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O Carteiro de Pablo Neruda
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O Carteiro de Pablo Neruda (Ardente Paciência)
Antonio Skármeta
1986
Romance
Já tinha ouvido falar muito deste romance e do filme a que deu origem. No entanto, depois de ter feito aquela pequena maratona sobre Neruda, este livro empalidece perante a grandeza da sua inspiração.
Neruda viveu, como se sabe, isolado no topo de uma ilha. Esta é a história do carteiro que lhe levava as cartas. Carteiro esse que não tinha mais ninguém a quem as levar. Assim se forma uma história de cândida amizade em que o carteiro tenta imitar o poeta e começa a compreender um pouco a poesia e tudo o que está dentro dela.
Infelizmente, o livro faz recurso a diversos elementos históricos que, na realidade, não aparentam ter existido. A cronologia dos eventos não corresponde à realidade e, por isso, este livro passa de romance "histórico" a invenção absoluta.
A escrita é muito simples, mas pouco convidativa de qualquer forma.
Fiquei à espera de outros livros do autor para poder tirar uma conclusão.
By : ladyxzeus
Neruda
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Neruda
Volodia Teitelboim
1991
Biografia
Para completar o meu projecto de conhecer Pablo Neruda antes de ver o filme de Pablo Neruda, uso uma chave de ouro: uma biografia escrita por um dos seus mais íntimos amigos.
Este é um livro muito bem escrito, embora estruturalmente confuso. Apesar de o autor relatar a vida de Neruda por ordem cronológica aparecem muitos elementos futuros misturados com coisas do passado e vice versa. Isto é muito bom para caracterizar Neruda enquanto pessoa, mas pode tornar a leitura um pouco confusa.
De resto, descobri uma série de coisas da vida pessoal e política do autor, algumas muito interessantes e outras muito perturbadoras. É curioso ver como um homem que escreve tão belos poemas de amor tem uma vida amorosa tão atribulada e, de certa forma, injusta para as intervenientes, desprezadas, traídas ou simplesmente substituídas por figuras mais jovens. É admirável como elas continuam a afazer parte do círculo íntimo do autor depois destes maus tratos.
O livro tem muitas citações poéticas, que me ajudam também a completar um pouco da minha percepção sobre Neruda, sobretudo porque muitas destas citações vêm seguidas de uma explicação do seu contexto.
Um livro precioso, pelo qual agradeço muito o empréstimo!
By : ladyxzeus
Neruda - Antologia Poética
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Neruda - Antologia Poética
Pablo Neruda
Anos 20 - 50
Poesia
Continuo o meu pequeno estudo sobre a obra de Neruda, por forma a poder acompanhar o Qui no visionamento de um filme.
Esta é uma antologia poética bilingue, com tradução brasileira, que contempla excertos de todas as principais obras poéticas do autor. É uma antologia boa na medida em que nos mostra um pouco de todas as fases criativas do autor, sendo que se nota uma certa evolução, tanto estilística como temática, até ao final do livro, que marca o final da sua produção literária.
Rapidamente Neruda entrou no meu coração para se tornar num totem pessoal do meu universo poético. As suas imagens são fortíssimas, originais, belas, com uma utilização certeira das palavras, comparações e analogias, revelando uma grande capacidade de trabalho, por forma a encontrar a forma perfeita de dizer coisas que, muitas vezes, são tão simples.
Todos os poemas me marcaram e inspiraram muito, mas talvez o que me tenha cativado mais tenha sido uma simples ode: Ode à Cebola. Passo a citá-lo :)
Cebola
Luminosa redoma
pétala a pétala
cresceu a tua formosura
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.
Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.
Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate.
mas ao alcance
das mãos do povo
regada com azeite
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado
papel, sais do chão
eterna, intacta, pura
como semente de um astro
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única
lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.
Eu tudo o que existe celebrei, cebola
Mas para mim és
mais formosa que uma ave
de penas radiosas
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina
baile imóvel
de nívea anémona
e vive a fragância da Terra
na tua natureza cristalina.
Luminosa redoma
pétala a pétala
cresceu a tua formosura
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.
Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.
Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate.
mas ao alcance
das mãos do povo
regada com azeite
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado
papel, sais do chão
eterna, intacta, pura
como semente de um astro
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única
lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.
Eu tudo o que existe celebrei, cebola
Mas para mim és
mais formosa que uma ave
de penas radiosas
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina
baile imóvel
de nívea anémona
e vive a fragância da Terra
na tua natureza cristalina.
By : ladyxzeus


