• Imawa no Kuni no Arisu

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    Imawa no Kuni no Arisu
    Tachibana Hideki - Silver Link
    Anime OVA - 3 Episódios
    2014
    5 em 10

    Tenho alguns OVAs guardados há algum tempo para ver e parece-me que agora é o momento certo. Começamos por este, um anime de três episódios que aparece numa linha muito "Gantziana", se é que podemos falar disso.

    Três rapazes mal encarados vêm-se num mundo maravilhoso em que, para sobreviverem, têm de jogar jogos. São jogos de sorte e azar, de apanhada, das escondidas, assim por diante. Para sobreviverem têm de usar os seus dotes físicos e os seus dotes intelectuais. O que é muito semelhante a Gantz, como dizíamos. Mas adiante.

    As personagens que nos são apresentadas neste OVA têm um fim inútil e servem apenas para caracterizar Arisu (Alice) e permitir um pouco do seu desenvolvimento. O facto de elas terem estado envolvidas nisto desde o início parece, então, um pouco inconsequente e não toca o espectador de forma alguma.

    Temos uma animação satisfatória mas incongruente, com momentos de qualidade mediana intercalados com erros de design bastante óbvios que tornam os movimentos feios e com pouco sentido. Os cenários são interessantes mas pouco desenvolvidos. O mesmo acontece com os jogos, que parecem bastante mais simples do que - penso - o autor gostaria.

    De certa forma, penso que este é apenas um teaser para o manga e pouco mais. Não fiquei com grande vontade de o ler.
  • Yuru Camp △

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    Yuru Camp △
    Kyougoku Yoshiaki -  C-Station
    Anime - 12 Episódios
    2018
    6 em 10

    Há algum tempo que não via nada recomendado pelo meu clube e calhou ver este fatia-de-vida sobre campismo.

    O que podemos dizer sobre campismo. Pessoalmente, é uma actividade que detesto, tendo por prova as muitas Festas do Avante a que fui. Mas este anime mostra as coisas de forma um pouco diferente. Acompanhando algumas raparigas que gostam de estar ao ar livre e fazer actividades do género comer e beber chá, quase que parece que é uma coisa agradável!

    Talvez fazer uma actividade que pode ser irrelevante parecer algo agradável seja uma pouca razão para gostar de um anime, mas a verdade é que me senti muito bem enquanto o via e gostei muito de acompanhar as pequenas aventuras destas meninas, tão bem agasalhadas, enquanto viam novas paisagens e encontravam novos lugares para acampar.

    Não temos uma animação espectacular e o principal valor da imagem está nos cenários. Mas acompanhando estas personagens - simples e directas, sem grande desenvolvimento, - acabamos por nos sentir no mesmo grupo do campismo. Pontuado com algumas músicas bonitas, ficamos a ver como é bom dormir ao relento!

    Não é que vá acampar voluntariamente no futuro, mas quase quase quase que deu  vontade!

  • Mahou Shoujo Madoka★Magica Movies

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    Mahou Shoujo Madoka★Magica Movies
    Urobuchi Gen - Shaft
    2012
    Filmes - 1+1+1
    6 em 10

    Apesar de não ser a maior fã das Megucas, acho que é essencial ver estes filmes. Afinal, Madoka Magica (doravante conhecida por Meguca) é uma espécie de análise e desconstrução do género mahou shoujo. Já houve algumas tentativas, mas esta foi se dúvida a mais popular até agora.

    Os dois primeiros filmes são um resumo da série, com um valor de produção um pouco mais elevado e maior atenção aos detalhes, enquanto que o terceiro filme é uma espécie de sequela que desenvolve um pouco melhor o conceito do divino neste mundo das megucas. Falando deles como um todo, devo dizer que foi uma experiência muito satisfatória, quem sabe até mais do que a série original.

    Com uma animação surpreendente, cheia de detalhes plenos de textura, designs originais e assustadores e um conjunto de sequências que misturam o horror do pesadelo com a cor da magia, temos de admitir que estes filmes são do melhor que se fez nestes últimos anos em termos de animação.

    Em termos narrativos, temos uma história que - sendo um pouco simples - é também bastante original e tem uma conclusão inesperada (excepto talvez, no último arco do terceiro filme, que me pareceu muito longo). As teorias maléficas por trás do que está a acontecer acabam por ser irrelevantes para o contexto que, neste caso, é o do desenvolvimento das personagens. Estas, recebem em vários momentos uma abordagem sedutoramente irónica do que deveria ser uma verdadeira menina mágica, com cenas de transformação, temas de abertura e encerramento e tudo e tudo completo.

    Infelizmente, penso que o desenvolvimento do terceiro filme foi demasiado longo e que algumas secções poderiam ter sido suprimidas para uma composição um pouco mais concreta e arredondada.

    De resto, foi uma boa viagem e recomendo vivamente! Talvez não seja um anime tão espectacular quanto tantos dizem, mas marca a diferença com o seu próprio jeito.
  • O Príncipe da Avenida West End

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    O Príncipe da Avenida West End
    Alan Isler
    1994
    Romance
    Livro que me foi oferecido no aniversário, por sugestão de uma livreira local. Nunca visitei a sua livraria, a Livraria Escriba, mas tenho muita curiosidade! Até para agradecer as óptimas escolhas literárias que me vêm chegando às mãos. :)
     
    Esta é a primeira obra de um professor de 60 anos. Para mais, é uma obra fortemente abraçada ao um judaísmo pouco militante. O autor conta-nos a história de um velhote que, residente num lar para judeus idosos, escreve as suas memórias como forma de explicar ao mundo a origem do nome "dadaísmo", o qual ele afirma conhecer intimamente.
     
    Falamos do seu passado com os dadás e outros que tais, sempre pontuado por um excelente sentido de humor e uma cultura geral de grande interesse, que sempre nos dá algumas informações desconhecidas que são engraçadas. Enquanto isso, voltamos atrás no tempo e conhecemos as paixões antigas deste senhor e alguns dados mais tristes sobre a sua vida. Mas, ao mesmo tempo, no lar de idosos, estão a encenar uma peça, o Hamlet! E um mistério adensa-se entre os velhotes.
     
    Um livro muito engraçado, simples e divertido, com um toque de galanteria pela lingagem do narrador. Também alguns momentos menos alegres e alguns arrependimentos. De certa forma, é um personagem muito bem caracterizado, sólido nos seus pés e, apesar da prisão de ventre, alguém com que nos podemos identificar e conhecer a pouco e pouco.
     
    Uma óptima leitura!

  • Mobile Suit Gundam: The Origin

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    Mobile Suit Gundam: The Origin
    Yazuhiko Yoshizaku - Sunrise
    Anime OVA - 6 Episódios
    2015
    6 em 10

    Mais uma instância de Gundam, ao qual não posso resistir. Desta vez mantemo-nos em UC, o que é um alívio. E, ainda melhor, vamos explorar a história de Char e Sayla antes de a guerra começar. Esta é uma nova perspectiva no anime  e torna o entendimento da primeira saga de Gundam muito mais claro.

    Não me alongando muito na parte narrativa, que está excelente e cheia de detalhes deliciosos, devo dizer que este anime foi uma experiência estranha para mim. Se houve alguns momentos em alguns episódios que achei brilhantes, na generalidade é um OVA um pouco fraco e com muitos aspectos que poderiam ser melhorados.

    Para começar, existem alguns elementos que não fazem sentido, como existirem Gundams (quando sabemos perfeitamente que a sua estreia foi em UC 0079) e serem amplamente utilizados e por os Zakus serem mais fracos que estes. Outra coisa que me desagradou muito (mesmo muito) foi a utilização de um CG terrível, mal encaixado e com cores bizarras nos momentos de acção com robots. Isto tornou as batalhas em algo de muito ridículo e pouco emocionante.

    Por outro lado, temos uma trama política que poderá não aliciar alguns espectadores. Penso que este anime se torna sempre mais interessante tendo conhecimento de toda a saga UC.

    Foi um anime mediano, sempre salvo porque Char Aznable nunca é demais. :p
  • O Contrabaixo

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    O Contrabaixo
    Lagarto Amarelo - Associação Cultural/ Patrick Süskind
    2018/1981
    Teatro

    Despoi de ter lido alguns livros deste autor, estava ansiosa por saber como seria em teatro. Revelou-se um longo e complexo monólogo de um contrabaixista que nunca amou o seu contrabaixo.

    O contrabaixo. Esse instrumento absurdo, obtuso, excêntrico, gordo e gigantesco. Uma coisa horrorosa. Consequentemente, quem tocar esse bicharoco tremendo também será uma pessoa terrível. Este contrabaixista está certo dos seus talentos. Mas será que a sua vida é aquela que ele gostaria de ter? Será que há algo mais para a vida... Sem ser o contrabaixo?

    A relação do artista com a arte e do músico com o instrumento. A instrumentalização da arte e a sua transformação no desespero do quotidiano. O actor explora o som e o toque enquanto descreve a sua vida, fechada e remota, culpando o som grave do instrumento pela sua própria gravidade relativamente à vida.

    A admissão final de que o artista poderá não passar de mais um funcionário, de mais nada além de mais uma engrenagem no processo social. Uma pessoa sem identidade e sem ninguém. Que apenas pode amar-se a si mesmo e ao seu reflexo.

    Um triste, enorme e flácido contrabaixo.

  • A Travessia

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    A Travessia
    Samar Yazbek
    2016
    Não-ficção

    Apesar do seu exílio em França, esta é uma autora Síria. E, enquanto mulher Síria, ela vê a Síria de uma forma muito diferente de nós, os leitores. Através deste livro, a autora gostaria de nos fazer viajar tal como ela: através da fronteira e até aos cenários da guerra.

    Desta forma, ela deseja mostrar ao mundo que está muito enganado em relação ao que se passa naquela guerra. Que está a apoiar o lado errado e que existem muitas formas de resolver o problema, se a comunidade internacional assim o quiser.

    Os horrores contados no livro não me impressionam. Está escrito da forma jornalística habitual, odo jornalista enquanto herói, que torna esta história em algo longínquo, improvável e fantástico. é como se estivéssemos a ler um romance (e o ritmo rápido bem lembra o de um romance) "baseado em factos verídicos". Portanto,  para mim o valor deste livro não se encontra nem nas descrições, nem na qualidade da escrita, que não é especialmente forte, nem no tom geral de desespero.

    Para mim encontra-se num detalhe que pode ter falhado à primeira vista: no discurso político. A autora, ao entrevistar os rebeldes e todos os outros, mostra-nos que há uma política muito difgerente do que aquilo que poderíamos pensar: os rebeldes não são os terroristas. Os terroristas vêm de ouros países para se juntar aos rebeldes. Mas o que os rebeldes querem é libertar-se de Assad e nada mais. A obsessão religiosa vem, digamos, como complemento.

    A forma clara, embora discreta, como a autora afirma esta posição política é o que torna este livro numa leitura essencial.
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