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  • NOS Alive 2019

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    NOS Alive 2019
    Festival
    Já há alguns anos que não ia a um festival de música tão grande. Desta vez fui a dois dias, o primeiro (quinta-feira) e o último (sábado). Vou falar-vos um pouco da experiência.

    Para começar, o espaço do NOS Alive está um pouco diferente. Antes havia uma grande curva descendente até ao palco principal, bastante desconfortável, mas agora está tudo mais plano. Para além disso, optaram por colocar relva artificial em toda a superfície do chão, o que torna tudo um pouco mais confortável. Existe uma nova zona do tipo "bairro", com lojas, passatempos e um misterioso palco "Fado". Também fundaram um novo palco de comédia, mas já lá vamos. Os palcos também não estavam separados da melhor forma, assim como a programação: muitas vezes havia nomes relevantes a tocar ao mesmo tempo, o que tornava a escolha muito difícil. Em termos de alimentação havia poucas opções mas em quantidade suficiente para que as filas fossem de todo evitadas. Nota-se que existe agora uma preocupação com todas as opções alimentares das pessoas, havendo comidas sem glúten e vegetarianas.. Em ambos os dias comemos no Burguer Ranch, que é uma das minhas fast-foods favoritas!

    Agora, para a música.

    No primeiro dia (quinta-feira) começámos por passar pela banda de covers que estava no pórtico, precisamente a tocar músicas dos The Cure, os cabeças de cartaz desse dia. Um pouco estranho por uma banda de covers a tocar músicas de uma banda que também vai ao festival. Quando comprávamos bebidas, assistimos um pouco a Hot Chip, a quem aconteceu o terrível acidente de ficar sem som a meio do concerto. Mas voltaram à acção com alegria e terminaram em grande! Fora isso, começámos por ver Sharon Van Etten, que não achei nada de extraordinário. Na verdade, passei a maior parte do tempo desse concerto na conversa. Depois passámos pelo Palco Comédia para descansar um pouco. Mas não tinha piada absolutamente nenhuma. Nenhuma das pessoas que lá estavam, que certamente também estariam a descansar como nós, se riu uma gota.

    Passámos à frente para ver os Ornatos Violeta. Esse sim foi um concerto brutalizante. Com uma energia incansável, a banda cantou todos os clássicos essenciais. Mas talvez não precisassem sequer de cantar, pois todo o público se encontrava em união, repetindo em uníssono todas as letras das músicas. Um concerto cheio de energia em que o público e a banda estavam unidos pela causa maior de gritar a plenos pulmões que é "uma chaga para pensar que é o fim."

    Depois ficámos sentados durante um bocado a assistir a Jorja Smith nos ecrãs que estavam do lado de fora do palco. Esse concerto estava tão cheio que não nos atrevemos a entrar para o meio da multidão e preferimos ficar sentados a apreciar a música com mais calma. Depois passámos por um palco secundário onde passava Stereossauro, uma banda absolutamente ridícula que se afirma revolucionária. "Ah, é fado com electrónica." Mas os colaboradores que cantavam o fado não estavam presentes, os ritmos eram pouco inspirados e no fundo era tudo um grande aborrecimento. Por essa altura descobrimos que havia um micro-palco "Coreto" lá nos confins do festival, onde também havia uma casa de banho. Aí está uma coisa que falhou redondamente: apesar de astante grandes, só havia duas casas de banho. Não tinham uma fila muito enorme, mas estavam completamente destroçadas e sujas de fluídos humanos. Muito nojento.

    Depois do jantar, aguardámos por The Cure. Mas estávamos já tão cansados que nos deixámos ficar nas mesas de refeição, ouvindo os nossos clássicos favoritos lá ao longe. Eu já tinha visto dois concertos desta banda e sei como eles são: três horas de música sem qualquer tipo de interrupção em que todos os temas famosos (ou menos famosos) são abordados. Por isso, fiquei feliz mesmo só os tendo por música de fundo.

    Fazemos agora um intervalo para passar ao nosso segundo dia (Sábado).

    No Sábado focámo-nos sobretudo em Idles, que deram um concerto fantástico e cheio de energia. É uma nova banda com origens no punk inglês, mas que fala sobre problemas da modernidade social, como a morte por suicídio depressivo e liberdade sexual. Foi já considerado um dos melhores concertos em festivais deste ano, o que não é de admirar. 

    Reparei que estava a dar, quase ao mesmo tempo, Marina. Esta artista tem um grande número de fãs entre as pessoas que conheço, sobretudo no Brasil. Tinha curiosidade mas acabámos por não ver quase nada, apenas que os dançarinos tinham roupas muito giras.

    O nosso ex-libris desse dia seria The Chemical Brothers, mas antes disso ainda passámos para ver o Thom Yorke. Infelizmente não gosto nada da personagem, então fiquei mal disposta com a mu´sica e tive de sair.

    Finalmente, a banda que esperávamos. Foi um concerto muito intenso, com uma grande componente visual, em que podíamos dançar com os monstros estranhos que sempre aparecem nos videoclips. Não consegui nunca ver a banda, mas conseguia ouvi-los e cantar a plenos pulmões "The Eve of Destructiooon". Um concerto para se dançar sem parar!

    Nos dois dias foi um pouco difícil encontrar transporte para casa. Os ubers malcriados, os taxia sinda pior. Mas isso é outra história de uma outra aventura.

    Fiquei contente por ter ido a este festival, que me parece ter melhorado exponencialmente desde a última vez que o tinha frequentado.
  • Optimus Alive

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    Eu era para não ir ao Alive. Queria muito ir, ao dia 14, queria muito ir ver The Cure e queria um bocadinho ver a Florença e as Máquinas, mas não tinha ninguém para vir comigo. Mas depois a Sandra disse que ia! E outros amigos ganharam bilhetes num passatempo! Viva! Fui!

    Mas, ao contrário de outros Alives que estiveram cheios de aventuras, este não foi uma experiência muito agradável psicologicamente.

    O espaço é o de sempre, três palcos mas bandas a tocar à entrada. Muitos espaços com presentes e muitas actividades. E achei esse o maior defeito. Tantas actividades que parecia que as pessoas não estavam lá nem pelos concertos nem pela música. Passei três concertos na fila para uma t-shirt (mas eram concertos que não me interessavam muito. Mas também não fiquei a conhecer as bandas, que era o meu objectivo), que saiu bastante gira e estou a usar neste momento.

    Depois houve ali um momento na casa de banho que envolveu umas filas de proporções gargantuescas.  Que me pôs completamente psicótica. Completamente passada da marmita. Desculpas a todos. Ao menos não fui expulsa.

    Depois não podia beber sob o risco de ter de ir à casa de banho durante o concerto.

    E depois não vi Morcheeba.

    Mas ainda assim valeu a pena. Valeu a pena porque vi The Cure. E, sem contar com toda a existência do Gackt, The Cure é a minha banda preferida e Robert Smith era o tio que eu queria ter (porque ninguém substitui o meu pai)

    Estávamos um bocado mal localizados, por isso só podíamos ver os ecrãs. Fomos avançando ao longo do concerto, mas mal os conseguimos ver. Mas estavam lá. Via-se no ecrã. O Robert está um bocado mais envelhecido do que da última vez que o vi, mas ainda assim esteve ali a dar-lhe com a fé toda. E continua a pintar os lábios com coelhinhos de amora. <3

    Para mim foi um concerto maravilhoso. Apesar de terem tocado algumas músicas que eu não conhecia (o que me deixou em grande suspense, eu pensava que sabia a discografia toda! Terei perdido um álbum recente?) o ambiente geral foi muito bem conseguido, com um ritmo constante, fácil de gostar, fácil de dançar. Muitos solos, o Robert estava todo passado. Mas solos mesmo bonitos. Dizem que era para fazer o concerto durar mais tempo, mas eu acho que estavam lá a acreditar no que queriam fazer. Deram-lhe muito nas músicas lentas, o que deixou o público um bocado atazanado, mas eu gostei. O Robert quis tocar uma música e não o deixaram e isso reflectiu-se no resto do concerto. Como público, achei que lhe falhámos.



    As pessoas não estavam viradas para ouvir a introspecção do Robert. As pessoas queriam dançar. Mas o Robert queria uma cena calma, era a onda que tinha nesse dia. O que não é ideal para um concerto de festival, mas quando se é o líder dos The Cure pode-se estar na onda que se quer e dizer a toda a gente "ma cagar". E foi o que ele fez. Falhámos quando ele nos pediu, mas ainda assim foi um fofo e continuou lá. Durante três horas e meia. Com três encores. And that's it. Não percebi o que fazia tanta gente a ir-se embora, tanta gente a reclamar e tanta gente a mandar vir. Não gostam não viessem! Senti falta dos verdadeiros fãs, mas se calhar era porque estava muito longe do palco.

    Os arranjos eram diferentes do que estamos habituados a ouvir no album, mas tudo aquilo juntamente com as luzes, com a voz sentimental do Robert Smith e com o fabuloso talento que esta banda tem para tocar os seus instrumentos, tornou-se numa viagem lindíssima, um pouco psicadélica mas muito feliz.

    Uma bonita trip que envolveu dançar e cantar non-stop durante as horas todas (com pausa para ir embora porque ninguém estava à espera de três encores)

    Obrigada Robert, por me fazeres tão feliz. Mesmo com todas as outras coisas. Tu fazes o dia valer a pena.


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