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  • Galaxy Express 999

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    Galaxy Express 999
    Nishizawa Nobukata - Toei Animation
    Anime - 113 Episódios
    1978
    6 em 10

    Depois de terminarmos o filme do Galaxy Express 999, o Qui disse que seria realmente uma grande aventura ver a série. Bem... Agora está vista. Foi uma grande aventura, é verdade. É um anime muito longo, com um baixo valor de produção, de finais de anos 70. E eu realmente pensei que este anime fosse muito doloroso de ver, por ser tão longo, mas a verdade é que se revelou precisamente o oposto.

    A história é a mesma do filme, mas com muito mais detalhes. Desta vez o Galaxy Express para numa série de planetas, todos diferentes, cada um com as suas características e com os seus personagens. Em cada um deles, os nossos viajantes vivem uma aventura. E todas as aventuras revelam uma profunda humanidade e uma capacidade de autocrítica do ser humano. Porque muitas vezes as pessoas destes locais não vivem como seres humanos deveriam viver, seja pelas características da sociedade em que estão inseridos ou pelas próprias características físicas do planeta. Tendo isso em conta, há sempre uma pequena história muito lógica e bem estruturada, em que há diversos intervenientes humanos ou mecanizados (normalmente um casal), que explicam um pouco as diferentes maneiras de viver e que acabam por admitir que podem ser felizes dentro do seu contexto.

    Assim, é um anime que está sempre a inovar-se e que permite aos personagens o sonho e a esperança. Nesse aspecto, tem uma moral muito bonita, para além do facto de sermos todos viajantes que um dia se irão separar. A vida, em si, é uma viagem.

    Infelizmente, a arte revela a idade deste anime. Existem muitos e constantes erros de animação, assim como em termos de detalhe e profundidade. Apesar de os universos serem bastante complexos, por vezes pecam por falta de detalhe gráfico e podem acabar por ser um pouco monótonos. Curiosamente, este é o tipo de anime cujo valor de produção não vai sendo reduzido ao longo do tempo: à medida que os anos passam (a série terminou apenas em 1981) a paleta de cores vai ficando progressivamente mais abrangente, havendo também uma maior variedade de texturas e uma redução dos erros simples.

    Musicalmente, temos uma banda sonora excelente e muito original, mas curta para tantos episódios. Apesar de os momentos serem sempre emocionantes, podem parecer um pouco repetitivos pelo facto de as músicas serem sempre as mesmas e serem utilizadas sempre no mesmo tipo de ocasião.

    No entanto, devo admitir que foi um verdadeiro prazer assistir a esta série. Ainda por cima, estou neste exacto momento a preparar um cosplay desta fonte... E, por isso, sinto-me muito motivada! Até tenho mesmo vontade de ver a segunda season! Mas acho que vou deixar para outra ocasião... :p

  • Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune

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    Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune
    Bessho Makoto -  Xebec
    Anime - Filme
    2014
    6 em 10

    Este filme é uma sequela da série de remake do original de Leiji Matsumoto. Para saberem mais sobre elas, cliquem aqui.

    A história pega exactamente no ponto em que nos deixaram após o OVA de 26 episódios. Agora, a Yamato vê-se num confronto contra uma outra raça de alienígenas, uns gigantes que desejam a sua destruição. Assim, decidem escapar-se por um buraco no espaço tempo, indo parar a um estranho planeta. Em termos narrativos a história não avança para lado algum, não nos permitindo chegar a alguma conclusão sobre o caminho da nossa nave espacial Yamato. Eles vão a um lugar e depois voltam, sem que nada de extraordinário tenha acontecido para além de mais uma aventura para os nossos personagens. É curioso, no entanto, ver um pouco mais da vida diária na Yamato e um ligeiro desenvolvimento das relações entre os personagens. Estes, não mudam nada desde que os conhecemos originalmente e não sofrem nenhuma adição na sua caracterização. Assim, este filme tem muito pouca densidade para que possamos considerá-lo como uma sequela. Trata-se mais de uma história aparte para os fãs da série.

    A animação não é menos do que excelente. Temos cenas fabulosas de batalhas espaciais, com grandes efeitos de luzes e explosões de cor, para além de paisagens astronómicas maravilhosas e inspiradoras. Esta modernização da arte de Yamato é espectacular e um gosto para os olhos, num espectáculo visual invejável.

    Não gostei do que fizeram com o tema original da série, tornou-se vulgar e aborrecido. A música, no geral, é bastante normativa e limitada.

    Assim, temos um filme com uma animação excelente mas que nada acrescenta em termos narrativos. Um bónus para apreciadores.
  • The Cockpit

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    The Cockpit
    Kawajiri Yoshiaki, Takahashi Ryosuke e Imanishi Takashi - Madhouse Studios
    Anime OVA - 3 Episódios
    1993
    7 em 10

    Este OVA, com três histórias curtas, é criação do sempre genial Leiji Matsumoto. Variando bastante dos seus temas habituais, são histórias que falam de aventuras vividas na segunda grande guerra. Fazem-no com uma profunda intensidade e, como sempre neste autor, revelando uma humanidade sofisticada e altamente coerente.

    Em todas as histórias há dois temas comum: aviões e a falha. Depois de alguns animes menos bem conseguidos que vi, estava bastante agradada por ver aviões. Era mesmo o que me fazia falta. The Cockpit entrega esse tema na perfeição, com um twist: todas as missões destes aviões falham. E isso, em si mesmo, é o que revela o horror da guerra e a forma como os personagens se livram de ser participantes neste festival macabro. Colocando os personagens em cheque, no meio de dúvidas e temores, o argumento dá-lhes a oportunidade de escolha de participarem ou não nos actos terríveis a que são propostos. A decisão que eles tomam, que talvez seja um acaso, revela a sua força interior e a sua capacidade de, citando, "não venderem a alma ao diabo". Isto é extraordinário nos dois primeiros episódios, mas perde-se um pouco no último, que tem uma narrativa mais leve e infantil e parece não se coadunar com o resto da obra.

    A arte é exemplar, com imagens aéreas surpreendentes e uma animação muito cuidada no respeitante às cenas de luta entre os aviões, com tiros e explosões à mistura que agradarão até aos maiores fãs de acção. Algumas cenas são muito belas e a conjugação entre os vários aspectos, tendo em conta o arco narrativo em que se encontram, tem um efeito por vezes comovente. Os directores não esquecem a ligação ao céu, sendo que grande parte das cenas se passam num ambiente luminoso de estrelas, um ambiente bastante original.

    Não é muito completo em termos musicais, sendo que as peças utilizadas poderiam ter sido recicladas de outros animes. A ED é bastante apropriada e, no segundo episódio, temos alguns momentos de koto, um instrumento que adoro.

    Um anime surpreendentemente belo, que não deixarei de recomendar.

  • The Galaxy Railways

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    The Galaxy Railways
    Kikuchi Yasuhito - Planet
    Anime - 26 Episódios
    2003
    6 em 10

    Esta é uma adaptação recente de mais uma das histórias do sempre infinito Leijiverso, com elevada inspiração no Galaxy Express 999.

    Neste anime seguimos as aventuras diárias do grupo de pessoas que protege a rede de Galaxy Expresses, os comboios da galáxia, de diversos problemas, de piratas a quedas aparatosas em planetas desconhecidos. Infelizmente, ao contrário de outros animes do mesmo grupo, este encontra-se americanizado de tal forma que os conceitos sugeridos por Leiji Matsumoto não são tocados, nem ao de leve. Assim, este anime de grande potencial está reduzido a episódios com pouco interesse filosófico, apenas aventuras normais, como já vimos tantas vezes.

    Apesar das histórias dos episódios serem pouco originais, os personagens encontram-se bastante bem desenvolvidos, sendo que todos eles têm pelo menos um episódio que lhes é dedicado. Com recurso não só a flashbacks como também a símbolos diversos, é criada uma empatia com os personagens bastante única. Infelizmente, o seu destino não é o melhor, quando a narrativa decide entrar pelo caminho bélico, como num vulgar shounen de batalha.

    Infelizmente só encontrei este anime numa versão com pouca qualidade, pelo que não pude - certamente a- apreciar a arte devidamente. Ainda assim, pareceu-me que não havia grande detalhe nas ilustrações do espaço, que é sempre a parte que me capta mais interesse em animes que são lá passados. A animação dos comboios faz um uso bastante evidente de CGI, que por vezes calha como uma pedra no sapato.

    A música está bastante boa, recordando os bons tempos dos anos 70, com uma tonalidade altamente épica e muito sonora. Existem momentos que, motivados por ela, se tornam bastante emotivos.

    É um anime bastante mediano, com alguns elementos fortes, mas que ainda assim não recomendo dentro do contexto de Leijiverso.
  • Galaxy Express 999

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    Galaxy Express 999
    Rintaro - Toei Animation
    Anime - Filme
    1979
     7 em 10

    Para a nossa celebração de ano novo, dirigi-me na companhia do Qui para o chamado "isolamento total". Inclui uma lareira, o isolamento total, mas não inclui internet. Os comentários que se seguem serão aos objectos vistos durante esse período de tempo, uma espécie de limbo entre 2014 e 2015. Este foi o primeiro filme visionado neste período, ainda no ano passado.

    Inserido no infinito universo de Matsumoto Leiji, Galaxy Express 999 conta a mesma história de uma perspectiva um pouco diferente. Um rapazinho, depois de ver a sua mãe assassinada às mãos do terrível Count Mecha, procura entrar no Galaxy Express, um comboio que dá a volta ao espaço. Isto com o objectivo de ir até à galáxia de Andrómeda, onde obterá um corpo robótico que lhe permitirá encetar a sua vingança pela morte da mãe. Para entrar no comboio, forma amizade com uma estranha mulher, Maetel.

    O filme é altamente contemplativo, debatendo assuntos como o valor da vida humana em contraponto com a evolução de tecnologia. Ainda seremos humanos depois de termos sido transformados? E será que merecebmos voltar aos nossos corpos? Numa viagem por vários planetas em que vemos todo o tipo de atrocidades e encontramos uma variedade de pessoas, chegamos a algumas conclusões.

    Para esta viagem, temos de ter como acompanhantes uma série de personagens com as quais crescemos verdadeiramente. É conveniente, antes de ver este filme, ver a série do Captain Harlock, pois este a Queen Esmeraldas são personagens importantes. Mas os personagens mais interessantes são sem dúvida os principais. Maetel, sobretudo, impressionou-me pelo conceito que está por trás da sua criação que é muito emocionante. éuma personagem maravilhosa, com a qual me identifico muito, pelo que a vou acrescentar ao meu Cosplay Portfolio.

    Em termos de arte, não podemos dizer que tenha sido um filme a sofrer muito com o tempo. Porque a realidade é que a arte aquarelável da época, com toda uma qualidade e detalhe nos fundos e uma série de cenas de acção de elevado orçamento, é o tipo de coisa que calha sempre bem. Existem alguns momentois de repetição de frames, mas que são tão poucos que escaparão a um olhar menos clínico e não impedem a apreciação do filme.

    A banda sonora é um ponto a salientar, pois é muito variada, quer em peças instrumentais quer em baladas agradáveis que nos trazem realmente esperança neste comboio do espaço.

    No geral, um filme muito bem concebido que me deixou muito curiosa para ver a série. Todos os conceitos são altamente originais, ainda hoje, e a força das personagens torna toda a viagem muito desejável: se pudesse não viver para sempre,l certamente que iria viajar neste comboio...
  • Space Battleship Yamato 2199

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    Space Battleship Yamato 2199
    Izubushi Yutaka - Xebec
    Anime OVA - 26 Episódios
    2012
    7 em 10

    Saberão certamente que eu, pessoalmente, não gosto muito de comparar animes com outros animes. Ou com o que quer que seja. No entanto, hoje será necessário. Pois isto trata-se de um remake da série de 1974, por Leiji Matsumoto, Space Battleship Yamato. Poderão ler a minha opinião sobre ela aqui.

    Quase trinta anos depois, a forma de celebrar uma das grandes Space Operas da história do anime talvez seja, realmente, fazer um OVA em que voltamos a tratar da história, mas com algumas melhorias que apenas seriam possíveis com a evolução da indústria e das técnicas. As minhas impressões primárias foram "está tão diferente!", seguidas de "afinal está muito parecido...", finalizando com "é completamente diferente". Isto é bom é certa medida, mas noutros aspectos o anime original é bastante superior.

    Para começar, temos uma melhoria flagrante no que respeita à arte. Desta feita temos uma grande dedicação aos cenários espaciais, que são extremamente bonitos, e na concepção de cidades alienígenas, aspecto que não tinha sido tocado no original. Muitas cenas são puramente digitais, com um uso de CG exacerbado, sobretudo na estrutura da nave espacial Yamato. Se isto joga bem com o aspecto geral do anime, muito moderno, brilhante e limpo, não posso deixar de recordar com carinho a granulosidade do anime original, que tinha aquele groove dos 70s que torna tudo sempre mais engraçado.

    Quanto à história, ao início é bastante semelhante: a Terra está prestes a ser destruída e a única forma de a salvar é conduzir Yamato até ao planeta Iscandar e obter a peça essencial para evitar o apocalipse. Durante a primeira metade do anime, a série seguiu em linhas gerais a mesma estrutura narrativa do original, com algumas variações importantes, sobretudo no respeitante aos personagens. Falaremos disso mais tarde. A partir da segunda metade, há já algumas variações que me desagradaram bastante. Para começar, o inimigo Gamiliano (as pessoas azuis) é apresentado como uma força muito mais poderosa do que no original. E para além disso perdeu-se completamente o facto de os Gamilianos, apesar de diferentes no aspecto, serem portadores de uma grande humanidade. Na verdade, são apresentados como uma força antagonista puramente maligna, sendo que o anime mostra muitas vezes provas de que são um povo conquistador e injusto, em que há facções motivadas para a revolta. No original, a guerra Gamiliana contra a Terra era muito mais simples e pura: queriam simplesmente salvar o seu planeta. Não tinham intenção de conquistar pelo puro prazer de aumentar o seu território e, no fundo, eram pessoas tão boas como nós. Também no final da história há uma variação na parte mais comovente da narrativa, que trata da chegada a Iscandar e das revelações feitas ao personagem principal.

    Falando dos personagens, há uma diferença muito evidente, bastante positiva. É um sinal dos tempos, na verdade. Nesta versão da história, há muito mais mulheres. Na verdade, o elemento positivo é essencial, desenvolvendo-se histórias amorosas paralelas à narrativa principal. Isto é de certa forma importante para trazer um realismo próprio à situação. Se nos 70s seria normal que um grupo de homens fosse para o espaço apenas acompanhado por uma enfermeira, nos 10s é evidente que a equipa é constituída em partes iguais de homens e mulheres. Existem variações ligeiras em quase todos os personagens, mas as mais evidentes são naqueles que anteriormente eram o alívio cómico e que hoje em dia são tão considerados como os outros: o médico e o robot. Não só os seus designs estão mais realistas como a ambos é dada uma função importante no seio de Yamato, que não tinham anteriormente. Tive pena de, desta vez, o gato não ter ido a Iscandar. Com todas estas diferenças, mais ou menos importantes, é natural que o decurso da história se tenha tornado um pouco diferente. Agora temos grandes paixões e o arquétipo da equipa shounen está diluído. Isto torna todo o anime um pouco mais directo para o espectador, mas retira grande parte do charme que existia no original. Também os antagonistas, que não tinham muito tempo de antena, sofrem algum desenvolvimento, o que é uma coisa boa. Mas considerando que este se baseia bastante numa história amorosa, acaba por cair dentro da normalidade (que era uma coisa que o Yamato original não tinha: normalidade)

    Musicalmente, há um piscar de olho muito simpático à banda sonora original, sendo que são utilizadas novas versões, remasterizadas, das músicas que já todos conhecíamos. Para além disso, há uma grande variedade nos temas utilizados, sendo que todos e cada um representam algo bem bonito. Em termos de efeitos sonoros, estão bem utilizados de forma geral, trazendo um bom grau de emoção às situações.

    Vi este anime agora porque apareceu no meu clube habitual para discutir. No entanto, acho injusto que tenha sido este o escolhido, ao invés do original. Esta é uma boa série, uma boa homenagem, e está muito apropriado à sua época, trazendo modernidade a um franchise que sofreu bastante com a evolução da inústria e rapidamente se tornou obsoleto. No entanto, no aspecto emocional e humano a série original é bastante superior. Por isso, irei recomendá-la primeiro. Depois, se tiverem interesse, vejam esta versão.
  • Space Battleship Yamato

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    Space Battleship Yamato
    Leiji Matsumoto - Academy Productions
    Anime - 26 Episódios
    1974
    7 em 10

    Estávamos nós a revolucionar-nos e estava o Leiji a revolucionar todo um género de anime e uma indústria inteira. Não tem comparação, nós tínhamos cravos e ele tinha aventuras no espaço. Yamato é uma delas.

    Num futuro que não é assim tão distante (mais cem anos e estamos lá), o Planeta Terra foi atacado pelo Planeta Gamilon e pelos seus habitantes (Gamilianos). Tal foi o poder do ataque que a radioactividade destruiu a superfície do planeta e a humanidade está condenada a viver debaixo do chão. O problema grave é que a radioactividade é de tal forma potente que está a penetrar a terra e vai chegar às pessoas dentro de, exactamente, trezentos e sessenta e cinco dias. Então aparece a salvação! Uma mulher chega morta de Iscandar com o recado de que se eles lá forem os Iscandarianos têm a solução! Infelizmente, Iscandar fica a 148.000 anos luz de distância. Mas eis que aparece... YAMATO! Inspirada no navio Yamato da segunda guerra mundial, é uma nave super-potente que os vai levar a Iscandar em tempo record! Ou será que não?

    Pessoalmente, eu não sou uma profunda apreciadora de ficção científica, mas esta série fascinou-me. Vi só a primeira season, ainda há mais duas, e vou ficar por aqui mas só por agora. É para continuar e depois ver o remake. Ou se calhar nem ver o remake: isto já é assim de bom!

    Normalmente séries dos anos setenta têm um defeito enorme: a arte envelhecida. Para minha grande surpresa, não é o caso de Yamato. Existem elementos característicos da era: os designs e a paleta de cores. Os designs são Leijianos até à medula, coisa com a qual não me importo nada. Marcou verdadeiramente uma geração e acho que são excelentes e muito expressivos. Gosto sobretudo das mulheres, que têm todas um ar diáfano e uma aura feminina muito delicada, mesmo quando são mulheres de força. O contraste é charmoso. As cores são limitadas e as sombras são sólidas e evidentes, de uma maneira que já não se usa. Isto costuma ser pouco atractivo, mas a qualidade imposta na arte deste anime transforma tudo isto em algo muito interessante, quer em termos visuais quer em termos históricos.

    A história tem algumas falhas, tal como inconsistências hilariantes na concepção da tecnologia. Está certo que todas as coisas têm de estar adaptadas à sua época. Mas não deixa de ser engraçado que as fardas tenham boca de sino, que tirem fotografias com uma polaroid ou que falem ao telefone entre naves espaciais. Em termos da narrativa em si só houve uma coisa que não compreendi e que creio que deveria ter sido explicada: porque é que os Gamilianos querem destruir a terra? Talvez venha a ser explicado numa outra season. Eles afirmam que é para que o planeta deles fique a salvo, mas o planeta deles é tão longe, qual é a relação de uma coisa com a outra? E uma outra coisa que me transcende, mas esta é uma dúvida que não tem nada a ver com Yamato. Coloco-a à mesma: os Gamilianos são azuis; as pessoas de Interstella são azuis; logo as pessoas de Interstella são Gamilianos; logo Gamilon encontrou a paz em 30 anos? Esta questão está-me a matar a cabeça!

    Mas enfim, futuro à parte, falemos dos personagens: são eles que trazem mais intensidade à história e as grandes questões filosóficas e emocionais deste mundo (gostei especialmente de quando capturaram o Gamiliano e se questionaram "mas ele é um ser humano!") O trio de personagens principais é o arquétipo shounen antes de o arquétipo shounen existir. Eles definem o arquétipo: pessoas corajosas, amigas do seu amigo, passado trágico, dedicação, bondade, dúvidas em relação aos seus objectivos e às suas capacidades. São eles que colocam as dúvidas ao público e é com eles que nos questionamos sobre o que realmente se passa nesta guerra, sobre o certo e sobre o errado. Outro personagem com uma presença muito forte é o capitão do navio, que por vezes tem atitudes incompreensíveis para o resto da equipa mas que demonstra notável coragem. E finalmente, não podíamos deixar de ter algum alívio cómico, um par de um veterinário bêbado (que também é médico de pessoas) e de um robot. Na maioria das vezes irritavam-me, mas eles próprios também eram capazes de perguntar sobre emoções e de as fazer aparecer em quem vê. 

    Finalmente, a música. Não podia se melhor. É a parte que gosto mais nos anos setenta: estas músicas épicas, heróicas, preparadas para serem verdadeiros hinos de guerra. Aparentemente, a OP deste anime tornou-se no hino não oficial da Yamato original (o tal navio da segunda guerra). Em termos parenquimatosos, temos uma banda sonora variada e característica, com uma música para cada tipo de momento e vários efeitos sonoros que adicionam à expressão das situações.

    Foi um anime que gostei muito e que recomendo. Não lhe dou uma nota mais alta porque apesar de tudo a progressão é um pouco lenta e por vezes errónea (como demorarem um episódio a mostrar as salas da nave em vez de as mostrarem ao longo da série. O que também é típico da época, mas que mudou por alguma razão). Mas recomendo bastante, vão ver. Vale a pena e é muito divertido!
  • Interstella 5555

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    Interstella 5555 - The 5story of the 5ecret 5tar 5ystem
    Leiji Matsumoto e Daft Punk - Toei Animation
    Anime - Filme (Music Video)
    2003
    8 em 10

    Original no sítio habitual, hoje não há quotes para ninguém.

    Interstella é só um music video. Muito simples e directo ao assunto. Podemos debater se a música é boa ou não, de acordo com os nossos próprios gostos, mas podemos - com certeza - considerar que é perfeito em termos de construção e execução. A forma como o álbum está organizado é também debatível e suponho que se tenha de gostar de Daft Punk para o apreciar completamente. Mas o que interessa neste music video não é se a música é muito boa ou não, ou se gostamos dela ou não. O que interessa é como funciona com a história de Leiji.

    A história é extremamente simples. É uma história sobre música. Sobre tocar música de muitas maneiras diferentes, sobre gostar de música e sobre salvar música. Uma história de amor no meio, não interessa. O principal evento aqui é a música! Isto é uma celebração da música! Todos os detalhes o tornam evidente. Como o tipo mau escolhe músicos do espaço para terem sucesso na terra. Como toda a gente se está a divertir enquanto eles tocam no seu próprio planeta. Como o tipo idolatra a miúda do baixo por causa da sua música. Como toda a gente na Terra ainda os adora depois de descobrir que são azuis (e do espaço!) Como, no final, isto é só uma brincadeira de criança que estava a ouvir o álbum Discovery. :p Este music video é só sobre amar a música e sobre como a música nos conecta de tantas maneiras diferentes.

    Enquanto que o design dos personagens é Leijiano, a simplicidade torna-o encantador. Os aliens são azuis, os humanos não são, quanto ao resto somos iguais. Simples e eficiente. A animação é muito cuidada e gostaria de reparar como as cenas de acção são mais focadas em dançar do que em lutar. Quando adoras música não lutas, danças!

    É o tipo de anime que faz uma pessoa feliz depois de o ver, simplesmente porque é tão simples e directo. Porque é que eu não haveria de recomendar um anime que me faz feliz? De facto, porque é que eu não haveria de recomendar um anime que pode fazer toda a gente feliz? Este anime é universal. Não precisas de saber Inglês, Japonês ou Português para o entender. Não precisas de ser um crítico ou ou conoisseur para o entender. Podes ser adulto, podes ser criança, podes ser homem, mulher ou algo intermédio. A música não conhece fronteiras.

    Música é para toda a gente. Interstella também.




    Só pelo engraçado, aqui fica o filme resumido em três minutos. Foi um skit do concurso de cosplay do Expomanga Madrid a que fui com a Hota-chan. :)
     

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