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  • Uma Questão Pessoal

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    Uma Questão Pessoal
    Kenzaburo Oe
    1964
    Romance


    As minhas colegas acharam uns livros no lixo e decidi ficar com este, que é um prémio Nobel e tudo.

    Fala sobre um homem chamado Bird, que tem um filho com uma hérnia cerebral e agora irá passar uns tempos a fornicar com uma amiga da faculdade, à espera que os médicos deixem a criança morrer à fome. É um livro que nos faz questionar sobre os cuidados de saúde primários na pediatria no Japão, e que tem sequência absolutamente horrendas, da descrição do sexo anal que Bird tem com a sua amiga, até à descrição pavorosa do dito cujo bebé de duas cabeças, que é tão perturbadora que até tive sonhos com isso.

    A conclusão é a mais "boazinha", mas não sei se será a mais "justa".

    É um livro perturbador e chocante, que me custou bastante a ler.

  • Dias Tranquilos

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    Dias Tranquilos
    Kenzaburo Oe
    1990
    Romance

    E o último livro que trouxe da LFL da Quinta das Conchas. Na verdade, o único que queria realmente ler, hahaha ;)

    Este nobel da literatura tem um tema recorrente nos seus livros, que é a sua experiência autobiográfica na relação com a família e o filho deficiente mental. Neste livro ele coloca a narração na boca da sua filha do meio, Ma-chan, numa fase em que o autor (e personagem) e esposa se afastam para os Estados Unidos para reparar a criatividade do senhor, deixando os filhos entregues a si próprios.

    É relato, efectivamente, de dias tranquilos. O autor mostra-nos um pouco da vida diária dos três irmãos, com todas as complicações que vão acontecendo e também todas as coisas boas. é um verdadeiro fatia-de-vida, pois muitas partes do livro são apenas conversas sobre temas pouco específicos ou mesmo a descrição de filmes ou livros que afectaram as personagens.

    No entanto, reparo que neste livro há um certo debate do autor com os temas religiosos, nomeadamente com os dos católicos, sendo que existem muitas discussões sobre estes assuntos entre os intervenientes do livro.

    Uma leitura agradável, mas que não é de todo simples.

  • As Regras do Tagame

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    As Regras do Tagame
    Kenzaburo Oe
    2000
    Romance

    Esperava eu o bicharin quando me vejo sem livro para ler. Inesperadamente, havia terminado o grande volume em que estava a batalhar! Assim, dado que a sua chegada estava apontada para daí a um quarto de hora, decidi comprar um livro. Gosto sempre de ir a livrarias comprar livros. Peguei em muitos, voltei a pô-los no sítio e cheguei à zona das promoções. Aí, vi este: um autor japonês, prémio nobel ainda por cima! Será mesmo este!

    Mas creio que não foi o livro ideal para começar a conhecer este autor. 

    De natureza quase auto-biográfica, dá-nos a conhecer os sentimentos do autor sobre a morte do seu cunhado, um famoso realizador de cinema. Existe um paralelismo evidente entre os personagens do livro e os personagens da vida do autor, assim como elementos da sua própria vida, com mais ou menos verdade por trás de cada evento. Por exemplo, os ataques físicos da direita em relação ao autor dentro da história: o autor fora da história terá sido vítima das críticas dessa faixa política, mas creio que os ataques físicos serviriam como uma metáfora para a violência que lhe foi feita.

    A história é muito densa e trata da relação do personagem - autor consagrado - com o seu cunhado - realizador consagrado - que se suicida sem motivo aparente. O cunhado deixou um conjunto de cassetes audio para serem ouvidas no "tagame" (nome dado ao leitor de cassetes pelo personagem principal, devido à sua semelhança com um escaravelho). Assim, ficamos a conhecer várias vertentes destes personagens, nomeadamente o seu passado e um evento específico, muito traumático para eles, que veio a marcar todas as atitudes em relação à arte e à política dos seus eus futuros.

    Apesar da complexidade do livro, que se compõe de uma miríade de camadas sobrepostas, é uma história muito delicada e emocionante, que me tocou profundamente e me deixou extremamente triste. Apesar de não ter nada de triste, ser apenas um relato sobre a vida, está escrito com tal sensibilidade que mexe com as emoções do leitor e arrepia. É uma narrativa plácida, de cor verde, que prossegue com toda a calma até uma conclusão bastante estranha mas que, ainda assim, não deixa de nos dar esperança.

    Fiquei curiosa em relação ao autor e hei-de experimentar lê-lo mais vezes.
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