Digimon Adventure:
Digimon Adventure:
Mitsuka Masato - Toei Animation
Anime - 67 Episódios
2020
5 em 10
Remake do Digimon Adventure de 1999. Ora, eu gosto bastante de Digimon, e queria ver a nova interpretação. No entanto nesta aventura de 2020, os elementos que me agradavam tanto na altura perderam-se. Deixámos de ter elementos trágicos e uma certa violência psicológica, para passar a uma sucessão de pequenas aventuras no mundo digital que parecem não ir a lado nenhum até aos dois últimos episódios.
Os digimons apresentados são diferentes dos da série original, com algumas novas "espécies" e outras novas evoluções. Mas sabemos que os digimons pequenos são muito fofinhos, e que os crescidos são mesmo feios...
As personagens não têm qualquer tipo de densidade para além da sua caracterização inicial. O genki, o calado, o esperto, a menina rica, e assim por diante. Por isso a relação entre as crianças e os digimons aparece muito forçada, sem qualquer contexto que a consiga suportar.
A animação também tem momentos muito erráticos, sendo que nalgumas cenas se excedem e noutras não possuem integridade.
Assim, este grande caminho de 67 episódios acabou por ser um desapontamento.
A Minha Irmã é uma Serial Killer
A Minha Irmã é uma Serial Killer
Oyinkan Braithwaite
2018
Romance
Comprei este livro porque tinha ouvido falar muito dele. Trata-se de um dos romances mais badalados de escritoras negras africanas dos últimos tempos, e olhem que estas não são muito comuns de todo.
O livro é simples, em capítulos rápidos e dinâmicos, e conta a história da relação entre duas irmãs: uma, a narradora, é enfermeira. A outra, nova, bela e talentosa, é uma assassina. O livro tece entre os assassinatos a história desta família e os sentimentos que Korede, a enfermeira, vai alimentando perante a irmã.
Apesar de ser um estudo bastante interessante sobre a relação fraternal, e também um retrato curioso da vida actual na Nigéria, acabamos por nos sentir mal alimentados com este livro, porque aparenta tudo ser inconsequente, como se a relação fosse mais forte do que qualquer outra coisa.
No entanto, penso que vale a pena ser lido e vou pô-lo em BookRay.
Hoozuki no Reitetsu
Hoozuki no Reitetsu
Wada Jouji - Wit Studios
Anime - 13 Episódios
2014
6 em 10
O inferno japonês é multi-nível e este anime fala do secretariado deste inferno. Hoozuki é um demo muito importante que trata de vários assuntos infernais. E assim temos um anime que é quase um Hataraku Maou-Sama, mas sem metade da graça.
Este é um anime de comédia, que como quase todos faz um uso repetitivo e aborrecido de uns e dos mesmos gags, sempre. Os personagens estão apenas apoiados na sua capacidade de fazer estas graças, e têm um desenvolvimento muito pouco apreciável, assim como a sua própria caracterização.
O anime coloca todos os elementos típicos de uma comédia do género, mas situados num lugar diferente, que é o inferno. Ainda assim, acabamos por conhecer muito pouco sobre este curioso elemento da cultura japonesa, porque o anime passa-se sempre nos mesmos lugares e nos mesmos níveis.
Salva-se uma nota para o design, que é bastante interessante.
Ryuu no Haisha
Ryuu no Haisha
Tsurumaki Kazuya - Khara
Anime Special - 2 Episódios
2017
6 em 10
Este anime foi-me recomendado na Roleta da Geringonça.
Apesar de ter Hideaki Anno como produtor executivo, este anime é uma experiência estranha e confusa. Dois países que não sabemos onde estão, nem em que época estão (devido aos frequentes anacronismos) estão em guerra. Isso sabemos. Mas um deles tem uma arma poderosa: dragões. Ora, estes dragões são propensos a cáries, que em japonês se chamam "mushi", como se fosse um insecto. Para tratar destas cáries insectívoras e impedir a queda dos dragões existem voluntários que servem como dentistas.
Até aqui tudo bem, mas é quando começamos a viver a verdadeira parte narrativa da história que tudo se transforma. É incompreensível o objectivo do elemento antagonista, não é verdadeiramente explicado o que são os mushi/cáries, subitamente aparenta estar tudo bem apesar de existir uma guerra sangrenta, como se o personagem principal tivesse direitos especiais sobre toda a história.
E apesar de termos muitos bons momentos de animação, o facto de o dragão ser inteiramente digital é perturbador e pouco coeso.
Assim, como não compreendi este anime, vou dar-lhe a nota do meio.
Kin no Tori
Kin no Tori
Hirata Toshio - Madhouse Studios
Anime - Filme
1987
5 em 10
Um filme baseado numa história dos Grimm, que tem o seu quê de magia mas que, no fundo, não me agradou assim tanto.
Os designs e a narrativa são extremamente infantis, mas de uma forma que não consegue transcender a sua demografia e tornar-se interessante para um adulto. A história original, que é extremamente simples, tem acrescentos que a complicam e, em vez de obtermos uma complexidade em várias camadas, temos um conjunto confuso e pouco coeso de ideias que não facilitam a evolução da história.
A animação é bastante satisfatória, com uma ou outra cena em que investem bastante produção. Também gostei dos designs dos cenários, que são bastante curiosos e originais.
Mas, no geral, penso que é um filme que vou esquecer rapidamente.
Creativity
Creativity
John Cleese
2020
Não-Ficção
Já antes de ver o Fawlty Towers tinha decidido comprar um dos livros do John Cleese, para conhecer melhor o seu processo. Este que escolhi foi um absoluto desapontamento, simplesmente porque não me disse nada de novo.
John Cleese concorda, certamente de forma leve e humorística, com o que todos os autores que se dedicam a estudar a creatividade dizem: é preciso concentração, muito trabalho e estimular a nossa mente através de bons hábitos físicos, sociais e artísticos.
Assim, nada disto para mim é uma novidade e, apesar de o livro ser leve e engraçado, lê-se num instante e senti que gastei dinheiro para nada.
O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar
O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar
Yukio Mishima
1963
Romance
Grande falha minha não ter lido talvez o livro mais famoso de Yukio Mishima, um dos meus autores preferidos. Já tinha visto um filme baseado neste livro, mas a leitura foi absolutamente fabulosa.
É fantástico como Mishima consegue colocar o leitor no lugar de cada uma das personagens. Este é um livro directo, altamente sensual e melancólico, que por um lado mostra o aproximar da realidade do marinheiro, mas por outro mostra o afastamento social das crianças.
A cada interacção entre as personagens, descobrimos mais sobre as suas intenções, não as intenções para com os outros mas aquelas relativas à sua própria vida, à sua própria busca por um lugar de pertença e, talvez, por um pouco de paz.
O final terrível, é propositadamente deixado em aberto para que o leitor possa sentir uma angústia desconhecida pelos próprios intervenientes.
É um livro genial, que muito recomendo!






