.hack//Sign
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.hack//Sign
Sawai Koji - Bee Train
Anime - 26 Episódios + 2 Specials
2002
6 em 10
Quando se fala de animes de fantasia e de animes de inserção em jogos de computador, .hack//Sign vem sempre à baila como exemplo fulcral deste "género" (se é que podemos chamar um género). Finalmente me calhou a vez de o ver e, devo dizer que não o posso considerar exemplar, apesar de ser original de certa forma.
Estamos dentro de um jogo, The World. Como é que lá estamos não é muito explicado, não se fica a conhecer muito bem o sistema de jogabilidade e tudo isso. Mas é um MMORPG passado num universo fantástico. Ora, neste universo há uma personagem, uma pessoa, que não consegue fazer log-out. E, para além disso, tem todas as suas memórias numa misturada. É procurando resolver o problema deste personagem (e também procurando uma tal chave) que um grupo se reúne e vive aventuras diversas, enquanto se encontram, desencontram e fazem novos amigos. Apesar de parecer algo muito infantil, a narrativa é bastante sólida e a premisa original. Infelizmente, o facto de "The World" ser um jogo acaba por ficar para trás e o anime dedica-se mais a mostrar um pouco sobre as persoanagens. Nesse aspecto, ficou aquém das expectativas.
Os personagens são coerentes e bem construídos, evoluindo ligeiramente à medida que se conhecem melhor e estabelecendo laços sociais. A história do nosso personagem principal acaba por ser um pouco previsível, assim como o seu desenvolvimento se torna um pouco errático com o passar d tempo. Todos os outros têm em si grande simplicidade, mas são agradáveis e acabamos por gostar deles. Trata-se de um conjunto de personagens muito reduzido, pelo que é fácil reconhecer as suas tarefas dentro do contexto narrativo. Na verdade, até teria sido melhor haver um pouco mais de variedade de pessoas: todos os que aparecem têm roupas que são variações das do grupo principal, demonstrando que neste jogo não há grande varieade no aspecto, e quando aparecem não fazem nada de importante que nos ajude a compreender melhor o universo em que estamos inseridos.
A arte e animação não estão más para a época, apesar da paleta de cores muito escura. Os cenários poderiam ser um pouco mais detalhados e, como disse, há pouca variedade no design dos personagens. Não existem muitas cenas de acção em que possamos observar uma animação espectacular mas, no geral, está aceitável.
Finalmente, a música. Tenho a dizer que a banda sonora está muito interessante e variada, com sons corais que são muito agradáveis. No entanto, a altura em que cada música aparece está um pouco desregrada e muitas vezes estas peças tão curiosas acabam por ser anticlimáticas.
Teria sido um anime muito melhor se tivesse feito uma maior exploração do universo e se se tivesse focado mais nesse aspecto. Tal como está, não passa de mais um simples anime de fantasia.
By : ladyxzeus
The Cockpit
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The Cockpit
Kawajiri Yoshiaki, Takahashi Ryosuke e Imanishi Takashi - Madhouse Studios
Anime OVA - 3 Episódios
1993
7 em 10
Este OVA, com três histórias curtas, é criação do sempre genial Leiji Matsumoto. Variando bastante dos seus temas habituais, são histórias que falam de aventuras vividas na segunda grande guerra. Fazem-no com uma profunda intensidade e, como sempre neste autor, revelando uma humanidade sofisticada e altamente coerente.
Em todas as histórias há dois temas comum: aviões e a falha. Depois de alguns animes menos bem conseguidos que vi, estava bastante agradada por ver aviões. Era mesmo o que me fazia falta. The Cockpit entrega esse tema na perfeição, com um twist: todas as missões destes aviões falham. E isso, em si mesmo, é o que revela o horror da guerra e a forma como os personagens se livram de ser participantes neste festival macabro. Colocando os personagens em cheque, no meio de dúvidas e temores, o argumento dá-lhes a oportunidade de escolha de participarem ou não nos actos terríveis a que são propostos. A decisão que eles tomam, que talvez seja um acaso, revela a sua força interior e a sua capacidade de, citando, "não venderem a alma ao diabo". Isto é extraordinário nos dois primeiros episódios, mas perde-se um pouco no último, que tem uma narrativa mais leve e infantil e parece não se coadunar com o resto da obra.
A arte é exemplar, com imagens aéreas surpreendentes e uma animação muito cuidada no respeitante às cenas de luta entre os aviões, com tiros e explosões à mistura que agradarão até aos maiores fãs de acção. Algumas cenas são muito belas e a conjugação entre os vários aspectos, tendo em conta o arco narrativo em que se encontram, tem um efeito por vezes comovente. Os directores não esquecem a ligação ao céu, sendo que grande parte das cenas se passam num ambiente luminoso de estrelas, um ambiente bastante original.
Não é muito completo em termos musicais, sendo que as peças utilizadas poderiam ter sido recicladas de outros animes. A ED é bastante apropriada e, no segundo episódio, temos alguns momentos de koto, um instrumento que adoro.
Um anime surpreendentemente belo, que não deixarei de recomendar.
By : ladyxzeus
Super GALS! Kotobuki Ran
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Super GALS! Kotobuki Ran
Kobayashi Tsuneo - Studio Pierrot
Anime - 52 Episódios
2001
5 em 10
Curiosamente, tinha lido um volume do manga que deu origem a este anime há bastante tempo. Arranjei-o em Madrid, quando fui lá a um evento de anime com a Hota-chan :)
Este anime fala da vida diária de três raparigas muito fashion e dentro da moda, verdadeiras GALs, que era o antigo nome dado a esse estilo de moda que é o Gyaru. Infelizmente, o anime não explora nada sobre moda, nada sobre as personagens e nada de nada. É apenas o relato das suas aventuras e desventuras em Shibuya e estas, pois... Não têm interesse algum. Para começar, seria de esperar que um anime em que as personagens vivem e respiram moda falasse um pouco disso: moda. Mas não existe um único toque nesse aspecto. As personagens usam pouquíssimas combinações de roupa, o que até faz sentido já que são estudantes do secundário sem muito dinheiro, e a única reflexão sobre elas é que "precisam" das peças. Não há nenhum comentário social aos seus utilizadores, não há nenhuma comparação entre outros estilos de moda presentes na época fora o Gal e o Ganguro (e, acreditem, no final dos 90s e início dos 00s,Shibuya era um poço de contemplação e inspiração)
Para lém disso, não há nenhuma narrativa coesa que ligue as diversas aventuras e que aponte para um final. Acontecem muitas coisas, é certo, mas nenhuma delas parece ter consequência de maior. Isto teria sido muito importante para que as personagens e pudessem desenvolver e isso não aconteceu. Na génese, as personagens são muito ocas e não têm complexidades, pelo que algum desenvolvimento teria sido bem vindo. Apenas Aya, uma das amigas, tem uma referência (logo no início da série) que teria sido importante e muito interessante em termos de crítica social, mas isso é rapidamente esquecido na medida em que ela é incluída nas aventuras. Acaba por ser ela a personagem mais interessante porque é a única "diferente": é a única que não fala aos gritos. Por mais que eu queira dar o braço a torcer às actrizes, aqui a prestação é muito insuficiente e ruidosa, tornando toda a experiência deste anime fastidiosa.
A arte é terrível em todos os aspectos. Mesmo tendo em conta o ano de produção e o facto de isto ser um anime de paródia, as caricaturas feitas são muito estranhas e de aspecto hediondo, sendo que as cenas de animação estão incompletas e pouco cuidadas. Existem alguns momentos que teriam um potencial para a beleza, se não fossem interrompidos por situações caricatas e caricaturais que, constantemente, invadem o ecrã.
No quadro da irritação causada, a música também contribui bastante. OPs e EDs estranhas e pouco relacionadas, músicas do parênquima com uma energia digital que apenas me causa taquicárdia e desconforto.
Assim, este anime cai no ridículo e isso é muito triste. Porque ele teria potencial para ser algo bastante bom e para ser inspirador, mas não o consegue de maneira nenhuma.
By : ladyxzeus
Casulo
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Casulo
André Oliveira com Vários Artistas
2015
Banda Desenhada
Como estou a tentar manter-me a par com as novidades da BD portuguesa, comprei este album quando foi lançado, no Anicomics deste ano 2015. Trata-se de um livro curioso, numa edição luxuosa de capa dura e páginas brilhantes e cheirosas, um conjunto de curtas de BD de um senhor chamado André Oliveira com colaboração de uma miríade de artistas.
São histórias muito pequeninas, duas páginas a maioria, quatro se tanto, que falam de pequenas coisas mais ou menos boas que acontecem na vida. Também com um forte elemento de crítica social, este autor tem a arte de colocar em poucas palavras (e poucos desenhos) momentos muito significativos da vida diária das pessoas.
A arte varia muito de história para história, mas devo dizer que os meus momentos visuais preferidos foram nas histórias (três histórias) dedicadas ao Natal. De resto, em termos narrativos, fiquei de sobremaneira impressionada com "Silêncio" e com a que vem imediatamente a seguir, que me tocaram profundamente. Os pequenos relatos de viagem não me tocaram como, talvez, seria pretendido.
De uma forma ou de outra, este é um argumentista para manter no radar. Embora não tão poético como eu, pessoalmente, prefiro, tem um olho clínico para observar o dia a dia e isso é, sem dúvida, admirável.
By : ladyxzeus
Quando Fores Mãe Vais Ver
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Quando Fores Mãe Vais Ver e Outras Pérolas do Folcore Materno
Ana Saragoça
2012
Livro
Depois de Todos Os Dias São Meus estava muito excitada para ler o outro livro de Ana Saragoça, nossa querida coleguinha do BookCrossing. Este livro foi-me emprestado pela mesma pessoa, obrigada! :)
Com muito humor e candura, a autora conta-nos um pouco sobre aquelas frases feitas que todas as mães usam mais tarde ou mais cedo ao longo do seu percurso materno. Coisas como "Aqui está a chover imenso!" ou "Estás tuberculosa!", pequenos momentos que todos os filhos ouvem de suas mães em qualquer altura da sua vida. Assim, segue-se um relato das aventuras e desventuras de infância, sempre recheadas de preocupações diversas e todas as reclamações que um filho tem todo o direito a fazer. Pois, está claro, embora sejamos adultos as nossas mães continuam a falar desta maneira, como se fôssemos pequeninos.
De certa forma senti que o livro era bastante pessoal e houve algumas coisas que me passaram ao lado, simplesmente porque não conheço as pessoas em causa e é, para mim, difícil de as visualizar. Não me consegui identificar plenamente com a posição de filha reclamante, porque a minha mãe nunca diz a maioria das coisas que as mães dizem neste livro. Isto parece-me mais uma mãe de uma outra geração, que não a da minha, que não se adaptou aos tempos modernos como... Bem... A minha. Ainda assim, é uma leitura leve e engraçada, que deu para grandes momentos de riso intenso e, sobretudo, muitos sorrisos rasgados. :)
Tomei também conhecimento que a autora do livro é minha confessa arqui-inimiga, pois andou nos Maristas de Carcavelos (eu andei nos de Lisboa, muahahahaha)
Apesar de ter gostado mais do livro anterior, este também é muito engraçado e vale a pena dar-lhe uma olhadela. Nem que seja para recordarmos coisas para nunca dizermos aos nosso filhos, num futuro muito longínquo. =D
By : ladyxzeus
Paprika
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Paprika
Satoshi Kon - Madhouse Studios
Anime - Filme
2006
7 em 10
Estávamos a ver uma lista de filmes de animação desconhecidos e encontrámos lá este. Que para mim não é assim tão deconhecido, já que é a terceira vez que o vejo. :v
Do autor do afamado Perfect Blue, Paprika é uma história que podia muito bem acontecer, caso a tecnologia evoluísse bastante. Neste universo, foi inventada uma maquineta que permite a que se entre dentro dos sonhos das pessoas, de forma a que se possam partilhar entre amigos e, mas importante que tudo isso, fazer uma psicoterapia dirigida e ajudar as pessoas. Infelizmente, essa tecnologia cai nas mãos erradas e o mundo poderá ser destruído a qualquer momento. Entre realidade e sonhos está uma mulher: Paprika. Ela tem o poder de manipular a sua forma dentro dos sonhos das pessoas e ajudá-las e o seu trabalho será essencial para vencer esta força maléfica que se apoderou dos sonhos das pessoas e os tranformou num aterrorizante pesadelo colectivo.
A narrativa é simples, sem mistério, sem suspense. Os momentos mais estranhos estão na mistura das duas realidades, mas tudo é claramente explicado ao longo do filme, de forma muito acessível e sem deixar lugar para dúvidas. Polvilhada com uma querida história de amor muito improvável, a narrativa baseia-se então - sobretudo - nas acções e desenvolvimento dos personagens. Isto é bastante satisfatório, pois vários sonhos se misturam e através deles conseguimos interpretar um pouco sobre cada uma das personagens e ficar a conhecê-las um pouco melhor. Cada uma é única e apaixonante, caracterizando elementos da sociedade japonesa do "agora" sem temores nem papas na língua.
Outro aspecto muito interessante e querido é a homenagem ao universo cinematográfico. Satoshi Kon parece ver os sonhos como uma espécie de "filme" e discorre sobre as técnicas que poderia usar se eles fossem passíveis de ser filmados de forma muito apaixonada e dedicada.
A animação é bastante boa, com muita fluidez e muitas cores, até ao momento em que aparecem cenas repetidas, uma cópia total, sobretudo nos momentos da parada dos objectos e dos electrodomésticos. De resto, fique uma nota para a intro que caracteriza perfeitamente a personagem de Paprika. Até faria cosplay dela, com todo o gosto, mas não gosto da sua outra faceta.
Musicalmente, temos um curioso uso desse instrumento que é o "Vocaloid". As músicas são inteiramente digitais, o que transmite um ambiente muito moderno mas ao mesmo tempo surrealista e perturbador.
Um filme que poderei recomendar como um dos melhores exemplos do autor, mas que não ultrapassa o sempre fantástico Perfect Blue.
By : ladyxzeus
A Peregrinação do Rapaz Sem Cor
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A Peregrinação do Rapaz Sem Cor
Haruki Murakami
2013
Romance
Recebi este livro no aniversário do ano passado e só agora o li... Sendo que está quase de novo no meu aniversário, lol
Para mim, Murakami deixou de ser um autor preferido. A sua escrita é muito contraditória, por vezes errática, muito inconsistente. Assim, tive um certo medo quando iniciei esta leitura, medo de não gostar, medo de me chatear de vez com o autor. Felizmente, isso não aconteceu, embora este romance esteja longe de ser o livro perfeito.
Um rapaz muito igual a todos os outros, tem quatro amigos em Nagoia, terra onde sempre viveu. Estes anigos têm nomes de cores e por isso Tsukuro, o nosso personagem principal, sente-se "sem cor", como se fosse invisível. Subitamente, expulsam-no do grupo. Ele tenta esquecer o que se passou, mas uma nova namorada motiva-o a, dezasseis anos depois, procurar o grupo e perceber o que aconteceu. E assim Tsukuro, o "rapaz sem cor" inicia uma viagem em que também busca o auto-conhecimento.
É uma escrita leve e fluída, embora as descrições dos momentos sensuais sejam bastante frias e afastadas da realidade, sendo que os sentimentos do personagem em relação a elas (e são deveras importantes) limitam-se um pouco a "ficou perturbado". Temos alguns momentos gráficos muito interessantes, com descrições vívidas de paisagens, urbanas e rurais. A narrativa em si tem muitos pontos de interesse, sobretudo no respeitante à caracterização das personagens, que são únicas e muito vívidas, apresentando-se numa realidade tangente em oposição ao mundo irreal dos sonhos e das histórias do passado.
No entanto, fiquei com o sentimento de que toda esta "peregrinação" acabou por ser inconsequente, pois demasiadas perguntas ficam por responder. E confesso que estava realmente curiosa em saber estas respostas. O final aberto, o assassinato inconclusivo, os simbolismos que aparecem mas que nunca são explicados, tudo isto deixou-me com água na boca e o resultado foi muito insatisfatório. Foi como se o autor nem sequer tivesse pensado que estas perguntas se colocariam, não pensando muito sobre elas.
Ainda assim, não é um mau exemplo para a literatura do autor. Mas, mais uma vez, não o apontaria para o Nobel.
By : ladyxzeus

