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  • A Idade do Ferro

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    A Idade do Ferro
    J.M. Coetzee
    1990
    Romance

    Com uma impressionante capacidade literária, Coetzee volta a surpreender-me com um livro tão violento como altamente viciante.

    Uma senhora idosa na África do Sul acolhe sob sua protecção um sem-abrigo. Juntos, irão assistir a uma série de injustiças cometidas contra os seus amigos, companheiros e empregados negros, que estão a viver momentos de puro terror nos seus bairros isolados e cercados por uma autoridade corrupta e falível.

    Este livro não é apenas uma análise social da época vivida na África do Sul. É também um excelente estudo de personagem, em que o autor penetra nos segredos mais profundos destas pessoas e lhes dá uma voz tanto emocional como altamente lúcida e coerente.

    As imagens de terror que pontuam o livro atingem-nos com todo o detalhe, mas o facto de a narrativa ser a visão pessoal de uma personagem que está tão perdida como as vítimas torna-as ainda mais violentas. Afinal, esta velhinha encontra-se no meio de um problema que ela não pode controlar e vê-se desrespeitada por todos aqueles em quem confiava, acabando por transferir o seu voto de amizade ao sem-abrigo desconhecido que se protege no seu jardim.

    Um livro excelente que me ficará na memória.

  • Desgraça

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    Desgraça
    J.M. Coetzee
    1999
    Romance


    Já há muito tempo que não participava num Ring do BookCrossing! :) Este livro foi o regresso à TBR de papel, que há muito estava relegada para leituras Kobísticas. Nunca tinha lido nada deste autor e devo dizer que tinha muita curiosidade.

    Este livro fala da vida normal de uma pessoa um pouco anormal. Este professor universitário de 50 anos tem um problema com as mulheres, sendo que o satisfaz regularmente com uma acompanhante discreta. Quando a descobre fora do hotel em que partilham uma noite por semana, começa a persegui-la, sabe-se lá porque razão, e ela afasta-se. Assim, passa à próxima vítima: uma das suas estudantes universitárias. Mas esta relação vai correr muito mal e relegá-lo para um plano inferior da existência, com a sua expulsão dos quadros da faculdade.

    Ora, quando isto acontece ele decide visitar a sua filha, que vive isolada no campo, cultivando flores, numa reminiscência hippie de ligação à terra. Mas a sua desgraça não terminará aqui...

    O livro está escrito de uma forma altamente viciante, pleno de referências muito específicas que são sempre demonstradas de forma extremamente simples. A força principal da narrativa encontra-se nas personagens que nela estão encerradas, nomeadamente este professor. A sua caracterização é perfeita, sendo que se denota uma evolução fremente em cada página: passa de um conquistador a uma pessoa resignada com o seu destino infeliz, tratando de assuntos infelizes (a morte de animais necessitados) e aceitando que não pode compreender mais o universo que o rodeia, nomeadamente a sua filha e os seus vizinhos.

    Se há alguma falha neste livro, talvez seja precisamente a caracterização destes. Por vermos tudo da perspectiva do personagem principal, algumas atitudes e acções parecem bastante destituídas de lógica ou contexto, sendo que é difícil de compreender as motivações de todo este grupo de pessoas, desde a estudante até ao vizinho e, sobretudo, da filha.

    O livro é também um óptimo retrato da moderna África do Sul, um país que para muitos de nós é totalmente desconhecido. Ainda assim, seria interessante ter um pouco mais de detalhe sobre os hábitos culturais e a diferença apartheid que está sempre presente.

    Fiquei com vontade de ler mais livros deste autor. :)
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