Quando precisava de um anime para ver em grupo, fui pedir sugestões a uns outros amigos a ver o que me davam. E o que me deram foi uma jóia mais que preciosa, um diamante perfeitamente lapidado, só que em forma de cagalhão.
O nome desse diamante é Chargeman Ken!
Se em 1973 as crianças em Portugal sofriam com o final de uma ditadura, as crianças do Japão sofriam com a OP de Chargeman Ken!. Cantada por um coro infantil, dizem que o nome do seu Chargeman é Chargeman Ken, Go Go Ken. Após 65 episódios a música acaba por ficar mesmo na cabeça, por mais que a gente não queira.
De resto, o que dizer do nosso Chargeman? Do nosso Chargeman que é o Ken? Então, Ken sofre de uma doença que o desfigurou completamente, a ele e aos outros personagens todos, porque está tão horrivelmente mal desenhado que só pode ter sido criado, no seu conceito de design, pelos pés de uma pessoa com Parkinson. Segundo consta, os animadores estavam muito a ralenti com este anime, porque iam para a praia em vez de trabalhar nele.
Confere: temos sequências de animação absurdas, em que Ken rebola e rebola sobre si mesmo, a arma muda de sítio, pessoas não estão pintadas e vivem uma vida monocromática na multidão; temos acetatos partidos nas keys, temos pêlos e estranhos pentelhos nas keys. Temos até um momento em que aparece simplesmente uma folha com uns números escritos, que terão se esquecido de tirar (ou terá sido de propósito que lá ficou?) A transformação de Ken é sempre igual em todos os episódios, na sua luta contra os terríveis Juralianos (umas criaturas tentaculares e monoculares, que vivem debaixo do mar, liderados por um gajo com dedos de macarrão, que querem destruir a humanidade por nenhuma razão específica mas que, em oposição a Ken, morrem muito facilmente). A transformação de Ken que é sempre igual costumava ter uma musiquinha muito gira e psicadélica, mas não é sempre, porque o director de som deste anime devia ser surdo, já que raro é o momento de acção que tem banda sonora.
De resto, as personagens são do mais esquisito que há. Ken não tem nenhuns amigos, fora a irmã Caron (que tem um ar estranhamente adulto, muitos panty shots e dá facadas), e o robô de estimação Barican, que é sem dúvida um robô alcóolico sempre com os olhos tortos.
Mas o mais estranho no meio disto tudo é o abordar de temas essenciais e relevantes, mas da forma mais estúpida possível. Falamos do mau trato a animais, de bullying, de diferenças entre estratos sociais... Mas sem que nada disto faça sentido nenhum.