surpreendem ao fazer um filme produzido e distribuído pelo novo gigante televisivo: a Netflix. No entanto, este é um filme digno de figurar entre aqueles com maiores valor de produção e maior dedicação dos autores. Baseado numa série de histórias escritas na infância dos irmãos, este é um conjunto de contos cinematográficos que nos remete para um universo de livros de cowboys e fantasias.

    Dividido em seis partes, que são também seis histórias distintas, algo une todas as histórias. Para começar um mordaz sentido de humor que deixará por terra até os mais fortes. Tendo isso em consideração, as histórias são surpreendentes, trágicas e, ao mesmo tempo, terrivelmente engraçadas. Depois, todas elas têm um tema em comum. Todas falam, de uma forma ou de outra, da morte e da contemplação do fim.

    Para além disso, temos um conjunto de imagens fotográficas ao longo do filme que nos remetem para um passado longínquo e para uma natureza distante e agressivamente selvagem, mas em que o pior continuam a ser sempre - e para sempre - as pessoas.

    Um filme que passa num instante, de uma comicidade culpada e filosófica.
  • Coyote: Luzes da Califórnia

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    Coyote: Luzes da Califórnia
    Rámon Charlo
    1950
    Folhetim

    Quando estive no Brasil da última vez, achei por bem trazer um souvenir para aquele que viria a chamar-se Qui. Num sebo (alfarrabista), encontrei uma revistinha selada, que me parecia muito antiga e que me parecia ser BD. Afinal era um folhetim, do famoso "Coyote", um herói da Califórnia criado por um Espanhol. Agora que o li, diverti-me imenso, pois parece-me que era o tipo de história que o meu pai lia quando era miúdo. :) Afinal, é mesmo dessa época!

    O Coyote é um herói mascarado que apanha bandidos diversos, sem olhar a meios. Nesta história, morre quase toda a gente de forma altamente violenta, sem rodeios nem floreios, há grandes tiroteios em que o herói quase sofre uma fatalidade (quase!), há perseguições a cavalo, há traições e grandes amores improváveis... Enfim, tudo aquilo que se poderia esperar de um pulp western, çpuro e duro!

    Mas a melhor parte é que está escrito de uma forma tão simples e directa que a leitura é facílima e altamente viciante. Queremos mesmo saber como é que o nosso herói vai apanhar o vilão!

    Fiquei com vontade de ler mais coisas do género, portanto quem souber onde se arranja, +é só avisar, hahaha

  • Os Oito Odiados

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    Os Oito Odiados
    Quentin Tarantino
    2015
    Filme
    6 em 10

    Na véspera de Terça-Feira Gorda (segunda-feira, portanto) fomos ver este filme ao cinema. E eu sei que vai magoar algumas pessoas, nomeadamente o Qui, eu dar-lhe uma nota tão mediana, mas tenho de confessar que não foi o meu filme Tarantinesco preferido.

    "Os Oito Odiados" (The Hateful Eight) fala sobre o encotnro de vários personagens detestáveis numa casa, onde estão fechados devido a uma tempestade de neve. Um deles leva consigo uma mulher para ser enforcada, por razões que não são completamente desvendadas. No entanto, algo nesta casa está diferente... E à medida que se vão revelando mais elementos, a violência começa a deflagrar, terminando tudo, como habitualmente, num portentoso banho de sangue.

    Este filme recorda outros filmes do autor, nomeadamente o Reservoir Dogs: um grupo de pessoas está fechado num espaço e há alguém que não tem boas intenções. No entanto, ao contrário deste, o filme está completamente limitado aos personagens, que pouco revelam sobre si próprios para além do facto de serem seres humanos desprezíveis. Qualquer revelação feita serve apenas para insistir na ideia de que eles são realmente "hateful", odiosos, execráveis, pavorosos. E isso acaba por se tornar um pouco aborrecido, sendo que grande parte do filme se situa apenas na insistência deste ponto, um repetir do conceito que acaba por aborrecer.

    Não aborrecem os diálogos e o último terço do filme. Os primeiros porque, temos de admitir, estão muito bem executados e, sobretudo, bem interpretados. O segundo por motivos sanguinários. Falando nas interpretações, deixo a nota para a única mulher odiosa, que faz um papel soberbo, retratando em si uma violência inerente que mantém sempre um mistério imenso, já que o seu passado nunca é totalmente revelado.

    Outro aspecto importante a referir é o grafismo e fotografia. Este filme foi gravado no fantástico *Ultra Panavision 70mm*, isto é, uma fita analógica comprida e grande. Talvez tenha sido questiúncula relacionada com o cinema em si, mas as cores não me impressionaram, apesar das paisagens nevadas serem muito belas. Acredito que o filme poderia ter tido outro efeito se estas tivessem sido mais exploradas, sendo que o tamanho da fita me parece desaproveitado no único cenário interior. Talvez este dê uma sensação teatral ao filme, mas todos os outros elementos retiram essa característica.

    Finalmente, ao contrário dos outros filmes de Tarantino, este não possui uma banda sonora baseada em canções populares obscuras, mas sim instrumentais poderosos e um tema folk. Há um marcado uso do silêncio, apenas interrompido pela sempre presente tempestade.

    É um filme intenso e cujas três horas passam num instante, mas a verdade é que o achei muito inferior a outros da filmografia.

  • Gun X Sword

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    Gun X Sword
    Taniguchi Goro - Geneon Universal Entertainment
    Anime - 26 Episódios
    2005
    6 em 10

    Então estava eu muito contente a ver um anime que parecia um western. Tinha tudo para ser um western. Mas de repente, aparecem mechas. O que me leva a questionar a validade da minha Plan to Watch actual (era para dizer "nova PtW", mas já não é nova, já ando nela há um par de meses). Eu sabia que tinha mecha, mas nunca imaginei que tivesse tanto. Enfim, não se podem só ter coisas boas. Não é que eu desgoste de mecha, mas mecha à paulada já cansa um bocadinho.

    Este anime fala de uma arma e de uma espada. Aliás, das pessoas que as carregam. São elas uma miúda que procura o seu irmão mais velho e um homem à guisa de anti-herói que procura vingar a sua noiva, assassinada no dia do seu casamento por um homem conhecido por "Claw" (porque só o conseguem reconhecer pela garra que ele tem em vez de mão). Seguem por um universo desértico, com cidades perdidas pelo meio como oásis, onde têm aventuras e vão descobrindo a história por trás do malfeitor. Nisto o anime é interessante, no universo, apesar de ser muito (muito) semelhante a Trigun. Não é original, mas é giro e cada cidade tem um conceito muito bem definido que por vezes é muito divertido. Os personagens também não têm nada de original, quer na personalidade quer no design, mas têm os seus momentos. Por vezes, são mais interessantes os personagens secundários do que a espada e a arma, diga-se de passagem.

    E diga-se de passagem também que este anime tem uma das mascotes mais fofas de sempre, uma tartaruga que é uma jóia, que é um colar e anda pendurada ao pescoço da miúda e que faz uns barulhinhos fofinhos (pouco naturais para tartaruga, é certo)

    A animação é bastante fluída e os designs dos mechas são originais e divertidos (especialmente aquele com cara de gato). Temos algumas cenas de luta muito bem coreografadas, mas por vezes um excesso de brilhantina tira o realismo às situações.

    Em termos musicais não me pareceu nada de extraordinário, apesar de a música ser variada. Temos não uma, nem duas, mas SEIS EDs! A OP estabelece um ritmo de western que depois não é entregue, como visto anteriormente. No meio, umas cordas épicas para as lutas e pouco mais. Muito insosso.

    No geral um anime divertido, mas não o suficiente para eu o recomendar.


  • Django Unchained

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    Django Unchained
    Quentin Tarantino
    Filme
    2012
    9 em 10

    Tinha uns bilhetes grátis para o Fonte Nova, por isso vá-de ir ver o filme do Tarantino antes que seja tarde demais. Se bem que já se viu que eu de filmes percebo patavina por isso até devia deixar de lhes dar notas, se calhar é mesmo isso que faço, mas ainda posso comentar não posso? Acho que posso, se não puder olhem não sei.

    Ora bem, eu - percebendo patavinécias - sei do Tarantino uma coisa: ele curte bués do sangue. Então até estranhei o filme porque estava com níveis muito baixos. Mas depois passa-se tudo e entrega o esperado.

    Isto é um western à moda antiga, mas em vez de ser passado com os cowboys é passado com um escravo, o Django. Ele é comprado por um caçador de recompensas, homem bem simpático, e depois mete-se na aventura de ir salvar a mulher dele, uma outra escrava.

    E o filme está mais ou menos próximo do perfeito, sempre com aquele pequenino sarcasmo do Tarantino por todo o lado. Imagens bonitas e interessantes, música feita especialmente para o ambiente que se quer transmitir. Os personagens são o melhor, cada um mais bizarro que o outro mas todos muito fortes e sólidos. Os actores fazem um trabalho estonteante para transmitir a especialidade dos seus personagens.

    O ritmo está muito bem conseguido, sem um único momento em que se perca a atenção. É um filme longo, mas manteve-me agarrada até ao fim.

    E não percebo porque é que a "comunidade negra" dos Estados Unidos se revoltou tanto com este filme. É um filme contra a escravatura! O herói é um preto que se passa contra a opressão dos brancos! É uma coisa boa! Deviam voltar a vender as action figures!
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