• Nem todos os cactos têm picos

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    Nem todos os cactos têm picos
    Mosi
    2017
    Banda Desenhada

    Queria comprar este livro desde o AmadoraBD de 2017 e por isso, desta vez em 2021, aproveitei a tal promoção para o trazer.

    Confesso que fiquei um pouco desapontada. Este é um álbum curtíssimo que nos conta a história de duas amigas de infância, dos seus pequeninos conflitos e das suas pequeninas consolações, em que a amizade é sempre o maior valor. Fiquei com a sensação de que a história poderia ser autobiográfica, por causa das referências de roupas e estilos, que estão bem colocadas dentro do contexto.

    Ainda assim, penso que esperava um pouco mais de uma história sobre este tema. Apesar de os desenhos serem bastante bonitos, isso não me chegou para compensar uma premente falta de conteúdo. Talvez fizesse mais sentido numa zine.

  • Toutinegra

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    Toutinegra
    André Oliveira e Bernardo Majer
    2019
    Banda Desenhada

    Comprei este livro no AmadoraBD para aproveitar uma promoção de "leve 4 pague 3". Valeu bem a pena, porque foi um bom achado.

    Duas crianças são as únicas fontes de esperança para uma aldeia envelhecida e perdida no tempo e no espaço. A vida delas vai dar uma grande volta quando, num moinho abandonado, descobrem a "toutinegra", uma criatura estranha e negra que traz más notícias.

    A história é por vezes um pouco confusa, por causa das mudanças de perspectiva que não têm nenhum indicativo na arte que nos permita situar-nos em cada realidade. No entanto, o resultado final acaba por ser bastante comovente e desesperançoso, como uma "má notícia" da toutinegra. Aliado a uma arte delicada, redonda e suave, o efeito coloca-nos perante uma certa onda de desespero.

    Um álbum eficiente.

  • A Culpa é Minha

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    A Culpa é Minha
    Louise O'Neill
    2015
    Romance

    Livro recebido na Chuva de Livros de aniversário do BookCrossing.

    Ao início fiquei triste por receber um livro juvenil, mas com a leitura descobri que por vezes não podemos julgar o livro pela capa. Este é um romance violento e pleno de trauma, que fala sobre um assunto que me toca especialmente.

    A autora apresenta-nos uma protagonista aparentemente detestável e vazia, com amigos igualmente ocos. Quando algo de trágico acontece, de quem quer que seja a responsabilidade, toda esta fantasia social se desmorona.

    Neste livro surge o debate sobre o consentimento, mas da perspectiva de uma vítima que tem a confiança totalmente abalada e destruída, e que depois se torna uma casca de si própria, consumida pela culpa, pela dúvida e pelas memórias verdadeiras e falsas. Apenas gostaria que a autora não tivesse "saltado" o processo de aceitação, apenas referindo-o em breves flashbacks, e que tivesse dedicado mais tempo à atitude imediatamente após o acontecimento.

    Penso que assim o livro seria mais forte.

  • János vitéz

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    János vitéz
    Marcell Jankovics
    Animação - Filme
    1973
    6 em 10

    Uma adaptação do poema épico homónimo, húngaro, em animação.

    É um filme com recursos simples e uma animação um pouco desactualizada para a época, mas em que os elementos fantásticos se desdobram para criar uma festa visual inusitada, romântica e divertida, em que realmente entramos nesta história de encantar.

    O nosso protagonista é um homem que vive apaixonado pela filha de uma bruxa, que os afasta. A partir daí ele vai viver muitas aventuras, por vezes com esperança, outras vezes com desespero, mas sempre com uma grande atitude e coragem.

    Cada encontro do nosso herói vai revelar-nos algo sobre o folclore húngaro e outros mitos e lendas, tudo com diálogos belos - ou não fosse um poema épico.

    Apesar das suas falhas, é um filme encantador.

  • Macunaíma

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    Macunaíma
    Mário de Andrade
    1928
    Romance (?)

    Livro que me foi oferecido pelo meu pai e que.... Céus.... É inexplicavelmente bom.

    Macunaíma é a representação de todo o povo brasileiro, por isso é um herói. Mas é um herói sem nenhum carácter. Mário de Andrade vai contar-nos as aventuras dele e porque é que uma série de coisas existem hoje em dia: é por culpa do Macunaíma.

    Fartei-me de rir com este livro, apesar de não entender nem metade dos termos. Sei que eram fauna, flora ou mineral, nas suas mais variadas formas e sentidos, alguns que nem sequer existem. Aprendi imenso folclore, algum mesmo recolhido das várias aldeias por onde o autor passou na sua viagem sabática, outro simplesmente inventado, porque.... Porque não?

    É um livro que sem dúvida ficará na memória e ao qual, um dia destes, quero voltar.

  • Collective

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    Collective
    Alexander Nanau
    2019
    Filme
    7 em 10

    Com este filme aprendi que houve um escândalo de saúde pública na Roménia, relacionado com a morte de (muitas) vítimas de um incêndio na sala de espectáculos Colectiv onde estavam a ver um concerto de metal.

    E este filme é realmente estranho porque, se isto for real, como é que não soubemos de nada? Se isto for real, podemos realmente confiar nos sistemas de saúde europeus e mundiais? Se isto for real podemos realmente confiar nos nossos governos?

    O documentário é altamente detalhado na investigação desta situação, mostrando os diferentes intervenientes que ajudaram a levantar o tapete sobre este poço de horrores. No entanto, fico a pensar que tudo teria de ter sido filmado antes de tudo ter sido descoberto, e como é que isso aconteceu?

    A incredulidade com que o filme nos deixa é tal que sinto que não o consigo classificar.

  • Shuggie Bain

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    Shuggie Bain
    Douglas Stuart
    2020
    Romance

    O vencedor do Booker Prize 2020 chegou-me através da bondade do BookCrossing.

    Este é um livro duro e violento, com pinceladas autobiográficas do autor, que fala sobre a vida de um menino numa Irlanda empobrecida e ignorante dos anos 80. Mas sobretudo, é um livro que fala sobre a doença do alcoolismo e do seu efeito destrutivo em tudo o que rodeia a vítima.

    É um livro difícil, com muitas passagens escritas num forte sotaque irlandês muitas vezes indescernível, e com um ritmo lento e sempre negativo. Para mim este foi o pior aspecto do livro: mesmo as pessoas mais infelizes terão, de vez em quando, algum momento alegre. Aqui, tudo é terrível, tudo é infeliz e é tudo sempre a descer. Esta negatividade, que nos leva para o fundo do poço e nos faz terminar numa elipse de infelicidade, torna o livro repetitivo e um pouco aborrecido.

    Apesar de ser um retrato valioso, com importantes questões que se levantam, fico na dúvida se a qualidade da escrita mereceria tal gabarito.

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