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  • Novas Cartas Portuguesas

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    Novas Cartas Portuguesas
    Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta & Maria Velho da Costa
    1972
    Crónicas


    Tudo o que eu sabia sobre este livro era que se trata de um grande manifesto feminista, pré-democracia, e que as suas autoras sofreram bastante na pele pela sua indecência e escritos revolucionários.

    Efectivamente, em 1972 este livro deve ter chocado imensamente a sociedade, devido ao seu eroticismo e relatos de momentos femininos absolutamente duros e violentos. Inspiradas nas cartas de uma Soror Mariana ao seu amante francês, as autoras transformam todo o feminino nessa Mariana perdida, descrevendo implacavelmente uma série de situações pelas quais as mulheres passavam, e continuam a passar, e que são consequência apenas do patriarcado e machismo infiltrados na sociedade.

    Com poemas, textos curtos e textos mais longos mas que nunca aborrecem, as 3 Marias compõem aqui uma obra fundamental para compreender o feminismo, mas que está montada de uma forma muito complexa e altamente sofisticada.

    Essencial e imperdível.

  • Pele de Homem

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    Pele de Homem
    Hubert & Zanzim
    2020
    Banda Desenhada


    Comprei este livro no qual estava muito interessada no AmadoraBD deste ano.

    Bianca, uma rapariga renascentista de boas famílias, vai casar-se com um homem bonito e rico, mas que não conhece. Mas a sua madrinha conta-lhe um segredo: na sua família, as mulheres têm uma "pele de homem" que podem usar para ser um homem durante o tempo que desejarem e explorarem o mundo masculino à sua vontade. Este homem, Lorenzo, é extremamente atraente e - usando a sua pele - Bianca irá conhecer os segredos do seu futuro marido Giovanni e apaixonar-se por ele de uma maneira totalmente surpreendente.

    Este é um livro extraordinário que explora conceitos de queerness, feminismo, liberdade sexual e social e - também - as várias formas como podemos amar. Além disso, é possuidor de uma arte belíssima, sensual e sincera, que não esconde mas também não exagera no erotismo. Bianca é uma personagem poderosíssima, corajosa, honesta com os seus sentimentos e totalmente liberta de correntes quando usa a pele de Lorenzo.

    Esta foi a minha banda desenhada preferida do ano, e recomendo vivamente.

  • Smack the Pony

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    Smack the Pony
    Victoria Pile
    1999
    Série


    Porque o humor britânico nunca falha, temos aqui uma série que me fez chorar de rir, protagonizada por mulheres e a fazer piadas sobre coisas.. De mulheres.

    Com um humor perfeitamente surreal, piadas que nunca se repetem apesar dos sketches recorrentes, protagonizado por actrizes físicamente preparadas e com expressões mais do que cómicas, esta série só podia ter sido um sucesso na altura e, comigo, foi um sucesso pegado, porque ri-me mais com esta série do que no resto do ano inteiro.

    Pior que no final de cada episódio tem um número musical a gozar com uma música da altura (precisavam de estar no início do milénio para perceber a referência), e cada música é mais parva que a outra. Gostei sobretudo da "Dressage", porque "I'm a simple girl: I'm a horse"

    Recomendo vivamente esta série que, para mim, foi a série do ano.

  • Women Talking

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    Women Talking
    Sarah Polley
    2022
    Filme
    5 em 10


    O terrível deste filme é unicamente a parte de ter sido baseado numa história real: num culto de menonitas algures nas Américas, todas as mulheres da comunidade foram brutalmente violadas depois de terem sido dopadas com anestésico para gado. Este filme fala do que elas foram fazer a seguir.

    Ora, as mulheres menonitas não têm direito à educação, então elas só podem falar umas com as outras. Há três opções: fica tudo na mesma, vingança, ou fugir. E as mulheres das principais famílias vão discutir isto até à exaustão, com todas as implicações que isso tem.

    Senti que o filme falha porque o que o espectador realmente quer ver é uma vingança violenta e sangrenta. Ficamos sempre à espera que esta seja a decisão final, e quando ela não vem é absolutamente aborrecido.

    Fica para a memória por ser uma história horrível.

  • Young Promising Woman

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    Young Promising Woman
    Emerald Fennel
    2020
    Filme
    7 em 10

    É raro ver um filme dirigido directamente à minha faixa etária. E devo dizer: todas as pessoas que alguma vez duvidaram do discurso feminino devem ver este filme.

    As mulheres são constantemente abusadas, maltratadas e desrespeitadas. Facto. Mas quando uma delas deixa de o admitir e passa a fazer o mesmo aos homens, até de forma violenta, o caso muda de figura.

    Este é um filme ácido e sardónico, com o qual todas as mulheres se vão identificar. Porque fala do desrespeito e do machismo impregnado na sociedade, para com o qual esta mulher - aparentemente uma falhada, sem futuro - tem uma sede de vingança.

    Também o aspecto visual do filme é bastante curioso, assim como a banda sonora, com sons pop que todos reconhecemos em versões bastante bizarras.

    Recomendo vivamente, sobretudo a todas aquelas que dizem "ah, devia ter-se queixado antes". Vão à merda.

  • The Testaments

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    The Testaments
    Margaret Atwood
    2019
    Romance
    Há algum tempo que vinha acompanhando as notícias do lançamento da sequela do livro de "The Handmaid's Tale". Por isso, assim que o vi à venda, não resisti!

    Uma leitura viciante, que nos mostra mais dos anais de Gilead e nos conta o início do fim desta sociedade teocrática. Desta vez, o foco não está nas handmaids: está nas crianças e nas aunts. É narrado por três pessoas diferentes: a Aunt Lydia, que já conhecemos; Agnes, que conhecemos da série, uma criança criada em Gilead; e Daisy, que foi tirada desse país em bebé e vive agora no Canadá.

    São-nos dadas explicações sobre outras partes do funcionamento desta sociedade, nomeadamente o tratamento dado às crianças, às meninas em específico. A sua perspectiva de futuro é assustadora, de tão limitada, sendo que lhes é desde cedo incutida a noção de que a sua função na sociedade é a de procriar. Mas há formas de escapar a isso. É aí que conhecemos as Aunts, as únicas mulheres autorizadas a ler neste lugar.

    Ficamos a saber um pouco da história original da Aunt Lydia e de como as Aunts o vieram a ser. Isto também é muito interessante, porque nos mostra como existem mulheres que chegam a posições de poder.

    Cada personagem tem a sua própria linguagem e isso é muito giro também, porque conseguimos saber - só pela forma como está escrito - quem está a falar. A trama está muito bem desenvolvida, revelando-se a pouco e pouco até à apoteose final, que é tanto inesperada como merecida.

    O acto final, semelhante ao do livro original, dá-nos esperança no futuro.

    Recomendo vivamente e vou agora já partilhar o livro!
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