What we do in the shadows
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What we do in the Shadows
Jemaine Clement e Taika Waititi
2014
Filme
7 em 10
E, depois de uma comédia, que tal... Outra comédia?
Este é um filme de vampiros feito para gozar com filmes de vampiros. E de adolescentes. E filmes, em geral. Pois bem, um grupo de vampiros centenários vive há algum tempo isolado na Nova Zelândia, numa cidade insuspeita. São colegas de apartamento e, por isso, têm todos os problemas que um grupo de "jovens" tem quando partilha um apartamento. Quem lava os pratos? Quem sujou o sofá? Mas, sobretudo, têm um problema grave em adaptar-se à vida actual. Cada vez mais têm dificuldade em encontrar vítimas para se alimentarem e as dificuldades de comunicação entre eles e com as pessoas que os rodeiam são cada vez maiores.
O filme está feito como se se tratasse de um documentário, gravando opiniões dos seus intervenientes e aproximando-se do assunto com uma aura bastante improvisada, fomentada também pelo próprio improviso dos actores. O resultado é simplesmente hilariante. Com uma narrativa solta, seguimos pequenos momentos da vida destes vampiros, que só querem viver sossegados e divertir-se tocando música (muito mal) ou mesmo fazendo performances de danças eróticas uns para os outros.
Nada disto seria possível sem um talento fabuloso da parte dos actores, que encarnam as suas personagens de forma ligeira mas, mesmo assim, muito pura. Estão de tal forma integrados, e bem caracterizados, que todos os momentos da vida diária destes vampiros se tornam muito reais e dão mesmo vontade de nos tornarmos num deles, apenas para nos podermos divertir assim para o resto das nossas (não) vidas.
Gostei especialmente da caracterização, aparentemente aleatória, dos espaços e das roupas, que dão todo um ar de absurdo extremamente realista dentro do contexto.
Cheio de momentos de comédia memoráveis, este é um filme para ver e rever mais tarde, com amigos ou com os nossos avós.
By : ladyxzeus
The Meaning of Life
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The Meaning of Life
Monty Python
1983
Filme
7 em 10
Para o meu skit do Eurocosplay tenho intenção de usar uma música dos Monty Python, que ouvi num CD dos respectivos que o Qui me forneceu como fonte de inspiração. No entanto, ainda não tinha visto o filme que lhe correspondia, e depois de ter jantado com os parceiros da The Forge Cosplay (que também vão às Inglaterras) ocorreu-nos que seria boa ideia vê-lo. E assim foi!
Este filme é um pequeno exercício sobre uma grande questão: qual o sentido da vida? Através de diversos sketchs de comédia, os Monty Python tentam responder. O resultado é algo de hilariante e absolutamente memorável.
Cada resenha cómica fala acerca de um aspecto da vida, desde o nascimento, à guerra, passando pelo aborrecimento conjugal e até mesmo donativos de órgãos. Tudo isto está ordenado por fases, uma espécie de crescimento humano, desde o nascimento até à morte. No final, somos esclarecidos sobre qual o sentido da vida, da forma mais crua possível.
Na verdade, através de uma comédia impecávelmente mórbida, os Monty Python só nos dão uma única conclusão sobre o sentido da vida: a vida não faz sentido absolutamente nenhum. Eles pegam nos momentos normais e oferecem-lhes uma aura de non-sense e exagero, uma espécie de absurdismo cinematográfico, que motiva a momentos de gargalhadas compulsivas e incontroláveis. E, afinal, o que é melhor na vida se não rir?
Considerado por muitos o menos bom dos filmes dos Monty Python, para mim foi um exercício fascinante, sem regras e sem fronteiras, em que assuntos crueis são analizados da forma mais agressiva de forma a que nem sequer nos sentimos culpados por nos rirmos: afinal, são coisas com piada!
Assim, recomendo vivamente que vejam este filme. Não só para tentarem descobrir que música vou usar em Inglaterra, mas para vos doer a barriga de tanto rir e, quiçá, deitar umas pinguitas de chichi.
By : ladyxzeus
Cyborg 009: The Cyborg Soldier
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Cyborg 009: The Cyborg Soldier
Kawagoe Jun - TV Tokyo
Anime - 52 Episódios
2001
6 em 10
Remake de série dos anos 60, esta versão de Cyborg 009 ficou popularizada por passar na Cartoon Network na década passada. Esperava muito pouco dela, mas foi uma surpresa interessante.
Conta a história de nove cyborgs experimentais, pessoas com alterações a vários níveis que lhes conferem certos poderes e daqueles que os perseguem tendo em vista a sua destruição. É uma história muito simples, dividida em arcos, cheia de acção. A narrativa não está especialmente bem feita, variando espectacularmente de cada vez que mudamos de arco, e aparece apenas de forma a introduzir uma série de personagens, para além dos nove cyborgs que já conhecemos.
Este é o lado mais curioso do anime: os personagens. São muitos, e muito variados, tendo em si uma série de questões e dúvidas sobre o significado de se ser humano, aproveitando para falar de outros aspectos fascinantes, como a necessidade de lutar e da guerra. Achei apenas que teria feito falta haver um pouco mais de pessoas "reais": à medida que o anime se vai desenvolvendo, descobrimos que praticamente todos os intervenientes, que vão aparecendo e desaparecendo, são também cyborgs. Senti que se houvesse mais seres humanos não robotizados, os factores colocados em debate teriam tido toda a uma outra intensidade.
Surpreendentemente, a arte está bastante boa. Existem cenas de acção muito bem animadas e muito interessantes, sempre com um toque de comédia, sendo que os designs se mantêm puros em relação ao estilo original dos anos 60.
Devido a vários factores acabei por ver bastantes episódios com a dobragem americana, que me pareceu bastante satisfatória. De resto, a música e um pouco repetitiva e bastante vulgar, adicionando muito pouco em termos de efeito emocional.
Um anime interessante, mas creio que teria preferido ver o original. Eu sei que nunca o vou encontrar disponível, é do tempo do preto e branco...
By : ladyxzeus
Colorful
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Colorful
Hara Keiichi - Sunrise
Anime - Filme
2010
7 em 10
Vimos este filme no fim de semana, mas o trabalho tem sido tão árduo (mesmo trabalho...) que só agora consigo escrever sobre ele. Foi recomendado pelo meu clube e, como sempre, revelou-se uma boa surpresa.
O filme começa numa estação de comboios. O purgatório, ou algo semelhante, uma passagem da vida para a morte. A uma alma perdida é dada a oportunidade de ocupar o corpo de um adolescente que acabou de se suicidar para que descubra qual foi o seu crime durante a vida e tenha uma nova oportunidade de "reciclagem". Desta forma, num corpo que desconhece, a alma vai ter de viver a vida como ela é, ultrapassar problemas e melhorar-se. O argumento é bastante original e existem muitos momentos de confronto entre as personagens que acabam por ser muito interessantes. Mas tenho uma crítica em relação à direcção do filme: a narrativa não é constante, formando-se numa espécie de montanha russa, com grandes mudanças de dinâmica, entre momentos tensos e momentos calmos. Isto poderá desconcentrar o visionante e torna o filme numa amálgama de sentimentos que poderão tornar-se negativos, com uma conclusão bastante previsível e sobre a qual gostaríamos de saber mais.
Por outro lado, estas mudanças de dinâmica ajudam-nos bastante na compreensão do âmago das personagens. O nosso rapaz principal é operante de uma mudança radical na sua personalidade, que espanta os seus conhecidos (não propriamente amigos) e que o leva ao tal confronto. Estes momentos dão-nos muitos dados interessantes sobre os personagens secundários, havendo momentos em que, citando o Qui, "quase parece que nem estamos a ver desenhos animados". As conversas são maduras, se bem que apropriadas à idade dos personagens, bem escritas e realistas, falando de assuntos muito actuais, como a insegurança adolescente, os maus tratos na escola, a prostituição e as relações familiares num ambiente moderno Japonês.
O ponto mais forte do filme é, sem dúvida, a arte. Sendo evidente que há neste filme um patrocínio da junta de freguesia lá do sítio, temos cenários quase fotográficos, muito realistas e cativantes, que funcionam muito bem como spot publicitário discreto. Talvez estes momentos gráficos cénicos sejam um pouco longos demais, mas são agradáveis de qualquer forma. As personagens em si estão bem animadas, se bem que não há grandes cenas de acção, sendo que o maior defeito se encontra nas expressões, usadas muitas vezes com um estilo cómico que não se coaduna bem com o resto do grafismo. Fica a nota também para os quadros, com uma certa tendência expressionista, que o nosso personagem principal pinta. São um mecanismo narrativo que está muito bem utilizado, uma espécie de metáfora para os sentimentos confusos do rapaz. E são, em si mesmos, obras muito interessantes.
Finalmente, não posso deixar de falar da música. A banda sonora tem momentos extraordinários, entre alegria e melancolia, que se adequam perfeitamente a cada uma das cenas que retratam. As peças, individualmente, são bastante curiosas e memoráveis.
Assim, temos um filme que - apesar dos defeitos em termos de ritmo - se apresenta como uma visão diferente e original da vida moderna. Recomendo-o e, certamente, voltarei a vê-lo.
By : ladyxzeus
Dead Leaves
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Dead Leaves
Imaishi Hiroyuki - Production I.G
Anime - Filme
2004
5 em 10
Para terminar a noite, um pequeno filme (menos de uma hora), numa onda cartoonistica e estilizada que a Production I.G. gosta tanto.
Um casal acorda nu em frente de uma grande cidade, procedendo a cometer vários crimes. Depois são presos e tentam fugir da prisão, de forma bastante espectacular. A narrativa é muito simples, assim como os personagens, que têm muito pouco por onde pegar, baseando-se então o filme numa série de gags escatológicos e sexuais que se prolongam muito para além do que é preferido. Talvez este tipo de humor não seja realmente a minha praia... Para mais estava a jantar e fiquei mesmo enjoada com o teor das piadas, ainda tenho o estômago às voltas.
Enfim, o humor é - como sempre - relativo.
Falemos da animação. O estilo é uma escolha e funciona bastante bem dentro do contexto, mas a animação em si é pouco detalhada e induz o espectador em erro: por debaixo de algumas cenas aparentemente bem coreografadas, com muitos tiros e rotativos e perseguições de motas, estão personagens secundários mal animados (ou parados de todo) e cenários pouco imaginativos.
A música é explosiva mas bastante repetitiva.
Um filme um pouco oculto que tem o seu valor pela originalidade, apesar da qualidade não estar nada por aí além.
By : ladyxzeus
Last Exile
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Last Exile
Chigira Kouichi - Gonzo
Anime - 26 Episódios
2003
8 em 10
Sem dúvida um dos animes mais interessantes que vi nos últimos tempos. Last Exile é um raríssimo exemplo de utilização de um ambiente e tema steampunk em anime, que nos leva até um universo único onde podemos assistir ao desenrolar de uma guerra entre oponentes de peso.
Claus e Lavie são uma espécie de senhores-do-correio: na sua vanship, uma espécie de passarola movida a vapor, entregam cartas e recados variados a todos os cantos da sua terra. As suas aventuras começam quando, enquanto participam numa corrida de vanships, são interceptados por uma nave que está a cair e decidem ir ajudar. É-lhes confiada, então, a missão de levarem Alvis, uma menina, até à grande nave Silvana, que colabora com o exército de forma pouco legal. A história demora a desenvolver-se, sendo que se adicionam cada vez mais camadas na narrativa, que se atam todas num final que, sendo pouco surpreendente, foi perfeitamente satisfatório. Se a meio da série começamos a pensar que se esqueceram de personagens anteriormente introduzidos, chegamos rapidamente à conclusão de que isso não é verdade: todos têm o seu papel e tudo está interligado. Assistimos então a uma sucessão de estratégias, motivadas pelas duas partes, que são simplesmente apaixonantes.
Já que falávamos dos personagens, devemos considerar que nem todos são aproveitados da melhor forma, apesar de todos terem uma participação importante. A alguns é dada pouca importância quando estávamos curiosos sobre eles. A outros acontece exactamente o contrário. Mas o grupo principal é explorado de forma exemplar e temos assim um grupo de personagens muito realista dentro do contexto, ao qual acabamos por nos afeiçoar e que se tornam parte integrante do nosso visionamento. A caracterização é única para cada um, sendo que se tornam pessoas vivas e mutáveis dentro do plano narrativo, que leva ao seu desenvolvimento que, apesar de ligeiro, é muito importante e uma grande motivação para nos agarrar à série. São todos pessoas muito diferentes, com passados mais ou menos misteriosos, mas com futuros que esperamos continuar a seguir. Gostei sobretudo de Al, que é desde logo apresentada como uma menina doce e sentimental mas com muita fraqueza interior, mas que cresce para ser uma personagem poderosa e mecanismo narrativo essencial.
Outro aspecto que adorei de paixão foi a arte e animação. É um dos raros exemplos em que a animação digital funciona realmente bem. Com uma paleta de cores enferrujada, o que nos remete para o tal ambiente steampunk, toda a maquinaria e cenas aéreas estão animadas com uma renderização digital um pouco arcaica mas feita de tal forma que se torna muito realista. Isto é sobretudo agradável nas cenas de perseguição e luta, com explosões opacas que parecem realmente ter sido filmadas ao vivo. Também os desenhos do céu e nuvens fazem uso deste tipo de textura, fazendo com que todo o anime tenha um certo aspecto de quadro antigo.
Finalmente, não podemos descurar a música. Misteriosa e evocativa, estabelece desde logo o ambiente de toda a série, adaptando-se perfeitamente às cenas e acabando por se tornar bastante memorável.
Uma série que me deu um prazer imenso ver e que recomendarei.
By : ladyxzeus
When Marnie Was There
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When Marnie Was There
Yonebayashi Hiromasa - Studio Ghibli
Anime - Filme
2014
6 em 10
À terceira tentativa, finalmente consegui ver este filme, a última criação da Ghibli. Da primeira vez apanhei legendas em chinês, da segunda apanhei um ficheiro corrupto. À terceira é de vez!
Este filme fala sobre a adaptação das crianças a situações diferentes e novas maneiras de fazer amigos. Anna é uma menina inadaptada numa grande cidade, onde sofre com asma e ataques de ansiedade. É enviada para uma vila muito calma, com outros familiares, para que recupere. Lá, descobre uma grande casa desabitada. Mas... Parece que vive lá alguém! Esse alguém é Marnie, uma menina da mesma idade que, tal como Anna, se sente solitária. Tornam-se amigas imediatamente, mas Marnie está envolta em mistério.
Apesar da narrativa apelar para os valores da amizade feminina, como qualquer outro filme familiar, desenvolve-se de forma extremamente previsível e existem alguns pontos erróneos ao longo da progressão. Para começar, como é que Anna não estranha que Marnie esteja a viver numa época diferente? O que nos leva a pensar: se Marnie sabe quem é ela própria, porque é que age permanentemente como se não soubesse? Se ao início a poderíamos considerar fruto da imaginação, quando chegamos ao final só podemos concluir de que se trata de uma memória perdida que *sabe* que não existe. De resto, Marnie desaparece e aparece constantemente, sem que a sua existência nunca seja posta em causa. Pareceu-me também haver um excesso de monólogos internos pela parte de Anna, sendo que as cenas poderiam ter tido muito mais impacto se tivessem sido simplesmente retirados. Para além disso, os próprios diálogos são estranhos, parecendo haver um certo inuendo erótico por detrás das palavras de Marnie (o que é motivado também pela voz que lhe deram, demasiado madura) que não faz sentido dentro do contexto do filme. Por fim, quando Anna faz uma amiga na vida real, pareceu-me haver um desenvolvimento demasiado rápido de todas as relações, havendo uma imediata aceitação dos erros pela parte de toda a gente, o que não corresponde à vida tal como ela é.
Apesar da rotunda falha na construção narrativa, temos de admitir que a arte é espectacular. Detalhada, quase fotográfica, dá azo a cenas muito bonitas envolvendo paisagens aquáticas e vida selvagem, um ambiente bastante original. A utilização de cores está perfeita e o traço é muito agradável. Não existem grandes cenas de acção para demonstrar uma animação perfeita, mas nos momentos em que existem movimentos complexos, ela está exemplar.
A música é pouco memorável. Acredito que se o tema principal (a canção de embalar) tivesse sido repetido mais vezes, teria tido mais impacto.
Assim, temos um filme que, apesar da mestria técnica, é bastante mediano nos outros aspectos. Passou ao lado de muita gente e assim continuará.
By : ladyxzeus
