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  • Beetlejuice Beetlejuice

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    Beetlejuice Beetlejuice
    Tim Burton
    2024
    Filme
    6 em 10


    Uma sequela do famoso Beetlejuice, que tem um bocadinho de aterrorizante mas que, no fundo, é mais algo engraçado das esquisitas mãos de Tim Burton.

    Lydia agora tem uma filha, que não compreende o seu poder de ver fantasmas. Aquando a morte do seu pai, regressa à casa onde tudo começou, e essa filha conhece um rapaz muito fascinante, que afinal está morto e a leva para o submundo dos mortos. Agora Lydia tem de a ir lá buscar antes que ela apanhe o comboio para o destino final.

    É um filme divertido, cheio de efeitos práticos muito giros, com uma história de coming of age familiar que joga bem com as emoções do público. No entanto, creio que o autor colocou demasiados elementos na história (a fatídica mulher de Betelgueuse, por exemplo, não sei se foi algo essencial), e acaba por ficar uma amálgama de coisas por onde é difícil escolher.

    Apesar de tudo, gostei, embora não seja tão engraçado nem original como o primeiro.

  • A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça

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    A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça
    Tim Burton
    1999
    Filme
    6 em 10


    Apanhámos este filme na televisão e ocorreu-me uma memória antiga: a primeira vez que fui ao cinema com a turma, há estes anos todos, o objectivo era ir ver este filme. Mandámos os rapazes que pareciam mais velhos (o filme era para maiores de 14) comprar os bilhetes, comprar 20 e tal bilhetes. É óbvio que não lhos venderam, e por isso tivemos de ir ver "O Lago".

    Adiante.

    Um polícia interessado na mais moderna forma de resolver assassinatos, através de patologia e exames químicos (mas que tem muito nojo de coisas mortas), é remetido para uma aldeia remota em que - misteriosamente - estão a acontecer assassinatos. Uma coisa em comum entre todos eles: as vítimas são encontradas sem cabeça. E toda a aldeia sabe quem é o culpado: o fantasma do Cavaleiro Sem Cabeça.

    Se ao início o filme é muito científico, com toda uma estética steampunk engraçada, rapidamente se transforma num delirante relato de bruxaria e invocação de forças maléficas. A trama policial está bem feita, mas acaba por ser ligeiramente confusa.

    A parte mais interessante é sem dúvida toda a abordagem técnica aos assassinatos.

    Pensando nisso, com a idade que tinha talvez me impressionasse grandemente se visse este filme no cinema.

  • Wednesday

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    Wednesday
    Miles Millar & Alfred Gough
    2022
    Série


    Lembram-se da menina toda de preto, a Wednesday Addams? Pois ela agora é adolescente e acabou de ser expulsa da escola. Outra vez. Por isso, os seus pais decidem inscrevê-la numa escola para pessoas estranhas: Nevermore. Nessa escola há vampiros, lobisomens, górgonas, tudo quanto é bicho estranho. E há um mistério, de um monstro assassino que anda à solta.

    No fundo, esta série é como um policial gótico, um pouco infantilizado mas divertido na mesma. Os primeiros episódios são realizados por Tim Burton, mas nem assim se nota o seu toque. Os designs são muito interessantes, quer de figurinos quer dos sets, e os efeitos especiais bastante aceitáveis (sobretudo o Thing)

    O que mais gostei realmente foi a identificação que tive com esta Wednesday na adolescência. Lembrou-me muito eu própria circa 2003, toda anti-amigos e toda anti-pop, toda pseudo gótica mas - no fundo - uma criança na mesma. O facto de a personagem conseguir desenvolver relações com os outros fica a saber a vitória.

    Talvez não seja a estética que apaixonou nos primeiros cartoons, mas gostei muito desta versão modernizada dos Addams.

  • Marte Ataca!

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    Marte Ataca!
    Tim Burton
    1996
    Filme
    5 em 10


    Apanhámos este filme na televisão e ficámos a ver.

    Quando a Terra é finalmente visitada pelos alienígenas de Marte, uma grande festa acontece, é um grande acontecimento. No entanto, de forma imprevisível, estes marcianos começam a atacar tudo e todos, a fanar pessoas para experiências e a destruir toda a civilização humana. O que os poderá destruir?

    O filme é hilariante do início ao fim, não tanto pela sua escrita de diálogos mas pela improbabilidade dos acontecimentos que se sucedem, cada um mais bizarro que o outro. Com uma aura campy e um humor infalível, queremos acompanhar o que mais farão estes marcianos, e sobretudo como é que a humanidade se irá safar disto.

    Apesar de ser um dos filmes mais mal-amados deste realizador, achei-o mesmo muito giro, e só não lhe atribuo melhor nota porque os efeitos especiais - a maior parte das vezes - metem medo ao susto.

  • Big Fish

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    Big Fish
    Tim Burton
    2003
    Filme
    8 em 10

    Quem conta um conto, acrescenta sempre um ponto. E isto é verdade para as pessoas com muita imaginação, nas quais incluo o meu pai e as suas histórias maravilhosas. No entanto, o pai deste filme tem um problema relacional com o seu filho: ele não acredita nas suas histórias e quer, simplesmente, saber a realidade fria e seca, sem floreados.

    Este é um filme sobre o amor filial, com o qual me identifiquei muito, e sobre a imaginação. Uma homenagem a esses grandes contadores de histórias esquecidos, que para tornar a sua vida mais alegre acrescentam pontuação a fábulas simples e sem graça. E o resultado é espectacular. A cada história contada e a cada pista para a revelação do que realmente aconteceu, descobrimos que este pai não era um mentiroso, mas sim uma pessoa que gostava de tornar a sua vida mais divertida, lembrá-la como se ela tivesse sido mais divertida. E acho que é esse tipo de pessoa que eu gostaria de ser.

    Com efeitos práticos espantosos, paisagens estranhas e surrealistas, mesmo ao estilo do Tim Burton, este é um filme que - apesar de não ter o aspecto gótico habitual - é de uma estética muito característica do seu autor.

    Um filme extremamente comovente, em que o final feliz nos traz algo de agridoce.

  • Batman (1989)

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    Batman (1989)
    Tim Burton
    Filme
    1989
    6 em 10

    Ignorem a minha classificação, pois a um nível puramente pessoal adorei este filme, que é um dos preferidos do Qui (que foi quem mo mostrou). =D

    Realizado por Tim Burto, este foi um dos primeiros filmes de Batman e o primeiro a introduzir alguns elementos icónicos (como o símbolo sobre amarelo). Também introduziu a famosa música que depois veio a ser a abertura dos famosos desenhos animados que, penso, todos conhecemos.

    Este filme recorda-me a banda desenhada clássica, quer pela sua estética quer pela sua leveza em termos narrativos. é um filme que, ao contrário do que fazem hoje em dia, mostra os heróis como verdadeiros heróis, sem falha e sem mácula, e os vilões verdadeiramente maléficos. Existem alguns elementos que podem ser criticados, como a origem do Joker e tudo o mais, assim como a própria atitude de Bruce Wayne, que aparece ligeiramente fragilizado e pronto para se apaixonar, mas tudo isto faz sentido dentro do contesxto deste filme, já que na altura era uma raridade que as sequelas fossem planeadas desde o início.

    Terei de deixar uma nota de excelência para Jack Nicholson, que faz um Joker absolutamente pérfido e apaixonante, abordando o personagem com uma loucura quasi abstracta que só seria possível com um excelente trabalho de actor.

    Portanto, ignorem o mediano e curtam simplesmente do filme. Dei esta nota porque os efeitos especiais são um pouco terríveis.
  • A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares

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    A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares
    Tim Burton
    Filme
    2016
    6 em 10

    Novo filme de Tim Burton, inspirado em livro homónimo (que fiquei com muita curiosidade em ler).

    Um rapaz admira o seu avô, que está louco, demente. Para além disso sente-se excluído da sociedade em que vive. Quando o avô falece de forma inesperada e muito bizarra, o rapaz encenta uma viagem a uma ilha da Escócia, para encontrar a Casa da Senhora Peregrine, sobre a qual o avô lhe contava quando era criança, e esclarecer se é tudo real ou fantasia. Pois bem, a fantasia é real.

    A primeira parte do filme é puramente Tim Burton. Todo o ambiente é actual, mas um pouco bizarro,pleno de pequenos detalhes que, sendo estranhos, fazem todo o sentido. Os personagens têm uma caracterização tanto interessante como adequada aos tempos em que vivemos hoje, sendo que os cenários são muito detalhados, assim como guarda roupa e maquilhagem.

    É a partir do último terço do filme que tudo leva uma reviravolta que deita o filme por água abaixo. Subitamente, temos um conjunto de efeitos especiais de fraca qualidade que enchem todo o filme, que até agora era de uma fantasia muito ligeira e cheia de graça, de uma inconsequência fatal. Para além disso, o final inconclusivo deixa a nota de que vai haver sequela e triquela e quadrela e o que mais se faça.

    Assim, acaba por ser um filme um pouco desapontante, embora tenha momentos muito curiosos. Também nos deixa na mão para saber como voltou a ser a vida "normal" do personagem principal, coisa que nos poderia ter demonstrado de forma mais evidente a sua evolução enquanto pessoa.

    No entanto, talvez não remeta este filme para o esquecimento e acabe por ver as partes que se sequirem.

  • Beetlejuice

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    Beetlejuice
    Tim Burton
    1988
    Filme

    Finalmente tive a oportunidade de ver aquele que é o "filme mais Burton do Burton" :p

    Um casal vive na maior das felicidades, por vezes atormentados por uma imobiliária que lhes quer vender a casa. Ela acaba por o conseguir. Depois deles terem um acidente de automóvel. E voltarem como fantasmas. E o pior é que a nova família está a mudar toda a decoração da casa!

    Este é um filme sobre fantasmas, mas sobre os aspectos técnicos de se ser um fantasma. Isto é, pode ser estranho ser um deles, mas será que poderemos ter uma morte normal? Viver felizes para sempre após a morte? No fundo, é um filme que nos mostra como podemos ser bizarros mas ainda assim ter uma família e sermos amados, apesar de todas as nossas pequenas estranhezas.

    O ambiente é fascinante, em muito ajudado pelo detalhe nos cenários e guarda-roupa. Os personagens são cativantes e, mesmo que assustadores (não digas o nome dele três vezes!) sempre envoltos numa aura de comédia. E a segurança social do outro mundo é absolutamente hilariante!

    Também temos uma banda sonora exemplar que ajuda os personagens a fazerem as suas tropelias.

    Enfim, fartei-me de rir com este filme e, apesar de um susto ou outro, quase que dá vontade de ser fantasminha também :)

  • Ed Wood

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    Ed Wood
    Tim Burton
    1994
    Filme
    7 em 10

    Vimos este filme já a semana passada mas, como terão visto, não tive muito tempo para vir actualizar este espaço. Gostei imenso do filme, que me fez rir muito, mas também me comoveu bastante.

    É um filme sobre a paixão do cinema. Sobre como um realizador sem muito talento mas com muitas ideias faz todos os possíveis para levar os seus projectos avante. É muito inspirador e dá muita vontade de fazer todo o tipo de coisas! Este realizador, Ed Wood, acaba por se tornar um ícone dos chamados "filmes série B", que são aqueles filmes de baixa produção e dos quais se costuma dizer que são tão maus que se tornam... Bons!

    Mas este personagem, que foi mesmo uma pessoa, tem muito mais nele do que a vontade de fazer filmes. Tem segredos, tem histórias que deseja mostrar ao mundo, tem amigos. E estes amigos acabam por ser tão dedicados à cinematografia como ele, ou não passariam por todas estas coisas, trinta por uma linha, para o acompanhar e "wrap the scene!"

    Destes amigos destaca-se uma importante figura: Bela Lugosi. Bela Lugosi, neste filme, ainda não morreu. Mas a sua história é contada paralelamente e acaba por ser triste, comovente, mas ao mesmo tempo cheia de candura. Porque aqui nos é contado o final de vida do primeiro Drácula, a forma como ele acabou por ser um actor ignorado e nunca contratado e se envolveu no mundo do consumo de estupefacientes (o que levou à sua morte, já em idade avançada).

    Para além disso, a forma como este filme está feito revela uma mestria poderosa e cheia de talento. O que mais aprecio em Tim Burton não são os seus efeitos coloridos, as suas histórias bizarras, as suas maquilhagens. É a forma como ele relata a vida estranha das pessoas normais: os estranhos não somos nós! São os outros! E em "Ed Wood" ele consegue dizer-nos isto, e de que maneira! O filme é todo a preto e branco, mas tem uma tal vivacidade que eu me recordo dele a cores...

    Assim, temos uma homenagem à arte de amar o cinema, ao amor por fazer o que se gosta e à dedicação. Tudo com "a little help from my friends..." ;)

  • Big Eyes

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    Big Eyes
    Tim Burton
    2014
    Filme
    7 em 10

    Ultimamente, tinha deixado de gostar muito do Tim Burton. Parecia que os filmes dele se limitavam a um grande guarda roupa e a uma constante estranheza perante as situações, todas elas passadas em universos fantásticos com características do gótico clássico. E isto era muito repetitivo. É neste contexto que aparece um novo filme, Big Eyes ("Olhos Grandes"). E desta feita, pareceu-me que Tim Burton voltou a ser ele próprio.

    Este filme conta a história real de uma pintora que viu a sua obra ser vendida pelo seu marido como se tivesse sido este o autor. É uma história simples, com um toque de comédia, cujo elemento gótico que caracteriza a obra do autor se encontra no mote para a história: os quadros. Estes quadros teriam sido um sucesso na sua época e têm em si um certo toque de bizarro. Percebe-se desde logo a razão pela qual o autor gosta deles. A forma como as personagens dentro do filme lidam com os quadros, do comércio à própria crítica de arte, é em si mesma uma espécie de homenagem à autora real, que ainda se encontra viva e a pintar por aí.

    Mas este filme distingue-se pelo cuidado dado à caracterização e desenvolvimento dos personagens e ao excelente trabalho de actor que lhes deu uma vida única e real. De um lado, temos uma mulher ingénua, com pouca experiência de vida que, ao acreditar no charme de um charlatão, se vê envolvida numa mentira que a consome, perturba e enlouquece. Isto força-a a crescer enquanto personagem, com ajuda da filha (que poderá mesmo ser considerada apenas um mecanismo narrativo, mas que tem muita importância), de forma a poder combater contra o seu nemesis. Este, o tal charmoso charlatão, possui uma dicotomia de sentimentos, em que acabamos por perceber que cai na sua mentira como forma de escape por nunca ter obtido respeito enquanto artista, se é que ele se pode considerar um artista. Nas suas cenas finais, isto toma contornos muito dinâmicos, em que o personagem é tido como louco e toma realmente atitudes que se enquadram nessa palavra. É uma relação muito interessante e o desfecho não podia ser melhor.

    Todo o filme tem uma certa aura surreal por causa da variação da paleta de cores. Todo o filme parece demasiado luminoso para o contexto, e em oposição aos quadros. Isto oferece ao visionante um ambiente de quase sonho, em que se torna difícil de distinguir o que é mentira do que é verdade, contribuindo para a nossa compreensão dos dilemas dos personagens.

    Em termos musicais, temos um tema recorrente muito interessante, mas podemos dizer que a pior parte do filme foi a intervenção de Lana delrei, ou como se escreve, que nos apresenta duas músicas desinspiradas e aborrecidas, que não se coadunam com o resto do ambiente do filme.

    Mas no geral gostei muito: há muito tempo que não encontrava um personagem que odiasse tanto logo desde o início. :)
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