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Quinx ou A História do Estripador
Quinx ou A História do Estripador
Lawrence Durrell
1985
Romance
E que melhor maneira de começar o ano, com o último volume do Quinteto de Avignon! Neste volume tudo se conclui: quem é o verdadeiro escritor, qual o destino de Constance, qual a solução para o mistério dos templários.
Mas cada um destes problemas é reduzido a uma forma de ironia tão simplisticamente bela que as consequências da sua existência acabam por desaparecer: afinal, o Quinteto de Avignon foi apenas mais uma história, uma história inventada (ou será que real?), pela qual passámos muitos momentos mas que, em conclusão, é apenas uma grande festa do ócio.
Esta fantasia coloca em causa tudo o que aprendemos nos outros livros, e coloca em causa tudo o que conhecemos das personagens. Mas a vida é mesmo assim: nem tudo o que parece é. E nem tudo o que se espera acontece.
Uma série maravilhosa, que me ficará para sempre na memória.
Sebastian ou Paixões Dominantes
Sebastian ou Paixões Dominantes
Lawrence Durrell
1983
Romance
Qual o significado da paixão? Qual o significado do amor? E da sexualidade? Através da sua personagem Constance, Durrell leva-nos em exploração destes conceitos no seu quarto livro do Quinteto de Avignon.
A qualidade da escrita mantém-se, desta vez sem a carga erótica associada que marcava o livro anterior. Constance é mais que uma amante: desta vez é também médica e vai tratar o filho autista de Sebastian Affad, que dorme com ela e que a quer engravidar como prova do seu amor total mas, também, da sua indiferença total.
A mistura entre o amor e a indiferença marca todo o tom do livro. Também voltamos aos significados do gnosticismo que haviam sido explorados em Monsieur, e em como todas essas coisas plenas de significado não podem resistir à força do acaso e à paixão da loucura.
Mais um livro exemplar. Ansiosa pelo último da saga!
Constance ou Práticas Solitárias
Lawrence Durrell
1982
Romance
Passamos ao terceiro livro do Quinteto de Avignon. Aqui falamos mais sobre a personagem de Constance, tendo como ponto de partida os dois escritores, que são um e o mesmo e parte um do outro. Neste volume os personagens entram num ponto de não retorno: a guerra. E, devo dizer, aqui está a forma mais original de falar da guerra que alguma vez encontrei.
A guerra está presente e afecta todos os personagens de uma ou de outra maneira, mas aparece como um cenário de fundo. Isto é, os personagens não são integrantes dos horrores da guerra e estão a viver as suas vidas normais, ajustadas a esta nova realidade. Isto faz com que o fim da guerra pareça mais horrendo que a própria guerra, o que é impressionante e muito diferente do habitual.
A escrita mantém-se erudita, mas com uma simplicidade narrativa que nos permite entrar no âmago de cada uma destas pessoas e conhecê-las, assim como aos seus anseios e vontades. É, verdadeiramente, uma escrita de mestre.
Lívia ou O Enterrado Vivo
Lívia ou O Enterrado Vivo
Lawrence Durrell
1978
Romance
No segundo volume do Quinteto de Avignon começamos por tentar estabelecer qual é o autor que é real. Conseguimos? Logo verão. A verdade é que este livro explora um conjunto diferente de pessoas, que encontram imagens do primeiro volume na sua vida. É um livro sobre paixões, sobre estar "enterrado vivo" debaixo de um amor profundo e não correspondido.
Neste volume o autor faz uma curiosa, embora muito desactualizada, análise sobre a sexualidade feminina, com inspiração freudiana. Diverte-se tanto com isso que nos apresenta uma personagem hilária de uma lésbica nazi, que é fonte dos principais problemas do personagem principal deste volume.
Também é um volume muito mais rico em descrições sexuais, na apresentação de personagens viciadas neste tipo de "patuscada" e nas consequências, quase sempre engraçadas, que estas têm.
Continua a ter passagens de uma beleza estonteante e a revelar uma erudição que eu gostaria de ter. Adorando.
Monsieur ou O Príncipe das Trevas
Monsieur ou O Príncipe das Trevas
Lawrence Durrell
1975
Romance
O meu pai ofereceu-me "O Quinteto de Avignon" por que era uma colecção especial para ele. E para mim também se está a tornar. :)
Neste primeiro volume, Lawrence Durrell apresenta-nos a história de um grupo de amigos, partindo do funeral de um deles que se tinha convertido ao gnosticismo e, por isso, se tinha afastado um pouco dos trâmites normais. Falamos sobre templários, falamos sobre viagens ao Egipto. Mas sobretudo falamos de Avignon, um castelo perdido nas colinas onde estes amigos passam os melhores tempos da sua juventude. Depois, tudo tem uma história dentro de uma história e fica a questão: quem é o verdadeiro autor?
Mas não é exactamente a narrativa que me fascina neste livro. É a escrita. Durrell é um erudito, uma máquina de pensar. A forma como ele nos leva a cada local, descrevendo-o com a ponta dos dedos, faz com que nos sintamos exactamente no ponto em que ele deseja e possamos observar, através dos olhos das personagens, paisagens de extrema beleza e, também, as próprias acções. Com elas podemos compreender um pouco melhor esta perspectiva da natureza humana.
Um livro excelente.




