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  • Moonage Daydream

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    Moonage Daydream
    Brett Morgen
    2022
    Filme
    7 em 10


    Estávamos para ver este documentário desde que saiu, mas só agora surgiu a oportunidade. Um documentário muito diferente do habitual.

    Para começar, não temos entrevistas a amigos e familiares, nem muitas entrevistas de Bowie ele mesmo, o que significa que a estrutura do documentário é completamente diferente daquilo a que estamos habituados. O documentário, com uma banda sonora extraordinária que mistura músicas do artista com vários efeitos sonoros, mostra-nos pequenas vinhetas da vida de Bowie, pequenos momentos, em que vamos aprendendo como ele evoluiu e cresceu e viveu e morreu, mas de uma forma quase onírica, despedaçada e desestruturada.

    Isto torna o filme numa experiência visual e sonora únicas, e assim posso dizer que este documentário tem algo de mágico, embora também seja um pouco confuso.

  • David Bowie - Five Years

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    David Bowie - Five Years
    Francis Whately
    2013
    Documentário
    6 em 10

    Tinha este documentário para ver, no meu computador, desde a sua data de estreia. Isto é para verem o quão eu vejo os filmes que tenho no pc se não forem anime! Ai ai ai!!

    Este filme, produzido pela BBC a propósito do lançamento do disco de David Bowie "The Last Day", em 2013, fala-nos de cinco anos muito relevantes na vida do artista e a forma como estes influenciaram todos os seus trabalhos futuros, até culminarem neste (pen)último álbum. Com recurso a palavras do próprio Bowie e muitas imagens de arquivo, mostra-nos o processo criativo por trás de alguns dos seus momentos mais icónicos, também com ajuda das palavras escolhidas de alguns colegas, amigos e colaboradores que o ajudaram a fazer este percurso.

    É um documentário que não traz muita coisa de novo, sendo que algumas partes foram evidentemente deixadas de lado e existe muito pouca referência aos abusos e vida pessoal do artista (o que, de certa forma, até é uma coisa boa, pois isso não interessa assim tanto). Mas, para mim, o mais interessante foi mesmo a forma como o filme está editado: de uma forma simples e eficiente, torna as entrevistas e a mistura com as imagens de arquivo numa viagem muito interessante visualmente.

    Por isso, acaba por ser um filme muito giro, sobretudo para quem quer saber um bocadinho mais sobre este grande senhor. :)

  • The Hunger

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    The Hunger
    Tony Scott
    1983
    Filme
    6 em 10

    E como David Bowie é uma paixão amada, continuamos a ver a sua filmografia. Desta feita, um filme de vampiros um pouco diferente, que coloca as coisas em perspectiva.

    John e Miriam são um casal misterioso. Ficarão juntos para sempre. Porquê? Porque são vampiros. Mas a vida de vampiro de John aproxima-se do fim e, rapidamente, ele começa a deixar de conseguir dormir e a envelhecer numa progressão extremamente rápida. Então, entra em contacto com Sarah, uma especialista do ramo do envelhecimento. Infelizmente, nem tudo é o que parece... O que irá acontecer?

    Neste filme uma diferente perspectiva sobre a lenda do vampiro é relatada. Aqui, há muita relação com a mitologia egípcia e às personagens são oferecidas várias camadas que lhes permitem progredir dentro da narrativa. Por um lado, vemos o desespero do vampiro que "morre" sem nunca poder deixar o plano terreno. Por outro lado, vemos que Miriam afinal não é tão boa pessoa quanto nos parecia ao início e é ela a verdadeira vampira: pois não se alimenta apenas de sangue, mas também de emoções.

    O filme tem partes de puro horror (que me impressionaram um pouco) e também muitas partes altamente erotizadas, no feminino, o que é uma mistura bastante bizarra mas que, dentro do contexto, acaba por funcionar muito bem.

    A conclusão é fatídica e impressionante. Mas o mais surpreendente de tudo isto é o trabalho dos artistasd e maquilhagem, que fazem uma caracterização tão perfeita do envelhecimento de Bowie que o tornaram muito parecido àquilo que ele veio a ser no final da sua vida terrena.

    No final deste filme, ficamos com uma imagem: os vampiros nunca morrem. Pois bem, o David Bowie também não :)
  • Labyrinth

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    Labyrinth
    Jim Henson
    Filme
    1986
    7 em 10

    Pois é, o fatídico dia aconteceu. Todos pensávamos que ele ia sobreviver ao resto da humanidade, mas a verdade é que David Bowie entrou na nave espacial para voltar ao seu planeta natal. Fiquei triste, mesmo muito triste. Até chorei um bocadinho, é verdade. Mas a melhor forma de celebrar um artista não é chorar a sua morte, nem brindar vezes e vezes sem fim enquanto nos entristecemos ainda mais. A melhor forma é mesmo admirar a sua obra. Portanto, para além de terminar de ouvir a discografia, de ouvir repetidamente o novo (e último) album... Vamos ver os filmes que me faltavam ver! Começamos pelo Labirinto, um filme de fantasia dos anos 80 que veio mesmo a calhar, pois *adoro* este tipo de filme!

    Uma miúda mimada vive num mundo de fantasia, em que o Rei dos Goblins é o seu apaixonado e onde ela pode fazer tudo o que quiser. Mas quando o verdadeiro Rei dos Goblins aparece e leva o seu irmão bebé para longe, para o tornar num goblin, a rapariga tem de mudar um pouco a sua perspectiva de vida. Pois, para salvar o irmão, tem de ultrapassar um misterioso e complicado labirinto, cheio de criaturas estranhas que nem sempre são muito simpáticas.

    É um filme simples, com uma moral amorosa no final. Afinal, é revelado que tudo não passa da imaginação da moça, os goblins, Jareth (o rei) e até mesmo os seus amigos, e que a imaginação pode controlar uma pessoa até a dominar completamente. O melhor é focar-nos na vida real e voltar a esse reino encantado só de vez em quando, para fazer uma festa.

    A minha parte preferida é, sem dúvida, o universo em que isto se passa. Os bonecos e marionetas estão todos muito bem feitos e são muito realistas, embora alguns efeitos especiais estejam já desactualizados. Os personagens têm todos muita força, uma capacidade inata para nos encantar e desejar viver neste reino dos goblins onde David Bowie é o rei. Para mim, é realmente o rei de todo o filme. Não só porque compôs uma banda sonora cheia de vivacidade, fazendo as vozes necessárias a todos esses personagens, como manda naquela gente toda e é o mais maluco do conjunto. <3

    Talvez a parte menos boa tenha sido a actriz principal, que não foi muito expressiva e que não demonstrou correctamente a evolução da sua personagem.

    Mas confesso que adorei o filme: eu gosto imenso desta fantasia cinematográfica dos anos 80 e por mim via estes filmes todos os dias!
  • David Bowie is...

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    David Bowie is...
    Documentário de Exposição
    Isto foi uma experiência diferente, portanto o melhor é começar pelo princípio.

    Eu costumo ler um blog, que sigo, chamado Sound+Vision. É administrado pelo João Lopes e Nuno Galopim que são, respectivamente, críticos de cinema e música. Ambos são fãs inveterados do David Bowie. Então, anteontem, apareceu um passatempo no blog, para ver o documentário de uma exposição que estava instalada no museu V&A em Londres, sobre a vida e obra de Bowie. O passatempo consistia em dizer em que cinema queríamos ir ver o filme, o nosso álbum favorito do Bowie e porquê. Eu escolhi aleatoriamente o Space Oddity e inventei um porquê, pois realmente não tenho um álbum preferido (gosto de todos). Ganhei os bilhetes e, assim, fui com um amigo.

    A minha experiência com Bowie vem, desde o seu ponto inicial, da minha paixão por tudo quanto é belo, nomeadamente Gackt. Um dia, a minha mãe, ao ver-me em adoração ao meu altar de Gackt (sim, tenho um) comentou casualmente: 

    "Isso que tens por esse Japonês, é aquilo que eu tinha pelo David Bowie"

    A partir daí, a curiosidade apareceu e imediatamente segui para ouvir a discografia completa. Fiquei maravilhada, pelos sons, pela imagem, por todas as coisas. Por isso, ter oportunidade de saber sobre um dos que se tornou artistas favoritos foi uma experiência única.

    O dia foi estranho. Chovia torrencialmente, vi uma árvore a tentar atravessar a estrada (caindo, com um som "ploft" com toda a sua massa vegetal em cima da passadeira. Ainda bem que não estava a passar ninguém), a estrada ficou cortada por causa da árvore, etc. Comi, pela primeira vez, um frozen yogurt, que é delicioso. E, com isto, entrei na sala para ver o filme.

    Antes do filme, os críticos ainda falaram sobre toda a discografia e videografia do artista durante um tempo que estava entre os trinta e os sessenta minutos (quarenta e cinco, portanto). Mostraram três videoclipes essenciais e falaram muito. Passado certa altura, confesso, já não os estava a ouvir. Finalmente, veio o filme.

    Essencialmente, era a visita guiada à exposição, com comentários dos visitantes e com comentários de pessoas que conheciam o Bowie. Começavam pela infância, mostrando fotos de bebé nunca antes vistas e pedaços do trabalho prematuro de Bowie, que desde logo se interessou pelo aspecto gráfico da música e não só pelo facto de tocar e cantar. Depois, passou para toda a cenografia, incluindo os fatos e máscaras utilizados ao longo do tempo. Como eu não sou muito de ver vídeos, desconhecia a maioria deles. Realmente, o homem é dono de um estilo muito único, que veio a influenciar géneros, modas e atitudes de toda uma geração.

    Falaram, também, de material como as fotografias e capas dos discos. Vi pela primeira vez a imagem completa da capa do álbum "Diamond Dogs", que é estranhíssima e fascinante. Vi também muitas outras fotografias que nunca tinha visto. A partir daí, passaram para o trabalho cinematográfico, que nunca pensei ser tão grande (vi apenas dois filmes). Falaram bastante de "Labyrinth", que nunca vi mas parece ter um estilo próprio, e do "Homem que veio do espaço", que é um filme bastante estranho e sobre o qual tenho sentimentos mistos.

    De entre as pessoas que foram falar, estava um estilista Japonês que muito influenciou Bowie ("Bowie is Bowie, Kansai is Kansai"), um historiador de cinema, um coleccionador de memorabília que tinha a avaliação escolar do artista. Mas o mais interessante foi ver aquilo que os visitantes, fãs normais como nós, tinham a dizer.

    Para concluir, o mote da exposição era "David Bowie is..." Isto porque, apesar de tudo, ninguém sabe exactamente quem ele é e o que é que ele é. Durante muito tempo a sua identidade estava presa a personagens, tendo renascido como uma versão integral dele próprio durante o período de Berlim e vagueando por aí até agora em que, no topo da sua maturidade, Bowie apresenta novos discos e novas músicas e novos vídeos, sempre frescos e excitantes. Portanto, o que é David Bowie?

    eu tenho a minha resposta.

    David Bowie is Love.
  • O Homem que Veio do Espaço

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    O Homem que Veio do Espaço
    Nicolas Roeg
    1976
    Filme
    7 em 10

    Uma amiga, Ana-san, ofereceu-me este DVD no meu aniversário do ano passado (que até foi há pouco tempo...). Passava-se, então, que era dia dos namuraduhs e que - depois de estar umas quatro horas a ouvir a minha louca playlist de música no youtube - apetecia ver um filme e que decidimos que havia de ser este.

    Confesso que me desapontou um pouco, porque estava à espera de algo completamente diferente. Mas tem o Bowie e, tendo o Bowie, isso dá logo mais pontos de bónus.

    O Sr. Newton é um gajo estranho. Percebe-se logo ao início que é uma pessoa diferente e, pouco depois, que há uma razão para ele ser diferente. É um alienígena, que veio para a Terra à procura de solução para o seu planeta e que agora não consegue voltar. Assim, coloca-se como cabeçilha de uma empresa de tecnologia, para ganhar dinheiros muitos e poder construir uma nave para voltar para a sua terra. Parece estar tudo a correr bem, mas a situação vai caindo à medida que a sua mente "pura" é corrompida pelos hábitos terráqueos (a televisão, o álcool, o sexo) e ele passa quase a desejar ficar na Terra. Depois há uma reviravolta que efectivamente o impede de partir, mas acaba tudo com um tom de esperança.

    O tema é interessante, como vive uma pessoa completamente diferente dos seres humanos num planeta povoado por esses seres humanos. E como esse ser se transforma e perde o seu rumo, caindo num estado de alienação (passe a expressão), quando entra em contacto com as coisas que são praticamente essenciais para o mundo humano, refiridas acima. Também é uma boa forma de criticar o que realmente se passa na sociedade humana graças aos excessos nestes vícios.

    Não gostei muito do excessivo tema da sexualidade, que está presente de forma muito gráfica e explícita ao longo de todo o filme. De resto, achei o trabalho de cenários e fotografia bastante interessante, sobretudo quando refere o planeta distante de onde veio o Bowie.

    Um filme de culto que é bom para a minha colecção (obrigada Ana-san!), mas que provavelmente não vou rever muitas vezes.... É que há algumas cenas que fazem mesmo impressão ;_;
  • Merry Christmas Mr. Lawrence

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    Merry Christmas Mr. Lawrence
    Nagisa Oshima
    Filme
    1983
    9 em 10

    Sei lá, às vezes os filmes valem a pena pela experiência de os ver e pelas pessoas com quem os vemos. E depois há aqueles que além disso têm o Bowie.

    Lawrence é um soldado inglês que, como outra meia dúzia de centenas de soldados ingleses, foi capturado pelos japoneses durante a segunda guerra. Ao contrário dos outros, Lawrence é fluente em Japonês. Por isso, até se dá bem com os seus captores e serve de mediador entre eles e os seus companheiros, no caso pouco frequente de haver problemas. Porque todos obedecem aos japoneses. Porque eles têm espadas e uma maneira de viver mesmo estranha, matam-se por tudo e por nada. Até ao dia em que aparece o Bowie (Cellier de seu nome, mas Bowie). E este gajo não é como os outros. Primeiro porque é maluco. E depois porque desafia a autoridade. A autoridade é personificada por Yonoi (o pianista Ryuuchi Sakamoto), que é um gajo tradicionalmente mau. E por Hara (Takeshi, grande nome do cinema japonês do qual eu nunca tinha ouvido falar. Santa ignorância!) que é um gajo mau que às vezes é simpático e que gosta muito do Lawrence.

    São estas as relações do filme e o filme é todo sobre elas. Porque não são relações quaisquer. São relações dotadas de uma força sentimental exuberante e trágica, de uma mobilidade quase homoerótica. A caracterização das personagens dá profundidade fractal aos sentimentos que os personagens desenvolvem e o seu culminar é ilustrado por algumas cenas curtas mas muito fortes. Comer flores, os beijinhos, as borboletas, a canção de natal. Isto não podia acontecer se não houvesse um trabalho de actor intenso por detrás desta construção, muito evidente em todos os quatro actores. Mas sobretudo no Bowie, porque ele naturalmente já tem o ar de demónio que os japoneses lhe atribuiram.

    Em contraste com a negatividade destas relações o colorido do filme é muito leve, uma ilha quase paradisíaca onde toda a gente é bem tratada, apesar de uns serem os prisioneiros e os outros serem os aprisionadores. As cenas de flashback da cabeça do Bowie estão muito bonitas e filmadas de forma a que tudo pareça estar, efectivamente, dentro de uma memória. E isto tudo é coroado por uma banda sonora infalível, autoria do nosso amigo Yonoi (ou Sakamoto). São músicas alucinantes que trazem um ambiente estranho e surreal às situações, nada adequadas à época mas muito próprias do local imaginário para onde nos remetem.

    E depois tem o Bowie. É naquela...
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