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  • Collateral

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    Collateral
    Michael Mann
    Filme
    2004
    6 em 10

    Um taxista vê-se, por mero acaso, como motorista de um assassino a soldo. Tem de o levar a matar as pessoas, embora não o queira: ele quer salvá-las e só o leva porque pensa que são má rês.

    Assim, temos Tom Cruise a dar tiros (o que é sempre interessante) e caminhos de táxi com diálogos interessantes e uma boa exploração das personagens. O aspecto visual do filme é curioso, porque se mantém sempre em tons escuros pontuados pelas luzes da cidade. É um filme hard-boiled.

    Talvez a sua principal falha se encontre na personagem de Tom Cruise, que apesar de ser má onda tem uns laivos de bondade que não se conjugam bem com a imagem pretendida. Também o final fica aquém do esperado, porque o confronto directo acaba por ser sempre uma maneira um pouco apressada de acabar com as coisas.

    De resto, foi divertido.

     

  • Eyes Wide Shut

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    Eyes Wide Shut
    Stanley Kubrick
    1999
    Filme
    8 em 10
    Fomos ver uma reposição deste filme, em cópia restaurada, no cinema Nimas (onde, por acaso, nunca tinha ido. Gostei muito!)

    Tom Cruise e Nicole Kidman protagonizam o mais complicado filme de Kubrick, no respeita à produção. Existem aspectos fantásticos neste campo (por exemplo, Nova York ter sido toda recriada em estúdio) mas neste comentário vou focar-me um pouco mais nas qualidades narrativas.

    Um casal de classe alta, após uma festa de Natal, tem uma grande discussão sobre o que é o ciúme, o que é o amor e como este pode terminar através do mero pensamento. Depois disso, o homem perde-se na noite de Nova York e vai parar a uma misteriosa festa de sensualidade carnal. A sedução, o horror e o mistério perseguem-no até voltar a enfrentar a sua esposa.

    É um filme curioso, nem tanto pelas cenas sexuais muito evidentes, mas por todo o ambiente de sonho que está presente durante todas as cenas. Acabamos por ficar na dúvida se a festa existiu na realidade, se era apenas uma fantasia, se o que foi visto era também uma fantasia. Todas as interacções com a personagem de Cruise são bizarras e este é sempre abordado com desejo, como se todo o filme fosse um teste à sua fidelidade enquanto que, no verdadeiro sonho, ele se sente realmente traído.

    Um filme muito interessante e que certamente me ficará na memória.
  • Edge of Tomorrow

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    Edge of Tomorrow
    Doug Liman
    2014
    Filme
    5 em 10

    Depois de um filme excelente, porque não um filme terrível? Mas não vimos double session ilegal (entrar noutra sala de cinema em vez de sair cá para fora). Simplesmente fomos para casa e pôs-se o filme a sacar.

    Começo por dar a informação que descobri há pouco, e que faz todo o sentido: este filme é inspirado numa novel Japonesa, e subsequente manga, chamado "All you need is kill",  de Hiroshi Sakurazaka. Segundo me consta, anda toda a gente meio maluca com este manga, adoram-no. Mas, se for como filme, é caso para dizer "porquê". Mas enfim, voltemos ao filme.

    O planeta Terra foi invadido por um grupo de criaturas extremamente difíceis de matar, de nome "mimics". São tipo uns aranhiços gigantes e mal-cheirosos. Quando luta contra um deles, todo azul brilhante e todo catita, este oficial que acidentalmente foi parar ao campo de batalha, ganha o poder de voltar atrás no tempo quando morre. O que significa que ele sabe o que vai acontecer e pode planear o que fazer e vencer a guerra. Depois, conhece uma gaja chamada Rita que é mestre do assassinato de aranhiços fedorentos. E depois o Tom Cruise tem de ir salvar o mundo, que é coisa que nem sempre corre bem (pois o Tom Cruise come placentas, ew)

    Em vários momentos eu esperava que o filme fosse numa direcção completamente diferente, muito mais complexa e, consequentemente, mais interessante. Mas a estrutura de shounen mantém-se do início ao fim. Na realidade, eu esperava desde o início que o Tom Cruise falasse com os soldados rasos e fizesse com que estes se organizassem, de preferência numa espécie de revolução. Mas não, sozinho estou, sozinho ficarei, sozinho vencerei as forças do mal. A estrutura do filme é exactamente igual à estrutura do shounen, com certos erros básicos que poderiam ter sido evitados com um melhor conhecimento do género (e não apenas sacar inspiração da novel e fazer o que nos apetece). Por exemplo, o ritmo do filme começa demasiado lento, para depois acelerar e voltar a decrescer, o que faz com que o espectador não consiga fazer uma manutenção da sua expectativa e, por isso, a concentração. A sequência de treino, apesar de importante, pareceu-me demasiado longa e repetitiva. Em vez de um efeito que poderia ser cómico, foi aborrecida. Em compensação, a sequência do planeamento e estratégia foi demasiado apressada, o que não permite uma percepção real o do que realmente se passa.

    Apesar de ao longo do filme os personagens irem desenvolvendo as suas capacidades físicas, a estrutura e engenharia da maquinaria não aparenta ser nada realista. Não parece fácil de usar e não tem grande mobilidade. Assim, o design poderia ser melhorado. Em termos de efeitos especiais, é caso para dizer que não é nada de especial. A animação por computador não é realista e as sequências de luta nada de espectacular têm, pois normalmente terminam em morte e, como a morte não é sinal de derrota, isto é inconsequente.

    O final é simpático e amoroso, mas a música dos créditos quebra completamente com o ambiente criado ao longo do filme.

    Enfim, acho que se fores um rapaz vais curtir totes. Se fores eu, é só mais um.
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