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  • De Profundis, Valsa Lenta

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    De Profundis, Valsa Lenta
    José Cardoso Pires
    1997
    Memórias


    Um pequeníssimo livro muito curioso, que narra a experiência de ter um acidente vascular cerebral.

    O autor narra os seus primeiros sintomas de AVC, a sua estadia no hospital e a sua lenta, mas certa, recuperação. Ele mostra como se sentiu confuso, incapaz de funcionar enquanto ser pensante e regular, incapaz de escrever, incapaz de pensar logicamente e com ordem, mas como - com tratamentos e terapia e apoio da família - regressou à normalidade.

    Este livro retrata uma experiência difícil, mas com um humor muito próprio, e acaba por ser uma leitura bastante leve, apesar do tema terrível.

  • O Hóspede de Job

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    O Hóspede de Job
    José Cardoso Pires
    1963
    Romance


    Agora que olho para a capa do Goodreads, eu acho que já tinha lido este livro, mas não devo ter percebido nada na altura. Neste momento já percebi melhor, o que significa que me tornei mais esperta com o tempo, viva!

    Este romance fala dos exercícios militares no Alentejo profundo, precisamente quando a soldadesca se está a preparar para mais da guerra colonial, e das consequências que esta "invasão militar" tem na vida das pessoas que vivem na zona.

    A escrita é muito directa e por isso este livro é muito fácil de ler, apesar de o tema ser um pouco difícil, e de acontecerem uma série de tragédias enroladas umas nas outras que tornam a condição humana destes personagens em algo muito complicado.

    Ainda assim gostei, mas acho que não me vai ficar na memória.

  • Alexandra Alpha

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    Alexandra Alpha
    José Cardoso Pires
    1987
    Romance

    Um estranho romance, do mesmo autor da famosa "Balada da Praia dos Cães" (que me traz algumas memórias interessantes, que ficarão para outro dia, haha).

    Alexandra é uma mulher que trabalha numa empresa chamada Alpha Linn. O autor finge que estas pessoas são reais (conseguindo convencer-nos durante grande parte do livro) e que a sua história vem de uma recolha de "papéis" encontrados na tal empresa, todos eles com uma tonalidade diarista. Assim, pela perspectiva de Alexandra, o autor apresenta-nos um conjunto de figuras inusitadas do eixo Linha de Cascais dos anos 70 em Portugal. Dos anos 70 antes da revolução, claro.

    Estas personagens enfrentam problemas complicadíssimos, a maior parte deles relacionados com sexo matinal e abortos. E, pela sua voz um pouco queque, ficamos a saber mais ou menos como vivia uma pseudo-elite intelectual e empresarial, frequentadora de bares e de actividades lúdicas que envolvem bebidas destiladas. Penso que o livro se propôs a caracterizar uma época, mas dado o facto de as pessoas escolhidas para a representar serem, de todo, de um estrato social minoritário faz com que isso se perca completamente.

    Finalmente, existe a secção inevitável e nunca ultrapassável quando se fala do que quer que seja da história portuguesa. Viva a revolução. E não é que o actor se despega da Alexandra Alpha e narra os acontecimentos da sua própria perspectiva? Poderia ser um elemento necessário num livro deste tipo, mas acaba por ser completamente irrelevante devido ao facto de ter sido completamente incosequente para todas as personagens.

    Podia ter corrido tudo muito bem, mas enfim...

  • O Hóspede de Job

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    O Hóspede de Job
    José Cardoso Pires
    1963
    Romance

    Quando vi este livro preparado para viajar, pensei que não o queria. Pensando duas vezes, e vendo que ninguém se candidatava a lê-lo, achei que era melhor ler algo deste autor, do qual já tinha ouvido falar. E na realidade tanto ouvi falar que já tinha lido dele "A Balada da Praia dos Cães" (até tem uma história gira que me aconteceu com ele, se quiserem ouvir)

    Este livro não conta exactamente uma história. É mais um retrato de uma situação. Uma situação cruel, de um calor insuportável, relacionada com soldados e com a pobreza. Pois bem, eu não me relaciono muito bem com isto, pois nasci numa outra época em que - havendo crise económica - não tenho a guerra ao pé de mim (e ainda bem). O livro faz um retrato excelente, muito doloroso mas muito preciso, mas confesso que não identifico a situação. Nem consigo identificar a era em que este livro é passado, se bem que suponho que seja algures entre os anos 40 e 60.

    O autor faz uso de muitas palavras especificamente portuguesas, palavras intraduzíveis e típicas da região em que o livro toma forma. Assim, é uma leitura um pouco densa ao início, pois há palavras que eu já tinha lido mas que nunca ouvi ninguém a dizer. Problema meu, que sou uma pessoa de medula urbana.

    De uma forma ou de outra, considero um livro excelente e em tudo superior ao que me recordo da "Balada da Praia dos Cães" (que também é um livro muito diferente) Não irei activamente procurar mais deste autor para ler, mas se voltar a aparecer irei dar-lhe outra olhadela, pois é um escritor valoroso.
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