• Cavalos em Fuga

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    Cavalos em Fuga
    Yukio Mishima
    1969
    Romance


    Como sabem, adoro Yukio Mishima e não perdi a oportunidade de comprar mais um livro dele na Feira do Livro. Este é um livro quase premonitório sobre o que aconteceu na própria vida do autor, o que é um pouco estranho.

    Um jovem nacionalista decide, inspirado por acontecimentos da época Edo, organizar um ataque terrorista em grande escala por forma a eliminar os industriais e políticos que - segundo ele - deixaram de respeitar o Japão enquanto país integral e a força suprema do imperador. Vamos acompanhar a preparação deste ataque, e o julgamento depois de serem apanhados.

    A prosa é linda de morrer, como sempre, com um erotismo pungente presente ao longo de todo o livro, erotismo esse que serve de marca para a força masculina e para a estética do poder do homem que se manifesta nas atitudes dos personagens.

    Apesar de se passar numa época sobre a qual sei muito pouco, o autor com poucas palavras consegue estabelecer o tempo e o espaço com uma perfeição sublime.

    Adorei este livro, e Mishima continua no meu top.

  • Pôr do Sol

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    Pôr do Sol
    Rui Melo, Manuel Pureza e Henrique Cardoso Dias
    2021
    Novela


    A novela que chegou para acabar com todas as outras novelas.

    Pôr do Sol é uma novela absurda, que coloca todos os cânones do género de pernas para o ar, com piadas divertidas, momentos completamente malucos e, na generalidade, a loucura total. Tudo acontece a estas personagens, desde as gémeas separadas que afinal são três, até acidentes de avião, passando por corridas de cavalos para trás e crises de cereja que sabem a marisco.

    No entanto, o formato é muito repetitivo porque, apesar de ser uma novela a gozar, continua a ser uma novela e isso é uma seca brutal. Podiam ter cortado metade das reviravoltas sem tirar qualquer tipo de conteúdo, que já por si não é muito. Também não percebo a existência do conjunto de personagens lisboeta, que não faz nada e só diz graças que pouca graça têm.

    Apesar de alguns momentos cómicos geniais, o Pordosolpordosolpordosol não tem muito sumo de cereja que se possa tirar, e acho que já toda a gente se esqueceu dele (apesar de o filme estar aí agora).

    De resto "Beavers in Love" é um clássico inesquecível.

  • The Green Witch

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    The Green Witch
    Arin Murphy-Hiscock
    2017
    Livro Prático


    Livro que li para um BookClub de Bruxaria.

    Este é um livro curtinho que fala sobre o caminho da bruxaria verde e explica um pouco como aplicar esses conceitos à prática mágica e espiritual. Fez-me confusão a autora constantemente dizer "isto não é wicca!" e depois estar sempre a usar conceitos wiccanos nas suas sugestões de feitiços e magias, assim como na roda do ano e tudo o mais.

    Existe um glossário de ervas, plantas e pedras que pode ser útil, mas que me pareceu bastante incompleto. De resto, o livro compõe-se quase todo de sugestões de receitas e, como detesto cozinhar, isso não me interessa.

    Fiquei bastante desapontada.

  • Red, White and Royal Blue

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    Red, White and Royal Blue
    Casey McQuiston
    2019
    Romance


    Um livro que li para um BookClub LGBT, e que é claramente ficção científica. O filho da presidenta dos Estados Unidos (não houve Trump neste livro) apaixona-se pelo príncipe de Inglaterra. Sim, faz muito sentido.

    Apesar de tudo, o livro está bem escrito e fala de vários elementos políticos dos dois países que têm o seu interesse. As personagens, que passam de inimigos a amantes num flash, são interessantes e realistas, podiam ser realmente pessoas normais que conhecemos da nossa vida regular.

    Achei que as cenas sensuais podiam ter sido mais picantes, precisava de uma descrição imensamente mais detalhada do último membro da família real (sabem qual é). Existem momentos muito giros da aceitação da populaça em geral desta relação, que tornam a leitura bastante divertida.

    Uma fantasia completa, mas quem não gosta de fanfiction?

  • A Obscena Senhora D e Outras Histórias

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    A Obscena Senhora D e Outras Histórias
    Hilda Hilst
    2022
    Contos


    Primeiro livro que li do meu stack da Feira do Livro, só muito depois reparei que debaixo do C está uma bela e boa pachacha. E este livro é sobre isso: pachachas.

    Aliás, é um verdadeiro glossário para todas as palavras e sinónimos de pénis e vagina que se possam imaginar. Porque Hilda Hilst fartou-se de escrever coisas bonitas e passou só a escrever porno, e é disto que este livro trata. São vários contos, cada um mais escabroso que o outro, em que a autora se diverte à brava a descrever todas as formas e feitios da arte do amor.

    O livro é tanto chocante como hilariante, e está escrito de forma bastante complexa e desafiante. Mas a partir do momento em que entramos neste mundo de fantasia sexual desabrida, lá estamos, e fazemos parte dele.

    Não é um livro para quem tenha um estômago fraco.

  • Mal Viver e Viver Mal

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    Mal Viver e Viver Mal
    João Canijo
    2023
    Filmes
    7 em 10


    Como estes dois filmes são gémeos vou falar dos dois ao mesmo tempo. Vimos os dois no cinema, primeiro o Mal Viver, depois o Viver Mal.

    Tendo como base um hotel, um dos filmes fala dos proprietários, do drama familiar de um pai que morreu, de uma mãe em depressão, de uma avó violenta, e da relação entre várias gerações de mulheres que estão ali presas num hotel que também é a sua casa. O outro filme fala dos hóspedes do hotel, e os dois estão ligados porque num e noutro vamos ouvindo as conversas perdidas, vozes ocultas e encontros secretos.

    Os filmes são suportados por um diálogo muito vivo e pleno de ironias, mas também pela qualidade do elenco, que traz à vida as histórias destas gentes, destas pessoas, destas coisas. 

    Parece que o Mal Viver vai para óscar, espero que o aceitem.

  • Trafaria Bluegrass

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    Trafaria Bluegrass
    Festival de Música


    Uma amiga estava a voluntariar neste evento, então fomos lá ver. Eu nunca na vida inteira tinha ido à Trafaria, apesar de ser tão perto, e não fiquei especialmente impressionada. O festival em si passava-se na praça central da vila, e não havia nenhum sítio para estar sentado (aliás, havia mas estava tudo ocupado). Foi uma tragédia para encontrar um restaurante com lugares para nós.

    Quanto à música, este é um estilo com o qual não estou familiarizada: música típica americana, com instrumentos de época e sem carga de bateria. A música era agradável e divertida, parecia que estávamos num bar em New Orleans, mas o cansaço era tal que - não podendo estar sentada - não consegui apreciar bastante.

    Ainda ficámos com uma caneca de metal muito bonita, mas cuja tinta lascou logo no primeiro momento em que caiu ao chão.

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