Tonari no Kaibutsu-kun
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Tonari no Kaibutsu-kun
Kaburaki Hiro - Brains Base
Anime - 13 Episódios
2012
6 em 10
Vi este anime por sugestão de um jovem num dos grupos portugueses, num jogo de "sugere um anime à pessoa acima".
É um shoujo, anime romântico, que trata da relação entre uma rapariga que só pensa em estudar e de um jovem perdido em atitudes delinquentes que se recusa a ir à escola sem ser sob a influência daquela. Entretanto fazem mais amigos e têm pequenos momentos simpáticos e amorosos. É uma história muito simples que vive totalmente dos seus personagens. No entanto, estes poderiam ter um desenvolvimento mais patente e uma caracterização um pouco diferente. Tal como está, a rapariga principal - Shizuko - parece não sofrer qualquer tipo de evolução, servindo apenas como alavanca para a de Haru (o rapaz). E este... Bem... Não o posso considerar como o rapaz ideal para aparecer figurado num inspirador e romântico anime shoujo. Simplesmente tem atitudes demasiado violentas e abusivas dentro da relação (batendo em pessoas e tudo isso, apesar de muitas vezes se tratar de um "acidente"), que não abonam nada em seu favor e que tornam o anime num retrato de uma relação fragilizada e nada ideal como ponto de controlo de uma juventude desorientada, que é a que vê estes animes.
Os outros personagens aparecem mais como fonte de elementos narrativos do que como personalidades em si, pelo que o anime perde rapidamente o interesse e acaba por se instalar numa profunda mediania.
Temos uma arte moderna e colorida, com bons designs (como convém a alguma coisa já produzida nos nossos anos 10) mas sem grandes cenas que elevem a animação. Também os cenários são simples, apesar de terem algum grau de detalhe e uma certa textura que lhes dá profundidade.
A música é vulgar, com honrosa excepção da ED que é muito querida.
Um anime que será rapidamente esquecido, apesar de ter sido simpático vê-lo.
By : ladyxzeus
Shokugeki no Souma
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Shokugeki no Souma
Yonetani Yoshimoto - J.C. Staff
Anime - 24 Episódios
2015
7 em 10
Vi este anime por uma razão algo bizarra. Ora bem, estava eu no Nihon Sekai deste ano 2015 a tirar fotos a toda a gente (que é o que eu costumo fazer) quando me vejo a tirar uma foto a um rapaz semi-nu, de avental. Achei cómico. Mas o rapaz pergunta-me se eu sei qual é a sua personagem e, tendo uma resposta negativa, fica triste. Assim, prometi-lhe que veria a série em causa. Aqui está ela. Rapaz do Nihon Sekai!! Eu vi o teu anime! E gostei! Obrigada!
Este poderia ser um anime de competição como outro qualquer. Podia também ser um ecchi como outro qualquer. Mas há algo neste anime que o faz distinguir-se dos outros. Será o tema? Mais que isso, é a sua execução. O tema é simples: um rapaz que sempre trabalhou sob alçada do pai num restaurante é aceite numa portentosa escola de culinária onde o valor dos alunos é instituído através de competições de comida, onde podem provar as suas capacidades. Como num anime de desporto, os desafios vão ficando cada vez mais complexos, sendo que o nosso personagem tem de os ultrapassar com originalidade e mestria. É um anime com uma energia cativante, que nos prende a atenção imediatamente e que nos faz desejar reproduzir aqueles pratos, pois têm todos um aspecto delicioso.
Confesso que devo ter engordado uns oitocentos quilos enquanto vi este anime, porque não conseguia parar de comer e parar de ter fome.
Os personagens principais contêm algum tipo de evolução. Mas Souma, o chef que seguimos constantemente, está um pouco agarrado demais à sua genialidade e acaba por ser um pouco frustrante que ele nunca falhe, para que dessa forma possa evoluir de maneira mais contundente. No entanto, alguns dos outros personagens têm esses momentos, o que acaba por ser satisfatório.
A arte é lindíssima, cheia de brilho e com retratos deliciosos de comida (que espero que o Qui consiga reproduzir, nomeadamente o souffle de omelete e aquela empada de caril). Talvez haja um exagero nos momentos sensuais, o que não é muito atractivo para mim, mas é o tipo de coisa que "primeiro estranha-se, depois entranha-se". As sequências de animação que se seguem ao provar de cada prato caracterizam perfeitamente o sabor que este, eventualmente, terá. Isto funciona extremamente bem e é uma óptima (embora por vezes anticlimática) forma de caracterizar um sentimento muito subjectivo.
Musicalmente, há algumas falhas, sendo que a banda sonora já se ouviu repetidamente em outros animes do género. A primeira OP e ED são interessantes, mas as segundas não cabem dentro do contexto e são um pouco ridículas.
No geral, um anime que me viciou e que é absolutamente delicioso!
By : ladyxzeus
Space Adventure Cobra
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Space Adventure Cobra
Dezaki Osamu - Tokyo Movie Shinsha
Anime - 31 Episódios
1982
6 em 10
Depois de ter visto Psychogun, acrescentei a série original à minha lista de animes para ver (a famigerada Plan to Watch, o PtW). Tinha ficado curiosa com o ambiente polposo do OVA. Fiquei bastante contente por ter tido a oportunidade de ver este anime, que - de certa forma - é único no seu contexto.
Cobra é um ladrão ou pirata ou algo que o valha que anda pelo espaço com a sua companheira e ajudante, Lady Armoroid. Além de ser um gajo todo pimpão, um dos seus braços e a poderosa Psycho-Gun, uma arma de laser que funciona através da mente. Ora, Cobra é constantemente perseguido devido a estas características e, ainda mais frequentemente, envolve-se em diversas alhadas e aventuras. Mas duas coisas unem todos os episódios: putas e vinho verde. Sim, porque Cobra encontra sempre (sempre!) uma bacana qualquer toda gostosa que se apaixona por ele, ou o quer matar e depois se apaixona por ele.
Neste aspecto, achei a sexualização feminina altamente exagerada, mas ainda assim típica da época. Temos toda a variedade de corpos femininos, desde a normal bond-girl (ou será uma Cobra-Girl?) até dançarinas com quatro braços e seis olhos. No entanto, nenhuma destas personagens sofre qualquer tipo de caracterização, o que acaba por lhes tirar a sensualidade e remetê-las para um efeito de boneco e objectificação total. Quanto a Cobra, apesar de ser um personagem divertido e muito leve, tem pouco mais densidade que as suas piadas e a sua capacidade física.
O universo em que estas pessoas vivem está caracterizado de forma detalhada e intensa, levando-nos sempre a questionar que coisa bizarra virá a seguir e como é que Cobra se vai safar disso. No entanto, a arte está muito desactualizada. Aliás, quando comecei a ver atirei para o ar a década dos setentas, sendo com grande espanto que vi que tem mais dez anos que isso. As cores são limitadas, o sombreado é pouco detalhado e há pouco destaque para maquinaria ou paisagens. Apenas as mulheres parecem ter alguma dedicação posta nelas, mas o seu design é também bastante limitado e acabam por ser todas iguais (exceptuando o biquini que cada uma usa)
Tal como no OVA, a melhor parte será, sem qualquer dúvida, a música. Que querem que faça, eu simplesmente adoro baladas azeiteiras japonesas dos 80s! Até agora continuo a cantar a ED, hehehe
Mas enfim, um anime que vale a pena ver pela sua originalidade e valor histórico, mas que poderá irritar até os mais sensatos.
By : ladyxzeus
Ghost in the Shell: Innocence
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Ghost in the Shell: Innocence
Mamoru Oshii - Production I.G.
Anime - Filme
2004
8 em 10
Este filme está nomeado para o meu clube e, para mais, o Qui tinha interesse em vê-lo. Assim, foi boa ocasião para o rever, pois pouco me lembrava dele além do facto de ser brilhante. E isso confirma-se numa segunda visualização, apesar das legendas desta versão estarem um pouco aquém das expectativas.
Este filme acaba por complementar o primeiro da saga e franchise. Se no primeiro filme falávamos da máquina enquanto entidade, Innocence é uma humanização desta, um exercício contemplativo sobre a capacidade de adaptação das pessoas neste universo, sobre o verdadeiro sentido de Ghost e sobre o funcionamento da mente humana.
Após o desaparecimento do Ghost da Major Makoto Kusanagi no meio da rede, Batou e Togusa vêm-se juntos em equipa para investigar uma série de assassinatos perpetrados por robots sexuais, que têm vindo a assassinar pessoas de importância e cujo caso pode ser, ou não, uma manifestação de terrorismo. Vemos a vida tal como ela é depois do elemento aglutinador da Section 9, a Major, ter desaparecido. Estão todos à deriva e vemos, da perspectiva de Batou, como procuram adaptar-se a uma vida sem este elemento tão importante. Batou arranjou um cão, mas nem o cão é uma coisa viva. Será que conseguirá encontrar um sentido de família e pertença?
À medida que a investigação prossegue, vemos uma narrativa de detectives mas, sobretudo, vemos a interacção entre os personagens e a sua caracterização, a forma como Togusa sabe que não pode substituir a Major, a forma como Batou não consegue lidar com a sua perda. A força da caracterização é impressionante e comovente, acabando todo o filme por culminar numa cena natalícia em que finalmente, parece, os personagens se encontram consigo mesmos.
No entanto, não é apenas das personagens que o filme vive. Toda a situação do "crime" leva a um debate filosófico sobre a função do robot, sobre a alma da máquina, sobre o que é na realidade o Ghost e o cyberbrain. À medida que a nossa equipa se depara com diferentes situações, todos estes conceitos são postos em causa, sendo que acabamos por perceber mais diferentes opiniões sobre a situação do mundo "actual", sobre a realidade do filme. Esta, é a pura caracterização do cyberpunk, de tal forma aperfeiçoada que o universo se torna assustador: quão próximos estamos já de um mundo como este?
Para complementar tudo isto, temos sequências de arte maravilhosas. Este filme é uma verdadeira viagem visual, por um universo de cores, texturas e maquinaria, apresentando-nos momentos que - associados à banda sonora - são altamente intensos e muito esclarecedores. Sem dizer uma palavra, o autor consegue mostrar-nos o que se passa, consegue apresentar-nos os conceitos e explicá-los apenas com recurso apenas a estes momentos animados. Apesar de tudo, alguns deles estão um pouco desactualizados e não envelheceram muito bem, mas devemos considerar que era o melhor que se fazia na época, sendo que o valor de produção do filme foi muito alto.
Quanto à música, essa... Retomando os fogos corais a que nos tinham habituado no primeiro filme, são muito intensos e levam o espectador a encontrar novos significados nas cenas que ilustram.
Um filme muito completo, mas também muito intimista. Para fãs, mas não só.
By : ladyxzeus
Saiunkoku Monogatari
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Saiunkoku Monogatari
Shishido Jun - Madhouse Studios
Anime - 39 Episódios
2006
6 em 10
Para variar um pouco... Um shoujo! Histórico! Há quanto tempo não via um? ^_^
Saiunkoku é uma terra misteriosa nos confins da Ásia dividida por vários reinos. Num deles, o imperador reinante é uma criatura irascível e irresponsável, que só pensa em divertir-se, apesar de todos os problemas do reino. Assim, quando convidam Shuurei para ser sua concubina em troca de uma elevada soma de dinheiro, ela aceita imediatamente! Shuurei é uma filha da nobreza caída em desgraça e fará tudo ao seu alcance para tornar este imperador numa pessoa decente. No entanto, será que o amor está no ar?
É uma história de várias narrativas, algumas delas envoltas em mistério, suportada pela força dos personagens, que dão muita luz a este anime. Shuurei é de uma força inabalável, lutando sempre com humor e inteligência contra as contrariedades. Estive quase (mesmo quase) para a adicionar à minha lista de cosplays no meu Cosplay Portfolio, mas acabei por desistir porque, apesar de a personagem me chamar muito, não imaginei para ela algum tipo de performance, assim à primeira vista. Talvez a guarde para uma outra ocasião. De resto, os outros personagens não lhe ficam atrás. Apesar de termos uma grande variedade de rapazes que quase que tornam este anime num reverse harem (mas não totalmente), nem todos sofrem o desenvolvimento esperado. Na verdade, alguns são deixados para trás à medida que as narrativas se vão entrelaçando e evoluindo para outras situações, sendo substituídos. Poderiam ter sido melhor aproveitados para, depois, fazerem a história andar de feição.
A arte é bonita e colorida, embora haja por vezes alguns erros de animação, sobretudo nas mãos. Os designs são maravilhosos e fascinantes, altamente originais e também historicamente informados. No entanto, os cenários são bastante repetitivos, numa sucessão de janelas ornamentadas, não havendo grande ênfase no mundo natural, o que apenas teria ficado bem dentro deste contexto.
A OP e ED são simples e românticas, apropriadas à história, mas no resto da banda sonora não há nada de memorável.
Ainda assim, um anime que apreciei e que me deu gosto ver, porque foi um pouco de variedade dentro da minha aborrecida PtW (que está MESMO QUASE A TERMINAR, ATENÇÃO!!)
By : ladyxzeus
Ghost in the Shell: Arise - Border:4 Ghost Stands Alone
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Ghost in the Shell: Arise - Border:4 Ghost Stands Alone
Kazuchika Kise - Production I.G.
Anime - Filme
2014
7 em 10
O último filme do conjunto especial "Arise - Border" que saiu ao longo do passado ano 2014. Das quatro instalações, parece-me que este foi, sem sombra de dúvida, o mais bem conseguido. Para mais, joga muito bem como filme de Natal (estamos na época, não é?)
Neste filme a Section 9 enfrenta um misterioso hacker que, à semelhança de outros em situações passadas neste mesmo franchise, se infiltra nos ghosts, os cérebros, as mentes, de pessoas relevantes para a nossa vida social. No caso, infiltra-se nos ghosts de polícias, que imediatamente procedem a matar todos os participantes de uma manifestação pacífica contra a fome no mundo, num pós-guerra imaginário e futurista. A partir daí, desenvolve-se uma narrativa muito delicada, em que ficamos a compreender a dor deste hacker e os seus sentimentos, acabando por o retratar como um ser humano verosímil, apesar de um pouco louco. Isto processa-se de maneira breve, mas muito comovente e apropriada ao ritmo da história, acabando a revelação final por ser muito bela.
Apesar destes elementos, não deixa de ser um filme recheado de cenas de acção deslumbrantes, o melhor que4 este estúdio tem para nos oferecer. As sequências estão altamente detalhadas e bem coreografadas o que, juntamente com a música, transformam o filme num jogo de expectativas que acabam sempre cumpridas. Esta, apesar de tudo, pode parecer um pouco repetitiva comparando com os outros filmes a série Arise, mas dentro deste contexto não deixa de estar totalmente apropriada.
Gostei também, e muito, de ver - finalmente - um retrato fiel da relação Major-Batou, que por fim se vêm juntos numa cena de acção inesperadamente caótica.
Vale a pena ver toda a série de filmes Arise só para chegar a esta última instância. Senti-me de volta aos anos 90 e ao verdadeiro cyberpunk.
By : ladyxzeus
Duas Publicações Oficina do Cego
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Duas Publicações Oficina do Cego:
As Borboletas não têm Dentes do Siso
O Problema das Cerejas são os Caroços
Vários
2015
Contos
Como já terei informado algures, tenho agora um novo blog paralelo para as minhas aventuras escriturárias e literárias, de seu nome O Bentivi Urbano. Recentemente, iniciei na Oficina do Cego, uma oficina de tipografia, um curso de escrita narrativa com o formador João Rafael Dionísio e a companhia de mais duas pessoas fofinhas. :) O João deu-nos, então, os volumes anteriormente publicados relativos aos cursos anteriores. Demorei algum tempo a chegar a eles, mas finalmente dei-lhes uma leitura e, por isso, deixo aqui um breve comentário.
Para começar, é curioso tentar ver a forma como estas histórias foram criadas, que terá sido pelo mesmo método que estamos nós a experimentar agora. Mantive-me sempre atenta a todos os traços dos personagens, de forma a tentar incluí-los naquela "ficha informativa" que também eu fiz.
De resto, houve histórias que gostei muito, outras que gostei mais ou menos, mas não houve nenhuma que achasse terrível (ao contrário dos meus colegas, que leram apenas o segundo volume. O primeiro terei de lhos emprestar, pois tirámos à sorte quem ficaria com o único exemplar :p )
Relativamente aos contos, vou deixar algumas notas sobre aqueles que me marcaram mais:
Conversas de Esquina - Disse-me uma borboleta que este conto foi escrito por um médico, no entanto não está medicamente informado sobre o uso recreativo da ketamina.
Visões de Um Cego em Terra de Reis - Sem dúvida o conto mais estranho, acho que foi o que gostei mais (apesar de toda a gente odiar a ilustração e de eu também não a compreender). Gostei imenso da forma como o personagem, que nunca é totalmente caracterizado, vê um mundo confuso e desregrado, com uma mistura de memórias e da realidade presente.
As Incríveis Aventuras do Sherlock do Cacém - O Caso da Vanda - Ao início estava a detestar, mas depois entrei na história e queria mesmo saber quem era o misterioso perseguidor! Uma história cómica e cheia de detalhes.
Zé, Joaninha, Ivone - Adorei a forma como a perspectiva das pessoas passa para os objectos. A narrativa do carro foi fofinha e fascinou-me um pouco! Na verdade, comecei a pensar que tipo de conversas o Bequi (o meu carro) teria com outros carros :)
De resto, estas são edições modestas, manuais, mas ainda assim exalam uma aura de carinho e dedicação! Ainda não sabemos qual vai ser o nome da nossa, nem como vai ser a capa, mas prometo que estamos todos os três a trabalhar em histórias bem catitas! Visitem O Bentivi Urbano se quiserem saber um pouco mais sobre o processo. :)
By : ladyxzeus
