• Kareshi Kanojo no Jijou

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    Kareshi Kanojo no Jijou
    Hideaki Anno - Gainax
    Anime - 26 Episódios
    1998
    5 em 10

    KareKano faz parte do imaginário americano dos finais dos anos 90. Assim, está recomendado em todas as listas, por toda a gente. No entanto, não é especialmente bom. Apesar disso, tem uma certa mãozinha daquele que foi o criador de Evangelion, o que se nota em algumas partes (as melhores)

    Um shoujo, uma história de amor. Uma rapariga mente a si própria e esforça-se por ser boa em tudo. Quando é ultrapassada por um rapaz, decide ser ela mesma e apaixonam-se. E tudo se resume a isto, num misto de drama e comédia em que se exploram as várias facetas de um sortido de personagens. A partir do momento em que a relação se estabelece, mais ou menos a meio da série, deixamos de ter narrativa: passamos a episódios soltos, com dois ou três que servem de consolidação da matéria dada (coisa bastante desnecessária num anime de 2cours), que relatam as aventuras e desventuras escolares e que introduzem novos personagens. O que me pareceu extremamente inútil.

    Os personagens também não são desenvolvidos para além do "sou mais do que as aparências". Esse elemento, presente em todas as pessoas da série, fica muito pouco explorado, pois não há densidade emocional para nos identificarmos com elas. Acabam por se tornar em resumos delas próprias, sendo que cada um tem uma persona "falsa" que querem oprimir fazendo uso de uma realidade que serve como mote para a comédia. Que não funciona na maioria das vezes.

    Quanto à arte, certamente que divide opiniões. É evidente que o orçamento para esta série estava muito reduzido, sobretudo a partir do meio. Mas é nessa altura que se faz uso de técnicas de animação experimental que têm um efeito original e muito interessante. A opção estilística de misturar imagens reais com animação também funciona de forma muito curiosa, assim como a utilização de texto para auxiliar nos pontos narrativos. Também fazem uso de desenhos rascunho, que recordam o próprio manga onde a série terá sido inspirada, o que dá um aspecto muito suave e romântico às situações em causa. No entanto, também existem momentos muito maus, sobretudo aqueles em que tentam explorar situações cómicas ou em que os personagens não mexem a boca para falar.

    Musicalmente, temos um conjunto de peças interessantes, originais e muito apropriadas. No entanto, como são só meia dúzia, rapidamente se tornam obsoletas e repetitivas, sendo que muitas vezes estão utilizadas em momentos pouco adequados, tornando a situação anti-climática.

    Um anime com muitas falhas, mas que talvez valha a pena ver se o visionante tiver interesse numa animação um pouco diferente.
  • O Funeral da Nossa Mãe

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    O Funeral da Nossa Mãe
    Célia Correia Loureiro
    2012
    Romance

    Depois de Demência achei por bem aproveitar a oportunidade de ler outro livro desta autora. Infelizmente, apesar de ter havido coisas que melhoraram, foi uma leitura bastante fastidiosa e aborrecida.

    Três irmãs reunem-se numa aldeia no Alentejo para o funeral da mãe (por acaso chamada Carolina, como esta pessoa que vos fala [não, o meu nome não é Zeus]), onde descobrem coisas sobre a relação "disfuncional" desta com o pai, que já morreu ao tempo. Repare-se que esta palavra, "disfuncional", é repetida vezes sem conta ao longo da narrativa. E, na verdade, a relação não parece tão disfuncional assim, quem é estranha é a Carolina que, apesar da sua falta de caracterização, aparece como obsessiva e neurótica.

    Também as filhas, que são três, estão caracterizadas de forma muito amadora. Ao longo do livro são-nos dados traços gerais sobre a sua personalidade, uma forte, outra é emotiva, outra não se sabe bem. Mas em termos de profundidade, apenas os flashbacks dão algum sumo a tudo isto. E todos eles, excepto os que explicam a relação dos pais, são praticamente inconsequentes para o desenvolvimento das personagens.

    Mais uma vez  a Editora Alfarroba falha no ramo da edição, sendo que encontrei uma série de erros ortográficos e de sintaxe ao longo de todo o livro.

    Achei que a história podia ter-se contado em muito menos palavras, isto é, que foi desnecessário descrever as coisas várias vezes de formas diferentes para se chegar a uma imagem. Os parágrafos são enormes mas, apesar disso, têm muito pouco conteúdo prático.

    É um livro que precisa de ser fortemente limado.
  • The Galaxy Railways

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    The Galaxy Railways
    Kikuchi Yasuhito - Planet
    Anime - 26 Episódios
    2003
    6 em 10

    Esta é uma adaptação recente de mais uma das histórias do sempre infinito Leijiverso, com elevada inspiração no Galaxy Express 999.

    Neste anime seguimos as aventuras diárias do grupo de pessoas que protege a rede de Galaxy Expresses, os comboios da galáxia, de diversos problemas, de piratas a quedas aparatosas em planetas desconhecidos. Infelizmente, ao contrário de outros animes do mesmo grupo, este encontra-se americanizado de tal forma que os conceitos sugeridos por Leiji Matsumoto não são tocados, nem ao de leve. Assim, este anime de grande potencial está reduzido a episódios com pouco interesse filosófico, apenas aventuras normais, como já vimos tantas vezes.

    Apesar das histórias dos episódios serem pouco originais, os personagens encontram-se bastante bem desenvolvidos, sendo que todos eles têm pelo menos um episódio que lhes é dedicado. Com recurso não só a flashbacks como também a símbolos diversos, é criada uma empatia com os personagens bastante única. Infelizmente, o seu destino não é o melhor, quando a narrativa decide entrar pelo caminho bélico, como num vulgar shounen de batalha.

    Infelizmente só encontrei este anime numa versão com pouca qualidade, pelo que não pude - certamente a- apreciar a arte devidamente. Ainda assim, pareceu-me que não havia grande detalhe nas ilustrações do espaço, que é sempre a parte que me capta mais interesse em animes que são lá passados. A animação dos comboios faz um uso bastante evidente de CGI, que por vezes calha como uma pedra no sapato.

    A música está bastante boa, recordando os bons tempos dos anos 70, com uma tonalidade altamente épica e muito sonora. Existem momentos que, motivados por ela, se tornam bastante emotivos.

    É um anime bastante mediano, com alguns elementos fortes, mas que ainda assim não recomendo dentro do contexto de Leijiverso.
  • Big Hero 6

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    Big Hero 6
    Don Hall & Chris Williams
    Animação
    2014
    6 em 10

    Depois de diversas festividades de fim de semana, observaremos este filme. Será que é desta que a Disney se vai redimir de falhanço atrás de falhanço? Acho que não. Um filme mediano, simplista e, no geral, muito pouco cativante.

    Em São Fransokyo, uma mistura de São Francisco com Tóquio, um miúdo de origens nipónicas, Hiro, é considerado um génio da robótica. É levado pelo seu irmão a visitar a faculdade, onde fica interessado em ingressar. Para isso, constrói mini-robots que são destruídos, juntamente com o irmão, num fogo. Resta-lhe a herança familiar de um robot de características medicinais, Baymax, que está programado para resolver os seus problemas. Depois há um super-vilão e ele torna-se num super-herói.

    Na verdade, a história é mais ou menos uma cópia daquelas dos super-heróis Marvel que, pertencendo à Disney, podem ser usados a bel-prazer. O filme apresenta-se como uma "homenagem" a estes filmes e à banda desenhada e também como "homenagem" à indústria do anime, mas a forma como tudo é apresentado, de forma básica e infantilizada, parece-me uma redução de ambos os géneros a uma actiivdade para crianças. Ora, os fãs sempre recusaram este epíteto na sua fandom. Anime e banda desenhada nem sempre são coisas para crianças. E este filme vai exactamente contra isso, demonstrando a toda essa faixa americana ignorante que sim, todas estas coisas, todo este neo-Tóquio, é uma coisa altamente apropriada para os meninos e meninas.

    No respeitante a personagens, há uma evolução evidente e previsível, assim como toda a linha narrativa, de Hiro e Baymax. Baymax, enquanto robot, não convence. Não obedece às leis da robótica instauradas por Asimov e tem uma evolução de personalidade que não se adequa à inteligência artificial. Na verdade, é apresentado como uma "criança" que cresce até se tornar num "herói", assim como todos os outros personagens. O grupo de nerds, que apesar de tudo é o que tem mais piada no filme todo, é redutor e quase ofensivo: "também tu amigo geek podes ser um super-herói se levares uns upgrades em tudo". O filme em tudo segue uma linha altamente vulgar e demasiado simples para ser considerado.

    A arte tem traços suaves, que em nada recordam anime ou banda desenhada, mas achei que os cenários estavam muito pouco detalhados, sendo que as cenas nocturnas não tinham luz suficiente para o ambiente urbano apresentado. As cenas de acção são muito simples e trazem pouca emoção, sendo que os intervenientes pouco ou nada fazem e é apenas o nosso "Hero" que faz tudo e dirige toda a gente, como se o resto dos "heroes" não tivessem identidade.

    A música é terrível, sendo que o tema principal não tem ponta por onde se lhe pegue e não tem qualquer relação com o tema do filme.

    Por isso, Disney, desculpa lá mas tens de continuar a tentar. Ainda assim, é evidente que este filme vai ganhar o Oscar. Como se esse prémio ainda merecesse respeito.
  • Lupin III - Daisuke Jigen's Gravestone

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    Lupin III - Daisuke Jigen's Gravestone
    Koike Takeshi - TMS Entertainment
    Anime - Filme
    2014
    6 em 10

    Este filme é uma sequela à instância Mine Fujiko to Iu Onna. Para saberem mais sobre Lupin III, consultem aqui os outros comentários.

    Com um título destes seria de esperar que o filme se focasse em Jigen. No entanto, é apenas mais uma aventura de Lupin, em que eles querem roubar algo e arriscam a vida para o fazer. A história é bastante fraca comparativamenete ao anime do passado, sendo que o elemento cómico está praticamente suprimido e todo o filme se resume a um conjunto alargado de cenas de acção. Existe uma falta de respeito constante pela figura feminina, representada especialmente por Mine Fujiko, que sofre bastante no decurso da história.

    Nem todos os personagens da história original de Lupin são contemplados neste filme, sendo que isto é um desapontamento bastante grande. Quanto aos outros, apesar de se manterem as vozes habituais, parecem estar descaracterizados e reduzidos ao estereótipo que criaram nos anos 70.

    Felizmente, temos uma arte que recebe uma nota muito positiva, com uma variação de cores e texturas muito interessante e uma qualidade superior nas cenas de acção. Os designs são detalhados e originais, sendo que a opção estilística de todo o filme é bastante criativa e divertida.

    Musicalmente, temos uma ED que recorda ao passado, mas quanto ao resto da banda sonora há um sentimento de desapontamento, pois não tem os elementos característicos das aventuras de Lupin, todo o groove e todo o jazz.

    Se a prequela não me tinha agradado, este filme nada fez para melhorar a minha opinião. Se querem fazer coisas sobre o Lupin, mantenham-se fiéis às origens da história. Uma arte curiosa não resolve todos os outros problemas.
  • Birdman

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    Birdman
    Alejandro Gonzales Iñarritu
    Filme
    2014
    7 em 10

    Numa crítica a todo o cinema e a todo o teatro, Birdman é um filme viciante que também serve de homenagem a ambos os géneros.

    Riggan é um actor que ficou famoso por fazer de Birdman, nos anos 90. Agora, numa tentativa de se libertar da personagem, dá tudo por tudo para estrear uma peça de teatro na Broadway. Infelizmente, nem tudo corre pelo melhor e Riggan continua a ser atormentado pelo seu alter-ego. Nisto tudo, começa a alterar-se e a degradar-se, a um ponto que - se à primeira vista parece o não retorno - acaba por o tornar numa nova estrela em asecenção.

    O filme está narrado como um acto-contínuo, como se tivesse sido gravada apenas uma cena muito grande, seguindo os personagens de um lado para o outro. Isto aparenta ser, para mim, uma espécie de piscar do olho à arte teatral, em que tudo é feito apenas uma vez e tem de sair bem logo dessa vez. O ambiente criado dentro do teatro, uma loucura e caos generalizados, parece-me caracterizar muito bem o que realmente se passa nos momentos antes de levar uma peça a palco. E isso é delicioso.

    Em termos narrativos, observamos uma evolução da personagem, envolvida com elementos de realismo mágico que por vezes podem parecer um pouco confusos. É realmente ambíguo o facto de Riggan ter ou não ter os poderes místicos. No entanto, a introdução deste tema oferece-nos um final muito divertido e cheio de esperança.

    Isto não seria possível sem um trabalho libertador dos actores. Curiosamente, Michael Keaton - o nosso actor principal - também sofre o mesmo estigma que o seu personagem. Tentando libertar-se de um papel famoso, é com este filme que o consegue com todo o sucesso. A evolução da neurose da personagem deixa-nos estáticos e é quase surpreendente. Todo o filme tem uma veia cómica, mas isso não é causado pelo diálogo, mas sim pelas situações que estes personagens vivem, levados à vida por este conjunto de excelentes actores.

    A banda sonora é praticamente toda tocada em percussão, o que é sem dúvida um elemento muito original, por vezes até stressante dependendo do contexto.

    Um filme excelente que recomendo e que espero que seja recompensado na corrida aos prémios.
  • Dai-Guard

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    Dai-Guard
    Mizushima Seiji - Xebec
    Anime - 26 Episódios
    1999
    6 em 10

    Confesso que já começo a estar um pouco farta de robots gigantes, vulgo mecha. Quando fiz a minha lista de coisas para ver, tinha lá uns quarenta, espero já ter avançado bastante ou que, pelo menos, o random.org espere um bocado até dizer para eu ver um deles. Enfim...

    Dai-Guard, ou Terrestrial Defense Corp Dai-Guard (em Japonês, "Chikyuu Bouei Kigyou Dai-Guard") é um pequeno twist no género que teria a sua graça, não fosse o facto de as diferenças se notarem pouco com o decorrer da série. Há uma série de anos o mundo estava a ser invadido por uma força alien, heterodyne de seu nome. Para isso construíram o Dai-Guard, um robot. Entretanto, desapareceram e o fulano ficou por ali a servir de enfeite. Agora que voltaram, precisamos do enfeite. Apenas três pessoas o sabem conduzir. E tudo isto leva a uma série de problemas burocráticos e de nível prático. Como por exemplo, transportar o objecto de um lado para o outro. Ou preencher relatórios sobre o objecto. E as críticas sociais em relação ao objecto.

    Depois, o objecto começa a funcionar propriamente e acaba-se aí a diferença deste para outros animes do género. A coisa tem a sua graça, ainda assim.

    Os personagens são bastante vulgares, com um protagonista bem shounen e uma protagonista com triste vida passada. O seu desenvolvimento é parco e efectuado por uma série de flashbacks, que se repetem (tanto em conteúdo como em forma). No resto da equipa temos um grupo de pessoas que poderia ter sido interessante se tivesse sido explorado de alguma forma. Aquela lolita cientista teria sido um sucesso se não fosse tão irritante.

    A animação não é extraordinária, mas temos algumas cenas de acção aceitáveis. O anime poderia ter ganho bastante se o sombreamento fosse um pouco mais detalhado, assim como merecia algumas melhorias no design de maquinaria.

    Tanto a OP como a ED são bastante divertidas e têm boas intenções. De resto, variamos em temas que recordam uma certa imitação do folk americano, mas que não ligam muito bem com o teor nacionalista que o anime contém (os Japoneses também sabem ser assim)

    Um anime mediano.


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