Braveheart
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Braveheart
Mel Gibson
1995
Filme
7 em 10
Um épico do cinema que eu nunca tinha visto. Um filme de aventura e guerras medievais que, sendo muito divertido, tem muitas coisas a apontar.
Em idos séculos, naquela a que chamamos hoje "idade das trevas", bravos escoceses procuram defender as suas terras e as suas esposas dos invasores ingleses, dominados por um rei ambicioso e maléfico. Um destes guerreiros se destaca e começa a ganhar batalhas, com ajuda do seu fiel grupo de seguidores. É motivado pelo desgosto de lhe terem assassinado a esposa a sangue frio e está a causar um grande fervor quer entre os seus companheiros quer entre os inimigos.
Apesar deste mote romântico e épico, o filme é muito simples, quer estruturalmente quer em conteúdo. As personagens têm um desenvolvimento concreto, mas este é pouco realista e improvável, tornando-as muito simplórias e pobres em complexidade emocional e humana. Mas, ao mesmo tempo, as personagens ganham o seu espaço no coração do espectador através da narrativa bem humorada, plena de pequenas piadas e deixas engraçadas, até nos momentos mais trágicos. Assim, esta viagem de três horas pelo coração das planícies escocesas torna-se numa verdadeira aventura, em que estamos a lutar ao lado destes guerreiros e pensamos com eles, através deles.
Gostaria também de referir que, embora o design dos cenários e guarda roupa, assim como os traços gerais da sociedade da época, tenham algum fundo de verdade, os materiais utilizados na produção são pobres e demasiado modernos para o contexto em causa.
Gostei muito deste filme e sobretudo do final emotivo e emocionante!
By : ladyxzeus
Castlevania: Curse of Darkness
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Castlevania: Curse of Darkness
Yamada Sakurako
Manga - 4 Capítulos / 2 Volumes
2005
5 em 10
Recordo-me perfeitamente que comprei este manga através de um utilizador do AnimePortugal, entretanto extinto. Este utilizador, que poderei chamar de cabeça de escroto neste espaço, prometeu-me que o manga tinha apenas um volume. Podem imaginar a minha felicidade quando descobri que o segundo volume também existia e que ainda por cima era bastante difícil de encontrar (o que significa que sim, que foi caro). Com ajuda de um amigo, encontrei-o à venda e consegui obtê-lo, apenas para descobrir que deveria ter existido um terceiro volume que a autora nunca completou.
Agora, esta autora. Uma incompetência flamejante. A história, supostamente baseada no jogo, está apenas focada em Hector e Isaac depois do castelo do Drácula ter sido destruído. Hector tenciona ter uma nova vida com uma amiga e Isaac tenciona provocar o caos no mundo. Mas esta história, cheia de potencial, é difícil de descortinar devido ao estilo narrativo deste manga.
Vinhetas confusas, imagens passando de umas para as outras em traços muito finos que tornam difícil de distinguir as cenas e a quais corresponde o diálogo, uma leitura simples porque simplesmente temos de ignorar os desenhos. A maior parte não se entende porque os traços gerais estão incompletos, havendo uma utilização medíocre de um valor de produção que, aparentemente, também é medíocre.
Parece que a autora desenhou várias vinhetas e as atirou todas para um escorredor de esparguete. Um manga que me enfurece e desaponta, porque o cabeça de escroto do utilizador me enganou para se safar deste livro e porque gastei um pedaço da alma a tentar encontrar o resto.
By : ladyxzeus
A Viagem de Théo
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A Viagem de Théo
Catherine Clément
1997
Romance
Recebi este livro gargantuesco através do BookCrossing. A sua leitura, um pouco prejudicada por me contarem o final (que eu não queria que fosse assim), foi morosa e desapontante. Mas esta autora já me tem desapontado mais vezes do que gostaria.
Théo é uma criança encantadora e riquíssima que está doente com uma doença misteriosa que nunca é revelada. A sua tia riquíssima leva-o então a uma viagem à volta do mundo, para descobrir as religiões todas do mundo e participar em todo o tipo de rituais que tenham em vista a sua purificação física.
O que mais me irrita nesta autora é como todos os intervenientes são "ricos". Não uma qualquer burguesia francesa, mas os extremamente ricos. Todos são cônsuls e pilotos de aviões e grandes industriais e todos são muito cultos e todos falam de uma maneira afectada. As interjeições entre os diálogos ("zangou-se a Tia Marthe", "reclamou o Imã", "retorquiu Ashiko") fazem com que todos pareçam ser horrivelmente antipáticos e fazem com que o ódio ao capitalismo se inflame dentro de mim. Assim, o meu desejo ao longo do livro foi que Théo morresse, de uma forma longamente explicada, infeliz e dolorosa. Ver acima o spoiler.
De resto, as explicações sobre as religiões são enfadonhas e pouco esclarecedoras, incluindo muitos viés da própria autora (se a Tia Marthe é ateia, porque diz "nós, os cristãos") e pouca atenção ao detalhe histórico e social.
Quando a autora, para falar dos intocáveis da Índia, escolhe uma pessoa da casta superior a todas as outras, algo me soa mal.
By : ladyxzeus
First Reformed
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First Reformed
Paul Schrader
2017
Filme
6 em 10
Apesar de também ter um motivo religioso, não quero significar com este filme que estamos viciados em religiões. Mas calha. :p
Um padre de uma igreja turística vive a sua vida com grande calma e, um dia, decide fazer um diário para falar com deus. Pensa ele que não consegue mais rezar e, por isso, a sua chama enquanto clérigo começa a ceder. No meio das suas ocupações, um casal jovem procura-o para aconselhamento: o rapaz tem uma visão do mundo altamente pessimista e está envolvido com diversas associações ambientalistas. A partir desta relação se constrói uma análise de personagem.
Apesar desta análise ter o seu interesse, do encontro de deus num novo tipo de obsessão e no não-esquecimento da humanidade pessoal, parece-me que a personagem tem certas fragilidades que perturbam a narrativa da história. A sua bondade inerente, a placidez da sua loucura e o facto de estar cada vez mais doente fazem com que este padre fique aquém da revolução que pretende representar.
Também existem estranhos momentos de comédia que, apesar de darem alguma cor ao filme, parecem não vir a calhar na maior parte das vezes. No final, fica uma grande aventura social por contar.
By : ladyxzeus
InuYasha: Kanketsu-Hen
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InuYasha: Kanketsu-Hen
Furuta Jouji - Sunrise
Anime - 26 Episódios
2009
6 em 10
Se a primeira season de InuYasha, composta por quase uma centena de episódios, se revelou inconclusiva, esta segunda season pega nas pontas soltas e dá-lhes um nó tão gorducho que a conclusão não podia ser pior. O falhanço anacrónico da autora original, a Rumiko, é provado uma e outra vez com estas conclusões para séries longuíssimas.
Estes vinte e seis episódios constituem-se de InuYasha a lutar contra monstrengos variados, cada um mais poderoso que o outro, enquanto existem conspirações palacianas que envolvem os seus familiares. Enquanto isso, a heroína Cagou-me sofre horrores e faz brilhar o seu grande-grande amor.
Tudo isto pontuado por uma animação infeliz, com um valor de produção desadequado e mal utilizado, em que os erros anatómicos, erros no design das cores, erros no design em geral e ua completa ausência de cenários, fazem com que a experiência seja um falhanço.
Também não temos uma banda sonora digna desse nome.
Felizmente, se há algo de bom que este anime faz é dar algum tipo de espécie de conclusão à série, por mais previsível que ela seja, o que até foi um bocadinho emocionante. Daí dar-lhe uma nota tão dentro da média em vez de o destruir. Mantenha-se sempre a esperança!
By : ladyxzeus
Disobedience
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Disobedience
Sébastian Lelio
2017
Filme
7 em 10
Como pode o amor entre duas mulheres florescer num meio altamente religioso e ortodoxo? Este filme é uma comovente análise do desejo e da libertação do amor sensual, num contexto altamente improvável.
Quando falamos de judaísmo, certamente recordamos o tradicional germanismo e os EUA. Mas a comunidade judaica está viva e muito forte em alguns lugares do Reino Unido, sendo que o filme caracteriza uma dessas comunidades. Desde já é um filme curioso nesse aspecto. Desconhecia muitas coisas acerca da tradição judaica harmonizando-se com o quotidiano da realidade e o local onde se encerra esta narrativa é um caldeirão perfeito para tirarmos algumas conclusões.
De resto, a história que nos é apresentada é apaixonada, muito explícita e desesperada, fazendo recurso a personagens com um conteúdo polposo que permite muito desenvolvimento (se calhar mais do que o tempo limitado do filme nos permite) que só conseguem ser trazidas à vida por um conjunto impecável de actores.
Fica uma nota para a cinematografia simples e para a parca utilização de cenários e adereços, de certa forma virando as costas à tecnologia e dedicando-se mais ao lugar de todos os dias.
Recomendo bastante!
By : ladyxzeus
Maya - O Romance da Criação
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Maya - O Romance da Criação
Jostein Gaarder
1999
Romance
Depois de Sofia, sempre fiquei um pouco curiosa acerca deste autor e do que mais me poderia ensinar sobre o pensamento filosófico. Por isso, pedi este livro no BookCrossing, por onde o recebi.
O autor confunde-se e confunde-nos com uma série de narrativas dentro de narrativas, em que ficamos sem compreender exactamente o que se passou na realidade e o que realmente as pessoas conversaram. Penso que, na contemplação do novo milénio (o livro foi publicado em 99), o Gaarder procura estabelecer uma ligação entre a nossa evolução humana e a evolução do planeta e das outras espécies.
Só que em vez de se dedicar aos excelentes diálogos entre as suas personagens, o autor decide enfiar a martelo por ali no meio uma fantasia sobre cartas de jogar e um anão imagin~a´rio. Isto apenas confunde os pensamentos de quem lê, sobretudo quando se vem a chegar à conclusão final de que o narrador era apenas uma personagem, mas uma personagem que existe e a quem aconteceram todas as coisas, excepto aquelas que afinal não aconteceram. Confuso, certo?
Apesar de o livro nos colocar uma série de questões interessantes, elas acabam por ficar para trás devido à desnecessária complexidade da narrativa.
By : ladyxzeus





