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  • Rashomon

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    Rashomon
    Akira Kurosawa
    1950
    Filme
    8 em 10


    Três viajantes protegem-se da chuva num templo abandonado e partilham uma história de que ouviram falar. É a história mais perturbadora de que vamos ouvir falar nos próximos tempos: uma mulher foi violada e o seu marido assassinado. No julgamento ouvimos as três versões, a do bandido, da mulher e a do espírito do morto. Qual será a verdadeira?

    Filmado com uma mestria inconcebível para época (até o sol Kurosawa filma!), este é um filme extraordinário, em que cada versão da história nos mostra mais sobre as personagens, mudando-as e transformando-as e dando mais coerência a cada uma destas pessoas, a esta realidade do acontecimento até chegarmos à versão verdadeira. Os actores transformam-se verdadeiramente de versão em versão, e nem tudo o que parece ao início é real.

    A forma de contar a história é revolucionária, uma nova forma de fazer cinema para a época, e o detalhe dado aos cenários e roupas, à forma como os actores contam a história ao espectador e não uns aos outros, torna todo o filme quase que íntimo, como se nós estivessemos lá com eles.

    Foi um filme que me surpreendeu do início ao fim, e que recomendo vivamente.

  • Yojimbo

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    Yojimbo
    Akira Kurosawa
    1961
    Filme
    7 em 10

    Fomos ao Cinema Nimas ver este filme em cópia digital restaurada.

    É um filme muito curioso e interessante em termos históricos: tanto é uma desconstrução do género western como, também, uma construção sobre esse género. Temos um protagonista misterioso, essencialmente justo e bom, mas que não o revela aos outros personagens. Ele apenas provoca o caso e isso é sumamente divertido, mesmo quando as coisas azedam para o seu lado. As soluções apresentadas para os problemas narrativos são originais e é um filme que nos mantém sempre agarrados.

    Também tem cenas de acção muito bem feitas, sobretudo para a época, em que finalmente vemos um filme com um pouco de sangue e gore, e grandes espadeiradas. A música é memorável, embora por vezes pareça estar um pouco fora do contexto.

    Uma referência para o cinema.

  • Os Sete Samurais

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    Os Sete Samurais
    Akira Kurosawa
    1954
    Filme
    9 em 10
    Faltava-me ver este clássico do cinema mundial. Ainda bem que o vi, pois foi uma experiência brilhante!

    Uma aldeia no Japão feudal vive atormentada pela chegada de bandidos que vêm regularmente roubar as suas colheitas. Decidem contratar um samurai para os proteger, mas não têm como pagar. No entanto, reúnem sete samurais bem intencionados, que nada mais desejam senão proteger os camponeses a troco da sua honra.

    Cada personagem é única e cada uma tem um papel muito definido na história. A própria aldeia, com os seus camponeses, é uma personagem única. Temos momentos terrivelmente trágicos, mas também temos momentos de pura candura, humor e paixão arrebatada. É uma história completa, triste na sua conclusão e também muito revelador da própria natureza humana.

    As imagens são lindíssimas, de cortar a respiração. O olho do realizador mostra-nos uma natureza luxuriante e em fúria, tão brilhante quanto o preto e branco o permite. A montagem de cada cena é pensada ao mínimo detalhe, na estrutura e na forma. Temos uso de técnicas absolutamente revolucionárias na história do cinema. Já em 54 Kurosawa nos mostrava a luz do sol através da sua lente.

    Um filme maravilhoso, que me levou às lágrimas - de tristeza e também de alegria. Mas, como diz o velho samurai "no final perdemos nós". Espero que este filme nunca se perca.
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