• Porque os Homens preferem as Divas

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    Porque os Homens preferem as Divas?
    Miss Piggy (transcrito por Jim Lewis)
    2011
    Livro de... Instruções

    A nossa Diva preferida lançou a sua primeira obra literária! Um livro repleto de dicas de beleza e de relacionamentos, seja com homens, seja com sapos.

    E realmente, Jim Lewis não teve nada que ver com este livro. Tudo transpira e respira Miss Piggy. Isto é uma verdadeira canalização da personagem. Não está bem escrito, não é nada de especial, mas é divertido. Por isso deixo-vos aqui uma parte das 10.000 Coisas Idiotas que os Homens Sapos Fazem.

    E aviso o(s) sapo(s) interessado(s) que eu NÃO VOU nem NUNCA IREI fazer nada do que este livro diz.

    De resto, outras citações engraçadas.

    O mundo da moda olha para moi em busca de inspiração.
    Eu olho para o mundo da moda em busca de amostras grátis.

    O segredo para não ser despedida:
    Não faça nada errado.
    Não faça nada.

    Definições: tudo o que uma mulher precisa de saber sobre...
    Futebol - Armadores, ponteiros e centroavantes. O que há para não gostar?
    Basebol - A-Rod. Bonito... E muito rico
    Basquete - Homens de calção de seda ficando suados
    Golfe - Tiger Woods... E um monte de outros caras

    Definições: tudo o que um homem precisa de saber sobre...
    Sapatos - Mais, sim! Demais, nunca!
    Chocolate - Ver "Sapatos"
    Jóias - Ver "Chocolate"
    Compras - Ver "Jóias"

    (Ah, fique a nota que eu comprei isto na Bienal de São Paulo, lá na Quinta Dimensão. Simplesmente não pude resistir à Diva!)
  • Mobile Suit Gundam 00 2nd Season

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    Mobile Suit Gundam 00 2nd Season
    Mizushima Seiji - Studio Sunrise
    Anime - 25 Episódios
    2008
    6 em 10
     
    Isto é uma segunda season por isso considero relevante que leiam a review da primeira: review da primeira season de Gundam 00. Ok. Então comecemos por recordar o que aconteceu entre os episódios 24 e 25 da primeira season!

    Aherm.

    MORRERAM. 
     
    TODOS.

    Tendo isto em conta, qual não é o meu espanto quando se inicia a nova season e afinal está toda a gente viva? Até o meu querido Lockon, que a gente viu a morrer numa épica explosão, aparece aqui vivinho da silva. O que é bom, porque é o Lockon (apesar do nome idiota), mas ainda assim podiam deixar os mortos mortos e inventar outra coisa qualquer para fazer a segunda season. Isto passa-se 4 anos depois da primeira intervenção e, mais que uma conclusão, é um desenvolvimento da história desta nova timeline.

    Finalmente uniram os vários personagens da história e relacionaram-nos uns com os outros, se bem que por vezes de maneira um pouco forçada. Isto torna a história um pouco mais fácil de seguir. Mas de resto, fora a ressurreição, não há grande exploração das personagens. Parece que para todos no universo de Gundam o desenvolvimento final é sentir pontadas de dor na cabeça quando te recordas de eventos traumáticos, sendo que te agarras a ela a gritar, a chorar e a babar. Nunca me aconteceu, mas hei-de experimentar que tem ar de ser muito agradável.

    A arte é moderna e, como na primeira season, funciona bastante bem com Gandamus. As cenas de acção são muito rápidas e com mudanças de perspectiva céleres, o que mantém a concentração do público (moi). Mas são /tantas/, esta gente anda tanto à luta, tanto à luta, que acaba por fartar rapidamente.

    Temos duas OPs e EDs e só gostei das segundas (e a animação da segunda ED é bastante interessante).

    Por isso, mais um GANDAMU. Estou quase a acabá-los. Quase. Quase.

    Já agora, mais alguém reparou no Char Aznable antagonista loiro com uma máscara? @.@

  • Tibet Inu Monogatari

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    Tibet Inu Monogatari
    Kojima Masayuki - Madhouse Studios
    Anime - Filme
    2011
    6 em 10

    Para começar, isto é um mastiff tibetano:

    Agora que temos isto claro nas nossas mentes, vejamos este filme sobre um mastiff tibetano. Um miúdo é levado da sua cidade chinesa para o meio do tibete, onde há planícies, cães e ovelhas. Muito inadaptado acaba por fazer amizade com um cão (Doogee) que aparece do nada. Depois lutam contra um monstro não especificado e Doogee ensinou ao miúdo tudo sobre a coragem e a amizade. Hã-hã, perfeitamente.

    O problema deste filme é que deseja muito ter uma moral. E não tem. A inadequação do personagem principal está mal explorada e a sua união ao cão aparece quase como um acaso. Assim o filme torna-se muito fraco nas suas expectativas e bastante previsível durante toda a narrativa.

    A arte é sem dúvida bela, com uma excelente caracterização das planícies tibetanas. Aliás, o mais interessante deste filme é mesmo o setting, que está perfeitamente enquadrado, quer na paisagem quer nos hábitos das pessoas que a povoam (no comer, no vestir, etc.) Em termos de animação, as cenas de luta com o monstro poderiam ter sido muito mais interessantes.

    É interessante ver que este filme, que é anime, está falado em Chinês. A língua ajuda na manutenção do ambiente que nos é proposto, se bem que a língua Chinesa me soa um bocado estranha (a mim, que não oiço muito bem). Os efeitos sonoros passam desapercebidos e a música dos créditos destoa um pouco.

    Mas o que mais me fez confusão foi sem dúvida... Os cães não se comportarem como cães. Pelo amor de deus, metam nas vossas cabeças que nas matilhas não há um "chefe que dá ordens" e metam nas vossas cabeças que a agressividade canina não funciona assim. E eu sei, porque estou há seis meses de volta deste assunto.

  • Lucas Bora Bora e Osso Vaidoso

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    Ora bem, um amigo meu ganhou bilhetes para este concerto no Centro Cultural de Belém e, assim sendo, lá fomos ao concerto. Eram duas bandas e eu só conhecia vagamente a segunda, Osso Vaidoso, mas vou apresentá-las. Podem fazer o download dos álbums no Optimus Discos.

     Lucas Bora Bora

    Isto é um jovem com uma guitarra mais dois jovens com beats electrónicos. Muito interessante, com letras divertidas e com algum significado. Só não gostei muito da atitude deste Lucas que esteve o concerto todo a dizer "eu, eu, eu, eu, eu, e já agora eles, eu, eu, eu, eu". E as músicas que ele tocou sozinho nem sequer eram nada de especial. Durante o concerto ele prometeu que nos dava o EP à saída, mas não. Afinal não estava lá ninguém a dar nada. A conexão entre os membros da banda estava muito perdida, quase inexistente, parecia que não se entendiam. Isto assim não há-de ir muito longe. Mas fica um exemplo:

    Bate, bate, bate, pois bate...


    Osso Vaidoso

    Uma poderosíssima combinação entre voz e guitarra, com letras muito intensas e directas, algumas quase badalhocas mas não chegando lá. Um concerto muito bom, com o gajo da guitarra a passar-se frequentemente (ela não podia acompanhar com a voz... Aliás, podia, mas é difícil). Uma viagem daquelas, fiquei fã e vou com toda a certeza usar uma (ou mais) música para fazer outras coisas (já sabem... xD) Um exemplo impressionante:


  • Gintama'

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    Gintama'
    Fujita Yoishi - Sunrise
    Anime - 51 Episódios
    2011
    6 em 10

    Devo começar por dizer que adoro Gintama. Tudo acerca dele. Ou pelo menos adorava. Até ver estes novos 51 episódios.

    Realmente não tenho muito para comentar. A arte é equivalente. A música menos variada e os efeitos sonoros cada vez menos originais. Personagens não evoluiram nada.

    O que me faz realmente triste é onde isto foi parar. Gintama tinha classe, era uma comédia que não se levava a sério de maneira nenhuma mas tinha uma réstia de respeito por si mesma. Passou de 201 episódios que me mataram do início ao fim (de riso) a 51 episódios que me mataram de vez (de infelicidade). Realmente quando passamos de piadas de jeito para sexo, rabos, censuras, vómito e merda voadora 24/7 a coisa fica realmente má.

    Deviam ter deixado como estava. Assim só me estragou o gosto.

    Nota àparte: fiz um Cosplay Portfolio a falar do meu cosplay. Sejam bem vindos a vê-lo. :3
  • Cosplay Portfolio

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    Hello. I'm ladyxzeus and this blog post is a compilation of all my cosplay works. :) I made this so it's easier to share with everyone my experience in cosplay and also to organize my ideas. I'm not going to post many pictures and instead I'll post links to other posts, so this one is not too heavy on your browser. It will be a bit long, but I'd love people to check out my cosplays and tell me what they think about them!

    But first of all
    Some Words About "My" Cosplay Ways


    About My Vision of Cosplay
       For me, cosplay is a performative art. More than making a fabulous costume, it's about recreating a character through acting. Since I belonged to an amateur theatre group for many years, I have this "stage love" ingrained on me. When I perform, I try to convey a feeling, a short story or a morality through the character, based on its persona. Sometimes my performances are comedies. Sometimes they're tragedies. Many times they are simply abstract and have a lot of simbology. In the end, I'd like everyone to be touched by what I do and think about it, maybe even remember it later. Cosplay for me is art and that's what makes it so fun!


    About Costume Making
       I'm not very talented about sewing or making props, but slowly I'm learning some things. Nowadays, I take a lot of pleasure from making a challenging costume and surpass my own talents! =D


    About Self Esteem
       Just recently I started being more confident about my image. It makes me extremelly sad to be criticized on my looks, because there's really nothing I can do about them. To be honest, I tried being "fit" once, but it only made me suffer. So I started to avoid making new costumes that feature my belly, the part I'm most insecure about. 

    About Adulthood
      Before being a cosplayer, an anime fan or a performer, I'm a worker. My job has to be my priority. Therefore time is lacking and that's why I reuse my costumes so much. Besides that, there's this thing about being a grown-up... In which you stop liking shounen OPs and stop screaming at every cosplay you like at cons. But you also learn to appreciate new things that you had never noticed before. Fun times. :) 


    Featured Cosplay!

    Below are collages representing each of the cosplays. Click on the one you'd like to know more about to be redirected to its dedicated post! :) The costumes are in chronological order of debut.

    Note: This area is under construction and it will take a while to get all costumes here. Meanwhile, if you are interested, please check my Facebook Page and Youtube Channel

     


    Future Plans

    Planned Costumes (kind of by order of priority, they change once in a while)
    • Mamiya (Hokuto no Ken)
    • Integra (Hellsing)
    • Major Makoto Kusanagi (Ghost in the Shell Arise)
    • Princess Leia (Star Wars)
    • Queen Neherenia (Sailor Moon) 
    • Timo (Metropolis)
    • Leelo (The Fifth Element)
    • Kobato (Kobato)
    • P-chan (Gokinjo Monogatari)
    • Mikako (Gokinjo Monogatari)
    • Nodame (Nodame Cantabile)
    • Tanabe Ai (Planetes)
    • Oscar (Rose of Versailles)
    • Lunay (Original Character)
    • Alayeska (Original Character) 
    • And a couple of surprises, hoho!
    Keywords for future skits
    • Drugs
    • Sex
    • Rock'n'roll
    Goodies

    Some stuff that's good for everyone and, thus, I'll share! :)
    My Cosplay List @ Youtube - Has skits I like, my own stuff (that you just found here) and some tutorials
    Help! - Folder with a lot of tutorials, patterns and reference pictures. It's in Portuguese, but everyone can use it. It's updated once in a while!
    Cosplay Service - For the girls! Pictures of guys in cosplay.
    Cosplay Workshop - Power Point of a Workshop I gave on the PLAY part of Cosplay. In Portuguese!

    Thanks

    I want to thank, from the bottom of my heart, a lot of people. Namely:
    • My family, that is always there to help me and give me rides
    • Nela, that always gives good ideas
    • My friends, who find me fun, give me critique and support my crazy ways
    • Everyone that ever liked any of my performances and had fun with them
    • Everyone that gives me criticism and helps me to get better
    • My BR friends, because they still keep me around (:p)
    • My friends in the Portuguese community, because they help me a lot and they rock
    • Nhu, cuz nhu ***
    • To everyone that ever pointed me in the right direction     
    Contact 

    Ideas? Criticism? Suggestions? They're all very welcomed! I read all your notes and I use them all to evolve, so feel free to say what you think about my work so far! :) You can mail me at ladyxzeus(yahoo.com.br)
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    And with this, it's over! Thank you for visiting, please drop me a comment (or two) and enjoy! Remember, if it was not for you, my public, I'd not do this! :) 




  • A Cidade das Flores

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    A Cidade das Flores
    Augusto Abelaira
    1959
    Romance

    Livro que ganhei na promoção de Verão da Editorial Presença.

    Sem dúvida um livro estranho. Não está organizado numa história, mais em pequenas cenas quase teatrais em que os personagens conversam sobre a vida e sobre o estado da nação. Depois há uma infiltração futurista um bocado escusada, mas no geral foi muito interessante.

    O livro é suposto criticar o regime Salazarista, mas - para escapar à censura - o autor optou por situar toda a narrativa em Itália. Nisto foi um trabalho de mestre. Os personagens são verdadeiramente italianos e a maneira de pensar deles é italiana. O livro quase que parece uma tradução.

    No entanto os personagens não são especialmente fortes e por vezes são tão irritantes que uma pessoa praticamente sente que deve recusar identificar-se com eles.

    Ainda assim, muito bem escrito. Vou fazer agora um BookRing com este livro no BookCrossing! =D

    Houve um capítulo que gostei muito (o Décimo Quinto Quadro) e que acho que usaria numa apresentação de cosplay. Vou transcrevê-lo para aqui, apesar de ser um pouco longo:

     - Enganou- se! Enganou-se! - disse ela apanhando uma flor azul. - E sabe como se chama? - Tinham vindo à procura das acácias em flor, mas onde estavam as flores que ninguém as via?
     - Não sei, Rosabianca. Sou de uma terrível ignorância acerca de flores. De flores, como de muitas coisas mais.
     - É uma anémona - E como Giovanni se mostrasse convencido:  - Não, não é. Talvez seja - Olhava-o bem nos olhos, a ele que não estava habituado a que o olhassem assim - Não sei o que é uma anémona, gosto do nome, gosto desta flor. Quem sabe se não será? - Tirou-lhe uma pétala - Que me diz, Giovanni Fazio?
     - Que hei-de dizer? Que é...
     Rosabianca arrancou outra pétala: - Se calhar, é... E outra pétla ainda, como, quando menina, fazia aos malmequeres - Se calhar, não... - Outra pétala - Se calhar é... Outra. - Não é... - Outra  É. Não é. É. Não é... É... É uma anémona, Giovanni Fazio, uma anémona!
     Giovanni pegou na flor sem folhas.
     - Agora não é nada - lamentou.
     - É uma anémona, é uma anémona - Palavras ditas numa voz lenta que deu tempo a que uma nuvem cobrisse, e logo descobrisse, toda essa imensidade que é o Sol. Depois, repetiu, olhando para Giovanni: - Enganou-me! Enganou-me! Onde é que foi inventar as acácias? As acácias, se calhar, não têm flor. Não têm flor, as acácias - insistiu, mudando a voz. - Enganou-me. Enganou-me! Aqui só há anémonas... - Estacou de súbito, tão de súbito que Giovanni só parou um segundo depois, mais à frente. Rosabianca estendeu-lhe a mão direita e ele estremeceu. - Dê-me a sua mão, Giovanni Fazio. Porque vai tão calado? - Porque ia tão calado? Era como se a alegria, o à-vontade dela, um desembaraço assim, o tornassem ainda mais tímido. Jamais poderia ter aquela juventude, aquela desenvoltura, aquela naturalidade. Disse:
     - Há ali uma anémona.
     - Não! - Rosabianca fez beicinho - Não são anémonas. O Giovanni Fazio não sabe descobrir anémonas. São glicínias... - Pausa. - Já viu alguma vez, sabe o que é uma glicínia? - Ele fez sinal que não. - Então é uma glicínia - concluiu Rosabianca, fechando os olhos. Porque ela também não conhecia as glicínias.
     - Mas é igual à anémona...
     - Eu digo que não. Quer ver? - Apanhou-a e começou a desfolhá-la. - É uma anémona... não é... é..., não é... - Faltava uma pétala.
     - Vê? - disse ele -, vê que também é uma anémona?
     - Não!
     - Como não? Pois não lhe falta uma pétala?
     Rosabianca observava-o nos olhos e Guiovanni sentiu que o mundo era como ela dizia e que tudo o mais era falso. "Dize-me que os teus olhos verdes são negros, que os teus cabelos negros são verdes, que aquelas árvores, ali, são os teus braços e que a morte é apenas uma palavra e que neste mundo é eterno e eu acreditarei." Mas Rosabianca nada disse acerca dos olhos ou dos cabelos, ou dos braços ou da morte.
     - Como? Falta uma pétala? - protestou indignada. - Não falta pétala nenhuma.
     Giovanni decidira-se a arrancar a pétala que faltava, Rosabianca escondeu-a atrás das costas.
     - Dá-ma - pediu
     - Não! - Na frente de fAzio, as duas mãos atrás das costas, as pernas afastadas, debruçada para a frent,e numa atitude de menina de doze anos, de menina malcriada, mimenta, de desafio, Rosabianca.
     - Dê-me essa flor...
     - Apanhe-a se é capaz! Ande...
     Tentou alcançar-lhe as costas, mas Rosabianca girava como um pião e Giovanni deu uma volta inteira em torno dela.
     - Não se atreve, Giovanni Fazio? - Então Giovanni aproximou-se mais.
     Os olhos nos olhos dele, a menina dos olhos verdes recuou. Outra vez Giovanni se desviou para a direita, tentando atacá-la de lado, mas Rosabianca não o perdia de vista e, lentamente, ia rodando. Olhos nos olhos (olhos verdes contra olhos azuis), deram um novo giro. Agora ocupavam outra vez a posição do princípio.
     - E se eu desse outra volta, Rosabianca?
     - Sim, daremos outra volta. Enquanto houver  voltas no mundo, daremos szempre uma volta. Esgotaremos as voltas que existem no mundo, Giovanni Fazio.
     Então, apeteceu a Fazio afagar os cabelos de Rosabianca, desalinhá-los, mas o vento já os tinha deselinhado.
     - Sim, outra volta. Giovanni Fazio, aí. Eu, no meio. Atrás de mim, a florzinha sem pétalas.
     - Com uma pétala.
     - Sem pétalas.
     - Sim, dou uma volta. Atenção. Um, dois, três... - Lentamente começam. ele dava uma volta mais longa, ela girava em torno dos calcanhares.
     - Sabe? - começou Rosabianca. - Estamos a dançar. É uma dança, uma dança, Giovanni Fazio! O senhor está a dançar comigo. - Pôs um dedo na boca, depois espetou-o na testa. - Não - disse - , não é comigo. É com a anémona, a florzinha azul sem pétalas. - Deu um salto brusco e sentou-se no chão, sem medo de sujar o vestido (onde três patinhos azuis meditavam no meio dos juncos). - Oh, que má que eu fui, não tenho perdão nenhum. Matei a florzinha sem pétalas, matei a pobre anémona tão bonita, tão gentil... - Olhou para Giovanni. Repetiu: - Oh, que má eu fui, que má eu sou! Matei a pobre florzinha! Sem piedade, sem piedade, uma a uma, lhe arranquei as pétalas. Oh, como deve ter sofrido a pobre florzinha, como deve ter sofrido! - Levantou-se, ajoelhou-se depois, debruçlou-se ligeiramente, alisou com muito cuidado o chão, limpou-o de pó, ajeitou a flor. - Ajude-me - disse, sem se voltar. - Vamos tratá-la, Giovanni Fazio. - Ergueu-se, olhou em redor, uma a uma, começou a recolher as pétalas dispersas. Giovanni imitava-a, mas sem êxiuto, e rosabianca regressou com as mãos cheias de pétalas ao pé da flor morta. (Deixa-me espalhar essas pétalas pelos teus cabelos, deixa-me beixar os teus cabelos - sonhou Giovanni.) - Vamos juntá-las. Colar-s.ão de novo?
     Rosabianca observou-lhe os olhos.
     - Para que me engana? O Giovanni Fazio é mau. Enganou-me dizendo que havia acácias, quando não há acácias nenhumas, quer-me enganar dizendo que a infeliz anémona vai renascer...
     Giovanni lembrou-se: anémona? Mas a Rosabianca disse que era uma glicínia, chagámos a discutir. é uma gficínia, menina dos olhos verdes, é uma glicínia... É uma glicínia e foi por isso que a desfolhou...
     - Deixá-lo! Agora é uma anémona: quero que seja uma anémona. - Por instantes ficou sem uma p+alvavra. - Não, não, agora não é nada, agora morreu. Morreu, nós vamos enterrá-la. Oh, um enterro bonito, um enterro de flores. As outras flores virão assistir, porque ela era a mais bela. - Deixou ciar as pétalas sobre a flor morta. Giovanni imitou-a. Então Rosabianca ergueu-se. Olhou em volta. - Oh! - exclamou. - Onde estará...?
     Mas Giovanni compreendera:
     - Sim - adivinhou -, ela tem um apaixonado. Onde estará?
     Rosabianca:
     - Tenho a certeza que será uma flor vermelha. O vermelho é uma cor bonita e eu tenho a certeza que será uma flor vermelha. E estará aí perto... - Avançam os dois à procura da flore vermelha. - Choraminga Rosabianca. - O ingrato! Enquanto ela morria, que fazia ele? Naturalmente a divertir-se com outras flores... - Encarou Giovanni, bem de frente. - A morte é uma coisa boa. - Preparava-se ele para melhor a observar, quando Rosabianca o interrompeu. - Mas eu gosto de viver! - E então começou a correr pela praia fora. - Onde estás, flor vermelha, onde estás, florzinha vermelha? A tua amada morreu, a tua amada não é mais deste mundo! - Cinquenta metros adiante de Giovanni, que a seguia, parou. - Acredita em tudo isto Giovanni Fazio? O Giovanni Fazio é uma criança. Ora eu lhe digo e pasme: não há acácias, não há anémonas, não há flores vermelhas. E o Giovanni FAzio acreditou em tudo, com uma cena no cemitério, uma flor vermelha apaixonada não se sabe onde... é uma criança, Giovanni fAzio, uma criança... Afinal, não está do lado das pessoas crescidas!
     Giovanni correu ao encontro dela e tomou-lhe a mão.
     Eu não, Rosabianca. Somos ambos. Consigo sou uma criança, consigo, apenas consigo... Não sei, mas sinto-me feliz, e penso que tudo isto é verdade.
     Estavam à beira do mar.
     - Giovanni Fazio - disse -, olhe esta coincha!
     - Linda...
     - Aquela - er apontou uma conhca vermelha.
     Giovanni:
     - Quem sabe se não será a apaixonada da anémona?
     - Talvez... Que coisa terrível deve ser amar! Eis aqui esta concha que gosta de uma flor. Estranho que esta concha possa gostar duma coisa tão diferente como é uma flor! Mas aí está... - De pé, debruçava-se sobre a concha que Giovanni lhe estendia (e enquanto assim se debruçava, Giovanni adivinhou-lhe a doçura do seio e sentiu vontade de beijá-lo). Rosabianca ignorava os desejos de Giovanni (quem poderá jurá-lo?) e dizia:
     - Aí está! Ele não sabe que a sua amada morreu. Que neste momento está morta, estendida para sempre... _Ah, Giovanni Fazio! Como foi isto possível? Esquecemo-nos de falar no enterro dela! Nada dissemos! Será possível que nada tivéssemos dito, ao menos um ámen? - Inclinou-se sobre a flor. - Perdoa! Nem eu nem o Giovanni Fazio te queríamos mal. Perdoa, também conchinha vermelha. Sim, nós não te queríamos mal. Éramos duas crianças que foram brincar à praia. Viemos à procura das acácias em flor, mas elas não existiam e em vez delas apareceste-nos tu. - Olhou para Giovanni. - Que diremos? Que diremos? Oh, Giovanni Fazio, hoje é um dia de loucura. Não há aqui ninguém, ninguém exige que digamos coisas ajuizadas. Para quê as coisas ajuizadas? - Subitamente tornou-se muito grave, corou, voltou à sua cor normal. - Ainda que pense mal de mim - disse -, vou fazer uma coisa muito séria. - Tirou o cinto quye lhe apertava a camisola de lã e despiu-a. Sem compreender, Giovanni observava-a. Tirou o resto e stava nua. - Eu sou uma sereia. - Corre em direcção ao mar, mergulha, reapoarece, grita: - Faça um gesto de admiração!
     Giovanni aproximou-se.
     - Será possível? - diz, recuando alguns passos, cheio de espanto. - Mas é uma sereia!
     - Oh, mas onde estou eu? - pergunta a sereia, abrindo muito os olhos. - E quem sois vós? Oh, como é estranho! É isto o mundo? - Observa-o longamente. - Quem sois? - Aproxima-se. Mexe-lhe nos cabelos, dá uma volta em torno dele, enquanto Giovannia a fita nos olhos, lhe evita o corpo. - É a isto que chamarão uma árvore? - pergunta.
     - Frio - responde ele.
     - Uma casa?
     - Frio.
     - Oh, tu és o Sol?
     - Não, não sou o Sol.
     - Minhas irmãs, às vezes, liam-me histórias. Falava-se aí de cavalos capazes de dar a volta ao muyndo numa noite. Sereis um? Sereis uma estrela? Que é uma estrela? Dize-me: serás tu o amor?
     - Sou um homem, sereiazinha.
     - Um Hoimem? Que nome engraçado - disse a Sereia midando-o  muito. - Que é um Homem?
     - Ah - diz o Homem -, se preferes euy sou a Lua, ou a linha do horizonte, o voo de uma ave.
     - Não - retorquiu a sereia. - Agrada-me que sejas um Homem. estranha coisa deve ser essa de ser um Homem! Que é que se sente quando se é Homem?
     - Que os teus lábios são vermelhos, que os teus olhos s~´ao verdes, que os teus ombros são macios.
     - Que engraçado é ser um Homem para sentir coisas assim! Como é que se pode saber a cor dos meus olhos e dos meus lábios? Ainda percebo que se saiba que os meus ombros são macios, mas como a cor dos meus olhos, Homem, se eles é que vêem?
     - Não há espelhos no fundo do mar?
     - que é um espelho?
     - Uma coisa onde nos vemos como somos.
     - Ah! Nós chamamos-lhe palma da mão. E adivinha-se. Mas a minha nunca me mostrou a cor dos olhos e já a dei a ler muitas vezes e nunca ninguém me disse nada. A tua diz-te? Oh, mostra, mostra! - Dirige-se a Giovanni, pega-lhe na mão esquerda. - Como é que se lê? Onde está aqui que os meus olhos são verdes, que os meus lábios são vermelhos?
     - Leva muito tempo a explicar. Deixa-me tocar com os meus dedos nos teus olhso e saberás. - Toca-lhe nas pálpebras.
     - Sim - diz ela -, verdes!
     - Nos teus lábios...
     - Sim - diz ela -, vermelhos...
     - ...Nos teus ombros...- Não, nos ombros não é prec iso, Homem. Eu sinto-os.  - com as mãos experimenta os ombros. - Sim, são macios. Mas não preciso agora das tuas mãos para nada! - Fica em silêncio. - Espera, Homem! Dize-me: que é uma Mulher?
     - Agora tu és uma Mulher, agora que deixaste o mar.
     - Mas eu volto!
     - Não podes! Morreste afogada. estiveste já muito tempo em terra e morreste. Quando uma sereia morre afogada em terra, transforma-se numa Mulher. - Apanha a riupa dela e atira-lha - Quando te vestires, serás uma Mulher. E mostrar-te-ei o mundo.
     - Vale a pena conhecer o mundo? - Mulher agora, ela sentia veronha da nudez e cobria o corpo.
     - Sim, o mundo é bom. A vida é uma coisa muito bela, uma coisa um pouco louca onde sucedem cosias estranhas, mas boa, terrivelmente boa. O mundo é um sítio onde ainda podemos encontrar sereias.
     - Sim, onde há estrelas. Não é o que tu és, não era isso, não era uma estrela?
     - Homem, Homem...
     - Ah sim. Um Homem.
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