• O Ancião

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    O Ancião
    Jorge Varela Palhas
    2016
    Romance
    Quando recebi um livro da Editora Chiado, através do BookCrossing, fiquei um pouco de pé atrás. Afinal, esta editora não é famosa pela qualidade das suas edições. No entanto, decidi dar-lhe uma oportunidade. Em má hora foi.

    Este livro não tem propriamente uma história. No fundo fala sobre um homem que faz uma viagem até à ilha do Pico e lá conhece uma brasileira. De resto, o autor gasta as suas páginas e palavras em descrições detalhadíssimas de coisas que não interessam a ninguém, nomeadamente todas as páginas de um menu de um restaurante. As referências homofóbicas e racistas ao longo de todo o livro incomodam bastante e não ajudam a cativar o leitor para a imersão no personagem.

    O Ancião, o título do livro, aparece como uma figura tão misteriosa como vulgar, cuja única característica é ter uma casa com quatro andares subterrâneos em que há uma espécie de musei maçónico. Revela-se então que o autor não faz a menor ideia do que está a falar, revelando uma falta de pesquisa abstrusa.

    Para além disso, o livro está cheio, cheio, cheíissimo, de  erros ortográficos, de tipografia e gralhas na generalidade.

    Um livro custoso de ler e que me causou ódio.
  • O Assobiador

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    O Assobiador
    Ondjaki
    2002
    Romance

     Apesar de gostar muito deste autor, este curto romance desiludiu-me bastante.

    Numa aldeia, surge de repente um assobiador, um homem que assobia coisas maravilhosas. O autor esforça-se por mostrar a grave influência que esses assobios têm nos vários habitantes da aldeia, mas penso que ficou aquém das expectativas.

    Para começar, nunca percebemos exactamente o que é que o assobiador está a assobiar, pelo que o deslumbramento pelo seu som  passa ao lado do leitor. Depois, as outras personagens não possuem muita verosimilhança, aparentando ser mais caricaturas de pessoas reais do que outra coisa.

    Também as descrições dos lugares, espaços e acontecimentos são muito difusos, sendo que a sua falta de clareza não nos permite localizar bem as acções.

    Acabam por ter mais interesse as citações em todos os capítulos, o que me pareceu um exagero, do que os capítulos em si.
  • Barton Fink

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    Barton Fink
    Joel e Ethan Coen
    1991
    Filme
    7 em 10
    Faltava-me ver este filme dos irmãos Coen e veio a revelar-se uma grande surpresa. Afinal, grassa sobre um tema que eu gosto muito, o dos escritores.

    Um dramaturgo famoso em Nova York é convidado para fazer parte da grande indústria de Hollywood, sendo imediatamente contratado para escrever um filme sobre Wrestling. Instala-se num hotel um pouco decadente, mas não consegue escrever a sua história por nada deste mundo. A sua busca pela história perfeita dá o mote para uma série de acontecimentos bizarros que lhe vão sucedendo, levando-o a um estado de semi-inconsciência e desespero absoluto.
     
    Este filme mostra-nos um pouco do processo criativo falhado de um autor e a sua dependência da aprovação de entidades superiores que, por vezes, não percebem nada sobre a arte. Parece ser um filme um pouco autobiogbráfico da experiência dos irmãos em Hollywood. Mas também nos mostra uma excelente análise de uma personagem que, sem saber onde está metida, procura agarrar-se a conceitos que se não lhe aplicam e, com isso, consegue e não consegue escrever.
     
    É um filme pleno de simbolismos. Poderíamos mesmo analisá-lo como uma espécie de viagem no comboio dos infernos, em que Barton Fink se meteu por acaso.
     
    Um dos melhores filmes Coen, que recomendo.

  • A Cosmética do Inimigo

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    A Cosmética do Inimigo
    Amélie Nothomb
    2001
    Romance

    Um homem está à espera de um avião, que se atrasa. É subitamente incomodado por um senhor muito estranho e muito, muito chato, que não o deixa sossegado e começa a contar-lhe toda a sua vida. Mas este encontro bizarro é muito mais do que deixa transparecer à primeira vista!

    Uma narrativa rápida, esquisita e hilariante. Vamos descortinando os horrores desta narrativa acompanhados sempre de gargalhadas, em que o discurso cada vez mais inusitado dos personagens nos leva ao colapso.

    O final é tão estranho como surpreendente e, claro, também é por demais engraçado! Cada vez gosto mais desta autora e, se me surgirem mais livros dela, não perderei a oportunidade em lê-los!

  • As Identidades Assassinas

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    As Identidades Assassinas
    Amin Maalouf
    1998
    Ensaio
    Este é um ensaio claro e bem estruturado sobre o que é a verdadeira identidade de cada pessoa e como as várias identidades que cada um tem dentro de si podem influenciar os seus comportamentos e opiniões.

    O autor faz um paralelo entre as várias coisas a que uma pessoa pode pertencer (morada, religião, etc.) e como as coisas não são mutuamente exclusivas, podendo influenciar-se umas às outra e, assim, formando a verdadeira identidade de cada um.
     
    No entanto, não apreciei que o autor estivesse sempre a voltar a uma comparação com o islamismo, sendo que ele se afirma cristão desde o início. Parece-me injusto falar-se destas formas de uma religião que não nos pertence, embora saibamos que este autor tem uma pesquisa muito completa nos seus livros, versando muitas vezes sobre o mundo islâmico.
     
    Uma leitura rápida e que vale sempre a pena.

  • Encontros Imediatos do Terceiro Grau

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    Encontros Imediatos do Terceiro Grau
    Steven Spielberg
    1977
    Filme
    7 em 10

    Um fantástico filme de ficção científica! Os aliens, finalmente, estão a comunicar. E estão a comunicar para nos conhecer. Esta narrativa fala-nos de um grupo de pessoas que ficam influenciadas pela comunicação dos extra-terrestres e como isso altera as suas vidas.

    No entanto, as personagens servem sobretudo para nos dar um ar de maravilha e encantamento sobre a acção dos alienígenas sobre as mentes das pessoas. O que realmente é extraordinário são os encontros propriamente ditos, com efeitos especiais surpreendentes e uma série de comportamentos das pessoas em que o deslumbramento é tal que ficamos plenamente convencidos que, sim, estes aliens só nos querem bem.

    A cena final é comovente e trouxe-me uma felicidade imensa. Com uma banda sonora memorável e momentos que serão lembrados durante  muito tempo, é um filme tanto épico como cheio de surpresas e coisas fantásticas.

    Recomendo vivamente.
  • O Mundo em que Vivi

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    O Mundo em que Vivi
    Ilse Losa
    1949
    Romance

    O necessário livro sobre a segunda guerra mundial de que o Plano Nacional de Leitura necessita. Narra a infância e início da vida adulta de uma rapariga judia.

    O problema aqui é que ela se sente sempre mal em ser judia. É certo que no pré-guerra da Alemanha era uma condição um pouco grave, mas não existe nenhum momento em que a autora faça referência aos hábitos familiares, resumindo as suas actividades religiosas a algo que lhe causa pudor e vergonha.

    Para além disso, a personagem aparenta ter sempre a mesma idade ao longo do livro. Par anós, continua sempre a ser uma criança de seis anos até que subitamente vai trabalhar e aí compreendemos que, surpreendente!, afinal estamos a falar de um adulto.

    Disseram-me também, e tinha essa expectativa, que o livro era extremamente triste e que fazia chorar até as pedras da calçada. Mas todos os momentos de tristeza eram sempre os de uma criança mimada que não tem o vestido bonito que queria ou coisas do género.

    Desapontou-me, embora perceba a sua importância para o panorama literário nacional.
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