• Catch-22

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    Catch-22
    Joseph Heller
    1961
    Romance

    Agora com o meu fofinho Kobo, posso ler tudo quanto existe, sempre que quiser! Por isso, decidi olhar para umas listas de recomendação e tirar de lá algumas ideias. Tal como no anime, a maioria dos títulos sugeridos já me eram familiares e desses a grande maioria já os tinha lido. Mas há alguns que me faltam e por isso comecei logo a pô-los na poderosa máquina. O primeiro foi este.

    Catch-22 é um livro sobre a guerra. Mas de uma perspectiva um pouco diferente. Ao longo do livro acabamos por nos situar na Segunda Guerra Mundial, apesar de tudo parecer um pouco "moderno". Onde é que, então, este livro se distingue? Porque é uma comédia. E não é uma comédia qualquer: é uma comédia absurda. E quem sabe o que é o absurdo sabe também que normalmente ele não é suposto fazer rir.

    Mas faz. Faz sempre. No caso deste livro, as situações ilógicas seguem-se umas atrás das outras, com recurso a diálogos circulares que levam à exasperação absoluta, transmitindo assim a ideia do horror que é a guerra e do horror que são os interstícios entre os pelotões e as relações burocráticas entre cada elemento da hierarquia. Existem algumas cenas mais explícitas de eventos que acontecem na guerra. Pessoas desaparecidas, pessoas mortas, todas essas situações descritas num detalhe que não descura a característica principal do livro, a repetição de conceitos e palavras até eles perderem o significado, de forma a que o seu uso não é "o da palavra" mas sim o "do sentimento", sentimento esse de terror e frustração.

    Apesar de tudo, existem algumas partes que me fizeram rir. Existem outras partes que me fizeram dar gargalhadas e rebolar pelo chão do gabinete (local onde leio durante o tempo de almoço, né?) As minhas partes preferidas foram a do Major Major Major Major, a morte do Doc Daneeka e o julgamento do capelão.

    No geral, uma boa leitura. Acho que posso recomendar, apesar de não o considerar - como muitos - um clássico imperdível.
  • The Hunger Games

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    The Hunger Games
    Suzanne Collins
    2008
    Ficção-Científica

    Queria ler este livro desde o meu estágio curricular, em que a minha colega comprou a trilogia. Tinha mesmo muita vontade de o ler! Por isso, ao receber o meu lindo e maravilhoso e-reader Kobo, foi o primeiro livro que arranjei!

    Começo pelo Kobo. Não há bicho mais lindo que ele. A ver se ponho aqui uma foto mais tarde. É super leve, pequenino, fofinho, é táctil, é a preto e branco, só leva livros, dá para arranjar montes de livros na loja do Kobo a preços muito mais baratos. São assassinadas menos árvores a longo prazo. Tem dicionário incorporado. Só não tem luz, mas nada que não se resolva. Adoro-o e já tenho uma série de livros prontos para serem lidos nele. Não que eu vá abandonar para sempre o formato papel, mas isto realmente dá muito mais jeito. Por exemplo, estou a transportar esta trilogia de 800 páginas mais outro livro dentro da mala. E a capinha que a minha irmã me deu para fazer complemento também é toda jeitosa! E ele é cor de rosa por trás! =D

    Mas o livro.

    Num universo distópico, pós-apocalíptico, a América do Norte (Panem) é dominada pelo Capitol. Para provarem que mandam em tudo, eles organizam todos os anos os chamados Hunger Games, jogos de morte em que um rapaz e uma rapariga de cada terra (Distrito) são enviados para se matarem uns aos outros. Katniss acaba por ir parar aos Hunger Games. Mas ela tem uma vantagem: no Distrito dela, o Distrito 12, ela caçava com arco e flecha. Ela sabe mexer-se. Eu só penso... Se tivesse de ser eu a ir (ainda bem que já passei a idade), morria logo, que não tenho talento para nada de útil num cenário de guerra.

    Foi um livro que adorei ler, apesar de - com toda a objectividade - não ser nada por aí além. Manteve-me sempre colada a ele, desejosa de continuar, desejosa de saber o que vinha a seguir. O livro conta em detalhe o que são estes Hunger Games: no fundo são um reality show em que as pessoas morrem. E realmente, só falta fazerem esse tipo de reality show. As pessoas iriam adorar. Existem alguns temas, como a exploração e a pobreza extrema, que são abordados, mas acabam por não ser o tema mais importante da história. A forma como tais temas estão descritos é, no entanto, feita com talento: são as considerações sobre a vida de Katniss, histórias do seu passado, que ilustram como as pessoas vivem fora do Capitol e como têm vidas difíceis.

    As relações entre os personagens, colocados sobre tensão constante, acabam por ser bastante bonitas. Gostei especialmente de Rue e da forma como lutaram contra o sistema. No fundo, este é um livro sobre como lutar contra um sistema, um sistema injusto e corrupto a ponto de não respeitar a vida e a condição humana, ridicularizando-a e denegrindo-a.

    O final soube a pouco e deu-me logo vontade de continuar para Catching Fire, o segundo volume. Mas resisti (gosto sempre de fazer um intervalo entre livros de uma série). Também me deu muita vontade de ver o filme, porque o livro é sem dúvida cinematográfico. As descrições são quase feitas para o ecrã, acabando por não ser muito exactas e deixando muito ao nosso critério. Mmm, vendo desta forma, talvez não seja boa ideia ver o filme. Espero que não me desaponte!
  • Onde Vivi e Para que Vivi

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    Onde Vivi e Para que Vivi
    Henry David Thoreau
    1854
    Ensaio

    Pequeno ensaio recuperado da convenção do BookCrossing do ido ano de 2013. Também o primeiro livro de 2014.

    Secção de um livro maior, este é um pequeno relato da vida natural, com as consequentes reflexões sobre a vida e sobre a sociedade da época, a Americana do século XIX. O livrinho, apenas 90 páginas, tem duas partes de reflexões. Uma é sobre a sociedade e a vida humana. É bastante estranha, por vezes irritante, pois o autor refere demasiadas vezes como há pessoas selvagens e mais atrasadas na escala evolutiva, usando esses "factos" como contraponto para a desgraça humana do materilismo. É certo que isto é de há dois séculos e que nessa altura acreditava-se plenamente que havia seres humanos superiores e inferiores, mas não deixa de ser uma leitura bizarra. A segunda parte é muito mais interessante e bonita. O autor, que explicara como tinha mudado uma casa de sítio para a colocar à beira do lago Walden (também o nome da obra original de onde foi retirado este excerto), fala da vida natural à sua volta. É muito giro ler sobre os vários habitantes da floresta que ele conhece ao longo do tempo e da consequência filosófica que têm os seus comportamentos.

    Um livrinho giro, já não lia ensaios deste género há algum tempo.

    Creio que o irei libertar ao vento, dado que não tenho destino para lhe dar.
  • Hal

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    Hal
    Makihara Youtarou - Production I.G.
    Anime - Filme
    2013
    6 em 10

    Esta noite tive tempo para um filme. Fui à minha infinita lista de downloads e escolhi um aleatoriamente. Este foi a vítima.

    Um filme que surpreende, mas sobre o qual não deixo de ter uma opinião neutra. Existe um casal, Hal e Kurumi. Hal morre num acidente de avião e, para curar a depressão de Kurumi, um robot é enviado para o substituir. Assim o filme fala do redescobrir do amor, através de um detalhe muito bonito e romântico: mensagens em cubos de rubik. Há uma grande reviravolta, muito surpreendente, no final, que vem a provar o meu ponto de vista do filme falar sobre o perdão e sobre a descoberta do que pode melhorar numa relação. Mas não o vou contar, porque se não o souberem é muito mais interessante. :)

    No entanto, o filme tem muitas coisas que se sobrepõem e que acabam por retirar o foco. Além do mais, sente-se a necessidade de uma explicação mais detalhada sobre o trabalho da tecnologia neste universo e da relação humano-robótica. Esta poderia ter sido melhor explorada, o que tornaria o filme em algo mais virado para a ficção-científica e menos para o romance. Por isso, por um lado, até foi bom que deixassem os dados tecnológicos sossegados, pois assim puderam dedicar-se mais à relação Hal-Kurumi.

    A arte é moderna e está cuidada, mas não é nada de extraordinário. O CG está bem integrado e mal se nota e há um uso interessante, se bem que não espectacular, da luz e da cor.

    Musicalmente, o anime é fraco. A música final não traz nada de novo e as do parênquima são bastante vulgares, apesar de apropriadas.

    Mas como o filme só tem uma hora, acho que não se perde nada em vê-lo. O conceito está interessante. Um filme bom para se ver encostado ao aquecedor, enquanto nos esforçamos por pensar que é Verão.
  • Uma cana de pesca para o meu avô

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    Uma cana de pesca para o meu avô
    Gao Xingjian
    1986 - 1990
    Contos

    Livro apanhado na Convenção do BookCrossing e a ser enviado ao amigo vegetal do BookCrossing a propósito da troca de Natal (enviei uma trilogia. Acertei tão bem nos gostos do jovem que ele já tinha a trilogia ;___; )

    Esta é uma colectânea de contos de um prémio Nobel Chinês que eu não conhecia. Fiquei com muita vontade de ler outras obras dele, porque estes contos são encantadores e souberam a pouco.

    É uma prosa leve mas profunda, ornamentada mas sem cair no exagero e no ridículo. São contos que falam de pequenas imagens do dia a dia, um acidente, uma cãibra, um parque, uma praia, mas de forma tão vívida que nos encontramos nos personagens criados pelo autor e nos sentimos realmente nesse parque, nessa praia. São textos difíceis, complexos dentro da sua simplicidade, mas que transmitem com precisão cirúrgica um conjunto de sentimentos que só podem ser experimentados perante as situações de cada conto. Situações essas que não precisamos de ter vivido para as compreendermos: estão de tal forma escritas que é fácil para nós imaginarmo-nos como a pessoa daquele momento.

    O meu conto preferido foi aquele que deu o título à colectânea, "Uma cana de pesca para o meu avô". Fala de um homem que, em sonhos ou na realidade (fica ao nosso critério) revisita a terra da sua infância para a encontrar tão diferente. Assim, acaba por comparar as suas experiências da infância e as palavras do seu avô, à sua própria aprendizagem enquanto adulto. É um conto muito profundo e esclarecedor da natureza humana, apesar de ser extremamente simples.

    Também gostei muito de "Num parque", porque me identifiquei com a figura da rapariga que espera (apesar de as minhas esperas valerem sempre a pena). Também porque o parque estava de tal forma descrito, que pude ver na minha mente até as variações de luz.

    Espero ter a oportunidade de voltar a ler algo deste autor, porque este livro foi muito apreciado. Esperemos que o senhor do reino vegetal a quem está destinado também o aprecie!

    Edit: Estive a investigar a estante BookCrossing do destinatário e ele já teve este livro, já o libertou, já foi apanhado, etc. Bolas, terá de ser outro. ._.
  • White Album 2

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    White Album 2
    Ando Masaomi - Satelight
    Anime - 13 Episódios
    2013
    6 em 10

    E aqui fica o último anime a terminar na Season de Outono. Sem dúvida o melhor, apesar de o ter classificado com uma nota mediana.

    Quem acompanha este espaço, deverá ter visto a minha opinião dividida em relação ao White Album (Primeira Season e Segunda Season). Assim, estava em dúvidas sobre se veria este ou não. Quando me disseram que o único ponto em comum é o facto de se passarem na mesma cidade, decidi-me pela positiva. E gostei bastante, por isso ainda bem!

    Fala de um triângulo amoroso entre os membros do Clube de Música Ligeira (uma banda, portanto). Primeiro conhecem-se, formam o grupo e depois há amor pelo ar. O bom desta história é que, apesar de se passar na escola secundária, tem um forte realismo. O detalhe dado às relações entre os personagens é muito humano e a sinceridade dos seus actos e sentimentos acaba por dar ao anime uma tonalidade um pouco diferente do habitual. As personagens são, portanto, pessoas como eu e vós: a história apoia-se neles e o resultado está muito bem conseguido.

    Outro ponto forte é a música. É um anime muito musical, muito mais do que o primeiro White Album. Existem alguns temas que piscam o olho ao original e que são recorrentes, mas não cansam. Depois, há uma banda sonora instrumental muito bonita, que me recorda os shoujos do antigamente. Com uma personagem pianista, muitas vezes ouvimos peças, originais e clássicas, que me pareceram sempre apropriadas à situação e bem interpretadas.

    No entanto, o anime peca pela animação. Não é que esteja mal feita, mas é muito parca. A história não potencia grandes momentos de acção em que se possa demonstrar a técnica da animação, mas mesmo assim poderia ser melhor. Daí a nota mediana.

    Um bom anime. Se tiver de recomendar um anime desta season que passou, seria este.
  • Granta Portugal 2 - Poder

    2
    Granta Portugal 2 -Poder
    Vários
    2013
    Revista
     
    Mais uma vez, assim que saiu a nova Granta fui logo comprá-la assim que consegui. Desta vez o tema era "Poder". Como vimos anteriormente, esta é uma revista literária que publica inéditos Portugueses e alguns contos já publicados na Granta original. Questionava-me sobre que tipo de história poderia ser concebida a partir do tema "Poder". A ler a revista, cheguei à conclusão de que não é um tema assim tão complicado. Já tenho ideia sobre a história que vou escrever sobre isto (coloquei a mim mesma o desafio de escrever uma história com o tema da revista sempre que ela sair). Enfim, existem dois temas essenciais: a acção do poder político e a acção do poder individual.
     
    Desta vez houve alguns contos que gostei bastante.
     
    "O bom déspota" é o relato de um presidente de um país Africano, que temos por Angola, e a maneira como ele impõe o seu poder. Mas o que gostei foi do toque pessoal dado à narrativa, que revela que mesmo uma pessoa tão poderosa tem os seus medos e inseguranças.
     
    "É Perigoso ser Feliz Duas Vezes", uma história Portuguesa passada em Cuba. É muito divertida por causa da visão da autora sobre os acontecimentos, que apesar de aterrorizantes estão tratados com um certo humor que se aceita a si próprio. Também está estruturada de uma forma muito interessante, pois não é linear.
     
    "O Verão Depois da Guerra" é um conto Japonês. Conta sobre a influência do avô na vida do personagem, com um toque do pós-guerra. O mais bonito são as imagens delicadas e fotográficas que nos são oferecidas. No entanto, achei que a tradução poderia ser mais cuidada, pois não se adequa aos conceitos Japoneses que conheço tão bem (por excesso de animus).
     
    Finalmente, achei muito interessante a partilha de correspondência entre Jorge de Sena e Carlos Drummond de Andrade. Apesar de não conhecer o primeiro, conheço alguma da obra do segundo e gosto muito. É sempre giro ver as palavras entre dois amigos, sobretudo quando são escritores.
     
    Estou neste momento a contemplar assinar a revista... Gosto muito!
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