Em Busca do Tempo Perdido 5 - A Prisioneira
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Em Busca do Tempo Perdido 5 - A Prisioneira
Marcel Proust
1923
Romance
Abandonamos o Kobo para regressar ao mundo dos livros físicos. E que melhor forma de recomeçar do que com a continuação do Em Busca do Tempo Perdido? :) Este quinto volume foi editado apenas postumamente, dez anos após a primeira edição do primeiro volume.
Neste volume, o narrador leva a já famosa Albertina para casa. No entanto, tem constantes acessos de ciúmes que fazem com que ele a prenda na sua própria residência, de forma a que ela não possa ver ninguém nem ter qualquer amiga, para que não seja seduzida pelo universo de Gomorra. Para além disso, há uma grande cena em casa dos Srs. Verdurin, em que o Sr. de Charlus é expulso do seu círculo social por nenhuma razão lógica (sem ser a de "fica mal nas festas")
Se as imposições sociais relatadas pelo ambiente dos salões dos Verdurin acabam por se tornar pouco relevantes neste contexto, já que em quatro volumes anteriores levámos com uma grande injecção delas e já sabemos o que se passa, a relação do narrador com Albertina começa, finalmente, a revelar muita coisa sobre o primeiro.
O narrador tem um pânico constante de ser traído, mas ainda assim procura em Albertina a primeira imagem que teve dela, a das raparigas em flor. Ora, esta personagem evoluiu e neste momento é mais inteligente e mais sarcástica, perdendo muito da sua inocência inicial. Assim, o narrador parece prendê-la em casa para que a sua imagem não desapareça. Isto é, apesar de tudo, ele continua sempre "em busca do tempo perdido". Isto demonstra que este narrador não é o rapaz idealista e tímido que ele nos tem vindo a tentar desenhar. É, antes disso, uma pessoa altamente manipuladora, tal como todos os outros da alta sociedade que o rodeia nos salões que frequenta.
Estou ansiosa pelo próximo volume!
By : ladyxzeus
Stand By Me Doraemon
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Stand By Me Doraemon
Yamazaki Takashi - Shirogumi
Anime - Filme
2014
7 em 10
Ontem foi um dia tão satisfatório e produtivo que achei por bem terminá-lo com um filme. Calhou-me ver esta nova interpretação do nosso grande amigo Doraeomon. Há muito tempo que não via nada com ele e, claro, ainda tinha muito na minha mente a querida dobragem espanhola da adolescência. No entanto, foi um filme muito querido e foi um prazer vê-lo. :)
O filme mostra-nos toda a história de Doraemon e Nobita desde o início (supomos, o primeiro capítulo). Eles conhecem-se e o gato do futuro é obrigado a ficar com o pequeno e infeliz Nobita até ele encontrar a felicidade. Ao início Doraemon resolve-lhe todos os problemas com os fantásticos gadgets que estão no seu bolso mágico. Mas o foco essencial do filme, ao contrário da velhinha série, não é mostrar os objectos prodigiosos do gato cósmico. Aqui, procura-se sobretudo uma evolução na relação entre as personagens e no seu crescimento através das várias vivências.
Nesse aspecto, o filme faz um excelente trabalho, apesar de envolver algumas técnicas narrativas que passam por um pouco forçadas. Comenta-se que o ritmo do anime é um pouco apressado, mas em todo o caso achei que a estrutura estava bastante coerente com o espírito da série. O final é amoroso e quase libertei uma lagriminha. ;>
Outro aspecto extraordinário deste filme é a animação. Ao início disse "não!", quando vi que iria ser tudo em 3D digital. No entanto, os momentos animados estão de tal forma detalhados (apesar de as estruturas serem um pouco "leves", em termos de animação), que conseguimos distinguir todas as pequenas texturas, desde uma nódoa na roupa até ao tecido usado. É uma técnica ainda a ser explorada e que, pelos vistos, pode vir a ter excelentes resultados.
A música é simpática, apesar de o tema principal não ser muito memorável.
Um filme ideal para todos os fãs de Doraemon, mas também para quem (porventura) ainda não conhece a personagem. Um filme acessível para todos!
By : ladyxzeus
Kore wa Zombie Desu ka?
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Kore wa Zombie Desu ka?
Kanasaka Takaomi - Studio Deen
Anime - 12 Episódios
2011
4 em 10
Este anime é muito famoso por uma razão: tem um bacano vestido de menina mágica. Oh! Mas que tão imensamente, profundamente, estilisticamente... CÓMICO! Oh sim.
Ou não,
Este anime foi a tentativa mais infeliz de fazer uma comédia que vi nos últimos tempos. Tudo se resume a "ah, sim, eu faço estas coisas porque sou um zombie". Depois temos uma história muito épica em que não se passa grande coisa para que tudo faça sentido. Excepto que essa história paralela é tão seca, que nem valia a pena terem-na posto lá. De resto, este anime consiste em meninas fofas com grandes olhos a fazerem compras e a experimentarem roupa.
Os personagens são abstrusos. No fundo, ser "zombie" é razão para que todas as situações, por mais rebuscadas que sejam, possam acontecer. As meninas, nem podem ser consideradas como recortadas do cartão canelado. São mais recortadas de guardanapos de papel, porque não se pode dizer que tenham qualquer tipo de traço de personalidade que as distinga quer umas das outras quer do ambiente que as rodeia.
A animação é terrível, com imagens tridimensionais absolutamente deslocadas do resto do cenário e cenas de acção animadas sem qualquer tipo de cuidado. Os designs não fazem sentido e estão desactualizados no seu pleno (suponho que as personagens procurem uma certa identidade "gótica", mas é tudo tão foleiro que nem sei o que dizer)
A música é perfeitamente incapaz de fazer ressurgir algum tipo de sentimento no visionante. A OP e a ED são exactamente iguais a tantas outras que já ouvimos anteriormente.
Enfim, um anime que espero esquecer rapidamente, porque os meus olhos gromitam só de pensar nele.
By : ladyxzeus
Shigatsu wa Kimi no Uso
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Shigatsu wa Kimi no Uso
Ishiguro Kyouhei - A-1 Pictures
Anime - 22 Episódios
2014
7 em 10
Estive sem net por estes dias, portanto vi este anime com a máxima atenção. Quando o inciiei, fiquei bastante feliz: um anime sobre música clássica! Logo agora que calha na época das finais do Prémio Jovens Músicos da Antena 2! Fiquei mesmo muito motivada para o ver.
Um rapaz era considerado um prodígio do piano, até ao momento da morte da sua mãe. A partir daí, fica com um trauma, com o qual me identifico bastante: deixa de conseguir tocar. Na verdade, ele não se consegue ouvir a si próprio quando toca. Quando conhece uma talentosa violista e se torna amigo dela, tudo começa a mudar e ele encontra uma nova razão para tocar.
A primeira parte do anime é muito interessante no desenvolvimento dos personagens e das suas relações. Também na forma em como a música pode aproximar as pessoas, mas também impedir que estejam juntas. Assistimos a alguns momentos musicais muito bem animados. No entanto, a partir da segunda parte aparece-nos uma doença fatal muito mal explicada que acaba por tornar todo o anime num melodrama de faca e alguidar. Os personagens começam a quebrar emocionalmente, perdendo bastante da sua caracterização e não demonstrando qualquer evolução face às adversidades. O final foi muito desapontante, pois não nos mostraram quaisquer consequências à evolução do pianista enquanto executante ou enquanto personalidade, pois não recebemos feedback do seu último concerto.
Acabei por lhe dar uma nota um pouco mais alta devido à animação. Trata-se de um anime com designs de personagens cheios de brilho e beleza, sendo que também os cenários são altamente detalhados e plenos de belo. No entanto, pareceu-me que a partir da metade do anime houve menos cuidados neste aspecto. Para além disso, temos uma excelente mescla de animação digital em 3D, nos momentos de interpretação das peças, embora haja alguns momentos de repetição de animação.
Quanto à música, foi outro aspecto que me desapontou. Quando vemos um anime sobre música clássica, esperamos uma excelente banda sonora: com música erudita. No entanto, optaram por fazer uns arranjos absolutamente absurdos. Se o Chopin ouvisse o seu Estudo com um remix de guitarras, acho que ressuscitava para chorar e depois morria de novo. Disse-me um amigo que "devem ter feito isso por causa dos direitos". Ora, todos estes autores estão mortos há um caquilhão de anos! Só o Shostakovich é mais recente, e ainda assim morreu há bué.
Enfim, um anime que tinha tudo para ser excelente, mas que acabou por se tornar numa novela cheia de lágrimas.
By : ladyxzeus
A Cidade das Crianças Perdidas
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A Cidade das Crianças Perdidas
Marc Caro & Jean-Pierre Jounet
1995
Filme
6 em 10
Vimos um filme do realizador da famosa Amélie Poulan. No fundo, a estética é semelhante, apesar de o tema ser diverso.
Num mundo distópico, em que toda a cidade é uma espécie de espectáculo circense, as crianças vêm desaparecendo. Porquê? Porque há um homem mau, sem qualquer tipo de sentimentos, que deseja sonhar. Assim, penetra nos sonhos das crianças que rapta para ver se consegue ter um sonho de algum tipo. No entanto, todas as crianças que adquire têm pesadelos. Quando o irmão mais novo do homem mais forte do mundo desaparece, este une-se a uma órfã muito esperta para o encontrar. Será que vão conseguir?
O universo está muito bem recriado e conseguimos realmente ver como as pessoas vivem nesta cidade fantástica. O mundo como um circo é mais terrível do que se possa imaginar e muito menos divertido. A estrutura dos cenários, o guarda roupa e as próprias personagens dão-nos uma ideia muito forte do que se passa neste lugar, sendo que conhecemos vários momentos muito interessantes, desde o orfanato até um grupo de religiosos fanáticos.
As interpretações são diversas, sendo que achei extraordinários os papéis das actrizes "siamesas". No entanto, as relações entre os personagens acabam por se tornar um pouco estranhas com a progressão do filme.
A conclusão foi um pouco insatisfatória (será que ficam todos bem?), mas no geral o filme é bastante divertido. Para além disso, aparece um cão (apenas um figurante) muito parecido com o falecido Infeliz. :)
Mais uma prova de que o cinema europeu sempre teve muito para dar.
By : ladyxzeus
Chuva
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Chuva
Kirsty Gunn
1994
Romance
Há bastante tempo que nada recebia pelo BookCrossing. O meu regresso é então marcado por este pequeníssimo, mas excelente, romance de uma autora Neo-Zelandesa.
É o relato da infância de uma menina de 12 anos e do seu irmão de 5, que se divertem numa casa de praia isolados de todos os adultos. Estes, entretém-se em festas muito barulhentas, cheias de fumo e álcool. E quando os dois universos se começam a interpolar, tudo pode acabar em tragédia. é a oposição entre o mundo da inocência e a transformação em adolescente, pontuada pela acção daqueles que, já tendo passado por tudo isto, têm atitudes que nem sempre são as mais correctas.
O livro tem imagens fortes mas, ainda assim, muito suaves. Foi, para mim, reminiscente da infância em que eu ia com os meus pais a casa de seus amigos. Quase que podia sentir aquele cheiro no ar, de que me lembro bem, e aquela dor de cabeça causada pelo sono, cansaço e aborrecimento (e medo).
O final foi um pouco aborrecido, mas ainda assim comovente. Sente-se que talvez haja aqui algo de autobiográfico, não tanto nas partes terríveis mas mais nas partes bucólicas de um ambiente veraneante.
Foi também curioso passar de um livro na montanha, para este livro passado na praia, lol
Agora, aguarda a sua vez para novas viagens! =D
By : ladyxzeus
Contos da Montanha
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Contos da Montanha
Miguel Torga
1944
Contos
Com este autor, comecei tudo ao contrário. Havendo lido a sequela, encontrei-me agora a ler os originais "Contos da Montanha". Gostei ainda mais que do segundo livro!
São contos sobre as pessoas que vivem no interior rural das regiões montanhosas de Portugal. Isto signiica que estas pessoas vêm o mundo de uma forma um pouco distinta, sendo que há nesta escrita toda uma força quase nacionalista (mas nunca fascista), na medida em que as pessoas aqui retratadas poderiam representar a pureza do povo trabalhador.
São pessoas religiosas, que muito trabalham, mas que também têm muitas emoções diversas e, por vezes, surpreendentes. Os meus contos preferidos (já não recordo os nomes), foram os da criança que esperava uma prenda de Natal, o da senhora que pôs um casaquinho na estátua do santo e a do homem que matou a mulher.
Entre muitos outros, claro, porque temos uma colecção de 23 contos (o que é bastante, apesar de todos serem bastante curtos)
A escrita é intrincada e cheia de tradicionalismos que poderão ser difíceis de compreender à primeira. Mas a partir do momento em que nos engrenamos na leitura, tudo se torna absolutamente evidente.
Mais uma vez, Miguel Torga não desaponta. Sinto-me tentada a maratonar toda a sua obra. :)
By : ladyxzeus




