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  • A História Interminável

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    A História Interminável
    Michael Ende
    1979
    Fantasia


    Uma pessoa que conheci adorava este livro, então quando vi a versão portuguesa na Feira do Livro de Lisboa não resisti em trazê-la

    Para quem conhece o filme, e o trauma que o filme trouxe, devo dizer que a narrativa deste é apenas um terço do livro. O resto são tudo coisas que desconhecemos, cada uma mais maravilhosa que a outra. No mundo de Fantasia, a falta de imaginação está a destruir tudo, e cabe a Bastian - um rapazinho que acidentalmente se vê com este livro nas mãos - salvar a situação. A parte que conhecemos, a incial, é a parte de Bastian dar o nome à Imperatriz Criança.

    Mas o resto é igualmente maravilhoso e encantador, com descrições fabulosas de criaturas e espaços, e um crescimento da personagem que passa pelo seu próprio esquecimento da realidade, para depois a obter com o arrependimento e, assim, voltar ao seu mundo para continuar a criar histórias, para continuar a imaginar, e que - assim - Fantasia continue a existir para sempre.


  • A Wolf for a Spell

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    A Wolf for a Spell
    Karah Sutten
    2020
    Fantasia


    Um livro encantador com uma história maravilhosa, que me prendeu do início ao fim.

    Zima é uma loba que se vê enfeitiçada pela bruxa Baba Yaga e descobre que o Czar está prestes a destruir a sua floresta. Irá fazer tudo para o impedir, e a magia acontece. Com uma narrativa simples, e ricamente ilustrado, este livro é ideal para crianças, mas enquanto adulta adorei ler esta história de encantar.

    O que mais gostei foi, sem dúvida, a forma como a autora caracteriza a família de lobos, sem dominâncias e submissões mas tal como eles são na vida real: uma família.

    Foi um livro fascinante, que recomendo vivamente.

  • Starfish

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    Starfish
    Lisa Fipps
    2021
    Infanto-Juvenil


    Li este livro para o novo clube de leitura do CnC, e este foi escolhido por mim. Trata-se de um livro infanto-juvenil escrito em verso livre que trata de um tema um pouco difícil: gordofobia.

    Uma menina é gorda, e tem uma vida difícil por causa disso. A autora mostra-nos como ela sofre de bullying, tanto na escola como pela própria família, mas também mostra como ela encontra ferramentas, através da terapia, dos seus amigos, e da sua própria coragem, para enfrentar essas dificuldades.

    Achei um livro forte, muito agressivo em algumas partes, mas que também é importante para que os jovens se identifiquem com a personagem e, talvez, possam aprender algumas formas de lidar com a sua própria situação ou ajudar os outros.

    Assim, achei esta narrativa como uma fonte de luz, e não algo extremamente depressivo.

    Gostei bastante e recomendo.

  • Anne of Green Gables

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    Anne of Green Gables
    L. M. Montgomery
    1908
    Audiobook

    Foi a minha primeira experiência com um audiobook e acho que vou continuar a ouvi-los, porque é um excelente entretenimento para o ginásio.

    Este livro conta a história de Anne (com E), uma rapariga orfã que vai viver para Green Gables. Apesar de se considerar feia, porque tem cabelos ruivos e sardas, esta menina tem uma imaginação galopante e, por isso, está constantemente a meter-se em problemas. Mas é amoroso e cativante vê-la a crescer, a fazer novos amigos, a conquistar novos problemas. É o tipo de personagem que entra nos nossos corações e que evolui lá dentro, oferecendo-nos uma história carinhosa e inocente como as que existiam antigamente.

    Em termos narrativos, a escrita (aqui narrada por amadores) é um pouco floreada e exagerada, com discursos altamente estilizados à moda da época. Isto pode tornar tudo um pouco falso, menos realista do que aquilo que gostaríamos.

    Ainda assim, gostei bastante e acho que gostaria de ouvir mais um volume pelo menos.

  • O Mistério do Gato Cómico

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    O Mistério do Gato Cómico
    Enid Blyton
    1954
    Livro Juvenil
    Calhou-me ler este livro, eu que odeio a Enid Blyton de morte e que odeio ainda mais os parvalhões dos bem comportados e bons meninos dos Cinco.

    Sempre achei os Cinco uns patetas, uns meninos que não sabem viver aventuras e só fazem tropelias e se metem onde não são chamados simplesmente porque são irritantes e não sabem estar. Em vez de coleccionarem pedras como os miúdos normais andam por aí a inventar que apanham ladrões e que têm "pistas" e que são muito espertos. Irritam-me todos eles sem excepção, sobretudo os mais pequenos, que raio de amigos são estes que levam estas criancinhas para situações perigosas e bizarras, uma irresponsabilidade tamanha, deviam eraa morrer todos numa dessas aventuras para verem o que é a realidade das coisas e nunca chegar à vida adulta irritantes como são.

    Pronto, já disse. 

    Agora que estou mais calma, posso dizer que o livro até seria divertido se não fosse a existência dos Cinco. E se o crime do mistério fosse realmente um crime. Porque pelos vistos Enid Blyton, essa fascizóide, quer tanto inocentar as crianças e as aventuras de crianças que nada do que acontece tem qualquer tipo de consequência. O que é um pouco chato e eu já achava isso quando era miúda.

    Para a próxima afastar-me-ei dos mistérios juvenis dos cinco taralhocos como da morte. Obrigada.
  • Mary Poppins

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    Mary Poppins
    P.L. Travers
    1934
    Infanto-Juvenil

    Um livro que eu queria ler há algum tempo e me veio parar às mãos de forma inusitada. :)

    Mary Poppins é o tipo de romance infanto-juvenil que me teria apaixonado imenso quando eu tinha essa idade. Agora, enquanto adulta, é um pouco difícil chegar ao verdadeiro significado do livro: penso que os adultos perderam aquela capacidade de "não questionar" e de admitir as coisas mais inusitadas como sendo normais. Porque Mary Poppins é uma senhora que faz coisas inusitadas a toda a hora.

    Apesar de as imagens icónicas popularizadas pelo filme da Disney não serem assim tão importantes no livro, toda a imagética de fantasia criada à volta da personagem só nos dá vontade de estar lá e de a conhecer. Acabamos por não saber se os acontecimentos são sonho ou realidade, mas será que isso interessa?

    No fundo, é um conjunto de pequeninas histórias que nos dão o mais amoroso da brincadeira infantil, permitindo ao pequeno leitor que dê asas à sua imaginação. Para isso, coisas como caracterização e desenvolvimento narrativo e de personagem acabam por ficar para trás e por não ser de todo importantes. A figura misteriosa mantém-se e é assim que gostamos dela.

    Recomendo vivamente aos pequenos da família.
  • O Sonhador

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    O Sonhador
    Ia McEwan
    1998
    Romance

    Parece que quando os autores se colocam no lugar de crianças sã imediatamente tidos como portadores de prodigiosa imaginação e de capacidade de reflexão. Penso que este livro prova precisamente o contrário.

    Existe um rapazito, tal como todos os outros, que se perde muito rápido nos seus pensamentos, criando histórias fantásticas em que ele é sempre o protagonista. No entanto, este rapaz tão imaginativo imagina quase sempre a mesma coisa: estar noutro corpo. Assim, vemos a perspectiva do autor enquanto rapaz que se vê enquanto gato, bebé ou adulto e assim por diante.

    O personage não possui uma caracterização suficientemente clara para além de "tem dez anos e pensa em muitas coisas fantásticas" para que essa deslocalização do autor possa parecer plenamente realista dentro deste contexto. As histórias são muito desinspiradas e chegam quase sempre à mesma conclusão. A infantilidade do relato retira realismo, pois as crianças admitem tudo menos o facto de serem infantis.

    Parece uma história que se conta a um miúdo, só que esse miúdo se encontra em estado vegetal.
  • Hush, Hush

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    Hush, Hush
    Becca Fitzpatrick
    2009
    Fantasia
    E, para variar um pouco, que tal um livro horroroso para jovens horrorosos? =D Sobretudo quando a tradução foi feita por fãs brasileiros e é igualmente horrorosa? =D

    Nora é uma miúda normal, com hábitos normais e um aspecto normal, que se apaixona por Patch (que raio de nome), que é um anjo caído.
     
    Claro que até se descobrir isto estamos cerca de 200 páginas com Nora a ser perseguida por entidades maléficas. Nora faz muitas coisas interessantes, como virar a cabeça, pestanejar, olhar para os sapatos, corar e comprar sutiãs. Todas estas actividades essenciais para o desenvolvimento da história são descritas com todo o detalhe. Afinal, Nora é tão normal!
     
    É uma história tão simples como previsível. Todos os elementos são muito vagos e não há o mínimo de pesquisa cultural sobre o mito dos anjos para suportar estas ideias.
     
    Um romance adolescente patético.

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