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  • A Rapariga com Brinco de Pérola

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    A Rapariga com Brinco de Pérola
    Peter Webbler
    Filme
    2003
    5 em 10

     Depois de ler o livro, tinha curiosidade em saber como seria o filme. Já tinha visto algumas imagens e pareceu-me ser bom, por isso lá fui eu. E eu sei que não é certo comparar filmes com livros, porque são coisas diferentes, mas eu estava - sinceramente - à espera de outra coisa.

     A quem já leu a review do livro, a história é exactamente a mesma. Griet, uma moça, vai trabalhar como criada para a casa sobre-populada de crianças irritantes de Vermeer, um pintor de retratos.

     Vou começar pelo ambiente. Antes de mais, era cinzento de mais. A única imagem luminosa foi de umas nuvens que não tinham nada a haver com nada. Eu estava à espera de um filme em tons de dourado, mas ele parecia exalar uma humidade e um cheiro a mofo incontornáveis. A música, que deveria ter ajudado a recriar um bom ambiente para a história, era completamente desapropriada. Em vez de melancolia, fazia lembrar um thriller dos anos 80.

    Formam omitidos alguns detalhes importantes da história, como a família de Griet, o que contribui muito para a falta de desenvolvimento dos personagens ao longo do filme. A progressão do tempo e a evolução não são acentuadas e parece que as relações entre os personagens são completamente estáticas.

     Os actores, terríveis. Imagino o porquê de terem escolhido Scarlet Johanson para o papel, afinal de contas precisávamos de alguém semelhante à verdadeira rapariga do brinco de pérola para ser pintada. Mas a sua prestação era tão má, mas simplesmente tão má... Não tinha conteúdo absolutamente nenhum e parecia que a única coisa que ela sabia fazer era hesitar e beijar. É certo que o papel não era muito complexo, mas a personagem ficou tão apagada que não deu força motriz ao filme. O mesmo se aplica aos outros actores "principais", que parecem não ter agarrado as personagens e estarem a fazer tudo de alma vazia.

    A única coisa que aprovo sinceramente neste filme foi a recriação histórica, que deve ter dado uma trabalheira. Os detalhes das vidas das criadas não são tão ricos como no livro, mas serve para o efeito.

     Um filme bom em termos de produção e caracterização, mas insuficiente nos outros aspectos. Se forem fãs do romance histórico, como a minha mãe, com certeza que vos recomendo este filme.
  • A Rapariga com Brinco de Pérola

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    A Rapariga com Brinco de Pérola
    Tracy Chevalier
    Romance
    2008

     Porque eu também leio livros normais!

     Este livro foi a minha mãe, grande fã do romance histórico, que me emprestou.Trata de uma moça chamada Griet que vai trabalhar como criada para o pintor Vermeer e para a sua numerosa família. Depois vai-se tornando parte integrante do trabalho do pintor e todos ficam escandalizados.

     A escrita é simples e melancólica. Frases curtas, directas, descrições comparativas. É criado um ambiente bastante triste e de progressão lenta. Não é nada de extraordinário, mas serve para o efeito. Achei que havia demasiadas comparações inúteis e uma descrição demasiado intensiva do dia-a-dia da criada. Se bem que é este dia-a-dia que caracteriza a cidade e o ambiente da Holanda do século XVII. Irritou-me a Griet tratar sempre o seu Mestre por "Ele" e "O meu Mestre", mas ok, faz parte do fascínio que ela tem pelo homem.

     Temos personagens difusas. Apenas Griet, a principal, se encontra descrita completamente. De todos os outros é-nos dada apenas uma resenha, umas linhas descritivas gerais que nos permitem mais ou menos visualizar de quem estamos a falar.

     A história é interessante e dá uma nova perspectiva ao já conhecido quadro da Rapariga com Brinco de Pérola. No entanto a sua conclusão é fatídicamente evidente e básica, o que torna tudo um pouco mais desapontante.

     Em resumo, um bom livro, gostei muito de o ler e manteve-me presa às páginas durante muito poucas viagens de autocarro (porque entretanto o acabei, haha). Mas parece ficar aquém das expectativas que criou para si próprio. É valioso pelo ambiente melancólico que inspira.
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