• Spice and Wolf (6)

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    Spice and Wolf (6)
     Isuna Hasekura
    2006
    Light Novel

    De regresso ao Kobo, estou a tentar fazer uma manutenção na minha lista de Manga do MAL e eliminar coisas em espera. Portanto, lá continuei com as aventuras de Holo e Lawrence.

    Só que, desta vez, o autor fez uma coisa que me irrita solenemente: começou a esticar a história. Neste volume, o que é que os nossos viajantes fazem? Voltam para trás! Mas voltam de barco, o que sempre é uma variação interessante.

    Ficamos a conhecer um pouco de como se processam os negócios fluviais neste universo e também um pouco sobre os estudantes e escolásticos. Isto porque eles acabam por conhecer um novo companheiro de aventuras, um miúdo cheio de dívidas que quer ganhar dinheiro com os conselhos de Lawrence.

    Infelizmente, este novo personagem tem uma caracterização muito fraca. Ficamos sem saber se ele na realidade é muito inteligente ou se, por outro lado, sofre de algum problema cerebral. O seu discurso é estranhamente infantil dentro do contexto e as decisões parecem todas forçadas.

    Pelo menos temos uma belíssima descrição de Holo a dançar. :)

    Para os comentários sobre os volumes anteriores, cliquem aqui.

  • From Up On Poppy Hill

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    From Up On Poppy Hill
    Goro Miyazaki - Studio Ghibli
    Anime - Filme
    2011
    6 em 10

    No outro dia saquei para ver todos os filmes da Ghibli que me faltavam. Comecei por este, por escolha do Qui. No original, este filme tem um nome estranho (Coquelicot qualquer coisa). Foi realizado pelo filho do mestre Miyazaki a quem, infelizmente, ainda falta muita experiência.

    Uma rapariga vive no topo de uma colina e todos os dias pendura bandeiras ao vento. Num barco, o seu colega da escola consegue vê-la. Como irá a relação dos dois evoluir a partir daqui?

    Esta história tem dois eixos centrais: a história de amor e a história da revolução estudantil. A segunda serve muito para apoiar a primeira, mas penso que se tivesse sido explorada em mais detalhe este filme teria muito mais molho para saborear. A história da relação entre os dois miúdos é muito melodramática, como numa novela mexicana muito parva, sendo que a conclusão é tão óbvia como pateta. Quanto à revolução estudantil, existe aqui uma tentatia de relatar os factos ocorridos na realidade dos anos 60 Japoneses, mas a verdade é que o filme os mostra como uma espécie de brincadeira de crianças sem qualquer tipo de consequência, como se lutar pelos direitos de uma facção fosse uma espécie de comédia infantil.

    Em termos de animação, temos cenários que fazem jus ao nome de Ghibli, mas estes são muito estáticos e parece que os personagens,. que recebem elementos animados, não interagem com o espaço que os rodeia. Em termos de fluidez, existem alguns aspectos que estão menos que perfeitos, o que num anime com este nível de produção acaba por se tornar muito pouco aceitável.

    A parte melhor foi, sem dúvida, a banda sonora. Temos muitas músicas características da época em que o filme se passa, com alguns clássicos à mistura, e uma grande variedade que se conjuga muito bem com todos os momentos.

    Mais um filme que nos deixa a conclusão de quem nem tudo da Ghibli é bom.

  • A Invenção do Dia Claro

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    A Invenção do Dia Claro
    Almada Negreiros
    1921
    Ensaio 

    Este livrinho, com menos de quarenta páginas, é um pequeníssimo ensaio introdutório a algumas ideias do autor sobre variados assuntos culturais, nomeadamente a literatura e a pintura.

    De uma maneira simples e com muito humor, Almada Negreiros conta-nos pequenas reflexões sobre a sua vida, sempre relacionadas com a sua forma de observar a arte e, muitas vezes, como esta o pode observar a ele.

    Nesta obra existem muitos textos e frases frequentemente citados por aí nas redes sociais. Por exemplo, aquela de a vida ser demasiado curta para se lerem todos os livros da livraria. Ou aquela do "qual a sua profissão? Poeta" No entanto, dentro do contexto desta obra, as tais citações acabam por se tornar menos relevantes do que as querem querer parecer.

    Um livrito rápido e com a sua graça.

  • O Silêncio dos Inocentes

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    O Silêncio dos Inocentes
    Thomas Harris
    1988
    Romance

    Confesso que sempre tive um medo imenso de ver este filme. Portanto, li o livro! E o livro não me assustou nada, portanto já tenho mais coragem para ver essa obra prima do cinema. :)

    Clarice é uma investigadora novata, ainda na academia de polícia, a quem pedem que entreviste o famosos psicopata Hannibal Lecter. A partir daí, envolve-se na resolução do caso de um outro serial-killer, um anónimo apenas conhecido por Buffalo Bill, contando com a estranha ajuda de Lecter, que partilha conselhos em troca de coisas interessantes em que pensar.

    Este livro é um policial bem estruturado, revelando um certo cuidado na caracterização dos personagens e dos seus problemas mentais e emocionais. Existem muitos detalhes sobre investigações policiais mas, sobretudo, sobre a caracterização das doenças do comportamento que os criminosos possuem. Certamente que houve uma investigação bem cuidada no planeamento deste livro, o que se nota bastante nos detalhes das descrições e, sobretudo, na forma como Clarice tira conclusões, apesar de sempre ajudada por Hannibal Lecter. A dinâmica entre os dois é bastante forte e pode ser lida em diversas camadas, cada uma igualmente profunda.

    Apenas achei que a conclusão foi um pouco precipitada e muito casual. Por mero golpe de sorte Clarice resolve os dilemas e, de certo modo, isso retira muito do realismo que tinha vindo a ser construído ao longo do livro.

    Não fiquei inspirada a ver o resto da série, mas agora gostaria de ver o filme e comparar. ;)

  • I, Daniel Blake

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    I, Daniel Blake
    Ken Loach
    2016
    Filme
    6 em 10

    Este filme estava no cinema aqui perto, mas não calhou ir ver e, por isso, acabámos por fazer a sessão cinematográfica em casa.

    Quando não se pode trabalhar, a vida torna-se complicada. Daniel Blake é um senhor que foi vítima de um ataque cardíaco e, por isso, se está a candidatar a receber o equivalente à segurança social do Reino Unido. Quando não aprovam a sua candidatura, aparentemente por má vontade dos empregados, ele procura alternativas. Acaba por conhecer uma rapariga com duas crianças e tornam-se amigos.

    Este filme é o retrato de uma realidade cada vez mais evidente, que pelos vistos se torna transversal a todos os países. Mostra o quão burocráticos são os elementos para que se possa receber uma ajuda no estado e como, muitas vezes, os utentes são vítimas de injustiças indiscriminadas devido à falta de disponibilidade e compreensão dos empregados do governo.

    Este filme torna-se uma espécie de pequeno ataque de ansiedade, à medida que a narrativa se vai desenvolvendo. Temos um trabalho aceitável pela parte dos actores, mas a verdade é que os personagens não puxam muito ao seu desenvolvimento. Também o final foi por demais evidente e pouco emotivo dentro do contexto.

    Um filme que vale o que vale pelo seu retrato social.

  • Gingitsune

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    Gingitsune
    Misawa Shin - Diomedea
    Anime - 12 Episódios
    2013
    6 em 10
     
    Um fatia-de-vida sobre a filha de um sacerdote num templo e sobre o espírito de uma raposa que lá vive.
     
    Makoto vê Gin desde muito pequena, desde a morte da sua mãe. Desde aí eles têm-se acompanhado um ao outro, com o espírito da raposa dando conselhos e a menina tentando viver uma vida normal com as suas amigas. Acompanhamos pequenos retalhos da vida de uma moça que consegue ver os espíritos dos templos, conversando com eles e obtendo conselhos.
     
    Apesar de termos um tema engraçado, este anime peca pela falta de desenvolvimento das personagens. Também é inconclusivo no respeitante a alguns ramos da história (por exemplo, porque é que o companheiro de Gin se foi embora). Os designs são um pouco fracos e muito simplificados, oferecendo aos espíritos uma certa aura cómica que não se coaduna com o seu conceitos.
     
    A animação é também muito simples, sem fazer uso de grandes sequências ou cenários. Assim, o anime acaba por se focar mais na relação entre as pessoas e os espíritos, mas de uma forma ainda assim muito incompleta.
     
    Musicalmente, temos algumas peças que, individualmente, têm o seu interesse. No entanto, a sua utilização é tão breve e discreta que acabam por sair rapidamente da nossa memória.
     
    Um anime que será esquecido a seu tempo.

  • Paterson

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    Paterson
    Jim Jarmusch
    2016
    Filme
    7 em 10

    Como a vida normal de um condutor de autocarros, numa cidade um pouco incógnita, se pode tornar numa análise poética das sensações humanas e do mundo que nos rodeia? Paterson, nome do personagem e da cidade onde vive, é um filme que consegue fazer precisamente isto.

    Seguindo uma semana da vida do jovem Paterson, assistimos a pequenos detalhes e problemas normais que, se formos a ver, não têm nada de importante. Mas Paterson tem uma característica muito própria: ele escreve poesia. Acompanhamos os poemas que ele vai escrevendo e pequenos dilemas que o inspiram. O mundo aparece como fonte de inspiração e concluímos com o facto de que não vale a pena desistir quando a inspiração chama mais alto.

    Um filme contido, introvertido e intimista, que faz uso dos detalhes com uma calma contagiante. Todos os elementos, desde os cenários à música, contribuem para tornar este filme numa espécie de poema visual.

    Acaba por ser uma experiência muito inspiradora. Recomendo!

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