Massugu ni Ikou.
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Massugu ni Ikou.
Tsunaki Aki - Yumeta Company
Anime - 4 Episódios + 5 Episódios
2003
6 em 10
Com toda a certeza já terão percebido que eu adoro cães. Cães, baleias, manatins e peixes-lua, acho que são o top dos meus bichos preferidos. Portanto, foi com muito prazer que assisti a este anime em que os personagens principais são, precisamente, os cães. É um anime muito curto, que se vê num instante.
Mametarou é um cão sem raça que tem muitos amigos. Em cada episódio ele faz uma nova amizade e ficamos a conhecer um pouco mais sobre outros cães, de várias raças e feitios. De certo modo, gostei deste anime sobretudo porque me deu a conhecer o modo de vida de canídeos no Japão, que é algo pelo qual tenho uma certa curiosidade. Pelo que se vê, têm liberdade de andar na rua e é improvável que lhes façam mal ou que sejam atropelados. Que bom que é ser um cão no Japão!
Os personagens são amáveis, como só os cães conseguem ser. Infelizmente, fiquei com a ideia de que o conceito de comunicação entre cães e pessoas poderia ter sido abordado de forma diferente e, sem dúvida, mais próxima da realidade científica. De resto, apesar de uma caracterização sólida, não existe qualquer tipo de desenvolvimento pessoal ou relacional, sejam cães ou pessoas. No entanto, as suas personalidades dão azo a muitos momentos simpáticos e grandes sorrisos.
A arte não é extraordinária, mas acerta relativamente à anatomia animal e à distinção entre raças de cães. Infelizmente, em muitos dos momentos os personagens são reduzidos a rascunhos tipo chibi, o que acaba por tornar os designs aborrecidos e cansativos.
Musicalmente, temos OP e ED adequadas ao espírito da série e pouca coisa a apontar no parênquima, embora tivesse gostado que houvesse um maior ênfase à comunicação vocal canina.
Um anime que todos os amantes de cães e pupis devem ver. :)
By : ladyxzeus
Irmão, Onde Estás?
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Irmão, Onde Estás?
Joel Coen e Ethan Coen
Filme
2000
7 em 10
Mais um filme dos Irmãos Coen, que se mantém com a estrutura que tenho referido anteriormente, a da viagem pelo profundo dos Estados Unidos, mostrando coisas inusitadas e imprevisíveis. Mas este filme tem uma particularidade: o texto foi inspirado e livremente adaptado da Odisseia de Homero.
Assim, temos três prisioneiros que fogem e procuram chegar até ao sítio onde deve estar um tesouro, que um deles roubou. Pelo caminho, encontram todo o tipo de pessoas estranhas e têm uma viagem muito acidentada. No entanto, há algo que os pode salvar: a música! Porque, de certa forma, este filme é uma espécie de musical. Em todos os momentos há músicas, músicas folk antigas e esquecidas que pertencem a um património cultural com quem tantos, hoje em dia, se recusam a identificar.
Cada cena está carregada de estranheza, mas sem nunca perder o humor improvável tão característico desta dupla de realizadores. O texto em si tem alguns momentos impecavelmente bizarros, que apenas poderiam ser transmitidos por um trio de actores de qualidade que interpretam na perfeição os seus papéis, desenvolvendo uma relação entre as personagens que acaba por ir além da premissa inicial.
Para além disto, podemos assistir a uma sucessão de belas paisagens, caracterizando o interior sulista dos EUA da época com toda a circunstância.
Um filme imperdível.
By : ladyxzeus
Kill la Kill
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Kill la Kill
Imaishi Hiroyuki - Trigger
Anime - 24 Episódios + 1 Special
2013
6 em 10
Este anime foi-me sugerido num dos clubes portugueses em que participo. Não o apanhei na época e não me sentia com grande vontade de o ver. Afinal, o mais provável seria não gostar (porque eu nunca gosto de nada) e por isso teria de escrever um comentário inadequado para os gostos da maioria da população, o que adviria em gritos e apitos. Mas vá lá, não é assim tão mau.
A história é altamente simples, baseando-se numa sucessão de lutas infindáveis entre pessoas que possuem umas roupas especiais que lhes dão poderes fabulosos. Tudo começa com os intervenientes de uma escola, com quem a estudante que acabou de ser transferida luta de forma a tentar descobrir quem matou o seu pai, seguindo para uma luta intergaláctica entre o bem e as forças do mal, que - evidentemente - tencionam destruir o mundo. Enfim, a história aparenta existir para que as cenas de acção, com muitas maminhas saltitantes, possa brilhar em toda a sua força.
Acompanhando esta história simples e quase vulgar, temos um conjunto de personagens que não se poderia definir de outra maneira que não o estereótipo. Temos uma certa agressividade patente e, no geral, as suas atitudes e gestos combinam com a escolha estilística do anime, o OTT. Esta transmite-se através das personagens, cuja função é lutarem contra a força maléfica e uns contra os outros, e também através de muitos momentos que inspiram a comédia e o riso, sem nunca deixar o exagero para trás.
Ora, num anime que - como digo - parece viver para as suas cenas de acção, esperaríamos uma arte exemplar. Isso não acontece, de todo. A arte é francamente má. A animação tem um orçamento fraquíssimo e há uma poupança nas frames, assim como a sua repetição, sendo que anatómicamente há uma profusão de erros. No entanto (!) isto acaba por funcionar. Porque, em termos de execução, o anime entrega exactamente o que era a sua premissa: muita acção e muitas mamocas. Assim, poderemos perdoar uma arte e animação puramente defeituosas tendo em conta que, dentro do contexto, funciona lindamente e é fonte de entretenimento gratuito.
A versão que arranjei vinha sem OPs e EDs, portanto não as poderei avaliar. Isto é, posso ir ouvi-las, mas não é a mesma coisa que as apanhar no episódio em si. De resto, temos uma banda sonora bastante completa, quer em termos de canções quer em termos de efeitos. Por vezes pode tornar-se um pouco repetitiva, mas nada de exasperante. Quanto às vozes, ao início detestei-as, mas depois acabei por me habituar.
Em conclusão temos um anime muito simples, mas cuja execução pode ser considerada perfeita. Entregam tudo o que prometeram, nem mais nem menos, sem tentar ultrapassar-se filosoficamente ou em teorias extremamente complicadas, mas também sem se levar ao ridículo dentro do seu estilo exagerado e OTT. Compreendo a sua popularidade e aceito-a perfeitamente, mas não é o tipo de anime que recomendaria a todos. Talvez a fãs de shounen que procurem algo diferente para ver.
By : ladyxzeus
A Montanha Cobria-se de Negro
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A Montanha Cobria-se de Negro
Dias de Melo
2008
Romance
Quando fui aos Açores comprei este livro como recordação. Infelizmente, foi muito menos bom do que o que eu estava à espera. Para começar, vim a descobrir que se trata de uma edição de autor que está pejada de erros de tipografia. E depois porque a história, que eu esperava bela, cheia de sentimentos bonitos como as ilhas a que pertencem, era bastante fraca.
Trata-se de uma narrativa muito simples de dramas e contra-dramas entre pescadores de baleias, os chamados baleeiros, com uma descrição absoluta e mais ou menos exacta da vida destas pessoas na ilha do Pico durante a Segunda Guerra Mundial e algumas coisas que daí advêm. Infelizmente, os personagens -que parecem ser inspirados em pessoas reais - não possuem caracterização bastante que torne esta história em algo interessante. Para além disso, o fim deixa muito a desejar e o livro parece estar incompleto.
A parte mais curiosa será, sem dúvida, o estilo de escrita. Tem uma linguagem muito própria e única das ilhas (o que me levou a ler o livro todo nesse sotaque), fazendo uso de muitas expressões típicas. Retrata também muito bem a miséria da época e a forma de viver destes baleeiros, muito simples e com boas comidas e bebidas.
Infelizmente, palavra sim palavra não, o autor faz uma nota de rodapé a explicar o que significa. Algumas merecem explicação, mas outras são correntes no Português continental também.
Enfim, acaba por ser uma boa memória da viagem. :)
By : ladyxzeus
Peach Girl
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Peach Girl
Shibuya Kazuhiko - TV Tokyo
Anime - 25 Episódios
2005
6 em 10
Finalmente aparece-me um shoujo para ver! Já tinha saudades! Talvez por isso tenha perdoado tanta coisa neste anime...
Momo Adachi é uma rapariga que sofre muito com mal-entendidos. Ela é muito morena porque estava na equipa de natação e, também por causa disso, tem o cabelo descolorado. Isso leva a que pensem que ela é uma moça da má vida e por aí em diante. Pois bem, ela gosta de um rapaz e pensa que ele só gosta de miúdas pálidas. A partir daí sucedem-se mal entendidos atrás de mal entendidos, até um final feliz e muito adolescente.
Se isto ao início tinha a sua dose de diversão, a partir do meio da série começa a ficar extremamente aborrecido. Isto porque as personagens estão concebidas de forma um pouco errática e acabamos por não perceber o porquê das suas atitudes. Afinal, porque é que Sae (a arqui-inimiga deste anime) gosta tanto de arruinar a vida de Momo? E porque é que Momo é tão passiva que troca de um namorado para outro e ao mesmo tempo salva Sae das forças do mal? Quanto aos rapazes, porque é que não são, pura e simplesmente, honestos perante o que está a acontecer e os seus sentimentos? Todas estas dúvidas levam a que a narrativa seja uma sucessão de problemas que nunca se resolvem plenamente ou, quando se resolvem, passam imediatamente a ser outro problema. Isto acaba por ser cansativo e leva-nos a desejar que, ao menos, acontecesse alguma coisa normal de vez em quando ou que as relações entre os personagens evoluíssem de alguma forma.
Em termos artísticos, a animação é infeliz na maior parte das vezes, sobretudo nas partes que puxam para a comédia em que os personagens são reduzidos a sombras ou versões chibi de si mesmas. No entanto, fique a nota para o excelente trabalho de design dado aos personagens, que têm uma grande variedade de estilos e roupas que torna cada episódio numa grande surpresa. É um pouco estranho, apesar de tudo, que Momo tenha o corpo *todo* bronzeado, quando a causa do seu tom de pele é a natação: não deveria ter marcas do fato de banho?
Musicalmente, temos OP e ED com bastante energia que se adequam ao teor da série. O resto da banda sonora é bastante típica do género.
Foi um bom anime para variar dos estilos que tenho visto, mas não posso dizer que tenha grande qualidade.
By : ladyxzeus
O Japão é um Lugar Estranho
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O Japão é um Lugar Estranho
Peter Carey
2005
Literatura de Viagens
Recebi este livro numa troca do BookCrossing e, confesso, fiquei um pouco desapontada. Desde que vi este pequeno volume à venda que sempre procurei evitá-lo. Disse a toda a gente que me costuma dar livros Japoneses e sobre o Japão que não mo dessem. Porque, na verdade, não queria nada ler uma visão ocidental de uma cultura pop e urbana que conheço tão bem, sobretudo porque estes autores tendem a ofender os conceitos que tanto gosto e aos quais dedico grande parte do meu tempo e da minha vida. E ninguém gosta que falem mal das coisas que ama, não é verdade? Mas, ainda assim, recebi-o. Portanto, entrou na lista de leitura.
Confesso, agora, que foi uma agradável surpresa.
Peter Carey é autor famoso, vencedor de dois Booker Prizes, o que é um grande feito. O seu filho, aparentemente, gosta bastante de bonecada nipónica. Assim, viajaram os dois até ao Japão. Não para ver o "Verdaeiro Japão", mas aquele da cultura popular. Ora, o livro torna-se interessante e original porque Carey conhece muitas pessoas importantes e influentes que lhe permitem fazer entrevistas a algumas pessoas bastante interessantes. Desta forma, aprendemos um pouco sobre alguns animes e os seus significados, através da própria opinião daqueles que estiveram envolvidos na sua produção.
Assim, apesar da perspectiva altamente redutora das perguntas do autor (que, por alguma razão, tentavam relacionar tudo com samurais), ficamos com uma ideia dos objectivos por trás de cada processo criativo, acompanhando histórias de vida que falam, sobretudo, da influência da guerra na cultura urbana actual. Também há uma explicação bastante coerente do muito debatido termo "otaku" (que eu, pessoalmente, me recuso a usar, sendo que esta narrativa apoia o meu conceito). O que não há, no entanto, são exemplos mais específicos da dificuldade de comunicação e da verdadeira natureza do povo Japonês, o que deixou o livro aparentemente incompleto.
Achei também curioso que fossem conhecer o Tomino, criador original de Mobile Suit Gundam, quando nos anos 00 já não era ele o realizador e argumentista das novas séries de Gundam (o que se vem a revelar na sua falta de qualidade, como alguns leitores deste espaço já saberão).
Assim, foi uma experiência que acabou por ser interessante e, agora sim, posso agradecer plenamente o envio deste livro. :)
By : ladyxzeus
Aoi Bungaku
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In the Forest, Under Cherries in Full Bloom (Sakura no Mori no Mankai no Shita) - Apesar das nuances assustadoras da narrativa, esta parte corta completamente com a inicial, estando recheada de música e comédia. Foi a que gostei menos, pois achei-a altamente anticlimática, apesar de dentro do tema.
Kokoro - Uma história sobre relações humanas, amizade e solidão. Pareceu-me que soube a pouco e que a narrativa não estava desenvolvida de forma adequada.
Run, Melos! (Hashire, Melos!) - Com um toque teatral, também gostei muito desta. É uma nova forma de contar esta peça do teatro clássico, mas de uma forma tão subtil, com a mistura entre o criador e a peça de teatro em si, que se torna altamente emocional e intensa.
The Spider's Thread (Kumo no Ito) - Sem dúvida a secção com a arte mais original, utiliza-a de forma essencial para contar uma história que, sendo simples, tem um elevado grau de moralismo social. Gostei imenso desta também, sobretudo porque o personagem parece que se está a desenvolver de forma positiva e acaba por deitar tudo a perder, pois a sua caracterização inicial prevalece.
Hell Screen (Jigoku Hen) - De forma a contar uma história aterrorizante, utilizam um expressionismo fantástico que me pareceu totalmente desnecessário e muito pouco adequado ao tema da história.
Aoi Bungaku
Araki Tetsurou - Madhouse Studios
Anime - 12 Episódios
2009
7 em 10
Este é um anime muito interessante: trata-se da adaptação para animação de vários livros e contos do Japão moderno. "Aoi Bungaku", a "Literatura Verde", é verde porque é sempre actual e porque, por isso, fica para a história. Para uma juventude que cada vez gosta menos de ler e para os mais antigos que acham que estas histórias ficaram no passado, é uma forma muito boa de motivar as pessoas a procurar estes clássicos e regressar a eles.
No início, um senhor fala um pouco dos autores e da sua influência no mundo literário Japonês, assim como toca levemente nos significados ocultos destes livros.
Existem várias histórias, das quais falarei individualmente:
No Longer Human (Ningen Shikkaku) - Para mim esta foi a melhor, apesar de ter sido logo a primeira. Um homem tem dificuldade em compreender o mundo feminino e, por isso, entra numa espiral de depressão e acaba por matar acidentalmente (ou não) uma mulher. Quando volta a equilibrar a sua vida, voltam esses fantasmas e ele pensa-se também um fantasma. Conforme disseram no início de cada episódio, esta história tem todo o ar de ser auto-biográfica. Acaba por ser uma análise emocional muito forte do personagem, funcionando também um pouco como crítica social da época.
In the Forest, Under Cherries in Full Bloom (Sakura no Mori no Mankai no Shita) - Apesar das nuances assustadoras da narrativa, esta parte corta completamente com a inicial, estando recheada de música e comédia. Foi a que gostei menos, pois achei-a altamente anticlimática, apesar de dentro do tema.
Kokoro - Uma história sobre relações humanas, amizade e solidão. Pareceu-me que soube a pouco e que a narrativa não estava desenvolvida de forma adequada.
Run, Melos! (Hashire, Melos!) - Com um toque teatral, também gostei muito desta. É uma nova forma de contar esta peça do teatro clássico, mas de uma forma tão subtil, com a mistura entre o criador e a peça de teatro em si, que se torna altamente emocional e intensa.
The Spider's Thread (Kumo no Ito) - Sem dúvida a secção com a arte mais original, utiliza-a de forma essencial para contar uma história que, sendo simples, tem um elevado grau de moralismo social. Gostei imenso desta também, sobretudo porque o personagem parece que se está a desenvolver de forma positiva e acaba por deitar tudo a perder, pois a sua caracterização inicial prevalece.
Hell Screen (Jigoku Hen) - De forma a contar uma história aterrorizante, utilizam um expressionismo fantástico que me pareceu totalmente desnecessário e muito pouco adequado ao tema da história.
Para além destes aspectos, contamos com uma arte firme e animação brutalizante, como o estúdio nos tem habituado. Os designs são fortes, as cores claras e os ambientes são retratados de forma idealizada para cada tema.
Musicalmente também temos uma grande força, com temas originais e muito bem conseguidos, embora por vezes pareçam um pouco escusados dentro do contexto.
Se o objectivo deste anime era deixar-me com vontade de ler estes livros... Conseguiu-o em toda a sua totalidade! De qualquer forma, é um anime muito interessante que, sem dúvida, vale a pena ver.
By : ladyxzeus
