• Mazurca para Dois Mortos

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    Mazurca para Dois Mortos
    Camilo José Cela
    1985
    Romance

    Livro estranho e denso, conta a vida diária de uma aldeia na Galiza, antes, durante e depois da guerra civil.

    O livro conta com uma enumeração constante, quase repetitiva mas ainda assim melódica, de grupos de personagens, famílias, referindo sempre, uma e outra vez, as características principais que o narrador encontra nas pessoas. O narrador pode não ser sempre o mesmo, pois existem ocasiões em que se refere a si mesmo de diferentes formas: o narrador pode até ser o próprio autor, mas tambékm pode ser qualquer uma das personagens.

    No final acabamos por perceber que o que procurávamos desde o início era saber de que forma morreram os dois mortos: isto não nos é nunca revelado e é apenas uma inferência que se tira após toda a leitura.

    No entanto, não gostei mesmo nada dos elementos sexuais, sempre repetidos, sempre constantes, que demonstram uma falta de valorização do ser feminino e do próprio ser humano, em que toda a gente é tida como porca, suja ou incapaz de fazer o que quer que seja. As pessoas deste livro não sabem o que deve ser feito nem porquê, apenas limitando-se a criticar e a ofender todos os outros.

    Foi a minha segunda experiência com o autor, desta feita em português, e desapontou-me um pouco.
  • Giovanni no Shima

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    Giovanni no Shima
    Nishikubo Mizuho - Production I.G.
    Anime - Filme
    2014
    6 em 10

    Um filme com muito de história que mostra uma faceta desta que era desconhecida para mim (e, possivelmente, para outros visionantes): o apoderamento russo de certas ilhas japonesas, no pós-segunda guerra mundial.

    Dois miúdos gostam de comboios e de viajar pelo espaço da imaginação, como no famoso livro "Night on the Galactic Railroad" (cujo nome só sei em inglês, perdoem-me). Tudo está normal até ao dia em que chega um barco de guerra russo e estes começam a tomar conta da escola, das casas e das posses de toda a gente. As pessoas não têm o que comer. Enquanto isso, um dos rapazes faz amizade com Tanya, uma loirita que - fantasticamente - compreende japonês. Ele, fantasticamente, também compreende russo. Falam nas duas línguas, uma cada. Penso que isto, no contexto do filme, seria para demonstrar algum tipo de barreira linguística, mas tem o efeito diametralmente oposto.

    Enfim, depois são levados para a Rússia, onde passam frio.

    É um filme melodramático e altamente previsível, que não acrescenta nada de novo ao cinema desse ano nem ao da década. De certa forma, parece um decalque de outros filmes não muito bons, como o Grave of the Fireflies.

    Distingue-o a arte e animação, que está usada de forma excelente, com uma óptima utilização de formas, texturas e cores. Os designs dos persongens estão muito simplificados, mas num filme de apenas uma hora e meia isto acaba por não incomodar.

    A música é também um pouco repetitiva.

    Um filme interessante para quem quiser conhecer uma perspectiva desta parte da história.

  • Os Jardins de Luz

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    Os Jardins de Luz
    Amin Maalouf
    1991
    Romance

    Este é um romance histórico um pouco diferente do habitual. Foi a minha única compra na Feira do Livro e gostei bastante dele.

    Conta a história de Mani, fundador e profeta do Maniqueísmo, fé que ganhou popularidade nos primeiros séculos depois de Cristo para depois ser esquecida. Conta-nos o autor como Mani, o profeta, teve as suas visões e mostra-nos um pouco de como elas divergiam das vigentes, pregando a união e a busca pela perfeição. E, afinal, não era isso o que os outros profetas diziam?

    Entretanto, Mani é tido como conselheiro de diversos reis, príncipes e outra nobreza, sendo isso o que mais tarde causa a sua desgraça. Ele viaja pelo mundo conhecido dessa época (bem maior do que possamos imaginar) e encontra diferentes hábitos e crenças que muito se unem com a quele ele tenta transmitir.

    O mais surpreendente é constatar como estas sociedades da antiguidade eram tão evoluídas em termos de equilíbrio social, higiene e outras necessidades básicas que foram esquecidas após a sua queda.

    Gostaria de o partilhar no BookCrossing, mas antes vou emprestá-lo ao meu pai.
  • Okja

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    Okja
    Bong Joon-Ho
    2017
    Filme
    8 em 10

    Há certos filmes que revolucionam. Revolucionam a indústria, revolucionam a crítica. Revolucionam-nos. Este é um destes casos.

    Produzido pelo canal online Netflix, este filme é único pela sua distribuição: não passou pelas salas de cinema, excepto em excepções muito exclusivas, e foi libertado directamente na internet para que quem fosse assinante do canal o pudesse ver sem restrições. E, claro, quem não for assinante também o encontrará com toda a facilidade. Para além disso há uma escolha delicada dos participantes, havendo aqui uma mistura entre o americano e o coreano que não pode4 deixar de funcionar bem. Mas, com isto tudo, o filme poderia ser uma vulgar peça televisiva. Será?
     
    Okja é um super-porco, supostamente perfeitamente natural, nascido miraculosamente numa quinta. É enviada para a Coreia do Sul, onde é criada por uma menina e o seu avô. Mas, dez anos depois, o projecto está concluído e agora será levada de volta para os EUA, para ser apresentada como a melhor super-porca e demonstrar o quão ecológica esta espécie é. E, sobretudo, o quão saborosa.
     
    Esta é uma história irónica que nos apresenta a crua realidade da indústria da carne de uma maneira simpática o suficiente para poder ser vista por qualquer um sem nos impressionar grandemente. Mas eu conheço a indústria. E posso dizer-vos que é exactamente assim, o que torna o filme deveras assustador. Temos em oposição a grande empresa, liderada por uma Tilda absolutamente aterradora, e os revolucionários, uma Animal Liberation Front choninhas quue se afasta tanto da realidade que chega a ser cómica.
     
    E, no final, podemos apenas concluir que não podemos lutar nunca contra o sistema, por mais que mostremos a realidade às pessoas.  Como diz a vilã... "Se for barato as pessoas compram".

    E, assim, fica o sentimento agridoce de que este filme não mudará nada. Mas pelo menos tentou. Uma fábula inesquecível, perturbadora e triste. Talvez alguém sinta alguma coisa.



  • Shaun of the Dead

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    Shaun of the Dead
    Edgar Wright
    2004
    Filme
    6 em 10

    Apanhámos este filme na televisão e ficámos a vê-lo. :)

    Shaun é um homem que costuma beber todas as noites mas que, apesar da ressaca, está à procura de um foco para a sua vida. Tem de lidar com a namorada, com a mãe, com o melhor amigo... E agora também tem de lidar com uma epidemia zombie. Temos assim um clássico filme de zombies e da luta pela sobrevivência, mas carregada de uma ironia e, atrevo-me a dizer, de um realismo tão grande que tudo o que faz é... Rir!

    As personagens deste filme são pessoas como nós. Isto é, se houvesse um apocalipse zombie, também nós seríamos zombies. Apesar de tudo, farão tudo para salvarem as pessoas que amam, o que também é bastante natural. Os embates contra os zombies são realistas, poruq equase nunca funcionam. E a interacção entre todos também é perfeitamente natural: também não funciona.

    Não é um filme especialmente bom, mas toda esta componente humana é imensamente divertida e a improbabilidade das situações é ultrapassada pelo sentimento de... O que faríamos nós?

  • Like Father Like Son

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    Like Father Like Son
    Hirokazu Koreeda
    2013
    Filme
    6 em 10

    Queríamos ver um filme Japonês recente, mas havia muito pouco por onde escolher. A nossa escolha recaiu sobre premiados de prémios europeus, de onde costumam vir coisas interessantes. Calhou-nos este, mas foi um pouco desapontante.

    Uma família descobre que o seu filho de 6 anos foi trocado à nascença no hospital. Como é que irão lidar com a situação? É um tema delicado e forte, abordado de uma maneira muito neutra, sem mostrar muito de ambos os lados. O filme parece focar-se sobretudo na relação de um dos pais com o seu filho, que não corresponde ao seu ideal (quer o de antes quer o de depois da troca). 

    Portanto, nesse campo, o filme acaba por falhar o pé, pois a carga emocional de todos os personagens não é devidamente transmitida e todos parecem estar ligeiramente indiferentes aos acontecimentos, excepto- talvez - as crianças. Para além do mais, os actores fazem um trabalho demasiado naturalista, o que acaba por cair em exagero na parte final, retirando muito do realismo.

    Gostei muito, no entanto, da forma como algumas sequências estão filmadas. São perespectivas discretas e intimistas, como um olho vigilante que estivesse escondido por trás de um pano.

    Ainda assim, parece-me uma boa abordagem de um tema difícil.

  • Flip Flappers

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    Flip Flappers
    Oshiyama Kiyotaka - Studio 3Hz
    Anime - 13 Episódios
    2016
    7 em 10

    Tudo o que havia ouvido dizer sobre este anime era terrível. Até que, por obra do senhor, acabou sugerido no meu clube e, assim, acabei por o ver. Mas que agradável surpresa!

    Uma rapariga com uma vida normal é desafiada por uma energética moça que a leva para um mundo mágico onde deverão coleccionar pedacinhos de cristais. Para lutar contra organizações rivais e monstros horrendos, terão de se transformar em meninas mágicas. Assim, sucedem-se episódios com aventuras variadas, cada uma tocando em temas recorrentes da indústria do anime, dando-lhes uma nova interpretação dentro do contexto do flip-flapping.

    Cada episódio mostra um momento de tensão diferente e é através destes que as duas personagens aprendem a formular uma amizade e desenvolvem os seus poderes em conjunto, por forma a combater inimigos cada vez mais fortes. No fundo, este anime é uma revelação da identidade adulta, um "coming of age" muito simples que utiliza o mundo do flip e do flap e dos cristais como mote para a perda da fantasia infantil para encaminhar a personagem para a sua vida real. Assim, o final acabou por ser um pouco insatisfatório, na medida em que tudo ficou bem porque acabou bem,. quando talvez devesse ter havido um contraponto ligeiramente mais realista à situação.

    Muitas das críticas a este anime referem-se ao "estilo por cima da substância". E isto não é mentira. O estilo de animação e as técnicas utilizadas tornam este anime num festim para os olhos (seus cones e bastonetes), com uma variedade de movimentos muito fluídos, uma explosão de cores e formas e cenários muito originais.

    Musicalmente, temos algumas peças um pouco estranhas que se coadunam bem com o tema geral do anime. Gostei especialmente da ED.

    Assim, é com todo o gosto que recomendo este anime. Talvez também eu seja uma plebeia. ;)

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