• First Reformed

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    First Reformed
    Paul Schrader
    2017
    Filme
    6 em 10
    Apesar de também ter um motivo religioso, não quero significar com este filme que estamos viciados em religiões. Mas calha. :p

    Um padre de uma igreja turística vive a sua vida com grande calma e, um dia, decide fazer um diário para falar com deus. Pensa ele que não consegue mais rezar e, por isso, a sua chama enquanto clérigo começa a ceder. No meio das suas ocupações, um casal jovem procura-o para aconselhamento: o rapaz tem uma visão do mundo altamente pessimista e está envolvido com diversas associações ambientalistas. A partir desta relação se constrói uma análise de personagem.
     
    Apesar desta análise ter o seu interesse, do encontro de deus num novo tipo de obsessão e no não-esquecimento da humanidade pessoal, parece-me que a personagem tem certas fragilidades que perturbam a narrativa da história. A sua bondade inerente, a placidez da sua loucura e o facto de estar cada vez mais doente fazem com que este padre fique aquém da revolução que pretende representar.
     
    Também existem estranhos momentos de comédia que, apesar de darem alguma cor ao filme, parecem não vir a calhar na maior parte das vezes. No final, fica uma grande aventura social por contar.

  • InuYasha: Kanketsu-Hen

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    InuYasha: Kanketsu-Hen
    Furuta Jouji - Sunrise
    Anime - 26 Episódios
    2009
    6 em 10

    Se a primeira season de InuYasha, composta por quase uma centena de episódios, se revelou inconclusiva, esta segunda season pega nas pontas soltas e dá-lhes um nó tão gorducho que a conclusão não podia ser pior. O falhanço anacrónico da autora original, a Rumiko, é provado uma e outra vez com estas conclusões para séries longuíssimas.

    Estes vinte e seis episódios constituem-se de InuYasha a lutar contra monstrengos variados, cada um mais poderoso que o outro, enquanto existem conspirações palacianas que envolvem os seus familiares. Enquanto isso, a heroína Cagou-me sofre horrores e faz brilhar o seu grande-grande amor.

    Tudo isto pontuado por uma animação infeliz, com um valor de produção desadequado e mal utilizado, em que os erros anatómicos, erros no design das cores, erros no design em geral e ua completa ausência de cenários, fazem com que a experiência seja um falhanço.

    Também não temos uma banda sonora digna desse nome.

    Felizmente, se há algo de bom que este anime faz é dar algum tipo de espécie de conclusão à série, por mais previsível que ela seja, o que até foi um bocadinho emocionante. Daí dar-lhe uma nota tão dentro da média em vez de o destruir. Mantenha-se sempre a esperança!
  • Disobedience

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    Disobedience
    Sébastian Lelio
    2017
    Filme
    7 em 10


    Como pode o amor entre duas mulheres florescer num meio altamente religioso e ortodoxo? Este filme é uma comovente análise do desejo e da libertação do amor sensual, num contexto altamente improvável.

    Quando falamos de judaísmo, certamente recordamos o tradicional germanismo e os EUA. Mas a comunidade judaica está viva e muito forte em alguns lugares do Reino Unido, sendo que o filme caracteriza uma dessas comunidades. Desde já é um filme curioso nesse aspecto. Desconhecia muitas coisas acerca da tradição judaica harmonizando-se com o quotidiano da realidade e o local onde se encerra esta narrativa é um caldeirão perfeito para tirarmos algumas conclusões.

    De resto, a história que nos é apresentada é apaixonada, muito explícita e desesperada, fazendo recurso a personagens com um conteúdo polposo que permite muito desenvolvimento (se calhar mais do que o tempo limitado do filme nos permite) que só conseguem ser trazidas à vida por um conjunto impecável de actores.

    Fica uma nota para a cinematografia simples e para a parca utilização de cenários e adereços, de certa forma virando as costas à tecnologia e dedicando-se mais ao lugar de todos os dias.

    Recomendo bastante!
  • Maya - O Romance da Criação

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    Maya - O Romance da Criação
    Jostein Gaarder
    1999
    Romance
    Depois de Sofia, sempre fiquei um pouco curiosa acerca deste autor e do que mais me poderia ensinar sobre o pensamento filosófico. Por isso, pedi este livro no BookCrossing, por onde o recebi. 
     
    O autor confunde-se e confunde-nos com uma série de narrativas dentro de narrativas, em que ficamos sem compreender exactamente o que se passou na realidade e o que realmente as pessoas conversaram. Penso que, na contemplação do novo milénio (o livro foi publicado em 99), o Gaarder procura estabelecer uma ligação entre a nossa evolução humana e a evolução do planeta e das outras espécies.
     
    Só que em vez de se dedicar aos excelentes diálogos entre as suas personagens, o autor decide enfiar a martelo por ali no meio uma fantasia sobre cartas de jogar e um anão imagin~a´rio. Isto apenas confunde os pensamentos de quem lê, sobretudo quando se vem a chegar à conclusão final de que o narrador era apenas uma personagem, mas uma personagem que existe e a quem aconteceram todas as coisas, excepto aquelas que afinal não aconteceram. Confuso, certo?
     
    Apesar de o livro nos colocar uma série de questões interessantes, elas acabam por ficar para trás devido à desnecessária complexidade da narrativa.

  • Castlevania Season 2

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    Castlevania Season 2
    Netflix
    Animação - 8 Episódios
    2018
    7 em 10

    Depois do (não) sucesso da primeira season, não conseguimos resistir em ver imediatamente e de seguida todos os oito episódios desta segunda.

    Agora, Trevor Belmont, Sypha e Alucard estão juntos para encontrar o castelo do Drácula e destruí-lo para evitar o holocausto de toda a humanidade. No entanto, Drácula reuniu os seus vampiros generais e estão a tentar organizar uma guerra. Mas, no meio disto tudo, qual o verdadeiro objectivo do velho vampiro?

    Desta feita, houve um melhor desenvolvimento das personagens e das relações uns com os outros, sobretudo na relação pai-filho entre os vampiros e no desenvolvimento de amizades (e inimizades) com novos personagens. Isto permite caracterizar melhor os vampiros enquanto comunidade e estabelecer melhores âncoras com os vários passados e, com isso, com o que se está a passar na série. Infelizmente, fazem questão de mencionar isso ao longo de todo o último episódio, o que é ligeiramente parvo e parolo.

    Se a animação das cenas de diálogo é extremamente fraca (e estas também, devido ao uso constante de piadas que não correspondem em nada às personagens), já aquela das cenas de acção não se fica por menos de surpreendente. Com recurso a técnicas bastante simples, sem nenhuma profusão digital, temos o melhor aproveitamento de coreografias muito bem pensadas, tornando cada luta num corropio de emoções e num tornado de sensações visuais.

    Apesar do final ao mesmo tempo foleiro e extremamente tocante e comovente, ainda nos deixaram espaço para mais uma season. Tenho esperança que seja como os jogos e agora passem para um novo capítulo, com outras batalhas e outros inimigos.
  • The Ballad of Buster Scruggs

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    The Ballad of Buster Scruggs
    Joel Coen & Ethan Coen
    2018
    Filme
    7 em 10
    Desta feita, os nossos irmãos Coen surpreendem ao fazer um filme produzido e distribuído pelo novo gigante televisivo: a Netflix. No entanto, este é um filme digno de figurar entre aqueles com maiores valor de produção e maior dedicação dos autores. Baseado numa série de histórias escritas na infância dos irmãos, este é um conjunto de contos cinematográficos que nos remete para um universo de livros de cowboys e fantasias.

    Dividido em seis partes, que são também seis histórias distintas, algo une todas as histórias. Para começar um mordaz sentido de humor que deixará por terra até os mais fortes. Tendo isso em consideração, as histórias são surpreendentes, trágicas e, ao mesmo tempo, terrivelmente engraçadas. Depois, todas elas têm um tema em comum. Todas falam, de uma forma ou de outra, da morte e da contemplação do fim.

    Para além disso, temos um conjunto de imagens fotográficas ao longo do filme que nos remetem para um passado longínquo e para uma natureza distante e agressivamente selvagem, mas em que o pior continuam a ser sempre - e para sempre - as pessoas.

    Um filme que passa num instante, de uma comicidade culpada e filosófica.
  • Popee The Performer

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    Popee The Performer
    Masuda Ryuuki - Nippon Animation
    Anime - 39 Episódios
    2000
    4 em 10
    São trinta e nove episódios, com quatro minutos cada um. Portanto, pouco mais de duas horas e meia de puro horror e sofrimento.

    Um anime que se popularizou durante uns instantes porque envolve um palhacito, cócó e sangue do nariz, trata-se nada mais nada menos que uma sequência de historietas sobre o circo, que envolvem desgraças em maior ou menor nível. Um anime infantil (fora o facto de os bonecos sangrarem), meio demente, que seria muito engraçado se não fosse absolutamente horroroso.

    A animação desta coisa é um objecto de negação da arte. Não há uma linha direita nestes sprites digitais e a sua textura, estrutura, anatomia, design geral e movimento são tudo menos coerentes. Tudo falha, há erros em todos os momentos e parece que cada episódio foi feito pelo mais incompetente estudante do curso profissional de animação do novas oportunidades.

    Temos um conjunto de musiquinhas assustadoras e perturbadoras que ligam muito bem com o pavor que é isto tudo.

    Fica um pontinho a mais pela originalidade.
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