• Disobedience

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    Disobedience
    Sébastian Lelio
    2017
    Filme
    7 em 10


    Como pode o amor entre duas mulheres florescer num meio altamente religioso e ortodoxo? Este filme é uma comovente análise do desejo e da libertação do amor sensual, num contexto altamente improvável.

    Quando falamos de judaísmo, certamente recordamos o tradicional germanismo e os EUA. Mas a comunidade judaica está viva e muito forte em alguns lugares do Reino Unido, sendo que o filme caracteriza uma dessas comunidades. Desde já é um filme curioso nesse aspecto. Desconhecia muitas coisas acerca da tradição judaica harmonizando-se com o quotidiano da realidade e o local onde se encerra esta narrativa é um caldeirão perfeito para tirarmos algumas conclusões.

    De resto, a história que nos é apresentada é apaixonada, muito explícita e desesperada, fazendo recurso a personagens com um conteúdo polposo que permite muito desenvolvimento (se calhar mais do que o tempo limitado do filme nos permite) que só conseguem ser trazidas à vida por um conjunto impecável de actores.

    Fica uma nota para a cinematografia simples e para a parca utilização de cenários e adereços, de certa forma virando as costas à tecnologia e dedicando-se mais ao lugar de todos os dias.

    Recomendo bastante!
  • Maya - O Romance da Criação

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    Maya - O Romance da Criação
    Jostein Gaarder
    1999
    Romance
    Depois de Sofia, sempre fiquei um pouco curiosa acerca deste autor e do que mais me poderia ensinar sobre o pensamento filosófico. Por isso, pedi este livro no BookCrossing, por onde o recebi. 
     
    O autor confunde-se e confunde-nos com uma série de narrativas dentro de narrativas, em que ficamos sem compreender exactamente o que se passou na realidade e o que realmente as pessoas conversaram. Penso que, na contemplação do novo milénio (o livro foi publicado em 99), o Gaarder procura estabelecer uma ligação entre a nossa evolução humana e a evolução do planeta e das outras espécies.
     
    Só que em vez de se dedicar aos excelentes diálogos entre as suas personagens, o autor decide enfiar a martelo por ali no meio uma fantasia sobre cartas de jogar e um anão imagin~a´rio. Isto apenas confunde os pensamentos de quem lê, sobretudo quando se vem a chegar à conclusão final de que o narrador era apenas uma personagem, mas uma personagem que existe e a quem aconteceram todas as coisas, excepto aquelas que afinal não aconteceram. Confuso, certo?
     
    Apesar de o livro nos colocar uma série de questões interessantes, elas acabam por ficar para trás devido à desnecessária complexidade da narrativa.

  • Castlevania Season 2

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    Castlevania Season 2
    Netflix
    Animação - 8 Episódios
    2018
    7 em 10

    Depois do (não) sucesso da primeira season, não conseguimos resistir em ver imediatamente e de seguida todos os oito episódios desta segunda.

    Agora, Trevor Belmont, Sypha e Alucard estão juntos para encontrar o castelo do Drácula e destruí-lo para evitar o holocausto de toda a humanidade. No entanto, Drácula reuniu os seus vampiros generais e estão a tentar organizar uma guerra. Mas, no meio disto tudo, qual o verdadeiro objectivo do velho vampiro?

    Desta feita, houve um melhor desenvolvimento das personagens e das relações uns com os outros, sobretudo na relação pai-filho entre os vampiros e no desenvolvimento de amizades (e inimizades) com novos personagens. Isto permite caracterizar melhor os vampiros enquanto comunidade e estabelecer melhores âncoras com os vários passados e, com isso, com o que se está a passar na série. Infelizmente, fazem questão de mencionar isso ao longo de todo o último episódio, o que é ligeiramente parvo e parolo.

    Se a animação das cenas de diálogo é extremamente fraca (e estas também, devido ao uso constante de piadas que não correspondem em nada às personagens), já aquela das cenas de acção não se fica por menos de surpreendente. Com recurso a técnicas bastante simples, sem nenhuma profusão digital, temos o melhor aproveitamento de coreografias muito bem pensadas, tornando cada luta num corropio de emoções e num tornado de sensações visuais.

    Apesar do final ao mesmo tempo foleiro e extremamente tocante e comovente, ainda nos deixaram espaço para mais uma season. Tenho esperança que seja como os jogos e agora passem para um novo capítulo, com outras batalhas e outros inimigos.
  • The Ballad of Buster Scruggs

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    The Ballad of Buster Scruggs
    Joel Coen & Ethan Coen
    2018
    Filme
    7 em 10
    Desta feita, os nossos irmãos Coen surpreendem ao fazer um filme produzido e distribuído pelo novo gigante televisivo: a Netflix. No entanto, este é um filme digno de figurar entre aqueles com maiores valor de produção e maior dedicação dos autores. Baseado numa série de histórias escritas na infância dos irmãos, este é um conjunto de contos cinematográficos que nos remete para um universo de livros de cowboys e fantasias.

    Dividido em seis partes, que são também seis histórias distintas, algo une todas as histórias. Para começar um mordaz sentido de humor que deixará por terra até os mais fortes. Tendo isso em consideração, as histórias são surpreendentes, trágicas e, ao mesmo tempo, terrivelmente engraçadas. Depois, todas elas têm um tema em comum. Todas falam, de uma forma ou de outra, da morte e da contemplação do fim.

    Para além disso, temos um conjunto de imagens fotográficas ao longo do filme que nos remetem para um passado longínquo e para uma natureza distante e agressivamente selvagem, mas em que o pior continuam a ser sempre - e para sempre - as pessoas.

    Um filme que passa num instante, de uma comicidade culpada e filosófica.
  • Popee The Performer

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    Popee The Performer
    Masuda Ryuuki - Nippon Animation
    Anime - 39 Episódios
    2000
    4 em 10
    São trinta e nove episódios, com quatro minutos cada um. Portanto, pouco mais de duas horas e meia de puro horror e sofrimento.

    Um anime que se popularizou durante uns instantes porque envolve um palhacito, cócó e sangue do nariz, trata-se nada mais nada menos que uma sequência de historietas sobre o circo, que envolvem desgraças em maior ou menor nível. Um anime infantil (fora o facto de os bonecos sangrarem), meio demente, que seria muito engraçado se não fosse absolutamente horroroso.

    A animação desta coisa é um objecto de negação da arte. Não há uma linha direita nestes sprites digitais e a sua textura, estrutura, anatomia, design geral e movimento são tudo menos coerentes. Tudo falha, há erros em todos os momentos e parece que cada episódio foi feito pelo mais incompetente estudante do curso profissional de animação do novas oportunidades.

    Temos um conjunto de musiquinhas assustadoras e perturbadoras que ligam muito bem com o pavor que é isto tudo.

    Fica um pontinho a mais pela originalidade.
  • Captured in her Eyes

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    Detective Conan: Captured in her Eyes
    Kodama Kenji - TMS Entertainment
    Anime - Filme
    2000
    6 em 10
    Ver os filmes de Detective Conan tem sido uma aventura e, ao mesmo tempo, um enorme sacrifício. Mas este filme, o quarto da saga, foi moderadamente agradável e simples de aturar. Um alívio!

    Mais uma vez, Conan tem de encontrar um misterioso assassino que nem mesmo os mais profissionais detectives conseguem descortinar. As pistas são poucas mas, como habitualmente, são muito simples e evidentes. Mas não é o caso que torna este filme interessante. O que faz este filme, até agora, mais ou menos único na saga é o facto de se explorar um pouco a relação entre as personagens e de quase se perceber que Conan é um adulto preso no corpo de uma criança. Nesse aspecto, o filme torna-se bastante original e foi isso que me manteve a vê-lo com alguma atenção.

    Temos também uma animação superior à média destes filmes, com utilização inteligente dos cenários em proveito da acção. A qualidade de imagem está aprimorada e temos algumas cenas de acção bastante intensas, com um valor de produção bem usado.

    Musicalmente, temos um tema final que não faz muito sentido mas que pode ser agradável ao ouvido.

    Ainda me faltam ver alguns filmes, mas agora tenho a esperança renovada!

  • Sara

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    Sara
    Bruno Nogueira / Marco Martins
    Série - 8 Episódios
    2018

    Mais uma série portuguesa com o cunho de Bruno Nogueira. Dá vontade de dizer "claro que é uma comédia". Faz rir, mas não diria que é bem uma comédia.

    Sara Moreno é uma actriz, de teatro e filmes portugueses daqueles que estreiam em Cannes. Sempre teve jeito para chorar mas, um dia, decide que não consegue mais. A partir daí a sua vida altera-se imensamente, porque passa a encontrar o seu lugar no seio das novelas mais parolas e deprimentes de que há memória. Enquanto isso, tem de ler os escritos do seu pai doente e deprimido.

    Se esta série tem momentos hilariantes (a maioria das vezes protagonizados pelo bizarro "agente" Albano Jerónimo), trata-se mais de uma análise àquilo que é ser actor e ao lugar do actor no panorama cultural. Se não há espaço para uma actriz que, talentosa, é remetida para o lugar da novela porque "não consegue chorar", qual a função do entretenimento? Qual a função da televisão?

    Enquanto isso, temos personagens que - mais que uma caricatura - simbolizam um certo sorriso de desespero, um sorriso carnívoro da realidade brutal em que não há lugar para os inadaptados.

    No entanto, penso que a série não está perfeita. Encontro-lhe algumas falhas. Por exemplo, se ao início havia uma maior exploração do sentimento de Sara, a narrativa toca em pontos como a gravidez e as relações que depois são abandonados sem mais nem menos. Também é difícil de compreender algumas das interacções de Sara com os seus amigos, sendo que nos episódios finais existe mais uma contemplação da morte que não justifica algumas das atitudes dos personagens.

    Ainda assim, fartei-me de rir em alguns momentos, assustei-me em outros. Recomendo!

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