Inferno Cop
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Inferno Cop
Amemiya Akira - CoMix Wave Films
Anime - 13 Episódios
2012
5 em 10
Esta foi aquela recomendação no gozo que por vezes aparece no clube, assim sem mais nem menos por razões que a própria razão desconhece. Diziam eles que isto era o novo "Mars of Destruction", tido por muitos como o pior anime de sempre. Assim, vim preparada para algo de extraordinariamente terrível, um terrível fora do normal, algo que de tão mau se situa na escala do épico, tal qual uma Ana Malhoa.
Mas... Isto não é assim tão mau?
São treze episódios com mais ou menos três minutos cada um, vê-se a série toda em menos de uma hora. Fala das aventuras e desventuras de uma criatura misteriosa e não humana, um tal de Inferno Cop, que protege as pessoas de todo o mal, de alienígenas a meliantes, com ajuda (ou não) de outros super-heróis tão estranhos como ele.
É uma série de comédia, que não se leva a sério num único momento. É algo que foi feito para ser mau, com a intenção de ser ridículo. Assim, podemos criticar a série quando ela se torna ridícula? Se esse era o seu primeiro e único objectivo? Tudo nela contribui para isto, das vozes (todos os personagens são interpretados por cerca de três pessoas) à terrível animação, se é que se pode considerar animação a sucessão de imagens paradas e recortes que rodopiam conforme a necessidade de acção.
O efeito, no geral, acaba por ser bastante engraçado. Eu, que não tenho sentido de humor, fartei-me de rir em algumas partes. Isto é simplesmente um exercício de comédia pura e dura, sem nenhum objectivo para além da experimentação de gags e popularização de um personagem que não faz sentido nenhum.
Claro que não a irei recomendar, mas também não me posso juntar às vozes críticas que o comparam a uma turbinada. Não é assim tão mau. Também não é assim tão bom.
By : ladyxzeus
Aquilo Que Eu Amava
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Aquilo Que Eu Amava
Siri Hustvedt
2003
Romance
Depois de ter tido uma excelente experiência com um livro desta autora, decidi experimentar outro para saber se tinha sido caso único ou se poderia realmente adicionar esta senhora à minha lista de leitura. Com este romance, a minha opinião ficou consolidada.
No mundo artístico dos anos 70 a 90, um professor de história de arte e crítico nos tempos livres forma amizade com um artista desconhecido. Com um olhar conhecedor e muito observador, Leo assiste à ascensão deste artista e às suas relações interpessoais, ligadas intimamente com a sua própria vida. Assim, o livro é mais que um exercício dos conhecimentos artísticos da autora, mas uma avaliação emotiva e contundente da vida humana e das emoções deste conjunto de personagens.
A escrita é bela e directa, sendo que - como leitora - me senti muito ligada à vida de todas estas pessoas, desejando por vezes vivê-la eu própria, como se eu fosse mais do que uma espectadora de todos estes acontecimentos. Isto é algo que devemos valorizar bastante.
A partir da terceira parte o livro toma um rumo um pouco diferente, passando a ser uma espécie de policial dentro de uma teia de problemas psicológicos e mentiras que são um pouco difícieis de compreender, quer para os personagens quer para o leitor. Não me agradou especialmente, sobretudo a conclusão um pouco triste, consequência de todos estes eventos que destroçaram emocionalmente os personagens.
Ainda assim, foi uma leitura gratificante e estou ansiosa por ler mais livros desta autora.
By : ladyxzeus
Mai-HiME
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Mai-HiME
Nagai Tatsuyuki - Sunrise
Anime - 26 Episódios
2004
6 em 10
Depois de tantos fatias de vida seguidos (dois, pelo menos), avançamos para um anima de contornos sobrenaturais. Estava com certas expectativas para ele, depois de ter lido reviews muito positivas e de o manga ter sido recomendado no meu clube. Não posso dizer que as expectativas tenham saído frustradas (porque não estavam nos píncaros), mas devemos considerar que este anime tem as suas falhas.
Mai é uma rapariga normal que se descobre com um poder especial que serve para lutar contra uns bicharocos maléficos. Assim, junta-se a um grupo com envolvimento socio-político chamado HiME, uma sigla para um nome que não interessa e que não faz sentido. Neste grupo, conhece muitas pessoas, amigas e inimigas, estabelecendo relações fortes com elas. Acabamos por descobrir de onde vêm os bichos estranhos, como os vencer e as consequências altamente politiqueiras deste grupo e dos seus oponentes (envolvendo até uma equipa SWAT e coisas dessas).
A história tem uma complexidade que acaba por não se coadunar com a emoção dada ao desenvolvimento das relações entre as personagens. Isto é, para um grupo altamente profissional como este, as atitudes acabam por ser um pouco infantis, com muitas lágrimas e gritos à mistura. Apesar de tudo, estes momentos são gratificantes, não pela morte das personagens mas pela intensidade como são vividos pelos que restam. Fique a nota para algumas excelentes interpretações no respeitante a vozes.
A arte está envelhecida e, para a época, um pouco desactualizada. Os designs lembram os finais da década de 90s e a própria animação está um pouco fraca para o ano em que o anime foi concretizado. Mas podemos dizer que os designs dos monstros e animalária que se passeia pela narrativa estão bastante bem concebidos, havendo uma mistura de criaturas assustadoras com aquelas em que podemos confiar.
Musicalmente, há uma certa desafinação na OP e ED. No parênquima, há algumas peças que atingem a espectacularidade quando inseridas dentro do contexto emotivo das cenas.
Assim, no geral, foi um anime interessante e que pode servir como exemplo de experiência paranormal do meio dos 00s.
By : ladyxzeus
Hyakko
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Hyakko
Fukuda Michio - Nippon Animation
Anime - 13 Episódios
2008
5 em 10
Mais um fatia de vida, desda vez acompanhando as aventuras e desventuras de quatro meninas não muito fofas mas cheias de energia. Elas estudam numa escola de contornos agigantados, em que frequentemente se perdem, encontram muitas pessoas novas e fazem asneiras em seguimento de outras asneiras.
Em termos de história, temos apenas a relação da vida diária dos personagens que, apesar de característico do género, acaba por se apresentar insuficiente. Isto porque os personagens em si não têm força bastante para que as suas interacções mantenham um nível elevado de interesse. Em cada episódio conhecemos novos personagens, que depois se tornam recorrentes, mas o desenvolvimento que é dado a cada um deles não tem nada de espectacular, tocante ou com alguma simples densidade, o que torna todos os eventos numa sucessão de caretas cómicas. Isto acaba por não funcionar muito bem, sendo que o anime rapidamente se torna irrelevante. O grupo principal tem as suas características próprias, mas os seus traços não estão bem definidos, acabando cada uma delas por cair dentro de um lugar comum ou mesmo por aparecer como pessoa em branco, sem qualquer tipo de desenvolvimento que lhes possa dar um lugar ao sol. Para mais, outras personagens têm comportamentos erráticos, com mudanças rápidas na personalidade que não jogam bem dentro do contexto.
A arte é brilhante, mas o design dos personagens é desactualizado para a época, existindo falhas recorrentes em termos de perspectiva. Para mais, grande parte do anime consiste nas tais caretas, nos gags, nos momentos cómicos, o que - em termos artísticos - necessitaria de uma abordagem diferente para funcionar de uma forma original e interessante para o nosso olhar crítico.
Finalmente, a música. Baseada sobretudo em peças eruditas muito conhecidas, é pouco inspirada e muito repetitiva. As vozes, essas, tornam as personagens um pouco mais cativantes, mesmo com todas as suas falhas.
Um anime que será rapidamente esquecido.
By : ladyxzeus
Non Non Biyori
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Non Non Biyori
Kawatsura Shinya - TV Tokyo
Anime - 12 Episódios
2013
7 em 10
Foi sugerido pelo meu clube. Na verdade, tinha as expectativas muito baixas. Quando olhei para o cartaz e li a sinopse, fiquei um pouco de pé atrás. Mas logo aos primeiros minutos juntei-me de novo ao clube do "nunca tenhas expectativas sobre nada", porque percebi logo que ia gostar. :)
Este anime conta a vida diária, uma fatia de vida, de quatro meninas numa aldeia isolada nos confins do Japão rural. Elas, mais um rapaz que não tem relevância para a história (infelizmente) são os únicos alunos da escola da aldeia. A sua vida processa-se de forma muito calma, com pequenas coisas que a distinguem de outros animes do género passados em meios urbanos, desde as paisagens ao comportamento dos personagens.
Estas, são simples mas caracterizadas de forma a podermos identificar os seus traços gerais, cada uma com um dilema específico e factores que as distinguem facilmente das outras. Assim, a sua interacção torna-se bastante interessante e é uma experiência relaxante assistir às suas conversas e brincadeiras que, no fundo, são apenas jogos de crianças. Aliás, a criança presente está muito bem caracterizada como tal, o que é uma coisa bastante rara. Talvez o design não tenha sido apropriado, sobretudo nos episódios em que as roupas são mais justas, mas acho que se pode perdoar isso tendo em conta os elementos emocionais constantes no resto da abordagem.
A arte é um dos melhores aspectos: brilhante, detalhada, de uma beleza extraordinária no que respeita a fundos e cenários. É ela o espelho da vida rural no Japão e o que demonstra que viver aqui pode ser uma experiência de pura paz e felicidade.
Finalmente, também não podemos descurar a música. Com peças muito bonitas, por vezes melancólicas, com um toque de solidão, encerram em si o ambiente bucólico e afastado da realidade presente em todo o anime.
Apenas gostaria que, talvez, tivessem insistido mais nos problemas decorrentes deste isolamento social, que certamente existe nestas aldeias tal como existe nas nossas. De resto, um anime excelente que merece a minha recomendação.
By : ladyxzeus
Universus da Poesia
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Universus da Poesia
Vários
2014
Poesia
Poderei alongar-me um pouco, portanto vou dividir esta postagem em quatro partes. :)
Parte 1 - Como vim parar a este livro
Dos vários grupos a que pertenço, alguns são de literatura. Também recebo notificações de vários concursos no meu e-mail, fazendo esforço por participar, mais por exercício mental de escrever sobre um determinado tema do que para ganhar o que quer que seja (o que, sendo improvável, já aconteceu uma vez ou outra). Assim, recebi o convite para participar nesta antologia poética sob a chancela UniVersus, com o tema "Universus da Poesia". Escrevi um poema a propósito e pediram-me mais, pelo que escrevi mais uns dois ou três e juntei outros que tinha guardados do passado. Acabaram por ser escolhidos esse escrito de propósito e uma letra que tinha escrito para o projecto musical Ocaso, do meu amigo R.
Claro que depois houve um dilema enorme, pois a editora desejava que eu falasse sobre mim e eu sou o tipo de pessoa que não tem nada de interessante para contar. Lá inventei uma coisa qualquer, de relativa piada. Também queriam uma foto e a primeira que mandei não foi aprovada por não considerarem "apropriada". Vejam lá e digam-me se é desapropriada!
Enfim, acabei por mandar um retrato que um artista Japonês me fez uma vez e que é o meu avatar em alguns locais.
Tendo tudo isto em conta, ainda era necessário pagar o livro. Aí está uma condição curiosa: para se participar tem de se comprar pelo menos um livro, caríssimo por sinal! Mas pensei "olha, é agora ou não é agora, boraí que se calhar vale a pena" Será que valeu... Fico à espera de outras opiniões. Bem, mais uma publicação com o meu nome escrito na prateleira...
Parte 2 - Coisas que eu acho sobre a poesia e essas cenas
Eu não sou grande apreciadora de poesia, admito desde logo. Quando era muito pequena, era o que eu gostava de escrever. Mas houve algum ponto de viragem, algures na minha vida, em que de repente me tornei senhora da prosa e passei a só gostar de escrever historietas. Ainda assim, vou lendo poesia de vez em quando e, ainda mais raramente, vou escrevendo um poemita ou outro.
Ao longo deste tempo, acabei por desenvolver uma teoria sobre a poesia. Há dois tipos de poesia: a inocente e aquela que sofre. A inocente é aquela que escrevemos quando somos adolescentes e pensamos que estamos a sofrer imenso. A que sofre é aquela que dói para nascer. Neste livro, a grande maioria é da primeira categoria. Isso não é uma coisa má, cada um escreve aquilo que sente e aquilo que lhe parece bem. Mas, pessoalmente, gosto mais da segunda.
Apesar de tudo, houve algumas passagens duvidosas, que me fazem duvidar da capacidade de selecção da editora. Coisas como "aves aladas" e assim (todas as aves têm asas...). Para mais, estranhei as pequenas notas biográficas dos autores, que na maioria pareciam uma enumeração de palmarés ganhos e publicações o que, dentro do contexto, não deixa de ser irrelevante. Interessa saber que ganharam a Menção Honrosa do Clube Caminho Fantástico? Eu podia ter posto isso....
Mas fica a nota, a nota muito importante, de que o artista é um bom artista. Portanto, todos os poemas desta antologia têm o seu valor, independentemente de eu ter gostado ou não deles. Gostaria de dar os parabéns a todos.
Parte 3 - Sobre o trabalho editorial
Isto sim, deixa muito, muito, MUITO a desejar. Primeiramente, a edição está cheia de gralhas. Por todo o lado. Depois, como participei, sei perfeitamente que nem contactaram os autores a propósito de uma eventual edição do texto. O que me pareceu foi que simplesmente fizeram um cópia-e-cola dos ficheiros word enviados: ninguém reparou (nem eu) que no poema da "Dança" falta uma vírgula e a formatação do poema da lua está completamente disforme, sem separação entre as estrofes - o que tira um grande significado à coisa.
As fotografias dos autores são pouco claras, havendo até uma (coitadinha da senhora) que está totalmente pixelizada.
Assim, UniVersus, mesmo que eu tivesse dinheiros para que me publicassem, não ia deixar.
Parte 4 - Um poema de que gostei
Entre uns e outros, houve poemas que gostei bastante e outros que gostei menos (até alguns que não gostei mesmo nada). Gostaria de citar o que me marcou mais. :)
Banco de Jardim
de Rui Machado
Foram muitas bocas a fazer chegar aos meus ouvidos
de que nunca se deve voltar
aos lugares onde fomos felizes.
Não acreditei.
Essas mesmas bocas já se tinham aberto antes,
para me dizer que o Amor era lindo.
Bocas que vomitam sílabas luminosas de mentira,
línguas que se movem como a vida nos desertos,
lábios que sabem a veneno doce.
São o maior perigo dos que precisam ouvir o Amor.
Para lá do bater do coração dos abralos,
para lá dos gemidos dos lençóis,
para lá dos olhos que incendeiam.
Hoje, senti bem cedo que o dia era traiçoeiro
para quem traz ainda estilhaços de Amor no corpo.
Sou um deles,
veterano de uma guerra
onde a cada Amor que fazia
ia adiando o hastear da bandeira branca dos fracos;
adiando a cada promessa,
a cada beijo o teu desembarque final,
o teu ataque cruel,
a tua desleal emboscada.
Ainda não sei bem o que fizeste acontecer.
Soube apenas que tinha acontecido coisa feia,
quando me deixaste derrotado,
estendido,
sem tratado de paz,
herói de nada,
peito sem condecorações de metal,
dilacerado pela pólvora das palavras,
estropiado de Amor
e abandonado ao desprezo
da ausência de um golpe de misericórdia.
Devaneio maior dizer-se que o Amor é lindo.
Devaneio supremo falar-se ou achar-se
que do Amor se possui alguma sabedoria.
Dele nada se saberá nunca,
tudo se sentirá sempre.
Incauto, por ventura,
para superar a saudade
que rasgava o avesso de mim,
voltei àquele jardim
Fui pisar-lhe o chão para me segurar ao mundo,
proteger-me na sombra das memórias que queimam,
fui rebentar um mar de saudada nas rochas duras da vida
que teima em não seguir caminho.
Procuro o nosso banco,
lugar do nosso Amor
onde a vida ganhou asas.
Procuro o lugar onde já fui feliz, sim.
Sem medo,
sem coragem,
incompleto,
quase vivo,
urgente.
Encontro-o.
Não me sento nele,
não sou tolinho de todo.
Sento-me no banco da frente,
num dia de semana
que esvaziou quase tosos os bancos daquele jardim.
Sem que quisesse desdobro,me por magia da nostalgia
que pede para voltar o que já esqueceu caminho.
Vejo-me no nosso banco,
estou feliz,
tenho na cara os olhos que te aguardam
e a boca que te deseja.
Espero-te pelas vezes que visito o relógio no meu punho.
Uma espera feliz, sei que nãom tardarás.
Curvam-se então os meus lábios,
num sorriso que inventei para te dar as boas vindas.
Chegas,
e antes de te sentares,
beijas-me.
Sentas-te, cheiras bem.
Não sei se é o cabelo,
a pele
ou a roupa,
que está a mais.
Enquanto nos bservo a olharmo-nos,
a trocar palavras,
beijos e toques,
assombro-me;
estou louco e encantado com isso.
A loucura devolve-nos às tábuas daquele banco de jardim,
palco do nosso Amor que em tantas matinés de Domingo,
enchemos de inveja os que passavam.
Vejo-me,
peghar numas chaves
para ferir o banco com os nossos nomes.
Enquanto gravo os nossos nomes na madeira,
tu ris e pedes-me para parar,
mas eu sei que é para continuar e continuo.
Termino.
Entre os nossos nomes deixo um coração.
O nosso.
Tu olhas, sorris e abraças-me.
Eu não me consigo deter e levanto-me para ir de encontro a nós,
ao nosso banco.
Corro até nós e antes de chegar,
explodimos como bolas de sabão.
Voltei a ser só eu.
Maldita poucura que não dura.
Olho o banco onde há pouco me via a escrever.
Não está lá nome nenhum,
nem o meu, nem o teu;
só metade do que parece ter sido um coração.
Sou metade de qualquer coisa que não tem nome sequer.
Nota:
Se tiverem interesse em ler as coisas que escrevo, consultem o meu deviantArt (estranhamente, tem muito pouco cosplay): http://ladylouve.deviantart.com
By : ladyxzeus
As Pequenas Memórias
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As Pequenas Memórias
José Saramago
2006
Autobiografia
Quando estive no Porto da última vez, na sempre fofinha companhia do Qui, quis muito passar na famosa Livraria Lello. E o que melhor para trazer de recordação do que um livro? Escolhi este pelo título. Afinal, também eu estava produzindo "pequenas memórias"...
Foi com alguma surpresa que o descobri como uma espécie de autobiografia, sem ordem cronológica, apenas relatos de pequenos momentos da infância deste autor, que gosto imenso, um amor de paixão. São minúsculas narrativas inseridas num passado esquecido, pelos olhos de um adulto que agora avalia o que foi ser criança numa época de pobreza e dificuldades. Ainda assim, com momentos de alegria, momentos de brincadeira. Mas digamos que os eventos tristes são bastante mais frequentes.
A imagética relatada, as descrições de paisagens, do sol, das terras, do céu, das pessoas, tudo isso remete-nos para um lugar que, tendo existido realmente, parece que saiu da fantástica imaginação do autor. Tudo isto regado com aquela pequena ironia que tanto o caracteriza, trazendo à tona a realidade das situações que, sendo por vezes terríveis, acabam por se tornar um pouco indiferentes: apenas memórias.
Também podemos debater qual o funcionamento real das nossas memórias. Saramago diz muitas vezes que não sabe se o que escreve são memórias verdadeiras ou falsas, coisas que existiram mesmo ou que se calhar ele inventou com o passar do tempo. Isto levou-me a pensar nas minhas próprias lembranças e foi um exercício muito interessante.
É um livro para ser lido apenas para quem ama este autor e queira saber um pouco mais sobre ele.
By : ladyxzeus

