Mostrar mensagens com a etiqueta cinema brasileiro. Mostrar todas as mensagens

  • Ainda Estou Aqui

    0

     

    Ainda Estou Aqui
    Walter Salles
    2024
    Filme
    8 em 10


    Eu ao início não queria ver este filme no cinema, porque o tema da ditadura militar brasileira é um pouco perturbador para mim. A malta da américa latina tem uma capacidade extremamente inventiva de fazer mal uma à outra, então eu simplesmente não queria ver isso.

    Mas acabou por se revelar um filme delicado, maravilhoso, assustador no tema mas nada gráfico e cheio de sentido de humor.

    Rubens Paiva foi um ex-deputado que se envolveu com aqueles que tentavam lutar contra a ditadura militar nos anos 70. Um dia, simplesmente, dão-lhe a boca. E nunca o devolvem. A sua esposa é presa, assim como a sua filha mais velha, para interrogatório, mas perante esta adversidade Eunice Paiva nunca desiste de procurar o seu marido, o pai dos seus filhos.

    Se o horror da prisão e da tortura estão constantemente presentes, o filme também nos mostra a vida diária de uma família perfeitamente normal no Brasil, e isso remeteu-me às minhas próprias memórias de infância na casa dos meus avós: comida sempre disponível, pessoas sempre a entrar e a sair, brincar descalço na rua, apanhar um cão e ficar com ele.

    Isso tornou a experiência extremamente intensa e comovente.

    Por isso, não posso deixar de recomendar este filme.

  • Bacurau

    0
    Bacurau
    Kleber Mendonça Filho & Juliano Dornelles
    2019
    Filme
    7 em 10
    Um dos filmes brasileiros mais recentemente "interditados" pelo Bolsoréptil.

    Bacurau é uma pequena vila em Pernambuco, que está há algum tempo sem acesso a água e com a estrada principal cortada por homens armados. Um dia, desaparece do mapa. E quem são aqueles estrangeiros com armas?

    Este filme é um misto de comédia, com o faroeste e um bocadinho de battle royale. As situações são inusitadas, com personagens únicos e com uma caracterização muito eficaz. O filme tanto é cómico como um bocadinho assustador, pois afinal não sabemos quem vai sobreviver no final.

    Também é um óptimo mobil para caracterizar a ideia de "vila" e de "comunidade". Bacurau existe como um todo, mais que a soma das suas partes. Cada elemento de Bacurau tem a sua função especial e todos eles terão um papel nesta luta pela sobrevivência.

    Um filme muito curioso e original, que vale a pena ver.
  • Aos Teus Olhos

    0
    Aos Teus Olhos
    Carolina Jabor
    2018
    Filme
    6 em 10

    Aproveitámos o Ciclo de Cinema para os Direitos da Criança aqui na biblioteca para ver este filme que havíamos perdido (no Ciclo de Cinema Brasileiro da mesma).

    Um filme que se esforça por explorar uma série de conceitos mas que acaba por ficar incompleto e cheio de perguntas no ar, pontas soltas que ninguém se deu ao trabalho de reunir para uma narrativa sólida e coerente. Um professor de natação é acusado de beijar um dos seus alunos no esconderijo do balneário. O que se sucede é um linchamento e uma troca de acusações, em que procuramos culpados sem nunca os encontrar. A autora mantém-nos sempre na dúvida sobre o verdadeiro crime e acabamos por não conseguir compreender a perspectiva de nenhuma das partes.

    Se por um lado o professor tem todas as razões para ser acusado, devido aos seus comportamentos habituais, por outro lado faltou ouvir a voz da criança e da mãe da criança. Esta, no arco final do filme, exibe4 comportamentos que poderiam levar a narrativa a um plano diferente, mas nada disso é aproveitado.

    O filme aparenta ser apenas uma visão rápida do drama, sem entrar nele com grande profundidade. Salvam-no os actores e a cinematografia, que está sem dúvida muito bem conseguida. Os planos aquáticos e a utilização das cores transmite um ambiente um pouco ofuscante e opressivo que se liga bem com o tema em questão.

    Ainda assim, fiquei bastante desapontada.
  • Tropa de Elite 2

    0
    Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro
    José Padilha
    2010
    Filme
    7 em 10

    Antes de irmos de férias, apanhámos este filme na televisão. Já agora, informo que nunca vi o primeiro Tropa de Elite e sei apenas muito vagamente sobre o que é. Mas esta aventura policial estava a ser tão divertida que me deixei ficar a ver.

    De uma forma irónica, violenta e tragicamente actual, o filme conta-nos as novas aventuras do chefe da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que agora comanda as operações a partir dos bastidores. Enquanto tenta endireitar a sua relação com o filho e a ex-mulher, acaba por descobrir muito mais do que deveria. E agora, o que fazer com isso? Afinal de contas, este personagem está numa posição de poder privilegiada.
     
    Talvez seja este factor que torna a aventura policial realmente cativante e original. Desta vez, quem sabe os segredos é aquele que está no topo da cadeia alimentar. A forma como o personagem junta os vários pontos através das inofensivas informações que vão chegando e nos vai explicando, a nós espectadores, a consequência e o encadeamento das acções, tudo isso está muito bem construído e acabamos por ter uma forma narrativa exemplar.
     
    O filme é muito violento, mostrando apenas o suficiente e deixando as nossas cabeças com a função de imaginar o resto. Isto é exacerbado pelo realismo cru dos actores, que trazem uma textura emocional para o seu acto.
     
    De certa forma, quase nem tenho vontade de ver o filme original, considerando a aventura que este foi. Mas não posso deixar de sentir curiosidade!



  • Aquarius

    0
    Aquarius
    Kleber Mendonça Filho
    2016
    Filme
    6 em 10

    Este filme brasileiro, um dos candidatos a candidatos para o Óscar nesse país, sofreu uma grande controvérsia altamente mediática na altura em que foi lançado. Claro que nós, por aqui, só soubemos disso quando o filme saiu numa boa versão na intermete, pelo que tive de pesquisar um pouco para saber o que aconteceu.

    O que aconteceu, coisa que descobrirão se observarem a película, não tem nada a ver com o filme, embora os seus produtores (franceses? A Petrobras?) sejam um pouco estranhos. O que se passou foi que quando a equipa deste filme o foi apresentar a Cannes fizeram um pequenino manifesto contra o impeachmente de Dilma. E, como é evidente, foram imediatamente catalogados como o mal rubro e certos críticos afirmaram que o filme não deveria ser visto pelas pessoas de bem.

    Bem, como eu vi o filme agora parece que deixei de ser uma pessoa do bem. Deixarei agora que o mal me absorva na totalidade e passarei a falar um pouco sobre o filme. :)

    Clara, uma jornalista e escritora na casa dos 60 anos, vive num prédio à beira de uma praia no Recife, prédio encantador com tudo o que ela adora e, sobretudo, com grandes memórias. As memórias estão em todo o lado, mas sobretudo nos discos de vinil que ela colecciona e que têm - cada um deles - histórias muito especiais. No entanto, um ambicioso arquitecto quer comprar o seu apartamento para renovar todo o Edifício Aquarius num objecto de alta modernidade inspirada pelos estadunidenses. Mas Clara não vai ceder.

    Mais do que um filme da luta contra o sistema, este filme mostra as fragilidades de grande parte do sistema. Mostra o lado mau das faixas oponentes da sociedade brasileira actual de forma simples mas incisiva, criticando os personagens mas nunca deixando que se tornem caricaturas. No entanto, parece-me que o foco principal do filme é a observação do passado da personagem, com uma excelente interpretação de Sónia Braga, através da sugestão da música.

    Assim, a narrativa acaba por ser bastante simples, embora não totalmente previsível. 

    Não apreciei, de todo, as cenas sexuais um pouco explícitas, sendo que penso que o filme teria passado melhor sem elas.

    De todos os modos, é sempre bom ver um filme do meu outro país. Esperemos que mais vpessoas se tornem do mal e o vejam. :)

  • O Menino e o Mundo

    0
    O Menino e o Mundo
    Alê Abreu
    2013
    Filme
    6 em 10
     
    Este filme estava nomeado para o Óscar de animação, então decidimos vê-lo. Além do mais, é um filme brasileiro, o que me dá sempre muito gosto ver!

    No entanto, este filme de animação acabará por ficar esquecido numa das minhas gavetas, porque acabou por não me impressionar como estava à espera. Comecemos pelo início: um menino vai à procura do pai, que partiu num comboio eu vista de, pensa-se, um melhor trabalho. O menino acaba por se perder em vários locais tipicamente humanos, da plantação agrícola à grande metrópole, onde é sempre ajudado por pessoas bastante simpáticas. Isto ajuda a que o filme mantenha toda uma aura de inocência, já que nada de mal acontece ao Menino, mas de resto acaba por tornar todo o tipo de caracterização impossível e inexistente, fora alguns momentos familiares nas memórias.

    Assim, o filme acaba por se tornar apenas numa viagem por um mundo cheio de críticas sociais, cheio de mecanismos operacionais, cheio de momentos da vida em que a vida está perdida por estar tão automatizada. Isto poderia ser um aspecto valoroso, mas o filme é tão dinâmico que não dá tempo para pensar, para digerir a situação que acabámos de ver. Passa de umas para as outras com uma rapidez impressionante e, de um filme cheio de belas imagens, acabo por não ficar com nenhuma na cabeça.

    Já animação e edição, são de topo. Fazendo uso de diversas técnicas, sobretudo tradicionais mas com um toque digital bem aplicado, o filme é como uma sucessão de de desenhos infantis, altamente detalhados e cheios de bonitas cores. Lá isso é: bonito. Mas, como digo, são tantas imagens umas a seguir às outras que o filme acaba por ir a favor das próprias coisas que critica: a massificação, a velocidade, o exagero.
     
    Também não foi uma decisão muito sábia ter usado diálogos incompreensíveis num filme tão longo. Não há um bom uso dos silêncios e, tal como as imagens, as musicas sucedem-se sem nos dar tempo para respirar.

    Portanto, de entre os três filmes nomeados que vi, este parece-me o mais fraco. O que é uma pena, pois estava cheio de potencial.

  • Flores Raras

    0
    Flores Raras
    Nuno Barreto
    Filme
    2013
    6 em 10

    Isto passou-se na sexta-feira à noite. O meu pai arranjou-me uns convites para a estreia do ciclo de cinema brasileiro no CCB, que se iniciou pela ante-estreia do filme Flores Raras, de Nuno Barreto. Antes disso houve um coquetel.

    Eu não ia bem vestida para o coquetel, esqueci-me de mudar de sapatos. Mas enfardei-me de comida e de moscatel e de sumo de laranja e fui à maluca para o filme. Estava sozinha. E já não me lembrava de como o Grande Auditório do CCB era grande, nem como as cadeiras eram desconfortáveis por estarem tão juntas umas das outras (as filas). Ainda estivemos uns quarenta minutos a ouvir entidades políticas importantes a agradecerem-se umas às outras e depois o realizador veio pedir-nos que não nos acariciássemos durante o filme. Ainda bem que a pessoa que não foi não foi, ou então não poderia ter obedecido a essa regra, já que me é impossível resistir a fazer festinhas diversas.

    O filme é sobre a poetisa Elizabeth Bishop que, procurando inspiração, vai ao Brasil. Lá apaixona-se por Lota, uma arquitecta, escreve bem e ganha um prémio Pulitzer. O filme analisa a relação delas a crescer e a desintegrar-se, por motivos do alcoolismo de Bishop e depois o que se passa após a sua separação. Interessante ver que à medida que Bishop sai do torpor alcoólico, Lota entra numa espiral de depressão e os papéis acabam invertidos no final.

    O filme tem uma história de amor interessante, apesar de estar fora da minha zona de conforto, e faz uma boa recriação da época, anos 50. Elas vivem todas na Samambaia, uma casa no meio da floresta muito linda, e as imagens são bem brilhantes e bastante bonitas. As actrizes fizeram um bom trabalho, como tinha de ser porque o filme é todo com elas, mas por vezes pareciam indiferentes aos sentimentos dos seus personagens.

    No geral, um bom filme. Acho que vale a pena ir ver, porque sempre é uma variação do típico cinema americano (e se vos faz muita impressão ouvir falar o sotaque brasileiro, o filme é todo em inglês)
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan