• Tantei Opera Milky Holmes

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    Tantei Opera Milky Holmes
    Moriwaki Makoto - J.C. Staff
    Anime - 12 Episódios + 12 Episódios
    2010
    4 em 10

    Pois é, parece que - aparentemente - fiz uma maratona de anime. Um dos piores animes que vi ultimamente. Sim senhora, estou mesmo em altas. -___- Curiosamente, sinto que é muito mais fácil maratonar um anime detestável do que um anime realmente bom.

    Então, sobre o que é que é esta coisa? Quatro meninas lindíssimas e fofíssimas são detectives famosas num universo pejado de meliantes. Mas perderam os seus poderes, os toys. Para os reganharem, e reganharem a confiança dos seus pares, terão de viver muitas aventuras. E em que consistem? Oh, várias coisas. Serem atacadas por mamonas assassinas. Serem atacadas por mamilos selvagens. Andarem de fato de banho. Lutarem contra o mal. Quem diria que uma série sobre detectives tem tão pouco mistério. De detectives, estas meninas têm só os nomes.

    As personagens são menos do que um estereótipo. São todas iguais. Os seus interesses envolvem comer e pouco mais. Distinguem-se pela cor das roupas. Em termos de personagens secundários, estão lá só para fornecer oponentes de valor a estas pseudo-meninas. E nem assim fazem um bom trabalho.

    Penso que isto é suposto ser uma comédia, mas está limitada por um exagero constante das características das personagens e das "histórias" em que estão inclusas. A segunda season ainda é pior nesse campo. Não sorri nem uma vez.

    A arte é infeliz, porque os designs são também eles exagerados e sem conexão com o contexto. A animação não é aquela a que o estúdio nos vem habituando, existindo falhas, sobretudo a nível de expressões de personagens e momentos de mais acção, que são subitamente interrompidos para nos darem uma piada com chibis.

    A banda sonora é repetitiva e exactamente igual a tudo o que temos visto nestes últimos anos. Os efeitos sonoros são cartoonescos e as vozes não transmitem qualquer tipo de personalidade.

    Recomendo: que não o vejam. Que o queimem.



  • Coluboccoro

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    Coluboccoro
    Itoso Kenji
    Anime OVA - 1 Episódios
    2007
    6 em 10

    Segundo a informação que encontrei, data o trailer deste anime de 2007, sendo o anime em si muito mais recente e suportado por um projecto em Kickstarter.

    A premissa é muito interessante, assim como o universo. Isto passa-se numa Ásia um pouco futurista, com alguns aspectos de steampunk apropriados à geografia do local. Uma princesa gostaria de ter mais liberdade para ver como vivem as pessoas, portanto vai até uma zona proibida onde encontra uma semente. Essa semente, depois de regada, transforma-se no bicharoco verde da imagem acima. E juntos viverão uma aventura.

    Tendo isto em conta, devo dizer que o principal problema deste anime é precisamente o seu universo. é demasiado grande, complexo e interessante para ser explorado num filme de apenas 26 minutos! Dá vontade de ver mais, saber mais e, talvez, ter uma season inteira de tudo isto. :)

    A animação é bastante simples (a equipa era, também, bastante pequena), mas faz um uso bastante curioso de texturas, quer nos designs quer nos cenários. Os primeiros são também muito bem pensados e apropriados ao mundo em que estamos, sendo altamente detalhados.

    Musicalmente não temos nada a apontar, mas fica a nota para a excelente animação da ED.

    Será que servirá este OVA de episódio piloto? ;)
  • Les Misérables: Shoujo Cosette

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    Les Misérables: Shoujo Cosette
    Sakurai Hiroaki - Nippon Animation
    Anime - 52 Episódios
    2007
    7 em 10

    Este é mais um anime inserido no projecto World Master Theatre, mas desta feita muito mais moderno, tendo sido o seu ano de lançamento e exibição o saudoso 2007. Este anime é baseado na obra homónima de Victor Hugo, da qual não me lembro minimamente. Assim, vi este anime como uma tabula rasa, sem qualquer conhecimento sobre a história.

    Esta, assim como os personagens, são o ponto forte do anime, não fosse trabalho do grande Victor Hugo. Como em quase todos os WMT, temos uma criança que sofre bastante ao longo da sua vida, para depois ter um final justo para a sua situação. Esta é Cosette, que se vê entregue pela sua mãe a uma família que, supostamente, iria tomar conta dela mas que, em vez disso, abusa dos seus esforços, escravizando-a como criada. Por outro lado, vemos a luta da sua mãe para conseguir emprego e dinheiro para a poder criar, apesar de estar longe. E nesse processo acaba por conhecer um homem, Jean Valjean, que - ex-presidiário - se esforça por fugir às autoridades e ter uma vida boa em que possa ajudar os mais necessitados.

    Esta conjugação caminha em direcção a uma revolução e faz um excelente trabalho em avaliar qual a verdadeira situação dos pobres na França do século XIX, que me parece ser o objectivo inicial do autor original. Através do anime podemos ganhar também essa sensação, sendo que o trabalho de adaptação me parece, nesse campo, bastante bom.

    A animação é, no entanto, bastante simples, sendo os designs pouco variáveis, as paisagens moderadamente detalhadas e as cenas de acção reduzidas. Há um bom trabalho na caracterização da época e o anime é bastante sólido e coerente, mas tem pouco de espectacular.

    Musicalmente, temos alguns temas um pouco repetitivos, sendo que a OP e ED estão bastante apropriadas, embora fiquem desactualizadas rapidamente à medida que a história progride. Teria sido uma boa ideia ter feito uma mudança a meio do anime, por exemplo.

    Para quem não conhece o projecto WMT este anime parece-me bastante acessível, pelo que não deixo de o recomendar.

    Nota: apresento também o meu total desprezo por quem chama "Les Misérables" de "Os Mizzies", porque isso é ridículo.
  • Plantas Inspiradoras Plantas Inspiradas

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    Plantas Inspiradoras Plantas Inspiradas
    Exposição
    Ficámos com um pouco de tempo no dia de hoje, portanto decidimos ir à Casa da Cerca ver uma exposição que tinha visto no guia da cidade de Almada. Conforme a descrição no site:

    As plantas do Chão das Artes – Jardim Botânico, tais como o girassol, a papoila, o lírio, a rosa, o cravo, o trigo, o nenúfar, a amendoeira, a romanzeira e o amor-perfeito, que serviram de inspiração a vários artistas ao longo da História da Arte, dão o mote a uma exposição documental.
     
    Através das reproduções de algumas das mais emblemáticas obras de arte refere-se a relação com as artes plásticas enquanto fornecedoras de matérias-primas para a sua realização, mas também os seus usos na alimentação ou medicina e curiosidades com elas relacionadas.
     
    Estas plantas existentes do Chão das Artes são igualmente inspiração para uma coleção de flores cerâmicas que, ao longo do ano, serão colocadas nos canteiros da Estufa. Estas «flores artificiais» foram criadas por grupos de alunos de cerâmica de várias instituições de ensino convidadas a integrar este projeto.
    Portanto, lá chegados, começamos por ver a exposição do artista residente do momento, que consistia numas folhas com riscos que, penso eu, pretendiam simular umas estruturas ondeadas que estavam no chão.
    Depois fomos ver as plantas. Nos canteiros onde costumam estar as flores da estufa, estavam flores de cerâmica, cada canteiro com uma espécie. Para além disso havia uns quadros informativos onde mostravam as plantas em diversos quadros. As cerâmicas foram concretizadas por alunos de várias escolas (de secundárias à Belas-Artes) e eram bastante divertidas! Tirei foto-foto :)






    Depois ainda vimos uma outra exposição de uma artista mais consagrada, Maria Beatriz. O nome da exposição era "Trabalho de Casa" e trata-se de uma colectânea de colagens e outros desenhos de muito interesse, percorrendo décadas desde os anos 60 à actualidade. São imagens um pouco brutalizantes de pessoas nuas e bastante horrendas, mas algumas eram muito interessantes. Gostei sobretudo das tapeçarias e da última sala que tinha alguns temas mais pop.

    Assim foi a nossa tarde. Estas exposições ainda estarão por mais algum tempo na Casa da Cerca, portanto, porque não visitá-las? :)
  • O Pintor Debaixo do Lava-Loiças

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    O Pintor Debaixo do Lava-Loiças
    Afonso Cruz
    2011
    Romance

    Este novo autor português tem vindo a tornar-se famosíssimo porque tem piada e aparece na Time Out. Mais tarde ou mais cedo haveria de o ler e a verdade é que estava ansiosa por saber como era a sua escrita. Este primeiro romance que me calhou, graças a um RABCK no BookCrossing, desapontou-me de sobremaneira.

    A história é sobre um pintor que passou uma bela infância e depois abandona a sua terra natal para ir para os Estados Unidos. Quando deflagra a segunda guerra mundial, volta para Praga para ir buscar a sua mãe, que tinha deixado num asilo de loucos, mas acaba por ficar retido em Portugal, a viver debaixo do lava-loiças de um fotógrafo (que seria, conforme as informações do posfácio, o avô do autor).

    Ora tudo isto seria muito bom, se Afonso Cruz se tivesse dado ao mínimo trabalho de pesquisar quem era o pintor da sua história e a tivesse contado. Tudo isto é uma invenção sem precedentes baseada, provavelmente, na página da wikipedia. Isto torna-se flagrante quando há descrições dos espaços (isto bem se podia passar em Trás-os-Montes em vez de na Checoslováquia) e, sobretudo, nos momentos de guerra. O personagem não é de todo emocionante ou cativante porque não faz mais nada sem ser desenhar olhos, sendo que não há qualquer descrição das outras obras que fez para além destas. Porquê? Porque o autor não pesquisou.

    A linguagem é desadequada para a época e para os locais onde estamos, sendo corriqueiramente infantil ao longo de todo o livro. Porquê? Também porque o autor não pesquisou.

    Fiquei desapontada e sem vontade de ler mais da sua obra.

  • Tonio Kröger

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    Tonio Kröger
     Thomas Mann
    1958
    Romance

    Finalmente, o último livro que recebi no meu aniversário, desta feita cortesia da minha irmã e da minha mãe (a prenda é da primeira, mas foi a segunda que o foi comprar e escolher) :)

    Um dos primeiros romances do génio de Thomas Mann, fala sobre as complicações da vida de um rapaz que anseia ser escritor e acaba por se tornar um deles. No entanto, ele continua sempre a ser um burguês, pelo que para se afastar desse conceito acaba por se ir isolar numa estância de férias na Dinamarca. Lá, é mais uma vez confrontado com os desejos do seu passado.

    Escrito com grande mestria, este curto livro tem muita força pelo seu personagem principal. DE certo modo, identifiquei-me muito com ele. É um personagem pleno de dúvidas e questões sobre a sua existência, no mundo e em sociedade, e qual o lugar que pode encontrar para si próprio num universo onde tudo sobre ele é estranho e onde ele próprio se sente uma criatura bizarra e diferente, perante o fascínio que sobre ele exercem as "pessoas exemplares" que imagina na sua cabeça.

    Assim, temos uma dicotomia entre o que é real no personagem e aquilo que ele procura tornar-se através da sua escrita. Sai frustrada sua tentativa?

    Terão de ler para saber. :)
  • Cinco Esquinas

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    Cinco Esquinas
    Mario Vargas Llosa
    2016
    Romance

    Segundo livro que me ofereceram pelo aniversário, desta vez presente do Rui :) Trata-se deo último romance do nosso grande amigo Vargalhosa.

    Infelizmente, fiquei com a sensação, ao longo de todo o livro, de este não era o Vargalhosa conforme o conheço. A história, o desenlace, tudo me pareceu um pouco amador. A história é aquela de várias personagens intercruzadas. Um milionário dono de minas, a sua esposa, amante da mulher do melhor amigo do primeiro, o jornalista que revela fotos escandalosas desse, a sua ajudante... E, por trás de tudo isto, o misterioso "Doutor", adido do presidente.

    A história passa-se numa Lima, Peru, imaginária, aterrorizada por ataques terroristas e raptos. No entanto o autor não explora isto de todo, preferindo a história da vida diária das pessoas acima enumeradas. Quando acontece um crime, várias coisas acabam por ser reveladas. Tudo isto seria muito bom, se os personagens fossem efectivamente cativantes. Existe um trabalho sério de caracterização de todos eles, mas o estrato dos "ricos" não é de todo realista, sendo que as cenas sensuais entre as duas amantes parecem estar ali mais para impressionar do que para dar força à história.

    Apesar de tudo, está bastante bem escrito e é um livro que se lê muito bem.

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