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  • Dogma

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    Dogma
    Kevin Smith
    1999
    Filme
    6 em 10


    Um filme sobre anjos e demónios é sempre coisa que me calha bem. E este é sem dúvida um óptimo exemplo de como nos podemos rir com a religião.

    Dois anjos caídos na terra procuram voltar para o paraíso. No entanto, se o fizerem o mundo poderá acabar, pois estarão a contrariar a vontade de deus. Assim, um conjunto de personagens inusitadas vai reunir-se para os impedir.

    É um filme que coloca em causa vários conceitos da religião cristã, apresentando um conjunto de personagens memorável e hilariante, com interpretações mesmo muito bem conseguidas e engraçadas. A luta do bem contra o mal é mais do que uma simples oposição, mas a dúvida de se toda a religião faz sentido. O filme coloca na mesa alguns debates interessantes, discutidos de forma muito leve, e - claro - ofende as pessoas que gostam de se ofender.

    Enfim, é um filme muito engraçado para um bom fim de dia.

  • Cobiça

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    Cobiça
    J. R. Ward
    2011
    Romance Fantástico

    Livro que recebi no BookCrossing, apesar de não me lembrar exactamente de como, quando e porquê que o pedi. Porque assim que o recebi pensei... "Não"

    Comecemos pela biografia da autora na aba das costas do livro. "Vive no Sul dos Estados Unidos com o seu marido incrivelmente generoso (...)" O que me faz desconfiar que foi o marido que pagou a edição  desta série dos Anjos Caídos mais de todas as passadas e futuras.

    O livro propriamente dito... A ideia está engraçada, por assim dizer. Um gajo todo durão morre e informam-no no céu de que tem de ir salvar sete almas pecadoras de serem consumidas pelo diabo. Para salvar o mundo. Iupi. Mas o ambiente, as personagens, a linguagem, tudo torna esta ideia que poderia explorar muito sobre a condição humana numa historieta pré-adolescente com gajos metaleiros com tranças e montes de sexo com tranças.

    Comecemos pelas tranças: os personagens parecem ser definidos pelo seu aspecto. Apesar de a autora insistir que todos têm um trauma passado ou algo que o valha, este torna-se irrelevante para o desenvolvimento da personalidade dos personagens, nem define as suas acções, sendo apenas motivo para todos serem tão "duros" e "agressivos" e "gajos com tomates". As descrições são horrendas, ofendendo classes sociais e trabalhadoras de frase em frase. Suponho que a autora, como tem um marido muito generoso, nunca tenha conhecido um pedreiro, pelo que acha que todos são broncos. Também há uma carga religiosa com uma tonalidade inespecífica e um pouco tonta, porque é toda a gente extremamente católica, sem que isso contribua em nada para a história ou para o desenvolvimento do carácter. E isto até seria uma coisa importante, dado que estão a lutar contra um demónio, ou quês. Também há os góticos, essa classe do tecido social tão estranha, que até tem prostitutas a trabalhar em bares, devem ser todos uns mauzões anti-católicos.

    Acabemos no sexo: nos três-quatro dias em que se desenrola esta história, esta gente tem sexo em quantidades copiosas. Tudo bem, é saudável. A questão aqui é que a autora descreve estes actos com detalhes quase mórbidos, pornografia literária, digamos. E é horrível e é impossível levar o livro a sério quando de tantas em tantas páginas a "cabeça do membro" entra em acção (que termo horrível!)

    Enfim, não é para repetir. Se me chegarem os outros livros da colecção, lá terei de enfrentar a besta com um sorriso. :>


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